/Especial


Lambada faz 40 anos


por Fernando Rosa

A lambada completa 40 anos de criação do gênero, considerando-se como "marco zero" o lançamento do disco "Lambada das Quebradas", do guitarrista paraense Mestre Vieira. A lambada, também conhecida como guitarrada quando tocada na guitarra, é um dos gêneros musicais mais importantes surgidos no Brasil moderno - pós-Bossa Nova, Jovem Guarda e Tropicalismo. Oriunda do estado do Pará, é resultado da soma de influências nacionais como o chorinho, o siriá, o carimbó e também sons latinos, via rádios ondas-curtas, como o mambo, o merengue e a cumbia.

Nesta quarta-feira, dia 10/01, às 16 horas, os músicos e pesquisadores André Macleuri e Bruno Rabelo, ex-integrante do grupo Cravo Carbono, e atualmente do Cais Virado, apresentam a palestra sobre o tema no pub Ná Figueredo, em Belém. Sob o título de "Discografia básica da Guitarrada anos 70/90", os dois resgatam a história do gênero tendo como base os LPs clássicos lançados por Mestre Vieira, Aldo Sena, Solano e outros guitarreiros do estilo. Ao término do diálogo, haverá uma breve apresentação musical tendo como base o repertório da época citada.

Apesar da importância do disco "Lambada das Quebradas" como um marco, a "lambada" é objeto de debate quanto a origem musical e da expressão entre músicos e historiadores paraenses. Para alguns, a origem estaria na música "Lambada" - na verdade um "sambão", presente no disco "No Embalo do Carimbó e Sirimbó - Volume 5", de Pinduca, lançado em 1976. A expressão, para outros, é creditada ao radialista Haroldo Caracciolo, que chamava as músicas "quentes", como merengues, de lambadas. 



O gênero "lambada" tornou-se conhecido mundialmente a partir de situação sem qualquer ligação com a cena e os criadores originais da região amazônica. Um huayno original dos bolivianos Los Kjarkas, a música "Llorando Se Fue", teve sua primeira versão "cumbia" gravada pelo grupo peruano Cuarteto Continental, em 1985. Um ano depois, a brasileira Márcia Ferreira grava a versão "Chorando se foi" e, a partir dela, em 1989, os franceses Olivier Lorsac e Jean Karacos montam o grupo Kaoma e lançam música com o nome de "Lambada".

Apesar da falsa impressão de música "fake" para quem tomou conhecimento da lambada pelo grupo Kaoma, o gênero tem uma profunda vinculação com a cultura amazônica. Além do guitarrista Mestre Veira, vários artistas gravaram lambadas nos anos 80, contribuindo com a história do gênero. O grupo Os Populares de Igarapé-Mirí, também no Pará, com Aldo Sena na guitarra, é outro ícone da origem da lambada, com primeiro disco lançado em 1980. Espécie de segundo na hierarquia dos "mestres", Aldo Sena lançou seu primeiro disco solo em 1983. Também o grupo Lambaly, com Oseas na guitarra, lançou um disco na virada da década.

A quantidade de guitarristas importantes é grande, com vários deles tendo diversis registros em suas discografias. Ao Mestre Vieira e a Aldo Sena, somam-se João Gonçalves, Mário Gonçalves (que gravou a primeira música chamada "Lambada", em 1976, em disco do irmão PInduca), Mestre Solano, Marinho, Barata e Didi. O gênero estendeu-se até Manaus, no estado do Amazonas, onde se destacaram nomes com Oseas, André Amazonas e Magalhães. Além da guitarra, o cavaquinho e o sax também foram instrumentos chaves para o desenvolvimento da lambada, com nomes como Pantoja do Pará, Manezinho do Sax, Teixeira de Manaus, Canarinho, Nonato e Bené.

No final dos anos noventa, a lambada, agora batizada de guitarrada, ressurge na cena musical jovem, com discos do guitarrista Chimbinha, antes do grupo Calypso, do grupo Cravo Carbono e do próprio Vieira, que lança o álbum "A volta". Nesse período, é produzido o documentário "Música do Brasil", com curadoria de Hermano Viana, que destaca a renovação da cena e seus novos criadores. Ao mesmo tempo, em 2003 surge o grupo de "guitarrada progressiva" La Pupuña e, em seguida, a Fundação de Comunicação do Pará lança a caixa o disco "Mestres da Guitarrada", com Mestre Vieira, Aldo Sena e Curica.

A partir de então, amplificada pelo projeto "Terruá Pará", que projeta a música do estado para o centro do país, com shows em São Paulo, a guitarrada ganha espaço nacional. Guitarristas paraenses como Pio Lobato (ex-Cravo Carbono), Félix Robatto (ex-La Pupuña) e, mais recentemente, Felipe Cordeiro, Lucas Estrela e o amazonense Rosivaldo Cordeiro, atualizaram a guitarrada e, com isso, também a lambada. Vale destacar ainda a dupla Figueroas, de Alagoas, que resgata a lambada e o brega e, Manoel Cordeiro, clássico produtor e guitarrista, que grava seu primeiro disco.

Ao completar 40 anos, a lambada pode ser, definitivamente, valorizada em sua verdadeira identidade, que é paraense, amazonense - amazônica.


Saber mais: - Lambada das Quebradas (Canal do Youtube) - https://goo.gl/5XvE7Y 

Discografia sugerida (lambada & música amazônica): - Vieira e Seu Conjunto – Lambada das quebradas (volume 1)
- Vieira e Seu Conjunto - Lambada das quebradas (volume 2)
- Viera e Seu Conjunto - Lambadas das quebradas (volume 3) - O rei da lambada
- Vieira e Seu Conjunto - Melô da cabra
- Vieira e Seu Conjunto - Desafiando
- Vieira e Seu Conjunto - Vieira e Seu Conjunto (1984)
- Vieira e Seu Conjunto - Vieira e Seu Conjunto (1985)
- Vieira e Seu Conjunto - Bota fogo nela
- Vieira e Seu Conjunto - Mestre Vieira e Seu Conjunto (Loirinha)
- Vieira e Seu Conjunto - Vieira e Seu Conjunto (Bandolim na cumbia)
- Vieira e Seu Conjunto - Lambada
- Vieira e Seu Conjunto - Melô da Pomba
- Vieira e Seu Conjunto - 40 graus
- Vieira e Seu Conjunto - A Volta (CD)
- Mestre Vieira - Guitarreiro do mundo (CD)
- Mestre Vieira - Guitarrada magnética (CD)
- Mestre Vieira - Os Dinâmicos (CD)
- Mestre Vieira, Aldo Sena & Curica - Mestres das Guitarrada (CD)
- Mestre Lucindo & Conjunto Carimbó Canarinho de Marapanim - Isto é Carimbó!!
- Mestre Cupijó - Siriá (1974)
- Mestre Cupijó - Dance o siriá (1974)
- Mestre Cupijó - Siriá siriá (1975)
- Mestre Cupijó - Siriá (1976)
- Mestre Cupijó - Banguê da namoradeira (1978)
- Mestre Cupijó - Mestre Cupijó (1982)
- Mestre Cupijó - Siriá (Mestre Cupijó e seu ritmo) (CD)
- Verequete - Projeto Uirapuru - O canto da Amazônia (CD)
- Verequete - Verequete é o rei (CD)
- Pinduca (com Mário Gonçalves) – No Embalo do Carimbó e Sirimbó – Volume 5
- Pinduca - No embalo do Pinduca (CD)
- Pinduca - Série "Raízes Nordestinas" (CD)
- Os Muiraquitãs - No carimbó
- Os Muiraquitãs - Os Muiraquitãs (O carimbó da gaivota)
- Grupo da Pesada - Explosão do carimbó
- Grupo da Pesada - Volume 2
– Os Populares de Igarapé-Mirí (com Aldo Sena & João Gonçalves) – Lambadas incrementadas (volume 1)
- Os Populares de Igarapé-Miri (com João Gonçalves) - Lambadas incrementadas (volume 2)
- Os Populares de igarapé-Miri (com João Gonçalves) - Lambadas incrementadas (volume 3)
- Os Brasas de Maraú - Volume 1 (com Aldo Sena)
- Lambaly (c/Oseas) - Lambadas nacionais
– Aldo Sena – Aldo Sena (Solo de Craque, 1983)
- Aldo Sena - Aldo Sena e Seu Conjunto (Big show)
- Aldo Sena & Curica - Guitarradas do Pará (CD)
- Aldo Sena - O melhor de Aldo Sena (CD)
- Aldo Sena - Dance Lambadas
- Aldo Sena - 20 Preferidas (CD)
– Mário Gonçalves – Guitarrando na lambada
- Mário Gonçalves - Mário Gonçalves
- Mário Gonçalves - Guitarrando Vol 3
- Solano e Seu Conjunto - Volume 1
– Solano e Seu Conjunto – Volume 2 (Ela é americana)
- Solano e Seu Conjunto - Volume 3
- Solano - O som da Amazônia (CD)
- Barata - Sua voz e sua guitarra (vol 1)
- João Gonçalves – O guitarra de ouro (vol 1)
- João Gonçalves - O guitarra de ouro (vol 2)
- Marinho – Guitarra de ouro
- Carlos do Pará - Guitarrando na lambada (Ritmo do momento) (com Didi)
- Oseas - E sua guitarra maravilhosa (vol1)
– Oseas – E sua guitarra maravilhosa (vol 2)
- Oseas - E sua guitarra maravilhosa (vol3)
– Oseas – E sua guitarra maravilhosa (vol 4)
- Oseas - Série "Raizes Nordestinas" (CD)
- Oseas - Lambadas brasileiras
– André Amazonas – A guitarra do povo
- André Amazonas - Uma guitarra na lambada
- André Amazonas - (1986)
- André Amazonas - Brincando com as cordas
– Magalhães – Magalhães e sua guitarra
– Carlos Marajó* – Guitarradas (Lambada Ritmo Alucinante) – Volume 1 (com Oseas)
– Carlos Marajó* – Guitarradas (Lambada Ritmo Alucinante) – Volume 2 (com Aldo Sena)
– Carlos Marajó* – Guitarradas (Lambada Ritmo Alucinante) – Volume 3 (com Aldo Sena)
– Carlos Marajó* – Guitarradas (Lambada Ritmo Alucinante) – Volume 4 (com Aldo Sena)
– Carlos Marajó* – Guitarradas (Lambada Ritmo Alucinante) – Volume 5 (com Aldo Sena)
– Carlos Marajó* – Guitarradas (Lambada Ritmo Alucinante) – Volume 6 (com Aldo Sena)
– Carlos Marajó* – Guitarradas (Lambada Ritmo Alucinante) – Volume 7 (com Aldo Sena)
- Deusimar da Guitarra - Deusimar da Guitarra
– Mestre Curica (banjo) – Mestre Curica e seu Conjunto (CD)
- Manoel Barbosa - Sonora Amazônia (CD)
- Canarinho - Lambada do Canarinho
- Canarinho - Lambada do Canarinho (volume 2)
- Bené do Cavaco - Bené do Cavaco
- Nonato - Um cavaquinho diferente
– Manezinho do Sax – Apimentado (CD)
- Manezinho do Sax - Para Vigo me voy
- Manezinho do Sax - Volume 1
- Manezinho do Sax - Volume 2
- Manezinho do Sax - Volume 3
- Pantoja do Pará - Lambadas e melôs
- Pantoja do Pará - O cachimbo de ouro (vol 4)
- Pantoja do Pará - O cachimbo no forró (vol 2)
- Chico Cajú - E seu super sax
- Chico Cajú - Super Sax
- Paulinho do Sax - Sax & guitarra arrepiando
– Teixeira de Manaus – Série “Raizes Nordestinas" (CD)
- Teixeira de Manaus - Solista de Sax (vol 1)
- Teixeira de Manaus - Solista de Sax (vol 2)
- Teixeira de Manaus - Solista de Sax (vol 5)
- Teixeira de Manaus - Na ginga da salsa, cumbia e merengue
- Os Reis do Sax - Ivanildo - Antônio Cearence - Pantoja do Pará
- Chiquinho David - O maior saxofonista da Amazônia (volume 1)
- Chiquinho David - O maior saxofonista da Amazônia (volume 2)
- Chiquinho David - O maior saxofonista da Amazônia (volume 3)
- Antônio Cearence - Do que jeito que o povo gosta
- Antônio Cearence - Um presente pra você
- Banda Warilou - Soka Zouck Cacicó
- Cravo Carbono - Mundo Açú
– Cravo Carbono – Peixe Vivo (CD)
- Cravo Carbono - Córtex (CD)
- Pio Lobato - Tecnoguitarradas (CD)
– Chimbinha – Guitarras que cantam (CD)
– La Pupuña – EP (CD)
- La Pupuña - All rigth Penoso (CD)
- Dona Onete - Feitiço caboclo (CD)
- Dona Onete - Banzeiro (CD)
- Félix Robatto - Equatorial, quente e úmido
– Félix Robatto – Belemgue banger (CD)
– Lucas Estrela – Farol (CD)
– Rosivaldo Cordeiro – Guitarreiro (volume 1) (CD)
- Felipe Cordeiro - Se apaixone pela loucura de seu amor (CD)
- Figueroas - Swingue Veneno (CD) 
* Onde comprar: Loja Ná Figueredo (Belém) - http://www.namusic.com.br/
  * Foto: Divulgação/Luciana Medeiros
 


/História do Rock


1950-1970: os primeiros 'guitarristas de ouro' do rock brasileiro


por Fernando Rosa

Em 1957, em São Paulo, Betinho e Seu Conjunto lançava Enrolando o Rock, a primeira gravação do gênero feita no Brasil que incluía a guitarra elétrica em sua execução. O paulista Alberto Borges de Barros, Betinho, filho de Josué de Barros, o descobridor de Carmem Miranda, entrava para a história como o responsável pelo primeiro rock nacional com guitarra - no caso uma Fender Stratocaster, que substituía a Gibson utilizada por ele no fox Neurastênico, em 1954. Ainda no final dos anos cinqüenta, diversos guitarristas seguiram o caminho aberto por Betinho, afirmando a presença da guitarra na história do rock nacional, especialmente a partir da fase instrumental, destacando-se Dudu, do grupo The Avalons.

Na virada da década, surgiram Alladin (The Jordans), Gato (The Jet Blacks) e Renato Barros (Renato e Seus Blue Caps), que brilharam na fase instrumental, influenciados pelos grupos The Shadows e The Ventures, e depois aderiram à Jovem Guarda. O paulista Romeu Mantovani Sobrinho, Alladin, destacou-se com o cover de Blue Star que, sustentada por seus solos, ficou oito meses em primeiro lugar nas paradas, além de outros clássicos como FBI, Cadillac e Tema de Lara. José Provetti, o Gato, também paulista, à frente do The Jet Blacks, construiu a fama de grande guitarrista em covers como Apache, Theme For Young Lovers e Suzie Q, passando depois a integrar a clássica formação do RC7, grupo que acompanhava Roberto Carlos.

Já a transição do rock instrumental para a "era Beatles", em meados dos anos sessenta, teve em Euclides, que integrava o grupo Luizinho e Seus Dinamites, e depois o The Pop's, o seu grande guitarrista, embora sem o devido e merecido reconhecimento. Tocando guitarras fabricadas pelo próprio Luizinho, em meados da década de sessenta, Euclides transformou-se em um dos mais brilhantes guitarristas da história do rock brasileiro. Seus solos, instigados pelos "alimenta, Euclides" do líder Luizinho, podem ser ouvidos no álbum Choque que Queima, um dos clássicos do rock brasileiro, relançado em vinil pelo selo Bruno Discos, de São Paulo. Ao lado de Euclides no The Pop's, e depois nos Populares, Júlio Cesar também conquistou seu espaço na galeria dos grandes guitarristas.

O líder do grupo Renato e Seus Blue Caps, Renato Barros, por sua vez, fez de sua discreta e, por vezes, barulhenta fuzz guitar, uma das bases fundamentais da sonoridade Jovem Guarda, especialmente a partir do disco Viva a Juventude!', e no acompanhamento de outros intérpretes. Ainda na mesma linha pop, está o guitarrista Risonho, membro dos grupos The Clevers, e depois dos Incríveis, que também marcou sua presença pela qualidade técnica e discrição, em músicas como O Milionário. O mesmo ocorrendo com outros instrumentistas, com destaque para Bogô, dos Beatniks, que deixou sua a marca de sua guitarra em fantásticos compactos contendo músicas como Fire (Jimi Hendrix), Gloria (Them) e Aligattor Hat, onde produz alucinados riffs sob o tema da Light.

Com a chegada da psicodelia, a guitarra explodiu como símbolo da geração, passando a provocar a ira dos conservadores, que acusavam o instrumento de estranho à nossa cultura. Os festivais musicais encarregaram-se de expôr o conflito, deixando históricos registros de duelos entre guitarras e vaias do público, do que é exemplo a apresentação dos Mutantes, acompanhando Caetano Veloso, em É Proibido Proibir. O clima de desafio pode ser visto na foto publicada pela revista Manchete, feita durante um dos festivais da Record, no final dos anos sessenta, onde Arnaldo, Serginho e Gilberto Gil simulam portar, ao invés de guitarras, metralhadoras.

Empunhando sua famosa "guitarra de ouro", fabricada especialmente por seu outro irmão, Cláudio (exímio luthier de guitarras), Sérgio Dias Baptista, dos Mutantes, integrou as influências do rock com a sonoridade tropicalista, costurando sua mistura com apurada técnica instrumental. Ousado e criativo no uso do instrumento, Serginho afirmou-se como o maior guitarrista da história do rock brasileiro, conquistando o respeito de músicos e da crítica internacional depois do fim dos Mutantes. Seu trabalho de guitarra atingiu a genialidade em clássicos como Batmacumba, Mágica, Jogo de Calçada, Lady Madona (cover dos Beatles) e Saravá, entre outras músicas.

Além de Sérgio Dias, a segunda metade dos anos sessenta ainda revelou Tuca (Carlos Eduardo Aun, paulista), que tocou com Os Baobás, e o gaúcho Mimi Lessa, membro do grupo Liverpool. Mimi, que também integrou o Bixo da Seda, produziu no disco Por Favor Sucesso, um dos mais radicais trabalhos de guitarra daquela época. Tuca, que iniciou tocando música instrumental com Os Lunáticos, também participou da gravação do único disco do grupo The Galaxies, que traz um excelente registro do som de garagem. Outros que destacaram-se nesse período foram Rafael Vilardi, com passagem pelos Thunders, Wooden Faces, O'Seis, Baobás, Suely & Os Kantikus e Os Tremendões, e Aroldo Santorosa, que brilhou à frente do Som Beat, o "Yardbirds paulistano", e depois integrou os grupos Os Incríveis e Casa das Máquinas.

A tropicália, por sua vez, produziu Lanny Gordin, seu maior instrumentista, que fez passar pelas "cordas de ácido" de sua guitarra as idéias sonoras que revolucionaram a música brasileira. Nos grupos Suely e Os Kantikus ou Brazilian Octopus, onde começou, ou junto de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Jards Macalé, Lanny deixou sua marca inconfundível de competência instrumental e execução tensa e apaixonada. Na mesma época, também Pepeu Gomes, que iniciou tocando baixo com Os Minos, ainda na Jovem Guarda, antecipava, à frente do grupo Os Leif's, a mistura de Jacob Bandolim e Jimi Hendrix, que definiria o som de sua guitarra nos futuros grupos A Cor do Som/Novos Baianos, já nos anos setenta. A guitarra soul-fuzz de Luiz Wagner (Os Brasas), em discos de Vanuza e Os Caçulas, entre outros, também fez sua história, ainda pouco reconhecida.

A década de setenta também contou com uma safra de excelentes guitarristas, em todos os desdobramentos que o rock nacional assumiu naquele tempo, desde o rock tradicional, produzido por grupos com o Made in Brazil, e seu excelente guitarrista Celso Vechionne, até o rock rural de Ruy Maurity Trio. Além de maior domínio do instrumento, adquirido com a experiência acumuladas pelos antecessores, os guitarristas daquela década passaram a contar com mais acesso às novas tecnologias existentes, o que resultou em maior apuro técnico. Também os equipamentos de palco, amplificadores, captadores e outros aparelhos afins, contribuiram decisivamente para valorizar a guitarra e seu som.

No início dos anos setenta, incorporando o hard rock e o progressivo, Pedro Lima, à frente do grupo A Bolha, realizou um exemplar trabalho de guitarra, especialmente no primeiro compacto e no primeiro álbum do grupo, Um Passo à Frente. Na mesma direção, Gabriel O’Meara, guitarrista do grupo O Peso, e Celso Vecchione, do Made in Brazil, foram responsáveis pelos melhores momentos do rock pesado na primeira metade dos anos setenta. Ainda, fiel ao rock e ao blues tradicional, o irlandês/brasileiro, John Flavin, foi um dos grandes guitarristas da década, seja à frente do grupo Arnaldo & Patrulha do Espaço, ao vivo e em estúdio, somente com a Patrulha do Espaço, ou acompanhando o Secos & Molhados.

O rock progressivo, por sua vez, deixou lendas vivas, mas pouco conhecidas, da guitarra nacional, como Paul de Castro, que integrava o grupo carioca Veludo, e depois tocou com o new-wave Herva Doce, já nos anos oitenta. Um pouco antes, por volta de 1971, o guitarrista Daniel demonstrava sua grande habilidade técnica no disco Não Fale com Paredes, do grupo Módulo 1000, um clássico do psico-progressivo brasileiro. E, ainda, é nesta fase que surgem outros guitarristas, especialmente Luiz Maurício, depois Lulu Santos, que roubava os shows nos palcos do Rio de Janeiro com seus grupos Albatroz, Veludo Elétrico e, ainda, Vímana, ao lado de Lobão, Ritchie e Fernando Gama.

Por fim, o guitarrista Sérgio Hinds, do grupo O Terço, deu ao instrumento uma nova dimensão, fazendo a ponte entre o rock e a música popular brasileira, incorporando definitivamente a guitarra à cultura musical nacional. Forjada nos bailes e programas de rádio e televisão com os Hot Dogs, a guitarra de Hinds abriu-se para as influências do rock progressivo e para o som erudito, fundindo-os com a sonoridade acústica/rural brasileira, produzindo um resultado inovador. O exemplar trabalho de Hinds pode ser ouvido, de forma especial, nos discos Criaturas da Noite, Casa Encantada e Mudança de Tempo, ou ainda nos primeiros compactos do grupo, gravados no início dos anos setenta.

Afirmando definitivamente a presença da guitarra na vida musical brasileira, guitarristas como Rick Ferreira, acompanhando Raul Seixas, outros como Luiz Carlini (Tutti Frutti), Paulo Rafael e Ivson Wanderlei (Ivinho) - os dois do Ave Sangria, Robertinho de Recife e Armandinho romperam com os preconceitos ainda existentes. A partir deles, a guitarra passou a ser ouvida além dos limites do rock, em trabalhos ligados a outros gêneros como frevo, baião, samba e até mesmo sertanejo, com a mais absoluta naturalidade. Com a mesma paixão dos primeiros acordes de Enrolando o Rock, instrumentistas como Edgar Scandurra (Ira!), Celso Blues Boy, Herbert Viana (Paralamas do Sucesso), ou mais recentemente, Carlo Pianta, do grupo gaúcho Graforréia Xilarmônica, ampliaram ainda mais as possibilidades da guitarra a serviço da música jovem brasileira. 

 


/Especial


Senhor F, 20 anos: rede, conteúdo e debate


da Redação

O portal Senhor F completa neste ano de 2018 vinte anos de vida nas redes virtuais e no mundo físico. Ainda como revista/site, Senhor F surgiu em 1998, com uma estética visual próxima aos tradicionais fanzines, como estratégia de aproximação com um público ainda ligado às mídias clássicas e pouco familiarizado com a linguagem da internet. Com a democratização do acesso à internet, especialmente com o uso da banda larga, a revista transformou-se em um portal, agregando diversas seções, uma Agência Diária de notícias e outras ferramentas, como programas de rádio e uma plataforma de lançamento de discos virtuais.

A parir do portal um conjunto de outras atividades desenvolveram-se sob a mesma orientação estética, musical e de política cultural. Ao longo dos 20 anos, foram produzidos programas de rádio (com destaque para a Usina do Som, Rádio Cultura do DF e Rádio Câmara), um evento com periodicidade mensal, a Noite Senhor F, outros eventos como Senhor Festival, Super Noite Senhor F e Senhor F Meio Desligado, um festival com periodicidade anual, o El Mapa de Todos, voltado para a integração latina, um selo físico (Senhor F Discos) e diversas parcerias com outras publicações.

Inicialmente, a publicação esteve mais voltada para o resgate da história do rock brasileiro, buscando valorizar aspectos pouco divulgados pela mídia tradicional. Assim, especialmente nos primeiros anos, passaram pela revista segredos, mistérios e obscuridades fundamentais para a compreensão de sua dinâmica além do “oficialismo”. Entre eles, personagens como o “Ronnie Von psicodélico”, discos raros como “Paebirú” e raridades discográficas com a estréia de Lanny Gordin com Eduardo Araújo. A redescoberta de discos raros também estimulou (re)lançamentos nacionais e internacionais.

Ao mesmo tempo, a publicação valeu-se de sua condição online para vincular-se estreitamente com a cena independente emergente em festivais, selos alternativos e novos grupos. Com essa definição editorial, Senhor F tornou-se a principal referência para essa parcela da juventude, contribuindo com sua formação musical, estética e existencial. A maioria dos grupos que transitaram pelos palcos dos festivais nacionais tiveram suas primeiras demos divulgadas pela revista - hoje, organizadas na série "Objetos Antes Chamados Discos", junto a singles e demos. A publicação também estimulou o surgimento de novos sites e blogs regionais.

O portal Senhor F, desde sua fundação, dedicou especial atenção à divulgação da música sul-americana, e também ibero-americana. Sintonizada com a política de integração emergente no continente, o portal Senhor F transformou-se, a partir de 2009, em portal sul-americano, com informações comuns ao conjunto dos países. Nessa direção, o noticiário tornou-se mais abrangente, um acompanhamento mais próximo das cenas locais passou a integrar o noticiário do portal, assim com a publicação de resenhas de lançamentos e discos clássicos. Hoje, o universo musical do continente é tratado de forma integrada.

O portal Senhor F é editado pelo jornalista, curador e pesquisador Fernando Rosa, desde sua criação, com a colaboração de centenas de jornalistas, estudantes, fans de música e amigos. Ao mesmo tempo, o portal contou, e continua contando, com uma série de colaboradores, periódicos ou ocasionais, das mais diferentes origens, gerações e, mesmo, países. Entre eles, o historiador Nélio Rodrigues, o jornalista e pesquisador Ayrton Mugnaini, os jornalistas Ana Maria Bahiana, Fernando Naporano, Olimpio Cruz Neto, Humberto Rezende e Pedro Brandt, o músico Albert Pavão e dezenas de jovens estudantes de jornalismo, de vários estados do país.

Senhor F - 1998/2018

Revista Senhor F
Noite Senhor F
Senhor Festival
Senhor F Virtual
Senhor F Discos
El Mapa de Todos
Programas de rádio (Usina do Som, Cultura FM-DF, Câmara, Ipanema)


/Turismo Rock


Reggae ganha museu no Maranhão


da Redação

A cidade São Luís, capital do Maranhão, acaba de ganhar o primeiro museu do Reggae fora da Jamaica. O espaço, de 397 metros quadrados, contará a trajetória do gênero musical no estado e já poderá ser incluído no roteiro de quem visitar a capital do Maranhão nesta temporada de férias de verão.

O museu está localizado Praça do Reggae, tradicional espaço de radiola de reggae na capital, abrigando o acervo, material e imaterial, sobre o reggae maranhense. O museu também contará com parceria da Secretaria de Cultura e Turismo do Maranhão com museus jamaicanos, o que enriquecerá o espaço.

Os acordos com museus e casas de cultura públicas e privadas de Kingston, como o Museu Bob Marley, o Museu Peter Tosh e o Museu da Música da Jamaica vão permitir empréstimos de material para exposições temporárias em São Luís. A primeira delas, ainda sem data definida, deverá reunir parte do acervo do Museu Bob Marley no novo espaço cultural.




A partir de experiência editorial do portal Senhor F, a produtora Senhor F inscreveu projeto no edital do Itaú Rumos, valorizando a união do turismo com a música. Batizado de "Trilhas Sonoras - Turismo musical na América Latina", o projeto inclui mais de 50 pontos no Brasil e nos demais países latinos, entre eles a Praça do Reggae e, agora, o museu.




 


/História do Rock


De Shakespeare a Elvis Presley (the real birth of R&R)


por Fernando Rosa

O rock and roll tem em sua origem uma fantástica fusão de música negra e branca, apelo sexual juvenil, rebeldia comportamental e um espírito desafiador, mesmo involuntário, da ordem estabelecida. Assim, sob essas bases, é que nasceu o gênero musical que, desdobrando-se na “beatlemania” dez anos depois, promoveu a mais profunda revolução musical e comportamental da história do Século XX.

Nascido nos Estados Unidos do pós-guerra, deu voz à juventude até então sem expressão própria, além de engendrar um novo mercado consumidor não apenas de música, mas de toda sorte de produtos. Primeira geração a não precisar trabalhar, os jovens americanos foram premiados com a invenção da mesada que alimentou a venda de discos, novas tecnologias, publicações e comida, entre outros quinquilharias.

A sua história, apesar de contada milhares de vezes, ainda esconde mistérios, especialmente relacionados às suas fontes originais, a paternidade da expressão e primeiras gravações. Sem necessária ligação com a futura sonoridade “rock”, algumas músicas foram compostas e batizadas com o nome “Rock and Roll”, ou utilizaram a expressão, muito antes dos anos cinqüenta.



PARTE 1

De Shakespeare a Elvis Presley

“Ambos os verbos – rock e roll – foram incorporados à língua durante a Idade Média e logo começaram a ser usados como metáforas de sentimentos à flor da pele”, diz Nick Tosches, em seu livro “Criaturas Flamejantes”. Em um primeiro momento ligados às navegações – o movimento do navio sobre as ondas -, posteriormente os dois verbos ganharam conotações religiosas e, por fim, sexuais.

Entre os exemplos, segundo Tosches, estão os versos de Shakespeare, em “Vênus e Adônis”: “My throbbing heart shall rock thee day and night” (Meu coração pulsante te fará vibrar dia e noite), ou ainda no verso: “Oh venha, Johnny Bowker, venha me chacoalhar e balançar (rock and roll)”, presente em canção do mar do início do século XIX.

Um texto no site de Bill Halley corrobora essas informações, citando tanto o poema de Shakespeare, quanto fazendo referência às canções marítimas, em especial Johnny Bowker:

- The word "rock" had a long history in the English language as a metaphor for "to shake up, to disturb or to incite". Shakespeare used it in his play "Venus and Adonis" when he wrote "My throbbing heart shall rock thee day and night". The verb "Roll" was a medieval metaphor which meant "having sex". Writers for hundreds of years have used the phrases "They had a roll in the hay" or "I rolled her in the clover". In an old English sea chanty we can find the lyrics: "Oh do, me Johnny Bowker ... / Come Rock'n'Roll me over".

O hino “Rocked in the Cradle of the Deep”, escrito nos anos 1830’s por Emma Willard, com música de Joseph Philip Knight, trouxe para o Século XX o tema da navegação e a palavra rock agregada. A música foi gravada originalmente pelo Original Bison City Quartet antes de 1894, pelo Standard Quartette em 1895, por John W. Myers em 1901 (Victor) e 1902 (Columbia) e por Gus Reed em 1908, entre outros. Outra canção "rocker" também lembrada dessa época é "All coons look alike to me", com Frank Stanley, gravada em 1899.
O primeiro registro fonográfico das expressões “rocking” e “rolling”, no entanto, é o gospel “The Camp Meeting Jubillee” gravado pelo grupo Haydn Quartet, em 1904, com os versos "We've been rockin' an' rolling in your arms/ Rockin' and rolling in your arms/ Rockin' and rolling in your arms/ In the arms of Moses". A música ganhou várias versões desde então, especialmente a do grupo de spiritual Male Quartet, em 1916.

Em 1917, a Original Dixieland Jass Band grava “Tiger Rag”, um clássico do “dixieland” que trazia elementos de ritmo, percussão e dança utilizados posteriormente na construção do rock and roll. Em 2010, Jeff Beck, acompanhado da cantora Imelda May, regravou a música, cuja gravação original encontra-se na Livraria do Congresso dos EUA, em um tributo especial ao guitarrista Les Paul, que havia gravado a canção nos anos cinquenta.

Lançado originalmente em 1922, o blues “My Daddy Rocks Me (With One Steady Roll)” é uma espécie de matriz secreta do rock, e representante mais visível da vertente sexual na origem do futuro novo gênero. Nesse blues escrito por J. Berni Barbour, interpretado pela cantora Trixie Smith, pela primeira vez é também utilizada a expressão “around the clock” (resgatada depois em “Rock Around The Clock”, de Bill Halley). A música não apenas ganhou dezenas de versões,  mas inflenciou composições com a mesma temática.

Em 1925, Harold Ortli & Ohio State Collegians, um grupo de brancos, grava sua versão batizada “My Daddy Rocks Me”, de certa forma antecipando a fusão de música negra e branca patrocinada por Elvis Presley. Três décadas após, o primeiro single de Elvis pela Sun Records com as músicas “That’s All Right” e “Blue Moon Of Kentucky” deu forma definitiva a simbiose das duas culturas.

A música teve várias versões durante os anos vinte e trinta, a mais interessante com Tampa Red’s Hokum Jug Band, em 1929, tendo Frankie “Halk-Pint” Jaxon no vocal. “Half-Pint” (porque tinha apenas 1 metro e 52 centímetros) era um artista multimídia que, durante muito tempo ganhou a vida vestindo-se de mulher e imitando cantoras nos palcos do Harlem.

Nessa versão, “Half-Pint”, com voz afetada, talvez pela primeira vez na história da música (gravada, pelo menos) simula explícitos gemidos e orgasmos, como uma espécie de pré-“Je T’Aime”, do francês Serge Gainsbourg. A canção também ganhou versões “sipiritual“ com o Southern Quartet em 1924, “jazz” com o Charles Creath's Jazz-O-Maniacs, com vocal de Floyd Campbell, além de outra versão em 1929 com Jimmie Noone acompanhado pela cantora May Alix.

No terreno espiritual e religioso a expressão aparece ainda nos anos vinte, em músicas como “Rock, Church, Rock”, de Clara Smith, gravada em 1926. Outras canções também mantiveram a orientação espiritual da expressão viva durante os anos trinta, como “Rock My Soul” gravada por diversos grupos de spiritual, entre eles Golden Gate Quartet, em 1937. Esta última, uma espécie de proto-doo wop, que surge apenas nos anos cinquenta.

Em 1927, Uncle Dave Macon & His Fruit Jar Drinkers gravam “Rock-About My Saro Jane”, um dos primeiros registros fonográficos a utilizar – agora em terra, não mais no mar - a expressão “rock”, como uma metáfora sexual. Uncle Dave Macon disse ter ouvido a canção pela primeira vez na voz de estivadores negros que trabalhavam na hidrovia Cumberland River, no Sul dos Estados Unidos, em 1880.

Em 1927, Blind Lemon Jefferson grava “Matchbox Blues”, definindo uma estrutura rítmica e melódica, além de uma forma de cantar, que orientou a formatação do gênero nas décadas seguintes. O tema foi regravado por Carl Perkins nos anos cinqüenta, e pelos Beatles nos anos sessenta, entre dezenas de outros covers ao longo das décadas seguintes.

Lançada em 1929, “Kansas City Blues”, com Jim Jackson, um dos registros de blues mais vendidos da história, também cruzou as décadas inspirando versões e chegando até o DNA de “Rock Around The Clock”, de Bill Halley, nos anos cinqüenta. Sua linha melódica foi utilizada por Charlie Patton em “Going To Move To Alabama”, em 1929, e por Hank Williams em “Move It On Over”, em 1947, prima-irmã do mega-hit de Bill Halley.

No início dos anos trinta, o grupo Mississipi Sheiks aponta para o futuro do rock com uma série de blues originais e extremamente modernos para a sua época, que reverberam ao longo das décadas seguintes. “Sitting on the Top of the World” foi gravada pelos ingleses Cream nos anos sessenta e “The World In Going Wrong” por Bob Dylan nos anos noventa.

Ao mesmo tempo, nos anos vinte, o boogie woogie constitui-se como um gênero musical com influência na cultura musical americana, além de promover a ponte entre o Sul e Norte do país. Gestado desde o início do século, o boogie woogie agregou ao futuro rock and roll o “beat” - batida – registrado em temas como “Weary Blues”, com The Louisiana Five, gravado em 1920.

O tema “Chicago Stomps” com Jimmy Blythe, gravado em abril de 1924, é considerado o primeiro registro em disco de um solo de piano “boogie woogie”. O primeiro boogie-woogie a ter sucesso comercial foi “Pinetop's Boogie Woogie", com Pinetop Smith, gravado em 1928, seguido de "Honky Tonk Train Blues", com Meade Lux Lewis, lançado em 1930.

A música “Match Box Blues”, com Blind Lemon Jefferson, por outro lado, já projetava o futuro ao conter, segundo ele, um som de baixo sincopado, que ele apelidou de “Booga Rooga”. Como quase tudo na história do rock, Blind Lemon Jefferson inspirou-se em temas de piano ouvidos por ele e pelo parceiro Huddie “Lead Belly” Ledbetter na região do Texas.

Nos anos quarenta, gravações como “Swingin’ the Boogie” com Hadda Brooks Trio (1945) e “Down the Road Apiece” com Amos Milburn (1946), regravada pelos Rolling Stones, reforçaram a presença do gênero da “fórmula” do rock and roll. O boogie manteve-se como uma linha paralela ao rock, gerando grupos como Canned Heat, entre outros, nos anos sessenta.

Na década anterior, em 1931, Duke Ellington gravara “Rockin' In Rhythm”, um tema sofisticado, introduzindo o jazz na arquitetura do novo gênero em construção. Já em 1937, o grupo Golden Gate Quartet planta a semente para o futuro doo wop, nos anos cinqüenta, com o tema “Rock My Soul”, explorando as vozes dobradas e introduzindo outros recursos vocais.

Também nos anos trinta, definitivos para a construção do gênero, Robert Johnson grava “I'm A Steady Rolling Man” (1937), entre outros clássicos do blues, que o imortalizaram como um dos músicos mais importantes da história. A figura de Robert Johnson, com suas poucas canções gravadas, afirmaram definitivamente a influência da música negra no universo da música americana e, posteriormente, mundial.

Uma das primeiras músicas, em formato pop, a se chamar “Rock and Roll” foi gravada pelas Boswell Sisters, um trio vocal branco, em 1934. A música de autoria de Richard Whiting era trilha sonora do filme “Transatlantic Merry-Go-Round”, uma epopéia marítima. Da mesma época é o gospel “Good Lord (Run, Old Jeremiah)” que, em sua letra/reza falava em “I’ve gotta rock ...”, com Austin Coleman. 

O primeiro registro do que se chamaria rockabilly é “Rocking Rolling Mama”, com Buddy Jones, um cantor de country music, em gravação realizado em 1939. No mesmo ano, Roy Newman and His Boys regravam “Matchbox Blues”, espécie de linha evolutiva de “Jim Jackson's Kansas City Blues”, de Jim Jackson, um registro do ano de 1929.

Em 1938, The Light Crust Doughboys grava a música “Pussy, Pussy, Pussy” introduzindo o baixo "slap", depois marca registrada do rockabilly, inclusive no revival dos anos oitenta em bandas como Stray Cats. Em 1945, Eddy Arnold and his Tennessee Plowboys gravam “Cattle Call” influenciado pelo pioneiro baixo de Ramon DeArmon, dos Light Crust Doughboys.

No começo dos anos quarenta, a música branca também avançou rumo à linguagem do rock, por meio do hillbilly boogie, com destaque para artistas como Delmore Brothers, Red Foley, Teenessee Ernie Ford, Maddox Borthers e Arthur Smith. A junção cultural-musical também contou com músicos obscuros como Johnny Barfield que gravou o primeiro country boogie, “Boogie Woogie”, em 1939, segundo Nick Toshes em seu livro “Criaturas Flamejantes”.

Já a “primeira” gravação de ”rock and roll” propriamente dita é alvo de diversas teorias de historiadores. A mais citada é “Rocket 88”, de Ike Turner, lançada em 1951, sob a assinatura de Jackie Breston & His All Stars, que incluía o autor ao piano. Tratava-se de uma homenagem ao carro “Oldsmobilie Rocket 88” produzida, gravada e lançada por Sam Phillips, com distribuição nacional da Chess Records - que ainda inovou com a fuzz-guitar de Willie Kizart.

No entanto, existem registros anteriores, inclusive com o nome “Rock and Roll” e mais radicais na proximidade com a forma definitiva do futuro gênero musical. Em 1947, por exemplo, Manhattam Paul Bascomb lançou a obscura e rara “Rock and Roll”, uma das primeiras músicas a utilizar as expressões “rock” e “roll” juntas no título. No mesmo ano, Winnonie Harris grava “Good Rocking Tonight”, também sempre incluída nas listas de “primeiro rock” nas pesquisadores.

Originalmente gravada por Roy Brown no mesmo ano, a música ganhou “cover” de Harris, com um andamento mais acelerado e com um arranjo moderno, que aproximou o rhytm’n’blues do que seria o futuro rock and roll. “Good Rocking Tonight” foi regravada por Elvis Presley, na Sun Records, evidenciando a influência da música negra sobre ele.

Um ano depois, o pianista Scatman Crothers, acompanhado pelo saxofonista Wild Bill Moore, também gravou a sua “(I Want To) Rock and Roll”. Em 1949, outra música é batizada como nome de “Rock and Roll” ou “(We’re Gonna Rock This Morning) Rock and Roll”, com o baixista Doles Dickens Trio. Já “We’re Gonna Rock, We’re Gonna Roll” é gravada por Wild Bill Moore em 1948, e ganha cover de Cecil Gant, sob o pseudônimo de Gunther Lee Carr, em 1950.

Outra música também considerada entre as primeiras gravações de rock é “Rock This Joint”, com Jimmy Preston and His Prestonians, gravada em maio de 1949, na Filadélfia, depois regravada por Bill Halley & The Saddleman em 1952. A mesma música foi gravada em setembro do mesmo ano por Chris Powell and The Five Blue Flames, mas sem a mesma agressividade “rock” contida na versão original.

Ainda nos quarenta, Louis Jordan foi, sem dúvida, a principal “ponte” entre a música negra e a nova linguagem batizada posteriormente de rock and roll. Apenas como exemplo de sua importância, ele é citado por Chuck Berry como uma de suas principais influências, e seu guitarrista, Carl Hogan, é o “dono” do “riff” introdutório de “Johnny B Goode” (na música “Ain’t That Just Woman”, de 1946).

Nesse período, entre meados dos anos quarenta e início dos anos cinqüenta, conhecida como “Hoy Hoy Era”, destacaram-se orquestras como as de Cab Calloway, de Illinois Jacquet e de Joe Liggins, entre outras. A expressão “hoy hoy” era utilizada para definir aquele tipo de rhytm’n’blues, e constava de grande parte das letras das músicas da época.

Um dos maiores sucessos dessa época foi o tema “The Honeydripper”, com Joe Liggins, lançado em 1945, e primeiro lugar nas paradas por 18 semanas. Nos anos A música deu nome ao projeto paralelo de Robert Plant, com participação de Jimmy Page, Jeff Beck e Brian Setzer, entre outros, dedicado a regravar clássicos daquele momento, incluindo “Rockin’ At Midnight”, de Roy Brown.

Na época também ocorrem mudanças fundamentais na música, como a incorporação de acordes de jazz no blues com T-Bone Walker em “I Got A Break Baby”. Também a gravação do blues “Rollin’ And Tumblin” por Muddy Waters, em 1950, que influenciou gerações futuras. E ainda é dessa época o registro do boogie “The Fat Man” por Fats Domino, assim com os demais temas, apresentado como um “novo estilo”.

Naquele mesmo momento, em 1949, ocorreu a escalada de John Lee Hooker na parada de rhythm’n’blues com “Boogie Chillen”. A sonoridade de John Lee Hooker remetia à música da República do Mali, origem de grande parte dos escravos que foram levados para os Estados Unidos, e única região do planeta a utilizar a escala musical pentatônica, a mesma do blues.

Em 1947, é ainda lançada o bluegrass “Blue Moon Of Kentucky”, com Bill Monroe, que modernizou o gênero, sucesso nacional imediato. Um ano depois também é lançado "Guitar Boogie” com Arthur Smith &The Crackerjacks, que leva a guitarra pela primeira vez às paradas de sucesso. Em 1951, os Dominoes fazem de “Sixty Minute Man” o primeiro hit de rock and roll na parada de música pop americana.

Já adentrando os anos cinqüenta, e ao período do rock propriamente dito, a primeira gravação de rock and roll é creditada a Bill Halley & His Comets, com “Rock Around The Clock”. Gravada em 12 de abril de 1954, a música fundia o “country boogie” com o “jump blues” urbano de uma maneira menos sensual e agressiva do que o futuro rei do rock produziria na Sun Records e depois na RCA Victor.

Inicialmente sem grande repercussão, “Rock Around The Clock” acabou transformando-se em mega-hit um ano depois, devido a inclusão na trilha do filme “The Blackboard Jungle” (“Sementes de Violência”, no Brasil) – a música tocava na abertura, de fundo sonoro para os créditos. Em 1955, o single atingia a marca de dois milhões de cópias vendidas.

A história de “(We’re Gonna) Rock Around The Clock” sintetiza em parte o processo de construção do gênero, que incluiu em sua mistura o gospel, o blues, o “jump blues” dos anos 40, o country moderno e o pop. Além da já citada “Kansas City Blues”, de Jim Jackson, o DNA da música inclui o tema instrumental “Syncopated Clock”, de Leroy Anderson (1945), da qual a música de Halley seria uma espécie de variação roqueira.

Segundo o executivo da Decca e produtor de Halley, Milt Gabler, o sucesso da música se deve ao fato de ser uma “versão de um antigo blues chamado “My Daddy Rocks Me (With One Steady Roll)”, que ele ouviu quando trabalhava na gravadora, nos anos trinta, em novo registro de Trixie Smith, em 1938. Segundo Gabler, as palavras "rock and roll" foram retiradas desta canção. Em 1956, Gabler produziu um disco de May West, que contém versão "rock" para a música.

Halley, um cantor de country & western, também sonhava em fundir as músicas branca e negra, o que conseguiu, antes de gravar “Rock Around The Clock”, com a música “Rock This Joint”, acompanhado de seu primeiro grupo The Saddlemen. A versão de “Rock This Joint” foi parar nas mãos do DJ Alan Freed, de Cleveland, que utilizava a música para abrir seu programa de rádio - a letra falava em "rock, rock, rock everybody, roll, roll, roll, everybody".

Em 1953, também antes do estouro com “Rock Around The Clock”, Bill Halley gravou outro "pré-rock", a música “Crazy Man Crazy”. O single foi a primeira do gênero ainda não batizado de rock and roll a alcançar a parada nacional de sucessos nos Estados Unidos, vendendo mais de um milhão de cópias, um número surpreendente para a época.

Por trás do sucesso de “Rock Around The Clock” estavam as influências diretas assumidas de Bill Halley, as mesmas da maioria dos demais emergentes roqueiros da época. Além de Hank Williams, Halley também ouvia o “jump blues” de Lionel Hampton, Joe Liggins & His Honeydrippers, Illinois Jacquet & His All Stars e, especialmente de Louis Jordan & His Tympany Five.

Além das influências indiretas, a profunda identidade de Halley com a obra de Hank Williams fez com que a sua “Rock Around The Clock” ficasse muita parecida, para não dizer igual, à “Move It On Over”, do seu mestre. De autoria de Williams, gravada por ele, e lançada originalmente em 1947, “Move It On Over” tem o mesmo andamento do mega-hit de Bill Halley, que acentuou alguns compassos em sua versão.

Mas, o verdadeiro “marco zero” da história do rock e registro do "momento" da fusão definitiva entre as músicas negra e branca, é a gravação de “That’s All Right” e de “Blue Moon Of Kentucky”, as duas com Elvis Presley. Enquanto Halley engendrou sua colagem com base em versões mais urbanas, Elvis foi mais fundo, fundindo o blues tradicional e o bluegrass, à sua maneira particular.

Gravadas em 5 de julho de 1954, nos estúdios da Sun Records, as músicas selaram a união do “hillbilly” e do “blues”, que definiu o “rockabilly”. “That’s All Right”, original de Arthur “Big Boy” Crudup, havia sido lançado em 1946, enquanto “Blue Moon of Kentucky”, de Bill Monroe, lançado um ano após, já era um clássico do bluegrass. O lançamento do single com as duas canções é o marco zero do rock and roll moderno.

Segundo reza a lenda, acompanhado de Bill Black (baixista) e Scott Moore (guitarrista), Elvis deveria gravar três canções previamente selecionadas, entre elas “Blue Moon of Kentucky”. Na hora, no entanto, ele começou a cantar uma quarta música, o blues “That’s All Right”, com uma levada acelerada. Sem entender o que estava acontecendo, Black e Moore seguem o ritmo, levando a música até o fim.

Percebendo que poderia estar diante do "branco que cantasse como um negro", o esperto Sam Phillips, dono da Sun Records, pede para que toquem novamente "aquela loucura". Naquele momento, Phillips pressentiu que estava diante do "branco que cantasse como um negro", desejo que não se cansava de repetir à sua secretária Marion Keisker.

O acetato com as duas músicas, “That's All Right” e “Blue Moon of Kentucky”, também gravada à maneira de Elvis Presley, ganharam às ruas no dia 10 de julho, quando o DJ Dewey Phillips (do programa “Red Hot and Blue”, que apresentava música negra, desde 1950) tocou o compacto em sua rádio, na cidade de Memphis, cidade natal do músico.

No mesmo dia, diante da surpreendente receptividade, e com a impressão geral de que se tratava de um negro, Phillips leva Elvis até a rádio, onde ele, mesmo sem saber, acaba concedendo a primeira entrevista de sua carreira. No dia 19 do mesmo mês, com pedido antecipado de sete mil cópias, o disco é lançado pela recém-criada Sun Records, de Sam Phillips. O selo havia sido inaugurado em março de 1952.

Além da radicalidade musical, Elvis Presley levava extrema vantagem em relação a Bill Halley nos quesitos juventude e sexualidade. Halley já estava com cerca de trinta anos, enquanto Elvis, nascido em 8 de janeiro de 1935, não tinha ainda vinte anos quando entrou pela primeira vez na Sun Records.

Um ano e pouco depois, já contratado pela RCA Victor, e com acesso a programas de TV, mesmo que censurados, Elvis Presley acentuou a presença da dança à sua “performance”, enlouquecendo e conquistando a juventude de seu país e, em seguida, do mundo inteiro, ansiosa por libertar-se da pressão política, social e, mesmo, física, do pós-guerra.

Talvez tão importante quanto Sam Phillips e sua Sun Records, o DJ Alan Freed é outro personagem fundamental no registro dos primeiros passos do rock and roll. Em 21 de março de 1952, ele estreou o espetáculo “Moondog Show”, em Cleveland (Ohio, EUA), onde também tinha um programa de rádio.

As festas de Freed, depois rebatizadas de “The Moon Dog House Rock and Roll Party”, que se espalharam pelo país, reuniam brancos e negros no palco e na pista, desafiando a ira dos conservadores e racistas. Se não criou a expressão, com o filme e a música título “Rock, Rock, Rock”, gravada em 3 de julho de 1956, com Jimmy Cavello & His House Rockers, Freed terminou por afirmar a expressão "rock and roll".

PARTE 2

A primeira ascensão e queda

Em 10 de janeiro de 1956, Elvis Presley gravou o single "Heartbreak Hotel" e "I Want You, I Need You" para a RCA Victor. Foi o primeiro dos cinco mega hits nacionais que ele lançou naquele ano por sua nova gravadora. Na sua onda, surgiram Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, Gene Vincent, Eddie Cochran e milhares de outros ídolos.

Na primeira fase, entre 1953 e 1955, tinha prevalecido o rock and roll de origem negra de Chuck Berry, Little Richard, Fats Domino e, mesmo Bill Halley. Com o branquelo de Memphis e sua explosiva mistura de blues e country, o rock experimentava o seu ‘big bang’, em todos os sentidos. O primeiro rei do rock e seus parceiros chegavam ao grande público no momento certo e, agora, apresentados, especialmente Elvis, ao gosto da nova clientela.

Mas, assim como o fenômeno físico, o rock and roll em sua forma original durou o tempo de sua explosão, produzindo mudanças sócio-culturais profundas e duradouras e provocando a ira dos conservadores. Um tempo de exatos 26 meses que se passaram entre o primeiro single de Elvis na RCA e o seu alistamento no Exército – ele serviu de motorista na base americana na Alemanha, com direito a farda e cabelo "reco".

Ou um período um pouco mais longo, se considerarmos o dia em que o avião Breechcraft Bonanza de quatro lugares caiu, depois de decolar do aeroporto de Mason City (Iowa, nos Estados Unidos), em 3 de fevereiro de 1958, matando Buddy Holly, Richie Valens e Big Bopper. Um episódio que, para a mitologia da música pop, por conta da música "American Pie", com Don McLean, ficou conhecido como “o dia em que o rock morreu”.

Nesse período, Elvis Presley confirmou sua supremacia, não chegando a ser maior do que Jesus Cristo - com diria John Lennon mais tarde em relação aos Beatles - mas ameaçando seriamente o prestigio do Tio Sam. Em 1956, ele apareceu 12 vezes em rede nacional de televisão, mesmo que filmado apenas da cintura para cima – a censura se devia a sua dança considerada exageradamente sensual.

Elvis vinha da Sun Records, onde lançara o single "That’s All Right" e "Blue Moon Of Kentucky", espécie de marco zero do rock. Mais esperta do que a Atlantic e a Capitol, a RCA Victor pagou 35 mil dólares pelo seu passe, equivalente ao último ano de contrato com a Sun Records.

Em sua nova gravadora, ele teve o que Sam Philips e sua pequena Sun Records não podia lhe dar. Decidida a levar Elvis para um mundo maior que o universo adolescente do rock and roll, a RCA apostou em uma superprodução, comandada por Chet Atkins, que incluía um time de músicos de estúdio, onde se destacavam o grupo vocal The Jordanaires e o pianista Floyd Cramer.

Foi um período de ouro para a indústria do disco, do cinema e também para as rádios e tudo o mais que se desenvolveu em torno do novo gênero musical. Com o rock and roll, a juventude passou a existir não apenas socialmente, mas também como um novo mercado de consumo, ávida por novidades.

Pela primeira na história da sociedade americana, os jovens de classe média não precisavam trabalhar para ajudar os pais e, mais, a instituição da “mesada” ganhava força. A juventude americana, inicialmente, e, em seguida a de todo o mundo, passava a ter não apenas sua própria música, mas também novas maneiras de se comunicar, se vestir e se alimentar. Os novos hábitos podiam ser perigosos, mas faziam tilintar a máquina registradora das gravadoras, magazines e 'fast foods'.

Esta mudança, no entanto, talvez tenha sido mais ameaçadora e radical no terreno da produção musical nos Estados Unidos. A entrada dos jovens roqueiros em cena desmontou a tradicional linha de produção musical até então estabelecida, na base de cantores de destaque e compositores e músicos de estúdio contratados.

Com o rock and roll, exceto Elvis Presley, os “cantores” e intérpretes eram, em sua maioria, também compositores de suas músicas e tinhas suas próprias bandas. Isso dava os jovens músicos controle total sobre suas obras e carreiras, ao mesmo tempo em que esvaziava o poder das grandes gravadoras na definição do mercado. Além do mais, a maioria dos novos roqueiros eram negros, excêntricos, libidinosos ou rebeldes, o que também contrariava os padrões artísticos vigentes.

Não demorou muito para o rock and roll em sua forma mais original e radical entrar em rota de colisão com o falso moralismo político, religioso e sexual. Com o macarthismo, naquele momento, em seu ápice de histeria persecutória, o rock and roll não seria tratado de forma diferente do que o foram a literatura, o cinema e, também, os quadrinhos, embora isso ainda não faça parte da história oficial.

Mais do que essas duas formas de expressão cultural, o rock and roll, embora sem um discurso político direto, subvertia costumes tradicionais e, principalmente, abria as portas da insubmissão, da rebeldia. Era difícil acusar os jovens roqueiros de comunistas, como se fazia com jornalistas, escritores, cineastas e atores, mas se podia atacá-los em outras frentes, especialmente no terreno moral e sexual.

Uma situação tão esdrúxula que nem os quadrinhos escaparam, provavelmente também pela sua capacidade de comunicação com a juventude, similar a nova linguagem direta do nascente rock and roll. Autor do estudo Seduction of the Innocent, o psiquiatra Fredric Wertham deu o tom da paranóia que levou a criação de um manual de censura aos quadrinhos, batizado de Código de Ética, voltado contra as revistas e seus autores, acusados de promoverem a perversão da juventude americana.

Nada fugiu à censura, desde as histórias de terror, até as de ficção científica, suspense e, mesmo, de super heróis clássicos. Nesse contexto, entre ataques e contra-ataques, populariza-se a revista Mad, criada em 1952 por Harvey Kurtzmann, que introduz com sucesso em suas páginas o humor e, especialmente, a contestação, por meio da sátira aos valores tradicionais e, particularmente, ao Código e seus autores.

Em resumo, naquele momento, era preciso preservar o mercado e ampliar seus gordos lucros, mas isso exigia “limpar” o rock and roll, vestí-lo para a sala de estar da classe média americana. Nesse período, então, a pressão do governo, das gravadoras e das lideranças políticas e religiosas se abateu com todo seu poder sobre os jovens músicos.

No final dos anos cinqüenta, quem não havia sucumbido frente a ação direta dessas instituições, acabou vítima de trágicos episódios, também resultado da intensidade daquele momento. Os verdadeiros e revolucionários artistas tinham sido afastados, cooptados, marginalizados, presos ou estavam mortos. Em seu lugar, uma nova safra de cantores sarados, como Paul Anka, Neil Sedaka e tantos outros, ganhava as telas das televisões.

O primeiro a pagar o preço da transgressão foi o próprio Elvis Presley, já submetido a lógica empresarial de Tom Parker, um ex-vendedor ambulante de circo e empresário de artistas de country music. Mesmo correndo o risco do afastamento da cena musical, o esperto Parker sacou que a imagem de bom moço e, mais do que isso, de “patriota”, poderia ser a porta de entrada de Elvis para o mundo adulto.

Não deu outra, e, na onda da expansão imperial dos Estados Unidos, a imagem do Elvis de farda, estabeleceu-se em todo porta-retrato de meninas adolescentes espalhadas pelo mundo inteiro. Fora do quartel e ainda mais rico, Elvis trocou definitivamente a agressividade original por melosas baladas como "It’s Now or Never" e "Are You Lonesome Tonight?", que o consagraram definitivamente e fixaram sua imagem mais popular.

Herói da primeira fase do rock and roll, do negro Chuck Berry foi cobrado um preço mais alto, que resultou em sua prisão. Berry foi acusado de violar a Lei Mann, que proibia o transporte de menores entre os Estados americanos, por ter trazido uma mulher de outro estado para o seu clube. Segundo o músico, a mulher tinha 21 anos, mas a Lei sustentou sua menoridade e, além disso, agregou a acusação a prática de prostituição.

O resultado desse processo, que se arrastou por mais de dois anos, foi que o autor de Johnny B. Goode e dezenas de outros clássicos do rock acabou condenado e preso, em 1962. Nesse meio tempo, a sua carreira já tinha sido destruída por conta do escândalo e da repercussão na mídia e no meio musical.

Outra vítima da pressão da mídia foi Jerry Lee Lewis, espécie de sucessor de Elvis Presley na Sun Records de Sam Phillips. Ao casar secretamente com sua prima Myra Brown, de 14 anos, Lewis deu aos conservadores o argumento que faltava para sustentar o ataque aos jovens roqueiros. Em manchetes escandalosas, os jornais britânicos e americanos trataram o caso como abuso de menores.

Pesava contra ele o fato de ser mais velho e já ter um histórico de três casamentos, sendo que o último ainda pendente do divórcio legal. Talvez o mais rebelde dos roqueiros brancos, The Killer, como ficou conhecido, viu sua carreira arruinar-se da noite para o dia. Em junho de 1958, antes de começar a vagar pelos bares mais obscuros dos Estados Unidos, ele emplacou seu último sucesso, a música "High School Confidential".

Também já fora de combate em 1958, Buddy Holly, pode ser considerado a primeira e mais importante vítima da superexposição a que foram submetidos os jovens roqueiros na gênese do rock and roll. Do interesse dos artistas, evidentemente, mas principalmente dos empresários famintos pelo lucro imediato, as turnês reunindo vários grupos e intérpretes cortavam o país e duravam meses, com shows praticamente diários.

É nesse contexto que o autor de "Peggy Sue", diante da possibilidade de perder um show, por conta de seu ônibus quebrado, decide correr o risco de embarcar em um avião, mesmo em condições adversas. A conseqüência da aposta foi a morte em trágico acidente provocado por um rigorosa nevasca, minutos após a decolagem. A curta carreira de cerca de dois anos estava encerrada e, com ela, para muita gente, também o rock and roll em sua forma mais criativa e juvenil.

Um ano antes, foi Little Richard que, diante da “visão” de um acidente aéreo abandonou a carreira, apegando-se a religião. Segundo conta a lenda, ele teria sonhado com um motor de avião pegando fogo, que interpretou como um sinal de Deus. Diante do aviso divino, Little Richard saiu de cena, deixando aliviados os moralistas incomodados com sua música excitante e suas agressivas apresentações ao vivo.

Negro, espalhafatoso e abusado em suas letras sexualmente incorretas, Little Richard talvez tenha sido a mais incomoda pedra no sapato do conservadorismo. No entanto, suas músicas, aliviados de seu caráter sexual, transformaram-se em grandes sucessos na versão dos novos artistas brancos.

Talvez ninguém mais do que o DJ Alan Freed personifique a pressão e a perseguição desenvolvida contra as pequenas rádios que alavancaram o rock and roll. Freed era branco, mas transformara-se no maior defensor e propagandista da música negra, no caso o rock and roll da primeira fase do gênero. Perspicaz, ele organizou grandes festas coletivas, as The Moondog House Rock and Roll Party, onde reunia brancos e negros, no palco e na platéia.

Em tempos de racismo exacerbado, e de início da luta pelos direitos civis, a postura de Freed foi um desafio tão importante quanto Jimi Hendrix em Woodstock executando o hino americano sobreposto por sons da guerra contra o Vietnã. Freed foi o principal alvo o conhecido Escândalo Payolla, acusado de receber jabá para tocar rock and roll, o que o levou a miséria e a morte prematura, em 1965.

A década de sessenta estava começando e o mundo do rock and roll clássico encontrava-se aparentemente domesticado. Os primeiros heróis estavam, em sua maioria, fora de cena, afastados de seus públicos. Os últimos a caírem foram Eddie Cochran e Gene Vincent, em 1960, durante acidente que matou o primeiro e feriu gravemente o segundo.

Mas quem pensou que, com isso, o rock estava sob controle, levou um certo tempo a compreender a nova explosão dos Beatles, Rolling Stones e outros grupos ingleses. E mais do que isso, não deve ter entendido a presença em seus primeiros discos de tantas músicas daqueles jovens banidos há tão pouco tempo.

Os primeiros discos dos Beatles e dos Rolling Stones, particularmente, traziam clássicos dos seus ídolos confessos, atraindo novamente a atenção para os seus nomes. Aos poucos, a partir de meados dos anos sessenta, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Little Richard e muitos outros retornaram ao disco e aos palcos, afirmando definitivamente a sua importância para a história do rock. 

 



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Protodemo Especial

Protótipos de demonstração - Especial




Resenha



Vídeos

/Ao vivo


Meridian Brothers na Europa


Um tema do último disco, ao vivo em show na Europa. Meridian Brothers é um dos grandes nomes da música latina atualmente. 


/Videoclipe


O som da Amazônia com Mestre Solano


Clipe da música O som da Amazônia que dá nome ao disco do guitarrista paraense Mestre Solano, lançado em 2014.


/Videoclipe


Dona Onete, "no meio do Pitiú"


Clipe da música "No meio do Pitiú", do disco Banzeiro, gravado em junho de 2016 , no Mercado do Ver-o-Peso, Belém, Pará. 


/Ao vivo


Meridian Brothers ao vivo em TV alemã


Colombianos Meridian Brothers com o tema Estaré Alegre, No Estaré Triste , do disco "Dónde estás Maria?, ao vivo na TivoliVredenBurg Utrecht,a na Alemanha.


/Ao vivo


Paolo Kirst, revelação sulista


Natural de Rio Grande, no litoral gaúcho, Paola Kirst interpreta “Crendice”, composição de sua autoria na festa Música da Casa Verde Apresenta realizada no dia 29 de Abril de 2017.
 


El Mapa de Todos - 7ª edição

/Festival


El Mapa De Todos: Latinoamérica se unió en Porto Alegre


por Claudio Kleiman

El Mapa de Todos, el festival que promueve la integración latinoamericana a través de la música, llegó a su 7ª edición, realizada en la ciudad gaúcha de Porto Alegre, capital de Rio Grande do Sul. En esta oportunidad, el lugar elegido fue el Theatro São Pedro, el más antiguo de la ciudad, un bello edificio colonial fundado en 1858, con capacidad para 800 personas. Teniendo en cuenta las características del teatro, esta edición redujo la cantidad de participantes, que fueron dos por noche, excepto la última, que contó con tres artistas, reunidos por un eje conceptual.

La primera noche estuvo dedicada a grupos que encarnan la idea de integración que anima el Festival, a través de la fusión de estilos . El cuarteto acústico Yangos, de Caxias do Sul, integrado por acordeón, guitarra, piano y bombo legüero, interpreta un repertorio instrumental con ritmos del sur brasilero y el litoral argentino, como chamamé, chotis, milonga y rasguido doble, dotándolos de un notable empuje rítmico y despliegue escénico, que denota el origen rockero de algunos de sus integrantes.

Francisco El Hombre, integrado por músicos brasileños y mexicanos, fue la revelación del Festival. Con un baterista situado en el medio del escenario, más otros dos vocalistas - una mujer y un cantante de porte andrógino que recuerda a Ney Matogrosso en sus épocas de esplendor -, más un guitarrista y un bajista que parecen salidos de la banda de Captain Beefheart, cantan en castellano y portugués un repertorio propio que explota con una energía indómita. Pusieron a bailar a todo el teatro, con una frenética mezcla de ritmos del nordeste brasileño, afro y Latinoamérica, y letras plenas de idealismo indie. Estos elementos, sumados a una presencia escénica arrasadora, convierten a Francisco El Hombre en una fuerte promesa para todo el sur del continente.

La segunda noche tuvo como eje a una dupla de cantautores intimistas, contrastando con el carácter extrovertido de la jornada inicial. La cantante Carmen Correa, mostró una voz inusualmente expresiva, en temas propios con una fuerte carga dramática, en algunos casos abordando temáticas de género. Su teatralidad puede recordar a la Maria Bethania de los comienzos.

El uruguayo Daniel Drexler es un conocido del público argentino, y tiene mucha convocatoria en Porto Alegre, donde la audiencia hizo un silencio casi religioso para escuchar temas extraídos de sus últimos álbumes - especialmente Mar abierto, de 2012 -, más algunos estrenos pertenecientes a un nuevo CD que está grabando actualmente en Río de Janeiro. Entre ellos "Palermitana", que se refiere al barrio montevideano cuna del candombe (no el porteño).

La noche de cierre tuvo como indudable protagonista al grupo brasileño con mayor proyección internacional en la actualidad, Boogarins, cuyo público colmó las instalaciones del teatro. Antes estuvo Zudzilla, un rapper gaúcho natural de Pelotas, que se presentó acompañado de otro vocalista y un DJ, con bases fuertemente apoyadas en samples de soul de los 60, y una temática claramente regional. Fue la primera vez que el São Pedro albergaba un artista de hip hop, lo cual convirtió su actuación en un acontecimiento.

A continuación se presentó la banda colombiana Romperayo, que fue otro de los highlights de El Mapa de Todos. Liderada por el baterista Pedro Ojeda, que también integra Los Pirañas y Frente Cumbiero, su combinación de ritmos folclóricos colombianos (cumbia amazónica, porro, palenque, puya) con rock, electrónica y psicodelia es absolutamente irresistible. Pedro suena como si fuera un baterista y una sección de percusión al mismo tiempo, y su rítmica contagiosa hace que los cuerpos no paren de moverse al compás de temas como "Zumo de naranja", "La linterna", "Aníbal vuélvela a meter" (homenaje al gran acordeonista Aníbal "Sensación" Velázquez), "Que viva la vida pero que muera la muerte", "Afterpartis en colegios", y el "estreno mundial" de "Los marihuano boys".

Boogarins, la banda de Goiania, sumergió al público en una verdadera liturgia psicodélica, un encantamiento del que el público pareció despertar sólo cuando culminaron sus 80 minutos de show. Si bien se los suele comparar con Os Mutantes, por el delirante vuelo tropicalista, y con Love, por su composición multirracial y melodías con aires étnicos, quizás el paralelo más aproximado de Boogarins en esta etapa sea con el primer Pink Floyd. Las improvisaciones de forma libre en las que se sumerge el grupo en forma colectiva, incluyendo al cantante procesando su voz como si fuera un instrumento más, traen a la memoria los días experimentales de Floyd con Syd Barrett, añadiéndole un toque moderno en la instrumentación que no excluye la electrónica, a la manera de Tame Impala o The Flaming Lips. Una buena descripción del hechizo que despliegan es el título de su reciente álbum en vivo, "Desvío Onírico".

La nueva edición de El Mapa de Todos confirmó que es un evento cuyas propuestas mutan permanentemente, a la vez que se mantiene fiel a su premisa en de ser una gran plataforma de lanzamiento de artistas de la escena indie y alternativa, y funcionar como puente de unión de la música latinoamericana. Esta vez, el Festival estuvo dedicado a Violeta Parra, al cumplirse 100 años de su nacimiento, y varios artistas incluyeron en su repertorio algún tema de la gran compositora y cantante chilena.

* Matéria originalmente publicada na revista Rolling Stone. 

Foto: grupo Romperayo, da Colômbia, por Paulo Capiotti.


/Festival


Balanção: Festival El Mapa de Todos 2017


por Leonardo Vinhas

Somadas suas seis edições anteriores, o festival El Mapa de Todos trouxe nada menos que 96 artistas de 11 países – não só das Américas, mas também de Espanha e Portugal. E embora já houvesse a presença de artistas desses países esporadicamente em um ou outro festival, o El Mapa foi indiscutivelmente o primeiro a tomar a bandeira da integração pela música como sua razão de ser.

Essa história nos traz a sua mais recente edição, a primeira organizada com mais de um ano de intervalo em relação à anterior, e a menor em número de atrações. Em 2016, por questões de orçamento e logística, o festival não ocorreu. Somente agora, em 2, 3 e 4 de maio de 2017 (antes acontecia em novembro ou dezembro), que a sétima edição ganhou vida, com sete artistas (houve anos em que chegaram a ser 17) pinçadas de Brasil, Colômbia e Uruguai (e México, se você contar que dois integrantes da Francisco el Hombre nasceram no país norte-americano). Apesar das dificuldades – ou até por causa delas – a organização decidiu apostar no fortalecimento de sua proposta. “Um festival só passa a existir depois de sua quinta edição”, diz Fernando Rosa, o idealizador do El Mapa. “Até então, é tentativa e erro até acertar”.

O secular Theatro São Pedro (fundado em 1858!), no centro de Porto Alegre, foi o palco de todas as noites do festival em 2017, e em sua escolha residem dois diferenciais repetidamente defendidos por Rosa: o primeiro é a concentração de todos os shows em um só lugar, o que evita a dispersão de público que fatalmente ocorreu nas duas últimas edições, que se dividiram em diferentes locações; e a escolha por um lugar onde a música é o único objetivo possível.

“Já tem muito evento que traz opções de oficinas, comidas, diversões e outras artes, tudo junto. E é bom que exista essa diversidade. Mas nosso foco é totalmente a audição de música”, explica Rosa. E de fato, o objetivo é cumprido: mesmo nos momentos mais explosivos, viu-se uma compenetração por parte do público que não seria possível em outro lugar que não um teatro.

A primeira noite foi a mais intensa e mais emblemática. Isso porque a Francisco el Hombre é indubitavelmente “a cara da integração latino-americana”, como diz Fernando Rosa. E isso não é exatamente porque é uma banda formada por brasileiros e mexicanos, mas principalmente porque sua música congrega elementos do Brasil, do México e da América do Sul em tão grande profusão que fica difícil enxergar limites entre eles. E honestamente, limites para que?

A banda – que tem feito uma média de 15 shows por mês – comprovou seu poder de convocatória garantindo a lotação total do Theatro São Pedro (640 pessoas) e ainda deixando gente de fora. E o estado de comunhão que se gerou entre eles e seu público foi algo para ficar na história do El Mapa e até mesmo dos palcos porto-alegrenses.

Os presentes só não invadiram o palco porque a organização, temerosa que algo assim acontecesse (como tinha acontecido em 2015 no show do Onda Vaga no Salão de Atos da UFRGS), pediu encarecidamente que não o fizessem antes do show. Isso, porém (e felizmente), não impediu que as pessoas dançassem praticamente sem pausa entre as fileiras de assentos, se esgoelando nas canções que já têm status de hit underground, como “Bolso Nada”, “Tá com Dólar, Tá com Deus” e “Calor da Rua” – essa com citação de “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada”, da Nação Zumbi.

Aliás, ecos de Chico Science (e não a Nação Zumbi atual) e Novos Baianos podem ser identificados no som, especialmente no poder percussivo e na leitura mais roqueira da música brasileira. Porém, se é para buscar um referencial, é mais adequado recorrer ao Mano Negra, devido à alternância e combinação de vozes (da percussionista Juliana Strassacapa, do baterista Sebastián Piracés-Ugarte e de seu irmão, o violonista Mateo), à energia bruta dos integrantes no palco e pela proposta que condensa, em som e discurso, uma vida sem fronteiras étnicas ou nacionais.

É incrível ver como evoluíram de uma banda de músicos de rua para a artilharia rítmica que são hoje. Não só a sonoridade cresceu, mas também a performance, em especial a figura andrógina e hipnótica de Mateo. Mas todos os cinco (fazem parte ainda o guitarrista Andrei Martinez Kozyreff e o baixista Rafael Gomes) têm seu lugar no palco – que aliás, é montado com todos no mesmo nível e na mesma linha horizontal, bateria ao centro.

“Triste, Louca ou Má” foi o único momento de descanso rítmico, mas não emocional. Numa versão ainda mais climática que a de estúdio, contaram com a participação da gaúcha Lara Rossato, dividindo as vozes e os olhares com Juliana Strassacapa. Teve muito olho marejado (inclusive das duas cantoras), reação condizente com a forte declaração da canção (“Um homem não te define / sua casa não te define / sua carne não te define / você é seu próprio lar”). Daria para descrever outros momentos de emoção, como a catarse provocada pela mudança na letra de “Não Vou Descansar” (“Não vou descansar / até o Temer derrubar”), o choque causado em alguns dos cascudos e conservadores roqueiros porto-alegrenses ou os muitos presentes de cabelos brancos (de ambos os sexos) que mostravam vigor e sorriso de moleque durante toda a hora e vinte de show. Mas isso seriam apenas retratos de uma paisagem maior. O fato é que Francisco el Hombre é um fenômeno, e se nada interromper esse caminho, não tardará a fazerem história no panorama cultural brasileiro.

Antes deles, a caxiense Yangos entregou sua sonoridade inspirada em gêneros tradicionais dos pampas, só que filtrada por energia roqueira. O veterano jornalista argentino Claudio Kleiman, da Rolling Stone de seu país, definiu tal sonoridade como “power folklore” (ou “power folk”, para simplificar) – um rótulo bastante justo. A estampa gaudéria do quarteto demorou a se dissolver na percepção da plateia, já que começaram um pouco mais contidos que de hábito. Mas já na quarta música o pianista Cesar Casara estava com seus habituais remelexos tal qual um Flea do piano, e os antes pacíficos Tomás Savaris (violão) e Rafael Scopel (acordeão – ou gaita, dependendo de onde tu vives) se mostraram soltos como nunca, com entrosamento superior à muita dupla de guitarras do metal por aí (não por acaso, gravaram há pouco uma versão de “The Trooper”, do Iron Maiden). O percussionista Cristiano Klein, por sua vez, não sabe parar quieto mesmo, e já estava desde a primeira canção tirando timbres quase de acid jazz à charrua em seu bombo leguero.

Em teatro, aparecem mais claramente as nuances da música da Yangos, e é interessante que isso aconteça sem tirar a força bruta que diferencia seu trabalho de qualquer outra coisa que use elementos de milonga, chamamé e murga. Trazendo no repertório muitas composições do novo álbum, “Chamamé” (a ser lançado no final de maio), conseguiram cativar o público que havia ido lá para ver a atração principal. Ainda que não tenha sido uma apresentação tão brutal quanto costumam fazer em palcos menos formais, foi igualmente consagradora.

Já o dia 3 trouxe uma mudança radical de tom ao palco do El Mapa. A gaúcha Carmen Correa e o uruguaio Daniel Drexler se apresentaram cada qual sem banda, e isso trouxe resultados diferentes para ambos.

Para Carmen, que lançou no fim do ano passado o excelente álbum “Do Outro Lado”, a situação foi algo ambígua. Por um lado, o formato minimalista destacou sua voz, de uma gravidade ímpar, que em nada lembra o triste padrão repetitivo que se consagrou na MPB. Por outro, a sonoridade, completada por loops de violão e percussão criados na hora por seu parceiro de palco Gabriel Sá, despiu as canções de boa parte de sua força. “Tivemos que escolher um formato que nos permitisse circular mais”, explicou a moça. É justificável, mas realmente é uma pena deixar de lado os arranjos tão bem montados.

Carmen tem carisma e uma postura meio deslocada com o palco que até funciona como charme. Mas em alguns momentos ela parecia realmente atrapalhada com a dinâmica do show, desconfortável com o senta-e-levanta que ela mesma concebeu. Esse “estranhamento”, e a notável preocupação de Gabriel com a construção dos loops, engessam um pouco o formato. Assim, o show resulta interessante, mas com uma inegável sensação de que poderia ter sido melhor. Mais solto.

Já no caso do irmão menos famoso do clã Drexler a ausência de banda foi benéfica. O som de Daniel é bastante decalcado de seu irmão Jorge, especialmente em algumas construções líricas, e não traz o vigor mostrado por seu outro irmão, Diego. Porem, munido apenas de um belíssimo violão Yamaha e uma boa escolha de timbres, Daniel conseguiu revelar um carisma e um apelo pop que não aparecem em suas versões de estúdio.

Drexler toca com frequência em Porto Alegre, e formou um público local fiel. Mesmo sem ter esgotado as entradas, atraiu uma plateia mais que respeitável para uma quarta-feira. Com um desenho precioso de iluminação e com a comunicação em português fluente, manteve a atenção desse mesmo público durante os quase 90 minutos de seu show. Porém, tivesse sido menos e a impressão final teria sido melhor para um convertido – ou mesmo para os fãs, já que o bis não foi assim desesperadamente solicitado… Uma hora só de violão e voz deixou uma alternância de simpatia e sono, aqui e ali. De qualquer forma, despido dos arranjos sem graça do estúdio, a música de Daniel Drexler mostra-se bem mais acessível que em estúdio.

O rapper pelotense Zudizilla abriu a última noite do festival, e fez história por ter sido o primeiro show de rap realizado no Theatro São Pedro. E não dá para destacar muito mais que isso. Apesar do notável bom gosto dos samples tirados pelo DJ Micha, o som não escapava das fórmulas do gênero, repetindo clichê atrás de clichê – não só na estrutura das canções, mas também no discurso. O populismo de palco (“Vamo fazê barulhoooooooo”, repetido à exaustão), sua insistência em lembrar que o rap é “marginalizado” e que “tem que ser aceito” deram certo com o público naquele momento, mas é um trabalho ainda bastante imaturo e incipiente.

O oposto pode ser dito do Romperayo, um quarteto colombiano que pega os estilos musicais de seu país, do Pacífico e do Atlântico (sim, cada litoral tem sua tradição), e os transforma em uma música solta e vibrante. Vallenato, mapalé, cumbia, zouk e outros passam por uma concepção muito particular da psicodelia e disparam numa locomotiva dançante conduzida pelo monstruoso baterista Pedro Ojeda (que também integra Los Pirañas, Frente Cumbiero, Meridian Brothers e outras muitas bandas). Sua maneira de tocar levaria um desavisado a pensar que tem pelo menos dois percussionistas a acompanhá-lo. Mas não: é só que o magrão, com um visual de Nick Cave desencanado e tropical, é um dos melhores bateristas do mundo. Se fizéssemos com nossa vida o que ele faz com seu kit percussivo, o mundo seria um lugar muito melhor.

Os timbres da guitarra do francês Guillo Cros passam longe da obviedade (em alguns momentos, sequer soam como guitarra), Jhon Socha (baixo) e Juan Manuel Toro (sampler e efeitos) criam o trilho para a tal locomotiva passar, enchendo a paisagens de detalhes divertidos. Aliás, o humor é essencial para a banda que, mesmo instrumental na maior parte do tempo, capricha em títulos como “Que Viva la Vida y Muera la Muerte” ou “Alegría por um Zumo de Naranja con Panela”. E o comando de Pedro Ojeda com a plateia é notável – já na terceira faixa, interrompeu uma música ainda na introdução para dizer que havia algo errado. “Vocês estão sentados!”, apontou, e logo o público estava em pé e dançando atrás dos assentos (ou entre eles). Dançou quem sabia e quem não sabia – se a música da banda é livre, por que os movimentos do corpo não seriam? Show de deixar sorriso na cara de todo mundo.

A alegria tomaria outra forma durante o show do Boogarins. Anunciada pela organização como “a banda brasileira que mais circula no exterior”, os goianos comprovaram seu status de banda de culto junto ao público gaúcho, que cantou junto suas canções, mesmo que a maioria delas tenha estrutura e fonética bem pouco convencionais (uma exceção mais assimilável, “6000 Dias”, foi recebida como gol em final de Copa do Mundo). Ao vivo, estão mais intensos e menos ruidosos do que em seus primeiros anos (2013-2015). Há ainda momentos excessivamente “quebrados” – algumas passagens tão cheias de efeitos, dissonâncias e “uóuóuóns” que ficava difícil para um “não-devoto” manter a atenção. Porém, esses não tomam grande importância diante da força coesa criada pela bateria de Ynaiã Benthroldo e a guitarra de Benke Ferraz. Dinho Almeida usa a voz como um instrumento, intensificando as tramas dos companheiros, ou criando choque entre elas, e o baixo de Raphael Vaz adota semelhante alternância. O “produto externo bruto” disso tudo é um show que não segue nenhum padrão identificável, e que mesmo não agradando a todos, recupera o bom nome e o sentido real da expressão “música psicodélica”. Encerraram o show com uma versão estendida de “Lucifernandis”, que dedicaram a Pedro Souto, baixista brasilense (das bandas Almirante Shiva, Judas e Cassino Supernova), falecido naquele mesmo dia.

Ainda que mais breve, a sétima edição do El Mapa de Todos apresentou uma proposta de formato mais que satisfatória para público, organização e crítica. A missão de integrar as linguagens do continente segue vigente, ainda que seja justo torcer para que as novas edições ocorram em tempos menos bicudos no país, para que caibam mais convidados dos países latino-americanos, como costumava ser. Na verdade, esse é o grande diferencial do El Mapa: mesmo que com acertos e erros, cada edição termina deixando a forte sensação de que um mundo menos sisudo e menos preconceituoso é possível. Nunca é pouco, mas é especialmente valioso nos dias atuais.


/Festival


El Mapa de Todos, 7 vezes integração


Da Redação

O El Mapa de Todos chega a sua sétima edição, novamente em Porto Alegre, em 2017, com patrocínio da Petrobras. O festival, pelo qual já passaram 96 artistas, de 11 países da América do Sul, Central, México, Espanha e Portugal, acontece nos dias 2, 3 e 4 de maio. Neste ano, o Theatro São Pedro, a “catedral” da cultura gaúcha, acolhe as três noites do evento. Nesta edição, El Mapa de Todos conta com o apoio especial de Spotify, o “player oficial do festival”, e do programa Ibermúsicas.

Em sua sétima edição, a programação conta com sete atrações, que representam as mais variadas vertentes musicais do nosso continente. O uruguaio Daniel Drexler, com sua canção pampeana. Os mexicanos-brasileiros Francisco, el Hombre, com o som das ruas do continente. Os brasileiros Boogarins e sua psicodelia internacional. Os colombianos Romperayo com um mix de música tropical envenenada por psicodelia, samplers, sintetizadores e percussão. E, fechando o lineup, Yangos, Carmen Correa e Zudizilla levam para o festival a diversidade da música gaúcha.

O El Mapa de Todos cumpre, mais uma vez, o objetivo de promover a integração por meio da música. Nas edições anteriores, o festival colocou o Brasil em contato com a América Latina e com toda a região ibero-americana, até então de difícil acesso para muitos artistas locais e para o público em geral. Ao longo dos anos, o El Mapa de Todos se tornou uma referência regional e internacional, reconhecido por publicações como Billboard e Rolling Stone, da Argentina. “El Mapa de Todos, mucho más allá de ser un festival de musica, es un verdadero lugar de encuentro”, registrou o portal espanhol Zona de Obras, em 2015.

100 ANOS DE VIOLETA PARRA

A sétima edição do El Mapa de Todos será dedicado à cantora e compositora Violeta Parra, autora de clássicos do folclore latino, como “Gracias a La Vida”, “Volver a Los 17”e “La Carta”, entre outros mais. Em 2017, o Chile vai comemorar os 100 anos do nascimento da artista, que morreu em 1967, com mais de uma centena de composições gravadas, sempre comprometidas com a luta dos oprimidos e dos explorados no continente. Também artista plástica e ceramista, Violeta é considerada a fundadora da música popular chilena e teve diversas canções gravadas no Brasil, por artistas como Milton Nascimento, Elis Regina e MPB4.

EL MAPA DE TODOS 2017

Onde:
Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº)

APRESENTAÇÕES

2/5 - terça

21h00 - Yangos
22h00 - Francisco, el hombre

3/5 - quarta

21h00 - Carmen Correa
22h00 - Daniel Drexler

4/5 - quinta

20h00 - Zudizilla
21h00 - Romperayo
22h00 - Boogarins



Ingressos:

Platéia – 60,00 (inteira); 30,00 (meia-entrada; estudantes e público em geral, mediante 1 kg de alimento não perecível, 1 livro ou 1 brinquedo)
Camarotes – 40,00 (inteira); 20,00 (meia-entrada, mediante as mesmas condições)
Galeria – 20,00 (inteira); 10,00 (meia-entrada, idem)

Pontos de venda:

Bilheteria do Theatro São Pedro - http://www.teatrosaopedro.com.br/ - Praça Marechal Deodoro, s/n°, Centro Histórico / Porto Alegre/RS, Fones: (51) 3227.5100, (51) 3227.5300

* Em breve, link para venda eletrônica

Classificação:
14 anos

Patrocínio: Petrobras e Governo Federal
Apoio: Sindicato dos Comerciários de Porto Alegre, Força Sindical, Ibermúsicas, Spotify

Festival Filiado a FBA - Festivais Brasileiros Associados

Player oficial: Spotify
https://open.spotify.com/user/elmapadetodos

Informações:
www.teatrosaopedro.com.br
www.facebook.com/elmapadetodos

Evento oficial: www.facebook.com/events/14530379265670

* Foto de capa: Paulo Capiotti.


/Festival


Em seu centenário, Violeta Parra é homenageada do El Mapa de Todos


por Fernando Rosa

Em 2017, o Chile e a humanidade comemoram os 100 anos de nascimento da compositora e cantora Violeta Parra. Violeta del Carmen Parra Sandoval nasceu em San Carlos, em 4 de outubro de 1917 e morreu em 5 de fevereiro de 1967, em Santiago do Chile. Também artista plástica e ceramista, ela é considerada uma das mais importantes folcloristas do mundo e fundadora da música popular chilena.

Antecipando-se aos esperados eventos comemorativos, os chilenos Leo Beltrán –Niño Viejo – e Cecilia Toro – Plastivida, uniram-se para produzir o documentário "Cantar con sentido". Trata-se da biografia de Violeta Parra - sua vida e carreira de 49 anos - contada em um stop-motion em "plastilina" (massa de modelar), com duração de 23 minutos. O resultado é um registro histórico fundamental e uma emocionante homenagem a fantástica artista chilena.

Em matéria no portal espanhol Zona de Obras, os autores do documentário afirmam que "la investigación fue intensa y tratamos de ser lo más fieles al mundo que descubrimos cuando investigamos los pasajes de la apasionante vida de Violeta Parra". Desde a estreia em maio de 2015 no Festival Chilemonos, a obra já foi exibida na Polônia, França, entre outros países. A sétima edição do Festival El Mapa de Todos, que acontecerá em maio, em Porto Alegre, será dedicado à Violeta Parra.






/O FESTIVAL


Babasónicos, show memorável na 1ª edição do El Mapa de Todos


A banda Babasónicos realizou um dos shows mais inesquecíveis do festival El Mapa de Todos. Os argentinos apresentaram-se na primeira edição do festival, que ocorreu em Brasília, no Espaço Brasil Telecom. Como se estivem tocando para um ginásio lotado, o grupo levou o público presente literalmente ao delírio, como mostra o...


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/O FESTIVAL


El Mapa de Todos, conceito e qualidade em 2011


da Redação

“O que mais importa são as pessoas”, disse em um bom português Xoel López, músico da Galícia, Espanha, ao despedir-se do El Mapa de Todos, traduzindo o clima de integração musical, cultural e afetivo que marcou os três dias do festival, realizado nos dias 12, 13 e 14 na capital...


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/O FESTIVAL


Uruguaio Franny Glass conquista público gaúcho


O cantor e compositor uruguaio Franny Glass fez um dos shows mais aplaudidos do festival El Mapa de Todos. Com repertório baseado em seu terceiro disco, Podador Primaveral, ele conquistou o público gaúcho. Em vários momentos, o público ensaiou cantar junto as músicas.


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/O FESTIVAL


El Mapa de toda a América


por Paulo Finatto Jr. / Noize

No final de novembro, Porto Alegre sediou a quarta edição do festival El Mapa de Todos. Com o intuito de integrar a cena independente da América Latina, o evento levou para o palco do Opinião, pelo terceiro ano consecutivo, um apanhado do que surgiu de melhor nos últimos anos no Brasil e nos seus...


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/O FESTIVAL


Festival El Mapa de Todos, integrando a América Latina


da Redação

“En su quinta edición, El Mapa de Todos volvió a dejar claro en la ciudad brasileña de Porto Alegre que su apuesta por la integración no se detiene y es atrevida, reafirmándolo como un festival que celebra la diversidad sonora desde lo estético y reivindica el peso histórico de la...


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/O FESTIVAL


El Mapa de Todos no centro da integração


da Redação

Em sua sexta edição, o Festival El Mapa de Todos consolidou sua posição de vanguarda do processo de integração musical iberoamericana. Realizado pela Produtora Senhor F, com patrocínio-master da Petrobras, o festival confirmou seu papel de plataforma de intercâmbio regional. No palco, na...


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Indie Brasil

/Noite


Antes que a memória desapareça no ralo da internet


Da Redação

"A memória dessa geração irá pelo ralo" se nada for feito para preservar os registros produzidos. A afirmação de um jornalista sintetizou uma conversa anterior com músicos - sem sua presença. A sintonia na análise deve-se, talvez, a uma visão mais ou menos evidente para quem viveu aqueles momentos. Estamos falamos da primeira geração pós-internet, que gravou e lançou centenas, milhares de singles, eps e discos-discos. Virtual e fisicamente.

A opinião comum às pessoas é que a tendência é esse acervo perder-se ao longo do tempo, por diversos motivos. Um deles, é a própria forma de produção desse período, dispersa e em pequenas tiragens. Outra, contraditoriamente, tem a ver com o próprio meio que facilitou a vida de todos. Inicialmente, o MySpace, depois a Trama Virtual e, ainda, outras ferramentas de streaming. Ocorre que a maioria deles desapareceu e levou junto os acervos.

Para tentar resgatar a produção desse período, o portal Senhor F desenvolveu o projeto "OBJETOS ANTES CHAMADOS DISCOS (1º Catálogo do rock independente brasileiro da geração pós-internet - 1998/2013) - Singles, EPs e Discos-Cheios". Trata-se de uma plataforma virtual, com capas, biografias e possibilidade de audição das obras. Em fase "demo", para manter fidelidade à época, o projeto já reuniu cerca de 1.000 discos-cheios e centenas de singles e EPs do período. 

"Lançamos o portal, então Senhor F - A Revista do Rock" em 1998 e, desde então, mantivemos um estreito contato com a cena independente nacional", diz Fernando Rosa, editor do portal e curador do projeto. "De todas as regiões, a redação da revista recebia semanalmente singles, demos e discos-cheios", que ganhavam notas, matérias, circularam pela Parada Senhor F", continua. Esse material - físico, ressalta o curador - guardado cuidadosamente é a base do projeto.

Até o momento, já foram produzidos 30 volumes da série voltada para apresentar os singles e EPs - demos, semi-industrial e prensados industrialmente, contendo 11 músicas cada um. Sem cronologia, mas compondo um mosaico interessante para valorizar a audição, a coleção reúne 275 artistas e grupos - dois volumes extras repetem os artistas. Entre os nomes, gente do Acre ao interior do Rio Grande do Sul. "É uma verdadeira arqueologia", diz Fernando Rosa. 


OBJETOS ANTES CHAMADOS DISCOS
1º Catálogo do rock independente brasileiros da geração pós-internet (1998-2013)
Singles, EPs e Discos-Cheios

 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 1

01 - Vanguart - Rayny day song
02 - Mopho - Não mande flores
03 - Ludovic - Você sempre terá alguém as seus pés
04 - Superguidis - O véio Máximo
05 - Supersoniques - Ela dança
06 - Plástico Lunar - Formato cereja
07 - Telesonic - Mr Bones
08 - Los Porongas - Lego de palavras
09 - Pipodélica - Borracharia todo dia
10 - Watson e o Progresso da Ciência - Eu quero envelhecer
11 - Vídeo Hits - (vo)C
12 - Mordida - Sinais de fumaça
13 - Jerusos - Pega na minha mão
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 2

01 - La Pupuña - São Domingo do surfe
02 - Os Bonnies - Não toque na mina beibe
03 - OAEOZ - Impossibilidades
04 - Frank Poole - Canção para Cecília
05 - Dead Lover's Twisted Heart - Walking Down The Street (When I Saw That Girl)
06 - Stereovitrola - Depois das seis
07 - Laranja Freak - Sempre livre
08 - Mechanics - Formigas comem porra
09 - Los Canos - Mercadologia
10 - Ecos Falsos - Fim de milênio
11 - Jair Naves - Araguari I (Meus Amores Inconfessos)
12 - Virgem Again - Amar é uma simples troca
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 3

01 - Volver - Você que pediu
02 - Banzé! - Alvo móvel
03 - ruído por milímetro - Baixo e guitarra
04 - Casino - Ponte
05 - Madeixas - Drunk joke
06 - Walverdes - Meu bar
07 - Madame Saatan - Messalina blues
08 - Procura-se quem fez isso - Qual é (o nome do anão?)
09 - Brilhantines - Amanhã
10 - Disco Alto - Segundo conforto
11 - Blue Afternoon - I can't try
12 - Single Parents - Last Conversation
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 4

01 - Charme Chulo - Piada cruel
02 - Nervoso - A visita
03 - Monno - Enquanto o mundo dorme
04 - Tom Bloch - Nossa Senhora
05 - Phonopop - Surreal
06 - Revoltz - Mr White
07 - Volantes - Vitória
08 - Ataque Fantasma - Detetive
09 - Daysleepers - Tempo
10 - Valv - Centred
11 - Os Massa - Só mulher pelada
12 - Anjo Gabriel - Ostinato em can menor n1 (marco de lata)
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 5

01 - Irmãos Rocha - Ugabugababy
02 - Móveis Coloniais de Acaju - Swing I
03 - Faichecleres - Ela só quer me ter
04 - The Playboys - Paulo André não me ouve
05 - Macaco Bong - Soraya by starsex
06 - Santo Samba - Amanhã de manhã
07 - Lê Almeida - Me dê sua mão
08 - Mordida - Pro inferno ninguém
09 - Sala Especial - Interlagos 75
10 - NaurÊa - Hoje tem forró
11 - Madalena Moog - Descartáveis
12 - Ultravespa - Amigos e perigos
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 6

01 - Pública - Tempo
02 - Criaturas - Bianca
03 - Beto Só e Os Solitários Incríveis - Isadora
04 - Kandinsky - Memórias
05 - The ESS - Easy way
06 - Motormama - Rota caipira (Anhanguera song)
07 - Nevilton - A máscara
08 - Glamourama - Um cadáver no palco
09 - han(S)olo - Por volta dos trinta
10 - Souvenirs - 29 de dezembro
11 - Texticulos de Mary - Propóstata
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 7

01 - Rádio de Outono - Além da razão
02 - Os Dissonantes - Um filme a dois
03 - Hotel Avenida - Só o amor pode partir seus joelhos
04 - Bidê ou Balde - Melissa
05 - Luiza Mandou um Beijo - Guardanapos
06 - The Pro - Todos juntos
07 - GRU - Saturday morning hope
08 - Continental Combo - Nova manhã
09 - Brinde - Onde eu for
10 - Os Jeans - Meu quarto vazio
11 - Barbiekill - Chiclete
12 - Jesus Buceta - Freiras lésbicas assassinas do espaço 
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 8

01 - Os Dissidentes - Ingleses não usam mullets
02 - Os Jones - Força do hábito
03 - Cachorro Grande - Sexperienced
04 - Beach Combers - Super-homem
05 - Autoramas - Fale mal de mim
06 - Impar - O incrivel homem-âncora
07 - Malditas Ovelhas! - Cidade alerta
08 - Sweet Fanny Adams - Hate song 3
09 - Super Trunfo - Uhuhuu
10 - Megafone - Aparelho
11 - Os Pedrero - Pin Up gordinha
12 - Cadabra - Quanto? 
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 9

01 - Retrofoguetes - Surf-O-Matic
02 - Bois de Gerião - Cifrão
03 -Star 61 - Tão sexy
04 - Apanhador Só - Pouco importa
05 - The Tape Disaster - A voz do fogo
06 - Violins and Old Books - Camus
07 - Plato Divorak & Os Shazams - Turbilhão de emoções
08 - Cochabambas! - Fuca bala
09 - Blush Azul - Amargo perfume
10 - Ácidogroove - O anti-herói
11 - Repolho - Pau na bucetinha
12 - Turbo - Guri de apartamento 
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 10

01 - Sestine - Esse lugar ruim
02 - Headphone - Hoje
03 - Diego de Moraes - Desculpe-me, mas vou cantar em português
04 - Astronauta Pinguim - Melissa
05 - Maria Scombona - Contemplário 79
06 - Novanguarda - Rejeição
07 - Sapatos Bicolores - Garota cor-de-fogo
08 - Rockassetes - As flechas
09 - Carlo Pianta - Sozinho
10 - Mezatrio - Despacho
11- Fóssil - cum-panere [intriga de todos]
12 - Fortunetellers - Downtown
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 11

01 - Wonkavision - O plano mudou
02 - The Book is on the Table - Spin around
03 - Aeroplano - Pra você, solidão
04 - Superphones - Where have you been?
05 - Cassim & Barbária - That old speel
06 - Projeto Secreto Macacos - Primata urbano
07 - Lucy and The Popsonics - Coração empacotado
08 - Lenzi Brothers - Abstinência
09 - Os Dinamites - Cowboy de entrequadra
10 - Superego Elvis - Devo lhe falar
11 - Richard Vee ans his Veetagers - She got married
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 12

01 -JavaCafé - Caos
02 - Mr. Spaceman - Lost not found
03 - Coloração Desbotada - Beijo de açúcar molhado
04 - Siléste - Jesus/Genet
05 - Ludov - Princesa
06 - Os Telepatas - Coração pedra de gelo
07 - Pierrot Lunar - Meu pequeno escorpião
08 - Tomate Maravilha - Em suma
09 - Bad Folks - Big white chase
10 - Os Efervescentes - Não vou lhe contar
11 - Trilobita - Cocking crash revolting
12 - Turbo - Guri de Apartamento
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 13

01 - Acústicos & Valvulados - Até a hora de parar
02 - Lasciva Lula - Hagens Dazs
03 - Alex Sant'Anna - Engolindo sapo
04 - Mersault e a Máquina de Escrever - Ladrão de brinquedos
05 - Postal Blue - Asleep
06 - Loomer - Enough
07 - Fantomáticos - Italiano
08 - Gauche - Brilho
09 - Molho Negro - San Telmo
10 - Desert Lune - Mapas e calendários
11 - Johny Rockstar - Las Vegas
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 14

01 - Marcelo Mendes e Os Bacanas - A juventude
02 - Do Amor - Modelo americano
03 - Frank Jorge - Sofrimento nunca mais
04 - O Quarto das Cinzas - Circulares
05 - The Biggs - Bullet proof jacket
06 - Theatro de Séraphin - Sombras chinesas
07 - Quatro Sensorial - Inferno astral
08 - Saulo Duarte e A Unidade - Onze horas (com Tulipa Ruiz)
09 - Romulo Fróes - Corpo vazio
10 - Mentes Póstumas - Insanidade
11 - The Concept - No ...
12 - Los Torrones - Você me faz mal, meu bem
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 15

01 - Dingo Bells - Costura de botão
02 - Bang Bang Babies - Heart's crash
03 - Pó de Ser - Ypsilone
04 - Eduardo Christ - Em Porto Alegre
05 - Os Skywalkers - Na cabeça de Syd Barret
06 - Nuda - Fato: mamado vado
07 - Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta - Aquela dança ...
08 - Ivan Santos & Giancarlo Ruffato - Deserto
09 - Monokini - Riviera
10 - Hipnóticos - Tornado
11 - Merda - Grupo elétrico definhadores da natureza "g.n.d.e"
12 - Lepstopirose - Mamãe costura meus patches
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 16

01 - Cérebro Eletrônico - Pareço moderno
02 - Gramophones - Aquele elevador
03 - Berlinda - O lado escuro da rua
04 - Cactus Cream - Sempre igual
05 - Júlia Says - Ondas & barcos (indicando a direção)
06 - Campbell Trio - Ehnay
07 - The First Limbo - Perceptions from the hill
08 - Pic Nic - Passa um ano
09 - General Bonimores - Dia feliz
10 - Dinartes - Clubinho
11 - Waldi & Redson - A vida, o vício e o adeus
12 - Tagore - Poliglota
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 17

01 - Uma Nova Orquídea - Estar seja
02 - Soma - Eu, o alien
03 - Lo-Fi - Eu não preciso de você
04 - Nancy - Keep cooler
05 - Multiplex - Particularidades
06 - Dunas do Barato - Amante do kaos
07 - Nublado - Sobre o caos
08 - FuzzFaces - Caminhos cruzados
09 - Superquadra - Ultra-romântico
10 - Smiley - Tanto faz
11 - Supermaneiro - Todo tempo do mundo
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 18

01 - Esteban - Red like sparkle
02 - ZecaCuryDamm - Já não dá mais
03 - Os Amantes Invisíveis - O quarto
04 - Hang the Supertars - Money
05 - Arco Voltaico - Dissoluto
06 - A Banda de Joseph Tourton - #2
07 - Ana Clara - Que nem passarinho
08 - Dr. Cascadura - Queda livre (ac)
09 - Leela - Romance fugitivo
10 - Diedrich & Os Marlenes - Febre e delírio
11 - The Honkers - Não beba, papai, não beba
12 - La Paliza - Festim 
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 19

01 - Coquetel Acapulco - Um buraco chamado Beverly Hills
02 - Camarones Orquestra Guitarrística - Pipa
03 - Tiro Williams - Monroe
04 - Vinill 69 - Cai a noite
05 - Os Vespas - Disse me disse
06 - Carpete Florido - Nuvens
07 - The Dealers - Come on, come on
08 - Hangoovers - O Sr. está depedido
09 - Good Morning Kiss - Change the way
10 - Os Analógicos - Canção do fim do mundo
11 - Surfadelica - Surf me to the moons of Saturno
12 - GarageFuzz - Warm and cold
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 20

01 - Lítera - Domitila
02 - Supercordas - Ruradélica
03 - Robô Gigante - Hoje eu resolvi beber
04 - Léo Aprato - Branditt
05 - Barracuda Project - Fuck off synthesizer
06 - Suco Elétrico - Oh, yeah!
07 - IMOF - Chuva
08 - Gulivers - Ausente
09 - Valentina - Tribuna de ladrões
10 - Costellethas - Esgace o rock 'n' roll
11 - Facas Voadoras - 1:54
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 21

01 - Relespública - Garoa e solidão
02 - Bandinha Di Dá Dó - Pãnãnã em mi
03 - Los Pirata - Xá lá lá lá
04 - Mari Martinez & The Soulmates - Estranhos conhecidos
05 - Pão com Hambruguer - Homem do dia
06 - Cachorro Cego - Famíla que briga unida permanece unida
07 - CwBillys - Boogie do carango
08 - Identidade - NInguém é de ninguém
09 - Pocilga DeLuxe - Bandida
10 - Sangue Seco - Inimigo Íntimo
11 - Zumbis do Espaço - Cão do inferno
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 22 (Extras - Especial Volume 1)

01 - Superguidis - Malevolosidade
02 - Pipodélica - Blá blá blá
03 - Beto Só - O tempo contra nós
04 - Dead Lover's Twisted Heart - Eu tenho
05 - Phonopop - Goodbye
06 - Mordida - Garota de programa
07 - Watson - Tupanzine
08 - Vanguart - The cowboy has the money
09 - Bidê ou Balde - Vamos passar a noite de galera
10 - Mordida - Judy
11 - Os Pedrero - Lúcifer
12 - 10 - NaurÊa - Bate beat
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 23

01 - Forgotten Boys - Babylon
02 - Nihilo - Pela estrada
03 - Radiotape - Nova chance
04 - Bona Dea - Lost son
05 - Amplificador de Brinquedo - Tarde feliz
06 - Barfly - Thoughts I had in mind
07 - River Raid - Experiência
08 - Abaixo de Zero - Deixa
09 - Tape Rec - Aeronave
10 - Projeto Moe - Baião de Brian
11 - Big Fish and the BopaLulas - Cadillac
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 24 (Extra - Especial Volume 2)

01 - Lê Almeida - Querida Deal
02 - Sestine - As mentiras certas
03 - Star 61 - Tanto faz
04 - Siléste - Casmurrice
05 - Continental Combo - Faroeste blues
06 - Criaturas - Bebendo dúvidas
07 - Postal Blue - The world doesn't need you
08 - Pública - Coisas da vida
09 - Os Dissidentes - Amanhã ninguém sabe
10 - Autoramas - Hotel Cervantes
11 - Laranja Freak - Após o bip (+ hidden track)
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 25 (Extra - Senhor F Virtual Volume 1)

01 - Victor Tucano - Mapa
02 - StereoScope - Cherole
03 - Suíte Super Luxo - Ad Hoc
04 - Vanguart - Semáforo
05 - Beto Só - Meu velho Escort
06 - Gianoukas Papoulas - Desilusão de ótica
07 - Los Porongas - Enquanto uns dormem
08 - Phonopop - Comendo vidro
09 - Superguidis - O banana
10 - Watson - Notícia do dia 3
11 -Volver - Tão perto, tão certo
12 - Repolho - Meu coração é assim mesmo
13 - MQN - Caribbean Beach
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 26

01 - The Baggios - Pegando um punga
02 - Sonic Volt - Estradeira
03 - MIndgarden - Beach times
04 - Alphagraus - Autocrítica
05 - Tapete Persa - Aquele cara
06 - Badhoneys - Last day
07 - Sincera - Força em sua vida
08 - Yellow Monkey - The stoned sensation
09 - Joseph K - De cabeça pra baixo
10 - The Skinks - Ignored
11 - Billy Goat - Dandelion
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 27 (Extra - Especial Volume 3)

01 - Pipodélica - Nada disso
02 - Laranja Freak - Pegando fogo
03 - Mordida - Menina maçã
04 - Acústicos & Valvulados - Milésima canção de amor (ac)
05 - Mr. Spaceman - To whom i may concern
06 - Cachorro Grande - Debaixo do chapéu
07 - Walverdes - Anticontrole
08 - OAEOZ - Canção para o AEOZ
09 - Bidê ou Balde - É preciso dar vazão aos sentimentos
10 - Monno - Nada demais
11 - Driving Music - Day for night
12 - Beto Só e os Solitários Incríveis - Charlote (ao vivo)
13 - Watson - Perfume de hotel + hidden track
14 - (hidden track) Waston - II

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 28 (Extra - Especial Volume 4)

01 - Attack Fantasma Central
02 - Lascila Lula - Vai que morre
03 - Phonopop - Puro veludo
04 - Sweet Fanny Adams - Flaming veins
05 - Continental Combo - O homem retalho
06 - Bidê ou Balde - Lightning bolt
07 - NaurÊa - Duvido
08 - Santo Samba - Colinho
09 - Watson - Emitivi apresenta
10 - Wonkavision - Comprimidos
11 - Sapatos Bicolores - Aeromoça
12 - Irmãos Rocha - Beibeam
13 - han(S)olo - Supermil

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 29

01 - Kelton - Sem concerto
02 - Filomedusa - Batcaverna
03 - Avante Royale - A ressaca da pracinha
04 - Chá das Cinco - A coragem
05 - Daca - Número
06 - O Carabala - O imigrante
07 - Vendo 147 - Skate-O-Matic
08 - Os Marmotta - Ontem
09 - Os Variantes - Soluções aos seus pés
10 - Aip! - ? (question)
11 - Impossíveis - Psicopata do amor

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 30

01 - Driving Music - Windowsill
02 - Morsa - Bumbo mjölnir
03 - João e os Poetas de cabelo solto - A sangrar
04 - Caffeine - Donkey
05 - Goldfish Memories - Tricks
06 - Café Colômbia - Por tempo
07 - Sargento Malagueta - Um carinha bem legal
08 - Cuscobayo - Ô, vagabundo!
09 - Espaçonave - Nada em comum
10 - Incolores - Pobre coração
11 - PapaUmas - Pode me usar
12 - Smack - Se você

DISCOS-CHEIOS (Coletâneas temáticas)

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 1
Garage Laboratorium (clássicos & raridades da psicodelia)

 

1.Anjo Gabriel – O culto secreto do Anjo Gabriel (PE)
2.Boogarins - As plantas que curam (GO)
3.Cérebro Eletrônico – Pareço moderno (SP)
4.Cidadão Instigado - O método tudo de experiências (CE)
5.Continental Combo – Conveniências na cidade (SP)
6.Effervescing Elephant – Effervescing Elephant (SP)
7.FuzzFaces – Voodoo Hits (SP)
8.Júpiter Maçã – Uma tarde na fruteira (RS)
9.Lacertae – A volta que o mundo deu (SE)
10.Laranja Freak – Brasas lisérgicas (RS)
11.Madalena Moog - Universal Park (PB)
12.Makina du Tempo - Músicas para dias de sol (DF)
13.Momento 68 - Onde Estão Suas Canções? (SP)
14.Mopho – Mopho (AL)
15.Os Haxixins – Euro Tour 2008 (SP)
16.Os Hipnóticos – Garage Laboratorium (RS)
17.Os Skywalkers – ZenMakumba (SP)
18.Os The Darma Lóvers – Os The Darma Lóvers (RS)
19.Pipodélica – Simetria radial (SC)
20.Plástico Lunar – Coleção de viagens espaciais (SE)
21.Plato Dvorak & Os Exciters - Plato Dvorak & Os Exiters (RS)
22.Stereovitrola (AP) – No espaço líquido (AP)
23.Supercordas - Seres verdes ao redor (RJ)
24.Transistors – In transfuzzion (SP)
25.Vaca de Pelúcia - Vaca de Pelúcia (SP)
26.Wado - O manifesto da arte periférica (AL)

Bônus

25. Brazilian Pebbles Vol 1 & 2 – Vários (Bônus)


Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 2
A voz do fogo (clássicos & raridades da psicodelia)

 

1. Astronauta Pingüim – Petiscos: Sabor Churrasco (RS)
2. Burro Morto – Baptista virou máquina (PB)
3. Constantina - Constantina (MG)
4. Floresta Sonora – Floresta Sonora (PA)
5. Fóssil – Insônia (CE)
6. Funkalister – Vol 2 (RS)
7. João Erbetta – Guitar Bizarre (SP)
8. La Pupuña – All right penoso!!! (PA)
9. Lise - Qualquer frágil fio de fantasia (MG)
10. Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro (MT)
11. Músicas Intermináveis para Viagem - ST (RS)
12. Pata de Elefante – Pata de Elefante (RS)
13. pexbaA – pexbaA (MG)
14. Pio Lobato – Tecnoguitarradas (PA)
15. Quarto Sensorial (RS) – Halteroniilismo (RS)
16. Retrofoguetes – Chachachá (BA)
17. ruído/mm - Introdução à Cortina do Sótão (PR)
18. Sala Especial – Edição Granfina (SP)
19. Satanique Samba Trio - Misantropicalia (DF)
20. SOL – No descompasso do transe, retalho do meu silêncio (1999-2003) (RS)
21. Skrotes - Nessum Dorma (SC)
22. The Tape Disaster – Compilation (EPs) (RS)
23. Trilöbit – Tutorial (PR)

Bônus

24. The Ess - Rehearsal Ess - Ao vivo na Grande Garagem que Grava/ EP (PR)
25.Os Jones - peledemamute / EP (AL)
26. Nova Música Experimental – Ruído MM, Labirinto, Fóssil, Constantina (Vários) 

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 3
Solitários Incríveis (clássicos & raridades de cantautores)

 

1. Alex Sant’anna – Aplausos mudos, vaias amplificadas (SE)
2. Arthur Franquini – When loneliness fucks you up... (SP)
3. Beto Só – Dias mais tranquilos (DF)
4. BNegão & Os Seletores de Frequência (RJ) – Enxugando Gelo (RJ)
5.Criolo – Nó na orelha (SP)
6. Diego de Moraes & Sindicato – Parte de nós (GO)
7. Esteban – Adios, Esteban! (RS)
8. Frank Jorge – Carteira nacional de apaixonado (RS)
9. Giarcarlo Rufatto – Machismo (PR)
10. Giovanni Caruso e o Escambau – Acontece nas melhores famílias (PR)
11. Jair Naves – E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias mãos (SP)
12. Juvenil Silva – Desapego (PE)
13. Lobão – A vida é doce (RJ)
14. Malu Magalhães – Malu Magalhães (SP)
15. Marcelo Mendes & Os Bacanas – Mendes, Marcelo (DF)
16. MOMO – Buscador (RJ)
17. Otto - Samba pra burro (PE)
18. Pélico – O último dia de um homem sem juízo (SP)
19.Rodrigo César/Grenade - Is an out of the body experience (PR)
20.Thiago Pethit – Pethit (SP)
21.Tiago Iorc – Letyourselfin (SP)
22.Tulipa Ruiz – Efêmera (SP)
22. Wado – Cinema auditivo (AL)
24. Wander Wildner – Buenos Dias!

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 4
Operações submarinas (clássicos & raridades do instro-surf)

 

1. Autoramas – Teletransporte (RJ) Mondo 77
2. Búfalos d’Água – Farewell to shore (PR) Independente
3. Camarones Orquestra Guitarrística - Camarones Orquestra Guitarrística (RN) DoSol
4. Cochabambas! – Máquinas quentes a todo vapor ... (cassete) (SC) Migué Records
5. Estrume’n’tal – Surfme'n'tal (MG) Golly Gee Recrods
6. Gasolines – Pura veneta (SP) Baratos Afins
7. Go! – Aventura sob o céu (RJ) Navena Muzik
8. Limbonautas – Rendam-se humanos (PR) Bloody Records
9.Marcelo Campos Moreira – Marcelo Campos Moreira (RS) Independente
10. Netunos - Alto Mar (RJ) Independente
11. Os Ambervisions – Bons momentos não morrem jamais (SC) Migué Records/Monstro Discos
12. Os Argonautas – Os Argonautas (RS) Argo Discos
13. Os Ostras – Operação submarina (SP) Excelente Discos/Abril Music
14.Reverba Trio - Reverba Trio (RS)
15. Super Stereo Surf – Antes do baile (DF) Monstro Discos
16.Surfadelica - Surfing on the desertshore (SP) Psices Records
17. The Dead Rocks – International Brazilian Surfs (SP) Monstro Discos
18. The Surf Mother Fuckers – Solano star (MG) Independente
19.Xevi 50 - Ensaio (SC) Inidependente

Bônus

17. Reverb Brasil – Uma coleção de bandas de surfe Alvo/Rveber Brasil/Obra Discos
18. Brazilian Surf – The atack of the tiki waves vol 1 Groove Records (PT)
19. Beach Combers - Beach Combers (EP)


Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 5
Nova Manhã (clássicos & raridades do folk-rock)


Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 6
Metade Roberto Carlos, Metade GG Allin (clássicos & raridades do punk rock)


Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 7
A Discreta Vingança de Lafayette (tributos ao mestre dos teclados)

 

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 8
Aos Meus Amigos (raridades & curiosidade)

 
 


/Noite


Superguidis, o coraçãozinho sobreviverá


por Fernando Rosa

Nunca me senti à vontade para dizer o que achava do Superguidis. Falei deles sobre as mais variadas abordagens e formas. Mas sempre fugindo de dizer exatamente o que pensava. Bem, acho que agora, depois de dez anos, posso falar. Sempre achei a melhor banda da sua geração. Em música, em poesia, em presença de palco. Muitas outras foram geniais, mas eles foram perfeitos. Em todos os discos, mas especialmente no primeiro.

O primeiro disco tem uma série de histórias que envolveram o seu lançamento. Os guris, imagino, tentaram outros selos, mas ninguém deu bola para eles. Não podia ser diferente com um grupo e um disco predestinados. Não fosse o selo Senhor F Discos, talvez seguissem isolados em Porto Alegre. Onde tinham um público fiel e apaixonado por eles. Mas a cidade, e o estado, ainda viviam aquele espírito de auto-suficiência regional. E eles não faziam "rock gaúcho".

Pois foi, talvez, esse conflito que afastou outros selos e os aproximou do selo Senhor F. Eles contrariavam a expectativa inicial e surpreendiam com uma nova música. Não eram de Porto Alegre, eram de Guaíba, e adoravam Guided By Voices, Pavement e Yo La Tengo. Ai deu a liga que resultou na união da banda com o selo. Por três discos e cerca de cinco anos, andaram juntos. Em shows por todo o país - Argentina e Uruguai, participação em festivais e eventos.

O disco de estréia, de fato, ou ganhava o cidadão de cara, ou não passava no teste. Segundo padrão ainda vigente, era "mal gravado", lofi demais. A fábrica rejeitou prensar por três vezes, alegando má qualidade. Foi preciso assinar um termo de responsabilidade pelo resultado final. Sim, o disco tinha sido gravado "em casa", e coisas tipo a bateria duplicada nos canais, para dar mais peso. Mas isso, para o selo, eram medalhas na defesa do disco, que afinal ganhou às ruas.

Foi o "melhor disco do ano" em quase todas as listas de 2006. Chegou aos ouvidos de Robert - Deus - Pollard, que achou massa. Críticos do país inteiro se renderam à obra, que agora já se pode chamar de clássica. A humildade e o senso de humor juvenil dos quatro Guidis ajudavam a difundir melodias e poesias. De Norte a Sul do Brasil, riffs, refrões, expressões, trechos de músicas foram se espalhando. Sem que ninguém deixasse de notar o quanto geniais eram aquelas duas guitarras - que pareciam uma.

Ainda hoje sem cruzar a fronteiras dos ouvidos independentes, é o disco mais completo de sua geração. Andrio & Lucas & Diogo & Marco, na verdade, não faziam rock, faziam música universal. De um jeito tão ousado, que a cultura oficial fez pouco de sua presença. As canções são absolutamente geniais, da primeira à ultima das doze faixas do disco. A poesia ainda segue tão atual quanto inventiva - poucos como eles conjugaram de forma tão brilhante rock & língua pátria.



Foto: Bruna Paulim
Capa: André Ramos
Selo: Senhor F Discos


 


/Noite


A voz do fogo: clássicos & raridades do instrumental


por Fernando Rosa

O rock instrumental ganhou espaço junto à cena independente brasileira moderna. Entre 1998 e 2013, são várias as obras que se destacaram em meio a uma profícua produção. Na comemoração dos 15 anos de Senhor F, listamos 20 títulos que consideramos os mais importantes dessa época.

Na lista estão discos que marcaram época, como Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong, até obras atuais como Realidade Aumentada, dos novatos gaúchos The Tape Disaster. Também discos de dois dos mais importantes guitarristas modernos do Brasil, Pio Lobato e João Erbetta.

Vale destacar que a produção é oriunda dos mais variados pontos do país, do Rio Grande do Sul até o Pará. Algumas bandas não existem mais, como La Pupuña e Pata de Elefante, mas seus discos perpetuarão seus grandes momentos de criatividade.

Esta é a primeira lista de uma série que vai destacar os melhores discos psicodélicos, de instro-surf, cantautores, as coletâneas mais importantes e, por fim, os 100 EPs e os 150 discos que marcaram a geração pó-internet,entre 1998 e 2013.

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 2
A voz do fogo (clássicos & raridades da psicodelia)


1. Astronauta Pingüim – Petiscos: Sabor Churrasco (RS)
2. Burro Morto – Baptista virou máquina (PB)
3.Chipanzé Clube Trio - CCT
4. Constantina - Constantina (MG)
5. Floresta Sonora – Floresta Sonora (PA)
6. Fóssil – Insônia (CE)
7. Funkalister – Vol 2 (RS)
8. João Erbetta – Guitar Bizarre (SP)
9. La Pupuña – All right penoso!!! (PA)
10. Lise - Qualquer frágil fio de fantasia (MG)
11. Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro (MT)
12. Músicas Intermináveis para Viagem - ST (RS)
13. Pata de Elefante – Pata de Elefante (RS)
14. pexbaA – pexbaA (MG)
15. Pio Lobato – Tecnoguitarradas (PA)
16. Quarto Sensorial (RS) – Halteroniilismo (RS)
17. Retrofoguetes – Chachachá (BA)
18. ruído/mm - Introdução à Cortina do Sótão (PR)
19. Sala Especial – Edição Granfina (SP)
20. Satanique Samba Trio - Misantropicalia (DF)
21. SOL – No descompasso do transe, retalho do meu silêncio (1999-2003) (RS)
22. Skrotes - Nessum Dorma (SC)
23. The Tape Disaster – Compilation (EPs) (RS)
24. Trilöbit – Tutorial (PR)

Bônus

25. The Ess - Rehearsal Ess - Ao vivo na Grande Garagem que Grava/ EP (PR) 
26.Os Jones - peledemamute / EP (AL)
27. Nova Música Experimental – Ruído MM, Labirinto, Fóssil, Constantina (Vários)
 


/Noite


Garage Laboratorium, a psicodelia nos anos 2000


por Fernando Rosa

A psicodelia mundial misturou-se ao rock e a música brasileira sob as mais variadas formas, desde o tropicalismo até o Clube da Esquina e artistas como Lula Côrtes & Zé Ramalho e Ronnie Von. Nos anos dois mil,  se fez presente na produção musical da geração pós-internet brasileira, de uma maneira intensa e criativa. A revista Senhor F com suas matérias especiais sobre o tema contribuiu em parte com isso, a partir de 1998. Durante esse tempo, o site publicou textos sobre temas como a psicodelia nordestina dos anos 70, resgatou bandas raras como Spectrum e realizou entrevistas históricas com Rogério Duprat e Ronnie Von, entre outros.

O portal também acompanhou as cenas e artistas que surgiram orientados, ou com influência da psicodelia brasileira e estrangeira. Dezenas de discos forma produzidos, dos quais compilamos 26, com artistas independentes de vários estados. Nela estão clássicos absolutos do rock nacional como o disco da banda alagoana Mopho até super raridades como o discos dos paulistanos Transistors. Em todos eles, a sintonia com Mutantes, Ave Sangria, Gil & Caetano, Lanny Gordin e toda sorte de artistas da punk-psicodelia americana e inglesa dos anos sessenta.


Sem a pretensão de esgotar o tema, apresentamos a lista que segue abaixo, lançados entre 1998 e 2013:
 

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume  1
Garage Laboratorium (clássicos & raridades da psicodelia)


1.Anjo Gabriel – O culto secreto do Anjo Gabriel (PE)
2.Boogarins - As plantas que curam (GO)
3.Cérebro Eletrônico – Pareço moderno (SP)
4.Cidadão Instigado - O método tudo de experiências (CE)
5.Continental Combo – Conveniências na cidade (SP)
6.Effervescing Elephant – Effervescing Elephant (SP)
7.FuzzFaces – Voodoo Hits (SP)
8.Júpiter Maçã – Uma tarde na fruteira (RS)
9.Lacertae – A volta que o mundo deu (SE)
10.Laranja Freak – Brasas lisérgicas (RS)
11.Madalena Moog - Universal Park (PB)
12.Makina du Tempo - Músicas para dias de sol (DF)
13.Momento 68 - Onde Estão Suas Canções? (SP)
14.Mopho – Mopho (AL)
15.Os Haxixins – Euro Tour 2008 (SP)
16.Os Hipnóticos – Garage Laboratorium (RS)
17.Os Skywalkers – ZenMakumba (SP)
18.Os The Darma Lóvers – Os The Darma Lóvers (RS)
19.Pipodélica – Simetria radial (SC)
20.Plástico Lunar – Coleção de viagens espaciais (SE)
21.Plato Dvorak & Os Exciters - Plato Dvorak & Os Exiters (RS)
22.Stereovitrola (AP) – No espaço líquido (AP)
23.Supercordas - Seres verdes ao redor (RJ)
24.Transistors – In transfuzzion (SP)
25.Vaca de Pelúcia - Vaca de Pelúcia (SP)
26.Wado - O manifesto da arte periférica (AL)

Bônus
25. Brazilian Pebbles Vol 1 & 2 – Vários (Bônus)

(na foto: Mopho/1ª foto de divulgação)
 


/Noite


Nova Manhã, o folk rock dos anos 2000


por Fernando Rosa

A música caipira, ou folclórica, ou ainda regional, faz parte da construção da cultura musical brasileira, passando por todas as gerações e chegando aos tempos modernos. Por outro lado, o folk de origem americana também penetrou na cultura nacional de forma marcante, especialmente a partir dos anos sessenta. Em meio a esse processo, a partir do tropicalismo (2001/Mutantes & Tom Zé), Tião Carreiro & Pardinho e The Byrds puderam conviver harmoniosamente, resultando no chamado “rock rural”, nos anos setenta.

Naquele momento, e durante os anos seguintes, proliferaram grupos como Sá, Rodrix & Guarabira, Ruy Maurity Trio, Bendegó, Flying Banana, Almôndegas, Tetê & O Lírio Selvagem e Paranga. A fusão das linguagens do rock com as vertentes folclóricas regionais produziu grandes discos, alguns reconhecidos nacionalmente, outros mantidos na obscuridade. Mas, o importante é que a música brasileira mostrou mais uma vez sua enorme capacidade de transmutar-se sem perder a identidade.

A cena independente dos anos dois mil não passou impunemente por esse universo sonoro, incorporando outras influências musicais a ele. Entre os anos 2000 e 2015, vários grupos gravaram obras referenciadas nessa história particular, atualizando sonoridades do folk rock no país. O portal Senhor F acompanhou de perto essa geração, ouvindo as novas produções, colecionando seus singles, eps e discos-cheios lançados nesse período, dos quais destacamos alguns.

Os grupos

Natural de Porto Alegre, Cowboys Espirituais reunia Frank Jorge, Julio Reny e Márcio Petracco, e teve seu disco de estreia lançado pela Trama, em 1998. Os Pistoleiros, desde Florianópolis, lançaram em 2000 um dos grandes discos da cena independente, que conquistou fans como Wander Wildner. Já os paulistas Motormama, de Ribeirão Preto, emergiram na cena independente com o clássico Carne de Pescoço, em 2002, com forte acento de psicodélica-caipira. Em Belo Horizonte, destacou-se a banda Dead Lovers Twisted Heart com seu hillbilly indie cantado em inglês. Também em inglês, Bad Folks construir sua carreira a partir de Curitiba.

O brasiliense Sestine, liderado por Márcio Porto, é um dos segredos mais bem guardados da cena independente do Centro-Oeste, resultado de seus dois únicos EPs Carros-Fantasma e As Engrenagens (2006). Paranaense, Charme Chulo talvez tenha afirmado de maneira mais intensa a linguagem do folk rock na cena independente, por conta de seu disco de estreia, lançado em 2007 e da subsequente carreira. Da mesma cidade, a dupla Os Irmaõs Carrilho, casam Everly Brothers com modinhas caipiras, em singles lançados entre 2013 e 2015.

O grupo paulista Continental Combo tem sua história ligada ao mod e ao rock sessentista, mas em seu disco homônimo gravado entre 2003 e 2005, registrou seu lado folk, fundindo rock rural com Flying Burrito Brothers. Explodindo na cena independente desde Cuiabá, Vanguart ganhou o Brasil com seu mix inicial de Bob Dylan e Radiohead, afirmando-se nacionalmente, com profunda identidade, com o hit Semáforo. Também de Curitiba, Koti e Os Penitentes agregaram à cena folk a linguagem do rockabilly e os temas trash-urbanos. Um pouco na mesma linha, Fabulous Bandits cantou porres, brigas e tiroteios com seu folk-hardcore.

Dois grupos, um de São Paulo, Matuto Moderno, outro de Brasília, Judas, pisaram fundo na música caipira, na moda de viola e outras linguagens interioranas, com seus discos lançados em 2011 e 2013. Já o trio Bob ShuT, de Caxias do Sul, na serra gaúcha, introduziu na cena o “folk montanhês” com seu segundo disco. Por fim, o sempre genial Diego de Moraes, rebatizado Waldi, e o comparsa Redson, reinventaram as duplas caipiras em versão “indie” com o disco lançado em 2013

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 5
Nova Manhã (clássicos & raridades do folk rock)


1.Bad Folks - Impossible (PR)
2.Bob Shut – II (RS)
3.Charme Chulo – Charme Chulo (PR)
4.Continental Combo – Continental Combo (SP)
5.Cowboys Espirituais – Cowboys Espirituais (RS)
6.Dead Lovers Twisted Heart – DLTH (BH)
7.Fabulous Bandits - Chumbo Grosso (PR)
8.Judas – Nonada (DF)
9.Koti e Os Penitentes – Caído na Sarjeta (PR)
10.Matuto Moderno – 5 (SP)
11.Motormama – Carne de Pescoço (SP)
12.Os Pistoleiros – Os Pistoleiros (SC)
13.Pedrinho Grana & Os Trocados - ST (DF)
14.Sestine – Carros Fantasma + As Engrenagens (DF)
15.Vanguart - Vanguart (MT)
16.Waldi & Redson – Waldi & Redson (GO)

Bônus

17.Os Irmaõs Carrilho – No tempo que passou (single)  (PR)


/Noite


Operações submarinas, clássicos do instro-surf


da Redação

A surf music, em especial, e o rock instrumental independente tiveram seu grande momento nessa década passada. Inspirados em heróis clássicos e também em brasileiros sixties, muitos grupos ganharam os palcos dos festivais com suas guitarras flamejantes, especialmente do Primeiro Campeonato de Surf, em Belo Horizonte. Em seus 15 anos, Senhor F selecionou 15 títulos que achamos os mais legais e importantes dessa geração.

Entre eles, os pioneiros Os Argonautas, donos de um dos melhores discos do gêneros já gravados no Brasil – formada pelo grande guitarrista Marcelo Moreira, mais Régis Sam, Gustavo Dreher e Rodrigo Rosa. Deles, a música Maré Vermelha foi trilha do programa Senhor F - A História Secreta do Rock Brasileiro, na Usina do Som, entre 2011 e 2002. Também pioneiros, Os Ostras foram importantes para abrir caminho para grupos se aventurarem por essa vertente musical. Ainda, é importante destacar os cariocas Netunos e os catarinenses Cochabambas! e Ambervisions, com registros do início da década passada.

A seleção ainda traz clássicos como os Autoramas, Gasolines, Estrume’n’tal e The Dead Rocks, responsáveis por grandes discos. Outros destaques da lista são raridades como os grupos Limbonautas, de Curitiba, The Surf Mother Fuckers, de Belo Horizonte, e o gaúcho Marcelo Campos Moreira, em disco solo, com participação especial de integrantes do grupo Cachorro Grande.

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 4
Operações submarinas (clássicos & raridades do instro-surf)


1. Autoramas – Teletransporte (RJ) Mondo 77
2. Búfalos d’Água – Farewell to shore (PR) Independente
3. Camarones Orquestra Guitarrística - Camarones Orquestra Guitarrística (RN) DoSol
4. Cochabambas! – Máquinas quentes a todo vapor ... (cassete) (SC) Migué Records
5. Estrume’n’tal – Surfme'n'tal (MG) Golly Gee Recrods
6. Gasolines – Pura veneta (SP) Baratos Afins
7. Go! – Aventura sob o céu (RJ) Navena Muzik
8. Limbonautas – Rendam-se humanos (PR) Bloody Records
9.Marcelo Campos Moreira – Marcelo Campos Moreira (RS) Independente
10. Netunos - Alto Mar (RJ) Independente
11. Os Ambervisions – Bons momentos não morrem jamais (SC) Migué Records/Monstro Discos
12. Os Argonautas – Os Argonautas (RS) Argo Discos
13. Os Ostras – Operação submarina (SP) Excelente Discos/Abril Music
14.Reverba Trio - Reverba Trio (RS)
15. Super Stereo Surf – Antes do baile (DF) Monstro Discos
16.Surfadelica - Surfing on the desertshore (SP) Psices Records
17. The Dead Rocks – International Brazilian Surfs (SP) Monstro Discos
18. The Surf Mother Fuckers – Solano star (MG) Independente
19.Xevi 50 - Ensaio (SC) Inidependente

Bônus

17. Reverb Brasil – Uma coleção de bandas de surfe Alvo/Rveber Brasil/Obra Discos
18. Brazilian Surf – The atack of the tiki waves vol 1 Groove Records (PT)
19. Beach Combers - Beach Combers (EP)

(na foto: Estrume’n’tal)


/Noite


Seu guarda, entenda, estou indo para uma Noite Senhor F


por Fernando Rosa

A Noite Senhor F tem uma série de histórias loucas, comuns, divertidas, mas todas reais. Uma delas tem a ver com a sua importância cultural para a cidade de Brasília, naquele momento. E foi contada recentemente pelo próprio personagem. Como na maioria das histórias, vamos preservar seus nomes.

Naquela época, primeira metade dos anos dois mil, Brasilia começava a caretear de vez. Primeiro, inventaram uma tal de "lei seca", que obrigava a gente a acabar as Noites até 2h30. Se passasse desse horário, a blitz da fiscalização batia e podia fechar a casa, em nosso caso o Gate's Pub.

Também começavam a funcionar com mais intensidade as blitz de rua, como forma de reprimir a livre circulação noturna na cidade. Pois numa dessas blitz, o nosso amigo personagem acabou sendo barrado pelos policiais. Ao que apelou com um argumento, para ele, convincente.

- Seu guarda, entenda, estou indo para uma Noite Senhor F.

(Ou algo mais ou menos assim) 


/Noite


Banda Frida grava nos Estados Unidos


da  Redação

A banda Frida é um dos nomes convidados pela Converse para gravar em seus estúdios associados ao redor do mundo - o quarteto grava no estúdio Rubber Tracks, em Boston, nos Estados Unidos. Natural de Gravatai, Frida foi selecionada junto com outras bandas brasileiras pela plataforma WorldWide, de abrangência mundial. Ao todo nove mil artistas de todo o mundo se inscreveram para concorrer ao prêmio. Também gaúcha, a banda Motor City Madness vai gravar nos Studios 301, em Sydney, Austrália.

Segundo a divulgação do projeto, o WorldWide promove um intercâmbio mundial entre bandas e os doze maiores estúdios de música do mundo. Os artistas convidados ganham tempo de gravação nos estúdio, além de todas as despesas pagas. Totalmente equipada com os melhores instrumentos e equipamentos fornecidos pela Guitar Center, parcerio da Converse Rubber Tracks, os artistas dedicam-se a criar suas músicas, e no final retêm todos os direitos sobre elas. Frida entra em estúdio nos próximos dias 18 e 19 e setembro. Converse Inc., com sede em Boston, Massachusetts, é uma subsidiária da NIKE. Inc.

A Frida é uma banda formada por Sandro Silveira (guitarra e voz), Andriel Cimino (guitarra), Vinicius Braga (baixo) e Luis Mausolff (bateria). Circulando pelo Rio Grande do Sul em festivais e eventos como El Mapa de Todos, Noite Senhor F, Morrostock, Rock na Praça e Acid Rock, a Frida é apontada no circuito independente e em diferentes veículos como uma das revelações do novo rock feito no Brasil. O primeiro álbum completo do grupo – gravado no estúdio Mubemol, em Porto Alegre, sob a produção de Iuri Freiberger – foi lançado em março, em uma parceria entre os selos The Southern Crown e Senhor F.

Os doze estúdios são Abbey Road Studios em Londres, Inglaterra; Sunset Sound, em Los Angeles, Califórnia; Hansa Tonstudio, em Berlim, Alemanha; Tuff Gong, em Kingston, Jamaica; Greenhouse Studios, em Reykjavik, na Islândia; Warehouse, em Vancouver, Canadá; Avast Recording Co., em Seattle, Washington; Stankonia em Atlanta, Geórgia; Studios 301 em Sydney, Austrália; Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, Brasil; o original estúdio permanente Converse Rubber Tracks Studios no Brooklyn, Nova York, além do recentemente inaugurado em Boston, Massachusetts, em Lovejoy Wharf.


 


/Noite


Evento no Sul avança conceito independente


da Redação

Hoje, em Porto Alegre, tem mais uma Noite Senhor F, com shows das bandas Frida e Fire Departament Club, a primeira de Gravatai, na região metropolitana, e a segunda da capital gaúcha. O evento marca três lançamentos importantes para a cena independente gaúcha: o disco de estréia da banda Frida, a empresa Gramo e o EP do Fire Departament. Os shows acontecem no Beco da Cidade Baixa, a partir das 20 horas, com ingressos a R$ 15,00 com nome na lista e R$ 20,00 na hora.

O disco de estréia da banda Frida, saudado nos principais sites e blogs musicais do país como um dos lançamentos do ano, assinala um momento de renovação da música gaúcha. Natural de Gravatai, o quarteto traz para a cena independente a qualidade autoral e instrumental, em canções perfeitas e emocionantes. O disco, com produção de Iuri Freiberger, é um lançamento da parceria entre os selos Senhor F Discos,que completa 20 trabalhos editados, e The Southern Crown, selo e produtora local.

A banda Frida tem uma trajetória construída com muito trabalho, circulação pelo estado, onde conta um público fiel em muitas cidades do interior. Em 2013, participou da Noite Senhor F e foi um dos destaques do Festival El Mapa de Todos, dividindo o palco com os argentinos Valle de Muñecas e os uruguaios La Vela Puerca. Em 2014 foi destaque do portal britânico Independent Music News como uma das dez bandas brasileiras mais promissoras.

Também gaúcha, mas de Porto Alegre, a banda The Fire Departament é outra promessa da nova cena local, mas mirando no exterior. Em março, a banda lançou seu novo EP Best Intuition, dispobilizado nas principais plataformas mundiais, como iTunes, Spotify, e Deezer, entre outras. Produzido por Luc Silveira, o EP destaca o tema “Pitfall” que vem acompanhada de um lyric-video criado pela BC Motion.

Gramo

“Gramo” é uma empresa de consultoria de carreiras e desenvolvimento de produtos para o mercado fonográfico brasileiro e internacional, informa seu mentor e diretor, o produtor Iuri Freiberger. “A lógica é a do ganha-ganha. Tanto para artistas entry-level ou que estejam rearranjando suas carreiras. E claro, para todos os envolvidos com a música”, diz ele. Com o produtor musical Iuri Freiberger à frente, a ideia do Gramo é combinar talentos e experiências no mercado fonográfico através de um hub de serviços colaborativos.

http://firedepartmentclub.com/
https://soundcloud.com/frida_tv
http://gramo.cc/




/Noite


Festival promove circulação e exporta nova música gaúcha


da Redação

Tomando emprestada expressão do Secretário de Cultura do RS, Victor Hugo, que foi ao evento, “a casa pulsou” música e cultura naqueles dois dias de festival. A casa em questão é a Casa de Cultura Mário Quintana, mais exatamente o Teatro Bruno Kiefer, onde aconteceram os shows. O evento, no caso, o Festival Noite Senhor F, que promove a circulação de novos artistas pelo estado do Rio Grande do Sul. Resultado do edital Movida Cultural, e organizado pela Produtora Senhor F, o projeto conta com apoio da Secretaria Estadual de Cultura.

“O festival é um marco na história da música gaúcha, pelo fato de reunir um expressivo recorte da nova música produzida no estado, em condições excelentes de palco, som e luz e público”. A observação é do produtor Fernando Rosa, responsável pelo projeto, ao lado dos produtores Thiago Piccoli e Brisa Daitx. De fato, os shows que começaram pontualmente às 16 horas, em número de sete por dia, foram um marco na carreira dos artistas que pisaram no palco e conquistaram o público, que lotou a casa desde a primeira apresentação.

Participam do projeto os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Orlando Garcia & Los Coyotes (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre). Desde novembro, os artistas e bandas circularam pelo estado, em shows acompanhados de palestras e debates sobre o novo cenário musical do estado e do país, e o posicionamento diante dessa nova realidade.

Cada um à sua maneira, os jovens artistas mostraram uma qualidade surpreendente para quem compareceu ao evento. “Com um representante de Porto Alegre, e os demais do interior do estado, o festival cumpriu um importante papel de destacar a existência de uma forte produção além da capital”, destacou Fernando Rosa, que também apresentou o evento. Antes do festival, os artistas apresentaram-se em suas cidades e também em uma segunda cidade. O festival ainda contou com dois shows especiais com o grupo The Outs no sábado e Ian Ramil no domingo. Neste mês, ainda ocorreram mais dois eventos, em São Borja e Farroupilha.

Além de promover a circulação interna no estado, o festival em particular serviu para mostrar a nova produção para produtores de festivais independentes especialmente convidados pela organização. Nos dois dias do evento, na ante-sala do próprio teatro, foram realizadas reuniões abertas com os produtores e abertas aos demais artistas e produtores do estado. Nos encontros, ocorreram trocas de informações sobre cada um dos eventos e também aproximação informal entre os produtores dos festivais convidados e os artistas.

Estiveram presentes no evento os produtores Paulo André (Abril Pro Rock – Recife), Antonio Gutierrez (RecBeat – Recife), Guilherme Pereira (Goiânia Noise – Goiânia), Marcelo Damaso (Se Rasgum – Belém), Gustavo Sá – (Porão do Rock – Brasília), Marcelo Domingues - (Demosul – Londrina), Guilherme Zimmer (Floripa Noise – Florianópolis), Beto Vizotto (Paraíso do Rock - Paraíso do Norte), Pablo Hierro (Music is My Girlfriend – Buenos Aires, Argentina) e Nicolas Molina (Las Palmeiras Festival del Sonido - Águas Dulces, Uruguai).

Veja as fotos do festival, de autoria de Thiago Lázeri - http://goo.gl/pHXpfT

 


/Noite


Calvin lança EP Café em Santa Cruz


por Fernando Rosa

Uma nova geração de cantores e compositores surgiu com força no Rio Grande do Sul nestes últimos tempos. Alguns nomes já se afirmaram na cena independente. Ian Ramil foi o primeiro a ocupar seu espaço na cena musical. No ano passado, de Três Coroas, Jéf lançou o disco Leve, um clássico da nova geração. A cantora e compositora portoalegrense Ana Muniz é outro nome de cresce junto ao público.

De Santa Cruz, chega um novo nome, Calvin, munido de belas canções. Ele acaba de lançar o EP “Café”, que traz ainda Ancore, Poesia dos Amores Dormidos e Chuva. “Café” é um hit que deve marcar essa geração, mesmo que as rádios insistam em ignorar a nova produção. As outras três canções não deixam por menos em qualidade autoral, tanto musical, quanto poética.

Acompanhado de uma ótima banda, Calvin integrou o projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente. Apresentou-se em sua cidade, em Bagé, e por fim em Porto Alegre, no Festival Noite Senhor F. Em todas as ocasiões conquistou o público com suas melodias pop, diretas e assoviáveis. No dia 7 de março, ele lança o EP em show em Santa Cruz, no Espaço Camarim.


/Noite


Noite Senhor F promove circulação e mostra de novos artistas gaúchos


da Redação

Neste sábado, em Três Coroas, com shows de Jéf e da banda Similares, no Centro Cultural da cidade, a partir das 19 horas, o projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente encerra a primeira etapa da iniciativa. Durantes três meses, a iniciativa promoveu a circulação de doze artistas por suas cidades, em apresentações musicais, acompanhadas de palestras sobre a nova cena independente do estado. O projeto de circulação Noite Senhor F – RS Independente, tem patrocínio da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul – Procultura.

Nos próximos dias 21 e 22 de fevereiro, o Festival Noite Senhor F completa o projeto, com os dozes artistas reunidos no palco do Teatro Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Além das apresentações das bandas do projeto, haverá dois shows especiais com o grupo The Outs no sábado e Ian Ramil no domingo. O grupo carioca foi o segundo colocado no prêmio Breakout Brasil. Ian Ramil acaba de lançar seu disco de estréia.

O evento ainda contará com as presenças de oito produtores de importantes festivais brasileiros, e dois representantes de festivais do Uruguai e da Argentina. Com os shows e a presença dos convidados, o projeto pretende aproximar os novos artistas gaúchos dos programadores de festivais. Para Fernando Rosa, “além de promover a circulação interna, é importante também mostrar a nova produção gaúcha para os produtores de festivais dos demais estados do país e do Mercosul”.

O festivais e seus respectivos representes são: Paulo André (Abril Pro Rock – Recife), Antonio Gutierrez (RecBeat – Recife), Guilherme Pereira (Goiânia Noise – Goiânia), Marcelo Damaso (Se Rasgum – Belém), Gustavo Sá (Porão do Rock – Brasília), Marcelo Domingues (Demosul – Londrina), Guilherme Zimmer (Floripa Noise – Florianópolis), Beto Vizotto (Paraíso do Rock - Paraíso do Norte), Pablo Hierro (Music is My Girlfriend – Buenos Aires, Argentina) e Nicolas Molina (Las Palmeiras Festival del Sonido - Águas Dulces, Uruguai).

Programação do Festival

21 de fevereiro - sábado

Velocetts (Farroupilha)
Zudizilla (Pelotas)
Rinoceronte (Santa Maria)
Calvin (Santa Cruz do Sul)
Ana Muniz (Porto Alegre)
Frida (Gravataí)
The Outs (RJ)

22 de fevereiro – domingo

Orlando Garcia & Los Coyotes (São Borja)
The Sorry Shop (Rio Grande)
Bob Shut (Caxias do Sul)
Similares (Bagé)
General Bonimores (Passo Fundo)
Jéf (Três Coroas)
Ian Ramil (RS)

Serviço

Dias 21 e 22 de fevereiro de 2015
16 horas
Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mário Quintana
Entrada Franca










* Assista outros vídeos de apresentação do projeto: https://www.youtube.com/user/NoiteSenhorF

 


/Noite


Carro de Passeio, o novo rock gaúcho


por Fernando Rosa

A bordo de um ótimo EP lançado em 2014, a banda Carro de Passeio credenciou-se junto à novíssima cena musical do Rio Grande Sul. Natural de Santa Maria, terra do festival Macondo Circus, a banda foi formada no final de 2013, pela “junção de amigos”. “O EP Es-Passo é o primeiro registro da banda, gravado no inverno de 2014, com produção da própria banda e técnica de André Boaz”, segundo eles.

O EP traz uma sonoridade moderna, distante do que normalmente espera-se do que chamam “rock gaúcho”. “A influência da banda passeia por Pixies, Sonic Youth, El Mató a un Policía Motorizado, The Smiths e tantas outras bandas e músicos que inconscientemente acabam influenciando no nosso som”, dizem. A banda é formada por Matheus Genro Bueno e Guilherme Brum nos vocais e guitarras, Mariana Kussler no baixo e Vinício Möller na bateria.

Com o EP circulando pela rede – ouçam abaixo -, agora a banda planeja tentar girar ao máximo tocando e divulgando o trabalho. “Mais um clipezinho vai rolar, lançamos um vídeo de Inverno recentemente e estamos engajados em produzir mais registros visuais”. Segundo eles, um disco cheio também está nos planos de 2015, o que vai exigir mais dedicação. A circulação inclui a participação em festivais estaduais e mesmo nacional, também faz parte dos planos da banda.




 


/Noite


Em Bagé, Noite Senhor F reúne Similares e Calvin


da Redação

Neste próximo domingo, em Bagé, no Complexo Cutural Dom Diogo, às 20 horas, acontece o primeiro evento do projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente do ano. Desta vez, com apresentações do cantor e compositor Calvin e da banda Similares - Calvin é natural de Santa Cruz e Similares de Bagé. Além dos shows, haverá palestra e debates sobre a atual cena musical com o jornalista e produtor Fernando Rosa. O projeto é uma realização da Produtora Senhor F, com apresentação e patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura e Pro-Cultura RS.

Ainda com eventos por acontecer em várias cidades do interior do Rio Grande do Sul, o projeto conta com a primeira edição do Senhor Festival, em Porto Alegre, reunindo todos os artistas da circulação, além de headliners convidados, com shows especiais, voltados para curadores e produtores de festivais de fora do estado. A organização do evento já convidou produtores e curadores de festivais nacionais e latinoamericanos para conhecerem de perto, e ao vivo, a nova produção local.

No último 20 de dezembro, em Pelotas, aconteceu a última etapa do ano do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. No palco do Galpão Satolep, o anfitrião Zudizilla e os convidados General Bonimores de Passo Fundo e Velocetts de Farroupilha foram os destaques da edição. O evento contou com a participação do músico Frank Jorge, que palestrou sobre o momento atual da cena musical.

O projeto já passou por Gravatai, Caxias do Sul, Santa Cruz, Santa Maria e Rio Grande - com os artistas e grupos Frida, Calvin, Ana Muniz, Bob Shut, Jéf, e The Sorry Shop. O projeto inclui os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Johnny Chivas (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre).







+ Veja registros no projeto no Youtube:

- www.facebook.com/noitesenhorf 


/Noite


Projeto Noite Senhor F fecha 2014 com sucesso


da Redação

Neste último sábado, 20 de dezembro, em Pelotas, aconteceu a última etapa do ano do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. No palco do Galpão Satolep, o anfitrião Zudizilla e os convidados General Bonimores de Passo Fundo e Velocetts de Farroupilha foram os destaques da edição. O evento contou com a participação do músico Frank Jorge, que palestrou sobre o momento atual da cena musical.

Esta foi a sexta etapa do projeto, que já passou por Gravatai, Caxias do Sul, Santa Cruz, Santa Maria e Rio Grande - com os artistas e grupos Frida, Calvin, Ana Muniz, Bob Shut, Jéf, e The Sorry Shop. Em janeiro e fevereiro o projeto continua, seguindo para as demais cidades incluidas no projeto.

O projeto inclui os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Johnny Chivas (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre).

Ao final do projeto, um festival vai reunir todos os artistas da circulação, para a realização de shows especiais, abertos ao público e também voltados para curadores convidados. A organização do evento já convidou produtores e curadores de festivais nacionais e latinoamericanos para conhecerem de perto, e ao vivo, a nova produção local.

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/Noite


Em Santa Cruz, Calvin e Ana Muniz celebram nova música jovem gaúcha


da Redação

A cidade de Santa Cruz do Sul, cerca de 2 horas de Porto Alegre, foi sede da terceira etapa do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. O projeto premiado em primeiro lugar no edital Movida Cultural, da ProCultura RS, tem patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado. No Espaço Camarim, no centro da cidade, o evento reuniu os artistas Calvin, de Santa Cruz, e Ana Muniz, de Porto Alegre.

Os shows confirmaram o acerto do projeto que busca promover e dar visibilidade para a produção musical jovem do Rio Grande do Sul, além da capital. Ana Muniz, de 17 anos, primeira a se apresentar, confirmou a exuberância de sua música, tanto como compositora, quanto intérprete. Acompanhado de uma ótima banda, Calvin mostrou seu talento de compositor pop, com um repertório de ótimas e bem resolvidas canções.

Ajudados por um ambiente perfeito, o Espaço Camarim, os dois artistas interagiram com o público presente, em grande número e atento aos shows. A cada canção, os dois foram sendo aplaudidos mais intensamente, até serem ovacionados de pé, ao final das respectivas apresentações. No encerramento, celebrando o espírito do projeto, os dois artistas e bandas subiram juntos no palco para receber os aplausos finais e selar o sucesso do evento.

Na semana passada, em sua segunda edição, o projeto reuniu em Caxias do Sul o grupo local Bob Shut e o cantor e compositor Jéf, de Três Coroas. Os dois foram destaque na última edição do Festival El Mapa de Todos, realizado em Porto Alegre, com participação de artistas latinos. Jéf é finalista do programa Breakout Brasil, promovido pelo Canal Sony, que premiará o vencedor com a gravação de um disco.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente iniciou no dia 8 de novembro, com shows do grupo Frida, de Gravatai, e dos rapers Zudizilla, de Pelotas - no Sesc de Gravatai. Ao final da circulação interna será realizado um festival com os artistas do projeto, com presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e de países latinos. Aguardem a informação sobre a data e o local do festival, que ocorrerá em Porto Alegre, em fevereiro.


/Noite


Nova edição da Noite Senhor F, com Calvin e Ana Muniz, em Santa Cruz


da Redação

Neste sábado, 29 de novembro, acontece a terceira etapa do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente, que tem patrocínio do ProCultura-RS, da Secretaria de Estado da Cultura. Com shows de Calvin e Ana Muniz, o evento ocorre em Santa Cruz do Sul, no Espaço Camarim, às 20 horas. Calvin, de Santa Cruz e Ana Muniz, de Porto Alegre, são dois jovens e destacados artistas da nova música gaúcha.

Na semana passada, em sua segunda edição, o projeto reuniu em Caxias do Sul o grupo local Bob Shut e o cantor e compositor Jéf, de Três Coroas. Os dois foram destaque na última edição do Festival El Mapa de Todos, realizado em Porto Alegre, com participação de artistas latinos. Jéf é finalista do programa Breakout Brasil, promovido pelo Canal Sony, que premiará o vencedor com a gravação de um disco.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente iniciou no dia 8 de novembro, com shows do grupo Frida, de Gravatai, e dos rapers Zudizilla, de Pelotas - no Sesc de Gravatai. O projeto tem por objetivo conectar a nova produção musical do estado, que vem crescendo em vários pontos distantes da capital. Ao final da circulação interna será realizado um festival com os artistas do projeto, com presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e de países latinos. 

* Na foto, Calvin e o cantor e compositor uruguaio Franny Glass.


/Noite


Frida e Zudizilla abrem, em Gravataí, Noite Senhor F - Conexão RS


da Redação

As bandas Frida e Zudizilla realizam em Gravatai, no sábado, dia 8 de noovembro, o primeiro show do projeto Noite Senhor F - Conexão RS. Frida de Gravatai e Zudizilla de Pelotas promovem o encontro de diferentes regiões e também de gêneros musicais. A anfitriã é uma das bandas de rock & pop revelação do Rio Grande Sul, enquanto Zudilla traz o hip pop com influências reigonais.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente foi aprovado em 1º lugar, em sua categoria, no edital Movida Cultural, promovido pelo FAC/Sedac-RS, em parceria com a Petrobras.O projeto realizará 12 eventos em diferentes cidades do interior do estado, incluindo também Porto Alegre, além de seminários voltados para a qualificação de produtores locais.
 

Participam do projeto os seguinte artistas, que realizarão shows em suas cidades, e em outra cidade do estado, entre os meses de novembro de fevereiro:

- Similares (Bagé),
- Zudizilla (Pelotas),
- Bob Shut (Caxias do Sul),
- Jéf (Três Coroas),
- Sorry Shop (Rio Grande),
- Velocetts (Farroupilha),
- General Bonimores (Passo Fundo),
- Johnny Chivas (São Borja),
- Calvin (Santa Cruz),
- Rinoceronte (Santa Maria),
- Frida (Gravataí),
- Ana Muniz (Porto Alegre).

No final de fevereiro, o evento culmina com um festival-mostra com todas as bandas, e presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e da América Latina. Além disso, haverá um workshop com palestrantes locais destinado a mostrar a história da música, em especial da história e da evolução da música jovem do estado.


/Noite


Noite Senhor F: espaço e referência para as novas gerações


por Fernando Rosa

A última Noite Senhor F reafirmou o compromisso do evento com a renovação da cena e com a formação de público em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul e sede do festival El Mapa de Todos. No palco, as bandas Fire Department Club, Frida e Dévil Évil justificaram os comentários sobre o acerto da curadoria. Cada banda em sua onda, foram três shows dignos de qualquer grande festival em qualquer estado do Brasil.

Em especial, a 1ª Noite do ano destacou a banda Frida que, além de um belo show, mostrou a força de sua música na platéia. Ou seja, um bom número de fans de Gravatai, sua cidade natal, na Região Metropolitana, Cachoeirinha e Porto Alegre, cantando todas as músicas. Uma boa surpresa para quem não conhecia a banda e se perguntava “o que era aquilo?”.

Um fato que se repetiu ao longo dos mais de 10 anos de realização do evento, inicialmente em Brasília, entre 2001 e 2008, e desde 2011 em Porto Alegre. Nesse período, passaram pela Noite Senhor F artistas como Vanguart, em seu primeiro show fora de Cuiabá, Cachorro Grande, Faichecleres, Autoramas, La Pupuña, Phonopop, Superguidis, Los Porongas e tantos outros (veja a lista na página do evento, no menu acima).

Assim, humildemente, a Noite Senhor F, em parceria com o Opinião, dá mais um importante passo para tornar-se referência de produção musical jovem e ponto de encontro das novas gerações. Um papel que custa esforço de produção, respeito pelos artistas e bandas e, principalmente, pelo público que comparece no Opinião. E, claro, ouvir muita música, ver vídeos e ir a shows, o que não é trabalho, é diversão e prazer. 

(na foto: Frida p/Belisa Giorgis).