/Matéria


Ronnie Self, o primeiro punk da história do rock


por Fernando Rosa / Eduardo Stoller

O americano Ronnie Self é um dos heróis da primeira geração do rock and roll menos valorizado ao longo da história do gênero. Seu estilo único, seu jeito agressivo de cantar e seu principal sucesso Bop-Lena deixaram profundas marcas, inclusive na juventude de outros países. No Brasil, Bop-a-Lena foi rebatizada de Babulina e virou apelido de Jorge Ben, pelo jeito estranho que cantava a música. O apelido, segundo a lenda, foi dado por Erasmo Carlos e Tim Maia, quando os três mais Roberto Carlos, freqüentavam a Turma do Matoso. A música também ganhou versão de Raul Seixas, com o nome de Babilina, nos anos setenta.

Em músicas como You’re So Right For Me, This Must Be Plac’, Pretty Bad Blues e Date Bait, Self iguala-se ou mesmo supera seus contemporâneos. Como uma espécie de Little Richard branco, ele era mais rápido e pesado do que Carl Perkins e, ao contrário de Elvis, compunha a maioria de suas canções. Mas, talvez exatamente pela agressividade de suas interpretações, aliada a sua instabilidade emocional, não tenha conquistado o espaço e o reconhecimento merecido em sua época. Sua música, no entanto, influenciou as gerações futuras, desde o psychobilly inglês dos anos oitenta, até grupos como The Cramps e, nos anos noventa, The A-Bones.

Natural de Tin Town, no estado de Missouri, e filho de um misto de fazendeiro e peão de trecho, Ronnie Self beirou a marginalidade em sua adolescência. Superando sua origem, em janeiro de 1957 ele consegue dar um rumo para a sua carreira artística, integrando-se a Phillip Morris Caravan, como o representante do rockabilly. O sucesso meteórico de suas apresentações chamou a atenção dos olheiros da Columbia Records, que imediatamente contratou Self. Antes disso, ele havia tentado a sorte na ABC Records, onde gravou dois compactos com as músicas Pretty Bad Blues / Three Hearts Later e Sweet Love / Alone.

Na Columbia, depois de gravar diversos compactos, ele finalmente atinge o sucesso com o seu maior hit, o rockabilly Bop-a-Lena. Gravada e lançada em dezembro de 1957, a música trazia Ronnie Self em sua verdadeira essência, com instrumental acelerado e voz rascante. Junto com Ronnie Self (vocal e guitarra solo) estão John T. Hill (guitarra), Ray Edenton (guitarra), Ike Inman (baixo) Murray M. Harman Jr (bateria) e Marvin Hughes (piano). O resultado foi um som adiante de seu tempo, que faz com que muita gente atribua a Bop-a-Lena o crédito de primeiro punk rock da história.

Após o sucesso de Bop-a-Lena, Ronnie Self ainda gravou diversos compactos, até vencer o seu contrato com a Columbia, em 1962. Nos anos sessenta, ele trilhou o mesmo caminho da obscuridade de seus parceiros de revolução musical, sufocados pelo falso moralismo da mídia, do governo e da igreja. Nesse período, ele alterna altos e baixos, escrevendo e gravando canções, e envolvendo-se em confusões com álcool, maconha e outras drogas legais. Nos anos setenta, sua condição psicológica se agrava pela falta de trabalho e ele acaba morrendo em 28 de agosto de 1981, deixando uma herança de cerca de trinta músicas.

Discografia selecionada
Ronnie Self - Bop-a-Lena (toda a discografia) (Bear Family Records)
 
Versão dos gaúchos Replicantes, com King Jim nos vocais.
 


/Matéria


'Hitler está vivo no Brasil; são os que estão no poder'


Da Redação

O músico brasileiro Tom Zé participou do Festival Mimo, em Amarante, Portugal, de onde concedeu entrevista ao jornal português Diário de Noticias. "Hitler está vivo no Brasil. São os que estão no poder", respondeu ele ao questionamento da repórter Mariana Pereira sobre a atual situação política no Brasil. "Minha filha, realmente é um golpe, todo o mundo sabe. Todo o dia mudam a acusação [contra Dilma], agora no Senado disseram que ela não tem nada com pedaladas fiscais. Se muda a acusação têm de tirar todo o processo de impeachment", esclareceu ele. Tom Zé apresentou-se no primeiro dia do festival, 

A entrevista (trechos)

Acha que houve um golpe no Brasil, como diz a própria Dilma Rousseff referindo-se à sua saída forçada do poder?

Minha filha, realmente é um golpe, todo o mundo sabe. A gente vive uma ditadura mascarada. [É] Um governo fazendo tudo o que uma democracia não faz e que não quer ser chamado de ditadura. Todo o dia mudam a acusação [contra Dilma], agora no Senado disseram que ela não tem nada com pedaladas fiscais [a deliberação veio do Ministério Público Federal, em relação ao caso Safra, onde foi decidido não existir crime do governo de Dilma]. Se muda a acusação têm de tirar todo o processo de impeachment.

Para alguém que fez e viveu o movimento Tropicália e a sua luta contra a ditadura, como vê aquilo a que chama de golpe e a subida de Michel Temer ao poder?

Quando ia começar a [II] Guerra, todo o mundo que era contra Hitler foi para o Brasil, para pular. Depois da guerra, os fascistas que não foram mortos foram para América do Sul, que era a mesma coisa que ir para fora do mundo. O Brasil está entupido de Hitlers, de fascistas. Lá, essa penada que você ouve é Hitler falando no Brasil, Hitler está vivo no Brasil. São os que estão no poder.

Como acha que vão correr os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro?

Tem todas as dificuldades. Tem os que querem sabotar como quiseram sabotar todas as copas e todos os jogos; tem os que estão realmente a fim de destruir aquilo para provar que o governo tem de ser mais ditatorial, tem coisa de todo o jeito, e a gente com medo.

De quê?

Uma ditadura não é mole. Já conheci uma, fui preso duas ou três vezes. Vi coisa que o cão não sabe o que é.

Já falou com Caetano Veloso e Gilberto Gil sobre o que está a acontecer no vosso país?

O que eles pensam eu não sei. Tivemos uma reunião no outro dia para o disco que eles fizeram [da digressão Dois Amigos, Um Século de Música]. O Globo queria que eu fosse o entrevistador deles. Só havia uma coisa em que a gente estava de acordo: o Brasil não é um país sem uma assistência imunológica. E um dos responsáveis por essa assistência imunológica é a obra dos cantores, esse lastro deixado por eles, por Chico Buarque e tal. Tem uma coisa que é uma espécie de anticorpo fascista.

E há uma nova geração capaz de continuar isso?

Aí é onde está, no meu disco [Vira Lata na Via Láctea, 2014], Geração Y. ["Vem depressa, porque / Meu bem, meu bem (...) / daqui a alguns anos vamos ter de governar", diz a canção] Eles fazem questão de fazer tudo com ética. Ética: é uma novidade que eu não oiço falar desde meu tempo de infância. Os fazendeiros [em Irará, Bahia, onde nasceu] - o meu avô era fazendeiro - só falava de ética. E agora essa juventude. Eu fiz um show com eles [em 2013, convidou Mallu Maga-lhães, Emicida e Pélico para se juntarem a ele no palco]. Eles defendem que o homem tem que ter palavra, que os ricos têm de ter respeito pelos pobres. É um povo completamente diferente. Como é que eles vão governar com ética? Ética aqui não fala, principalmente no Brasil. Tem um cara que rouba e que todo o dia acha quem defende ele e que está aí sem ser preso até hoje. O tal do [Eduardo] Cunha [ex-presidente da Câmara dos Deputados]. Deus que defenda a humanidade, que aquele é o maior bandido que eu já ouvi falar até hoje.

Íntegra da entrevista - http://goo.gl/Pq9Kzw

Foto: OCTÁVIO PASSOS/ GLOBAL IMAGENS

 


/Biografia


Evaldo Braga, o primeiro ídolo negro do pop moderno


por Fernando Rosa

Eu não sou lixo. Quem não conhece essa música? Ou, então, Sorria, Sorria ... ou, ainda, A Cruz que Carrego... As três estão impregnadas na memória popular, quase como obras de "domínio público". Tão profundamente que invadiram até mesmo o mundinho elitizado da asséptica classe média. Ainda hoje, seu túmulo, no cemitário do Caju, no Rio de Janeiro, é um dos mais visitados na época de finados.

Cantor e também compositor, Evaldo Braga é o primeiro idolo negro do pop moderno, pós-Roberto Carlos. Espécie de Kurt Kobain da música brega, teve uma carreira meteórica, interrompida pelas drogas, no caso o álcool, que resultou em um acidente fatal, na BR3, antiga Rio-BH, no dia 31 de janeiro de 1973. Ele tinha apenas 25 anos e deixava um legado de canções que traduziam o sentimento de abandono de milhões de brasileiro.

Em cerca de três anos, Evaldo Braga gravou apenas dois discos e vários compactos e se apresentou em diversos estados do país. O Ídolo Negro foi o primeiro LP, lançado em 1971, pela Polydor. O segundo, Ídolo Negro – Volume 2, também pela Polydor, saiu um ano depois. E, pelo mesmo selo, ainda existe a coletânea O Melhor do Ídolo Negro, editada vinte anos após a sua morte. O suficiente para transformá-lo em sucesso nacional.

Evaldo Braga teve uma infância e adolescência literalmente miserável, boa parte vivida nas ruas - sua história é contada na música Revelação de Um Sonho, de Carlos Alexandre, outro ídolo do gênero - o mais 'punk deles'. Nascido na cidade de Campos (RJ), sem conhecer os pais, descobriu, já grande, que era filho de uma prostituta, e que sua mãe o havia abonado em uma lata de lixo. Ainda jovem, trabalhou como engraxate na porta da rádio Mayrink Veiga, onde conheceu diversos artistas. Ali, descobre a sua vocação e uma forma de exorcizar seus dramas e sofrimentos.

Em 1969, conheceu o produtor e compositor Osmar Navarro, que o levou para gravar as primeiras composições. Pouco tempo depois, inaugura a carreira com o primeiro LP, O Ídolo Negro. Nele, está a clássica A Cruz que Carrego, um dos seus maiores sucesso, até hoje regravada e cantada país afora. O segundo LP, em 1972, trazia seu grande sucesso Sorria, Sorria, parceria com Carmen Lúcia, e ainda Eu Não Sou Lixo, que trouxeram a consagração definitiva junto ao público, tornado-se hit popular.
 

 


/Festival


El Mapa de Todos 2016, 'cada dia somos más'


da Redação

O Festival El Mapa de Todos caminha para a sua sétima edição, novamente em Porto Alegre, nos dias 20 de novembro e 1 e 2 de dezembro de 2016. Os dois primeiros dias no Theatro São Pedro e o terceiro dia no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mais uma vez, artistas, público e organizadores propiciarão mais um momento de integração. "Cada dia somos más - ou mais", afirma o curador do festival, Fernando Rosa, citando canção do músico argentino Leon Gieco.

A primeira edição do festival aconteceu em Brasília, no final de 2008, destacando artistas como Babasónicos, Turbopotamos, Javiera Mena, Sr Chinarro e Marcelo Camelo, entre outros. Pelo palco do festival já passaram 96 artistas, representantes de 11 países da América Latina, Central, Espanha, Portugal e México. Vários artistas, pouco conhecidos quando se apresentaram no festival, tornaram-se nos anos seguintes artistas de renome em seus país, e mesmo no mundo.

Neste ano, a organização do festival pretende afirmar e celebrar as sete edições do festival como "uma vitória da integração". Segundo Rosa, "mais do que nunca precisamos ser cada dia mais gente buscando outras formas de relações humanas". "O preconceito, a xenofobia e o belicismo não interessam a quem quer a convivência pacífica no planeta", diz ele. A música é uma arma poderosa e festival El Mapa de Todos é uma pequena contribuição nesse processo, dizem os organizadores.

O festival El Mapa de Todos tornou-se uma referência tanto no Brasil, quanto na Ibermoamerica, para a circulação de artistas independentes. "El Mapa de Todos, mucho más allá de ser un festival de música, es un verdadero lugar de encuentro", registrou o portal espanhol Zona de Obras. "Su propuesta está claramente destinada a potenciar la integración musical de Brasil con el resto de países iberoamericanos, algo que hasta hace muy poco resultaba casi utópico de imaginar".

Cada día somos más
  Dia tras dia los tiempos cambian 
y son nuevas las mañanas
cada hombre joven con sus fuerzas 
ya quieren la tierra libre pisar  Todos canten, todos gritan, todos vivan 
que estos son tiempos de pensar 
y cada dia somos mas 
que estos son tiempos de pensar 
y cada dia somos mas  Dia tras dia se abre la esperanza 
de que tenga cada uno un lugar 
mentes calladas ya despiertan 
a latidos de sus almas  ... estos son tiempos de pensar 
que cada dia somos mas. 


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/Arquivo Senhor F


1956-1958: a primeira ascenção e queda do rock


por Fernando Rosa

Em 10 de janeiro de 1956, Elvis Presley gravou o single "Heartbreak Hotel" e "I Want You, I Need You" para a RCA Victor. Foi o primeiro dos cinco mega hits nacionais que ele lançou naquele ano por sua nova gravadora. Na sua onda, surgiram Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, Gene Vincent, Eddie Cochran e milhares de outros ídolos.

Na primeira fase, entre 1953 e 1955, tinha prevalecido o rock and roll de origem negra de Chuck Berry, Little Richard, Fats Domino e, mesmo Bill Halley. Com o branquelo de Memphis e sua explosiva mistura de blues e country, o rock experimentava o seu ‘big bang’, em todos os sentidos. O primeiro rei do rock e seus parceiros chegavam ao grande público no momento certo e, agora, apresentados, especialmente Elvis, ao gosto da nova clientela.

Mas, assim como o fenômeno físico, o rock and roll em sua forma original durou o tempo de sua explosão, produzindo mudanças sócio-culturais profundas e duradouras e provocando a ira dos conservadores. Um tempo de exatos 26 meses que se passaram entre o primeiro single de Elvis na RCA e o seu alistamento no Exército – ele serviu de motorista na base americana na Alemanha, com direito a farda e cabelo "reco".

Ou um período um pouco mais longo, se considerarmos o dia em que o avião Breechcraft Bonanza de quatro lugares caiu, depois de decolar do aeroporto de Mason City (Iowa, nos Estados Unidos), em 3 de fevereiro de 1958, matando Buddy Holly, Richie Valens e Big Bopper. Um episódio que, para a mitologia da música pop, por conta da música "American Pie", com Don McLean, ficou conhecido como “o dia em que o rock morreu”.

Nesse período, Elvis Presley confirmou sua supremacia, não chegando a ser maior do que Jesus Cristo - com diria John Lennon mais tarde em relação aos Beatles - mas ameaçando seriamente o prestigio do Tio Sam. Em 1956, ele apareceu 12 vezes em rede nacional de televisão, mesmo que filmado apenas da cintura para cima – a censura se devia a sua dança considerada exageradamente sensual.

Elvis vinha da Sun Records, onde lançara o single "That’s All Right" e "Blue Moon Of Kentucky", espécie de marco zero do rock. Mais esperta do que a Atlantic e a Capitol, a RCA Victor pagou 35 mil dólares pelo seu passe, equivalente ao último ano de contrato com a Sun Records.

Em sua nova gravadora, ele teve o que Sam Philips e sua pequena Sun Records não podia lhe dar. Decidida a levar Elvis para um mundo maior que o universo adolescente do rock and roll, a RCA apostou em uma superprodução, comandada por Chet Atkins, que incluía um time de músicos de estúdio, onde se destacavam o grupo vocal The Jordanaires e o pianista Floyd Cramer.

Foi um período de ouro para a indústria do disco, do cinema e também para as rádios e tudo o mais que se desenvolveu em torno do novo gênero musical. Com o rock and roll, a juventude passou a existir não apenas socialmente, mas também como um novo mercado de consumo, ávida por novidades.

Pela primeira na história da sociedade americana, os jovens de classe média não precisavam trabalhar para ajudar os pais e, mais, a instituição da “mesada” ganhava força. A juventude americana, inicialmente, e, em seguida a de todo o mundo, passava a ter não apenas sua própria música, mas também novas maneiras de se comunicar, se vestir e se alimentar. Os novos hábitos podiam ser perigosos, mas faziam tilintar a máquina registradora das gravadoras, magazines e 'fast foods'.

Esta mudança, no entanto, talvez tenha sido mais ameaçadora e radical no terreno da produção musical nos Estados Unidos. A entrada dos jovens roqueiros em cena desmontou a tradicional linha de produção musical até então estabelecida, na base de cantores de destaque e compositores e músicos de estúdio contratados.

Com o rock and roll, exceto Elvis Presley, os “cantores” e intérpretes eram, em sua maioria, também compositores de suas músicas e tinhas suas próprias bandas. Isso dava os jovens músicos controle total sobre suas obras e carreiras, ao mesmo tempo em que esvaziava o poder das grandes gravadoras na definição do mercado. Além do mais, a maioria dos novos roqueiros eram negros, excêntricos, libidinosos ou rebeldes, o que também contrariava os padrões artísticos vigentes.

Não demorou muito para o rock and roll em sua forma mais original e radical entrar em rota de colisão com o falso moralismo político, religioso e sexual. Com o macarthismo, naquele momento, em seu ápice de histeria persecutória, o rock and roll não seria tratado de forma diferente do que o foram a literatura, o cinema e, também, os quadrinhos, embora isso ainda não faça parte da história oficial.

Mais do que essas duas formas de expressão cultural, o rock and roll, embora sem um discurso político direto, subvertia costumes tradicionais e, principalmente, abria as portas da insubmissão, da rebeldia. Era difícil acusar os jovens roqueiros de comunistas, como se fazia com jornalistas, escritores, cineastas e atores, mas se podia atacá-los em outras frentes, especialmente no terreno moral e sexual.

Uma situação tão esdrúxula que nem os quadrinhos escaparam, provavelmente também pela sua capacidade de comunicação com a juventude, similar a nova linguagem direta do nascente rock and roll. Autor do estudo Seduction of the Innocent, o psiquiatra Fredric Wertham deu o tom da paranóia que levou a criação de um manual de censura aos quadrinhos, batizado de Código de Ética, voltado contra as revistas e seus autores, acusados de promoverem a perversão da juventude americana.

Nada fugiu à censura, desde as histórias de terror, até as de ficção científica, suspense e, mesmo, de super heróis clássicos. Nesse contexto, entre ataques e contra-ataques, populariza-se a revista Mad, criada em 1952 por Harvey Kurtzmann, que introduz com sucesso em suas páginas o humor e, especialmente, a contestação, por meio da sátira aos valores tradicionais e, particularmente, ao Código e seus autores.

Em resumo, naquele momento, era preciso preservar o mercado e ampliar seus gordos lucros, mas isso exigia “limpar” o rock and roll, vestí-lo para a sala de estar da classe média americana. Nesse período, então, a pressão do governo, das gravadoras e das lideranças políticas e religiosas se abateu com todo seu poder sobre os jovens músicos.

No final dos anos cinqüenta, quem não havia sucumbido frente a ação direta dessas instituições, acabou vítima de trágicos episódios, também resultado da intensidade daquele momento. Os verdadeiros e revolucionários artistas tinham sido afastados, cooptados, marginalizados, presos ou estavam mortos. Em seu lugar, uma nova safra de cantores sarados, como Paul Anka, Neil Sedaka e tantos outros, ganhava as telas das televisões.

O primeiro a pagar o preço da transgressão foi o próprio Elvis Presley, já submetido a lógica empresarial de Tom Parker, um ex-vendedor ambulante de circo e empresário de artistas de country music. Mesmo correndo o risco do afastamento da cena musical, o esperto Parker sacou que a imagem de bom moço e, mais do que isso, de “patriota”, poderia ser a porta de entrada de Elvis para o mundo adulto.

Não deu outra, e, na onda da expansão imperial dos Estados Unidos, a imagem do Elvis de farda, estabeleceu-se em todo porta-retrato de meninas adolescentes espalhadas pelo mundo inteiro. Fora do quartel e ainda mais rico, Elvis trocou definitivamente a agressividade original por melosas baladas como "It’s Now or Never" e "Are You Lonesome Tonight?", que o consagraram definitivamente e fixaram sua imagem mais popular.

Herói da primeira fase do rock and roll, do negro Chuck Berry foi cobrado um preço mais alto, que resultou em sua prisão. Berry foi acusado de violar a Lei Mann, que proibia o transporte de menores entre os Estados americanos, por ter trazido uma mulher de outro estado para o seu clube. Segundo o músico, a mulher tinha 21 anos, mas a Lei sustentou sua menoridade e, além disso, agregou a acusação a prática de prostituição.

O resultado desse processo, que se arrastou por mais de dois anos, foi que o autor de Johnny B. Goode e dezenas de outros clássicos do rock acabou condenado e preso, em 1962. Nesse meio tempo, a sua carreira já tinha sido destruída por conta do escândalo e da repercussão na mídia e no meio musical.

Outra vítima da pressão da mídia foi Jerry Lee Lewis, espécie de sucessor de Elvis Presley na Sun Records de Sam Phillips. Ao casar secretamente com sua prima Myra Brown, de 14 anos, Lewis deu aos conservadores o argumento que faltava para sustentar o ataque aos jovens roqueiros. Em manchetes escandalosas, os jornais britânicos e americanos trataram o caso como abuso de menores.

Pesava contra ele o fato de ser mais velho e já ter um histórico de três casamentos, sendo que o último ainda pendente do divórcio legal. Talvez o mais rebelde dos roqueiros brancos, The Killer, como ficou conhecido, viu sua carreira arruinar-se da noite para o dia. Em junho de 1958, antes de começar a vagar pelos bares mais obscuros dos Estados Unidos, ele emplacou seu último sucesso, a música "High School Confidential".

Também já fora de combate em 1958, Buddy Holly, pode ser considerado a primeira e mais importante vítima da superexposição a que foram submetidos os jovens roqueiros na gênese do rock and roll. Do interesse dos artistas, evidentemente, mas principalmente dos empresários famintos pelo lucro imediato, as turnês reunindo vários grupos e intérpretes cortavam o país e duravam meses, com shows praticamente diários.

É nesse contexto que o autor de "Peggy Sue", diante da possibilidade de perder um show, por conta de seu ônibus quebrado, decide correr o risco de embarcar em um avião, mesmo em condições adversas. A conseqüência da aposta foi a morte em trágico acidente provocado por um rigorosa nevasca, minutos após a decolagem. A curta carreira de cerca de dois anos estava encerrada e, com ela, para muita gente, também o rock and roll em sua forma mais criativa e juvenil.

Um ano antes, foi Little Richard que, diante da “visão” de um acidente aéreo abandonou a carreira, apegando-se a religião. Segundo conta a lenda, ele teria sonhado com um motor de avião pegando fogo, que interpretou como um sinal de Deus. Diante do aviso divino, Little Richard saiu de cena, deixando aliviados os moralistas incomodados com sua música excitante e suas agressivas apresentações ao vivo.

Negro, espalhafatoso e abusado em suas letras sexualmente incorretas, Little Richard talvez tenha sido a mais incomoda pedra no sapato do conservadorismo. No entanto, suas músicas, aliviados de seu caráter sexual, transformaram-se em grandes sucessos na versão dos novos artistas brancos.

Talvez ninguém mais do que o DJ Alan Freed personifique a pressão e a perseguição desenvolvida contra as pequenas rádios que alavancaram o rock and roll. Freed era branco, mas transformara-se no maior defensor e propagandista da música negra, no caso o rock and roll da primeira fase do gênero. Perspicaz, ele organizou grandes festas coletivas, as The Moondog House Rock and Roll Party, onde reunia brancos e negros, no palco e na platéia.

Em tempos de racismo exacerbado, e de início da luta pelos direitos civis, a postura de Freed foi um desafio tão importante quanto Jimi Hendrix em Woodstock executando o hino americano sobreposto por sons da guerra contra o Vietnã. Freed foi o principal alvo o conhecido Escândalo Payolla, acusado de receber jabá para tocar rock and roll, o que o levou a miséria e a morte prematura, em 1965.

A década de sessenta estava começando e o mundo do rock and roll clássico encontrava-se aparentemente domesticado. Os primeiros heróis estavam, em sua maioria, fora de cena, afastados de seus públicos.

Mas quem pensou que, com isso, o rock estava sob controle, levou um certo tempo a compreender a nova explosão dos Beatles, Rolling Stones e outros grupos ingleses. E mais do que isso, não deve ter entendido a presença em seus primeiros discos de tantas músicas daqueles jovens banidos há tão pouco tempo.

Os primeiros discos dos Beatles e dos Rolling Stones, particularmente, traziam clássicos dos seus ídolos confessos, atraindo novamente a atenção para os seus nomes. Aos poucos, a partir de meados dos anos sessenta, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Little Richard e muitos outros retornaram ao disco e aos palcos, afirmando definitivamente a sua importância para a história do rock.



El Mapa de Todos - 7ª edição

/Festival


El Mapa de Todos 2016, 'cada dia somos más'


da Redação

O Festival El Mapa de Todos caminha para a sua sétima edição, novamente em Porto Alegre, nos dias 20 de novembro e 1 e 2 de dezembro de 2016. Os dois primeiros dias no Theatro São Pedro e o terceiro dia no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mais uma vez, artistas, público e organizadores propiciarão mais um momento de integração. "Cada dia somos más - ou mais", afirma o curador do festival, Fernando Rosa, citando canção do músico argentino Leon Gieco.

A primeira edição do festival aconteceu em Brasília, no final de 2008, destacando artistas como Babasónicos, Turbopotamos, Javiera Mena, Sr Chinarro e Marcelo Camelo, entre outros. Pelo palco do festival já passaram 96 artistas, representantes de 11 países da América Latina, Central, Espanha, Portugal e México. Vários artistas, pouco conhecidos quando se apresentaram no festival, tornaram-se nos anos seguintes artistas de renome em seus país, e mesmo no mundo.

Neste ano, a organização do festival pretende afirmar e celebrar as sete edições do festival como "uma vitória da integração". Segundo Rosa, "mais do que nunca precisamos ser cada dia mais gente buscando outras formas de relações humanas". "O preconceito, a xenofobia e o belicismo não interessam a quem quer a convivência pacífica no planeta", diz ele. A música é uma arma poderosa e festival El Mapa de Todos é uma pequena contribuição nesse processo, dizem os organizadores.

O festival El Mapa de Todos tornou-se uma referência tanto no Brasil, quanto na Ibermoamerica, para a circulação de artistas independentes. "El Mapa de Todos, mucho más allá de ser un festival de música, es un verdadero lugar de encuentro", registrou o portal espanhol Zona de Obras. "Su propuesta está claramente destinada a potenciar la integración musical de Brasil con el resto de países iberoamericanos, algo que hasta hace muy poco resultaba casi utópico de imaginar".

Cada día somos más
 

Dia tras dia los tiempos cambian 
y son nuevas las mañanas
cada hombre joven con sus fuerzas 
ya quieren la tierra libre pisar 

Todos canten, todos gritan, todos vivan 
que estos son tiempos de pensar 
y cada dia somos mas 
que estos son tiempos de pensar 
y cada dia somos mas 

Dia tras dia se abre la esperanza 
de que tenga cada uno un lugar 
mentes calladas ya despiertan 
a latidos de sus almas 

... estos son tiempos de pensar 
que cada dia somos mas. 


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/O FESTIVAL


Babasónicos, show memorável na 1ª edição do El Mapa de Todos


A banda Babasónicos realizou um dos shows mais inesquecíveis do festival El Mapa de Todos. Os argentinos apresentaram-se na primeira edição do festival, que ocorreu em Brasília, no Espaço Brasil Telecom. Como se estivem tocando para um ginásio lotado, o grupo levou o público presente literalmente ao delírio, como mostra o...


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/O FESTIVAL


El Mapa de Todos, conceito e qualidade em 2011


da Redação

“O que mais importa são as pessoas”, disse em um bom português Xoel López, músico da Galícia, Espanha, ao despedir-se do El Mapa de Todos, traduzindo o clima de integração musical, cultural e afetivo que marcou os três dias do festival, realizado nos dias 12, 13 e 14 na capital...


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/O FESTIVAL


Uruguaio Franny Glass conquista público gaúcho


O cantor e compositor uruguaio Franny Glass fez um dos shows mais aplaudidos do festival El Mapa de Todos. Com repertório baseado em seu terceiro disco, Podador Primaveral, ele conquistou o público gaúcho. Em vários momentos, o público ensaiou cantar junto as músicas.


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/O FESTIVAL


El Mapa de toda a América


por Paulo Finatto Jr. / Noize

No final de novembro, Porto Alegre sediou a quarta edição do festival El Mapa de Todos. Com o intuito de integrar a cena independente da América Latina, o evento levou para o palco do Opinião, pelo terceiro ano consecutivo, um apanhado do que surgiu de melhor nos últimos anos no Brasil e nos seus...


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/O FESTIVAL


Festival El Mapa de Todos, integrando a América Latina


da Redação

“En su quinta edición, El Mapa de Todos volvió a dejar claro en la ciudad brasileña de Porto Alegre que su apuesta por la integración no se detiene y es atrevida, reafirmándolo como un festival que celebra la diversidad sonora desde lo estético y reivindica el peso histórico de la...


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/O FESTIVAL


El Mapa de Todos no centro da integração


da Redação

Em sua sexta edição, o Festival El Mapa de Todos consolidou sua posição de vanguarda do processo de integração musical iberoamericana. Realizado pela Produtora Senhor F, com patrocínio-master da Petrobras, o festival confirmou seu papel de plataforma de intercâmbio regional. No palco, na...


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Resenha



Regalo


Proto-Demos

Singles & EPs raros 1998-2013




Vídeos

/Entrevista


Elliot Tupac, artista gráfico da chicha peruana


Entrevista com Elliot Tupac, peruano e um dos grandes artistas gráficos do país. Com sua arte, afirmou uma cultura de "afiches", cartazes, de divulgação da cultura chicha. Segundo o programa, "Elliot fue criado mediante la tradición familiar de artesanos huancainos, conviertiendose así en un verdadero promotor y creador de arte popular". Além da sua arte, ele fala da decisão de apostar na profissão escolhida para "ser livre". 


/Videoclipe


Carmen Correa, revelação da música gaúcha


Cantora e compositora, a gaúcha Carmen Correa é uma das grandes revelações da nova música produzida no estado. Neste segundo semestre de 2016, ela lança seu disco de estreia, produzido por Marcelo Fruet. Suas canções, músicas, voz e presença de palco fazem dela uma aposta dessa geração. 


/Festival


Em 2016, El Mapa de Todos, 7 vezes integração


O festival El Mapa de Todos já tem data para acontecer em 2016: 30 de novembro e 1 e 2 de dezembro, no Theatro São Pedro e do Salão de Atos da Universidade Federal do Estado do Rio Grande do Sul.  Assim, fecha-se um ciclo de sete anos promovendo a integração, desde o Sul do Brasil. No vídeo, um pequeno documentário sobre a edição de 2014.


/Documentário


A história da Baratos Afins


do Youtube

Uma família que evolui junto com uma loja: essa é a história da Baratos Afins, negócio tocado por um pai, uma mãe e uma filha nascida em berço de dezenas de milhares de discos. Uma loja que sempre foi notícia: seja por ser aquela que “tem tudo”, seja por ser a única que, desde o começo, rejeitou o formato CD.

Há três gerações, a Baratos atrai romarias de roqueiros de todas as partes do país e aposta no gênero, lançando novidades ou relançando clássicos através de seu selo próprio. "A Baratos Afins se orgulha de fazer arte. Geralmente fazia 1.000 cópias e raramente vendia as 1.000. A verdade, a nossa produtora nunca bancou a loja. Ao contrario, a loja que sempre bancou a produtora. A gente faz os discos porque a gente gosta, nosso tesão, nosso prazer.", comenta o dono da loja Luís Calanca.

A Baratos Afins, no coração de São Paulo, é mencionada com profundo carinho por todos que frequentam. Este episódio de Minha Loja de Discos ouve alguns dos incontáveis causos de quem conhece essa longa história de amor à música.

Roteiro: Kika Serra
Edição & Mixagem: Felipe Rodrigues
Assistente de Produção: Daniel Levi
Direção & Produção: Elisa Kriezis & Rodrigo Pinto


/Videoclipe


Golpe maestro, a Espanha por Vetusta Morla



Música do último disco da banda espanhola Vetusta Morla. Golpe maestro trata das mudanças ocorridas no país. "Robaron las antenas, / la miel de las colmenas, / no nos dejaron ni banderas que agitar; Cambiaron paz por deudas, / ataron nudos, cuerdas / y la patrulla nos detuvo por mirar". La Deriva é o terceiro disco-cheio da banda, atualmente uma das mais importantes do rock mundial. 


Indie Brasil

/Noite


Bananas for you all: clássicos & raridades do instrumental


por Fernando Rosa

O rock instrumental ganhou espaço junto à cena independente brasileira moderna. Entre 1998 e 2013, são várias as obras que se destacaram em meio a uma profícua produção. Na comemoração dos 15 anos de Senhor F, listamos 20 títulos que consideramos os mais importantes dessa época.

Na lista estão discos que marcaram época, como Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong, até obras atuais como Realidade Aumentada, dos novatos gaúchos The Tape Disaster. Também discos de dois dos mais importantes guitarristas modernos do Brasil, Pio Lobato e João Erbetta.

Vale destacar que a produção é oriunda dos mais variados pontos do país, do Rio Grande do Sul até o Pará. Algumas bandas não existem mais, como La Pupuña e Pata de Elefante, mas seus discos perpetuarão seus grandes momentos de criatividade.

Esta é a primeira lista de uma série que vai destacar os melhores discos psicodélicos, de instro-surf, cantautores, as coletâneas mais importantes e, por fim, os 100 EPs e os 150 discos que marcaram a geração pó-internet,entre 1998 e 2013.

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 2
Bananas for you all (clássicos & raridades da psicodelia)


1. Astronauta Pingüim – Petiscos: Sabor Churrasco (RS)
2. Burro Morto – Baptista virou máquina (PB)
3. Floresta Sonora – Floresta Sonora (PA)
4. Fóssil – Insônia (CE)
5. Funkalister – Vol 2 (RS)
6. João Erbetta – Guitar Bizarre (SP)
7. La Pupuña – All right penoso!!! (PA)
8. Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro (MT)
9.Malditas Ovelhas! - afinado a fogo, tocado a murro, dançado a coice (SP)
10. Pata de Elefante – Pata de Elefante (RS)
11. pexbaA – pexbaA (MG)
12. Pio Lobato – Café (PA)
13.. Quarto Sensorial (RS) – A + B (RS)
14. Retrofoguetes – Ativar Retrofoguetes (BA)
15. ruído/mm - Introdução à Cortina do Sótão (PR)
16. Sala Especial – Edição Granfina (SP)
17. São Paulo Underground – Sauna: um, dois, três (SP)
18. Satanique Samba Trio - Misantropicalia (DF)
19. SOL – No descompasso do transe, retalho do meu silêncio (1999-2003) (RS)
20. The Tape Disaster – Compilation (EPs) (RS)
21. Trilöbit – Tutorial (PR)

Bônus

22. The Ess - Rehearsal Ess - Ao vivo na Grande Garagem que Grava/ EP (PR) 
24.Os Jones - peledemamute / EP (AL)
22. Nova Música Experimental – Ruído MM, Labirinto, Fóssil, Constantina (Vários)
 


/Noite


Garage Laboratorium, a psicodelia nos anos 2000


por Fernando Rosa

A psicodelia mundial e sua versão brasileira, o tropicalismo, se fizerem presentes na produção musical da geração pós-internet brasileira. A revista Senhor F com suas matérias especiais sobre o tema contribuiu em parte com isso ao longo desses últimos 15 anos. Durante esse tempo, o site publicou textos sobre temas como a psicodelia nordestina dos anos 70, resgatou bandas raras como Spectrum e realizou entrevistas históricas com Rogério Duprat e Ronnie Von, entre outros.

A lista de discos que compilamos para comemorar os 15 da revista é um apanhado desse período, reunindo artistas independentes de vários estados. Nela estão clássicos absolutos do rock nacional como o disco da banda alagoana Mopho até super raridades como o discos dos paulistanos Transistors. Em todos eles, a sintonia com Mutantes, Caetano Veloso e toda sorte de artistas da punk-psicodelia americana e inglesa dos anos sessenta.

Sem a pretensão de esgotar o tema, apresentamos a lista que segue abaixo:
 

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume  1
Garage Laboratorium (clássicos & raridades da psicodelia)


1.Anjo Gabriel – O culto secreto do Anjo Gabriel (PE)
2.Boogarins - As plantas que curam (GO)
3.Cérebro Eletrônico – Pareço moderno (SP)
4.Continental Combo – Continental Combo (SP)
5.Effervescing Elephant – Effervescing Elephant (SP)
6.FuzzFaces – Voodoo Hits (SP)
7.Júpiter Maçã – Uma tarde na fruteira (RS)
8.Lacertae – A volta que o mundo deu (SE)
9.Laranja Freak – Brasas lisérgicas (RS)
10.Madalena Moog - Universal Park (PB)
11.Makina du Tempo - Músicas para dias de sol (DF)
12.Momento 68 - Onde Estão Suas Canções? (SP)
13.Mopho – Mopho (AL)
14.Os Haxixins – Euro Tour 2008 (SP)
15.Os Hipnóticos – Garage Laboratorium (RS)
16.Os Skywalkers – ZenMakumba (SP)
17.Os The Darma Lóvers – Os The Darma Lóvers (RS)
18.Pipodélica – Simetria radial (SC)
19.Plástico Lunar – Coleção de viagens espaciais (SE)
20.Plato Dvorak & Os Exciters - Plato Dvorak & Os Exiters (RS)
21.Stereovitrola (AP) – No espaço líquido (AP)
22.Supercordas - Seres verdes ao redor (RJ)
23.Transistors – In transfuzzion (SP)
24.Vaca de Pelúcia - Vaca de Pelúcia (SP)

Bônus
25. Brazilian Pebbles Vol 1 & 2 – Vários (Bônus)

(na foto: Mopho/1ª foto de divulgação)
 


/Noite


Nova Manhã, o folk rock dos anos 2000


por Fernando Rosa

A música caipira, ou folclórica, ou ainda regional, faz parte da construção da cultura musical brasileira, passando por todas as gerações e chegando aos tempos modernos. Por outro lado, o folk de origem americana também penetrou na cultura nacional de forma marcante, especialmente a partir dos anos sessenta. Em meio a esse processo, a partir do tropicalismo (2001/Mutantes & Tom Zé), Tião Carreiro & Pardinho e The Byrds puderam conviver harmoniosamente, resultando no chamado “rock rural”, nos anos setenta.

Naquele momento, e durante os anos seguintes, proliferaram grupos como Sá, Rodrix & Guarabira, Ruy Maurity Trio, Bendegó, Flying Banana, Almôndegas, Tetê & O Lírio Selvagem e Paranga. A fusão das linguagens do rock com as vertentes folclóricas regionais produziu grandes discos, alguns reconhecidos nacionalmente, outros mantidos na obscuridade. Mas, o importante é que a música brasileira mostrou mais uma vez sua enorme capacidade de transmutar-se sem perder a identidade.

A cena independente dos anos dois mil não passou impunemente por esse universo sonoro, incorporando outras influências musicais a ele. Entre os anos 2000 e 2015, vários grupos gravaram obras referenciadas nessa história particular, atualizando sonoridades do folk rock no país. O portal Senhor F acompanhou de perto essa geração, ouvindo as novas produções, colecionando seus singles, eps e discos-cheios lançados nesse período, dos quais destacamos alguns.

Os grupos

Natural de Porto Alegre, Cowboys Espirituais reunia Frank Jorge, Julio Reny e Márcio Petracco, e teve seu disco de estreia lançado pela Trama, em 1998. Os Pistoleiros, desde Florianópolis, lançaram em 2000 um dos grandes discos da cena independente, que conquistou fans como Wander Wildner. Já os paulistas Motormama, de Ribeirão Preto, emergiram na cena independente com o clássico Carne de Pescoço, em 2002, com forte acento de psicodélica-caipira. Em Belo Horizonte, destacou-se a banda Dead Lovers Twisted Heart com seu hillbilly indie cantado em inglês. Também em inglês, Bad Folks construir sua carreira a partir de Curitiba.

O brasiliense Sestine, liderado por Márcio Porto, é um dos segredos mais bem guardados da cena independente do Centro-Oeste, resultado de seus dois únicos EPs Carros-Fantasma e As Engrenagens (2006). Paranaense, Charme Chulo talvez tenha afirmado de maneira mais intensa a linguagem do folk rock na cena independente, por conta de seu disco de estreia, lançado em 2007 e da subsequente carreira. Da mesma cidade, a dupla Os Irmaõs Carrilho, casam Everly Brothers com modinhas caipiras, em singles lançados entre 2013 e 2015.

O grupo paulista Continental Combo tem sua história ligada ao mod e ao rock sessentista, mas em seu disco homônimo gravado entre 2003 e 2005, registrou seu lado folk, fundindo rock rural com Flying Burrito Brothers. Explodindo na cena independente desde Cuiabá, Vanguart ganhou o Brasil com seu mix inicial de Bob Dylan e Radiohead, afirmando-se nacionalmente, com profunda identidade, com o hit Semáforo. Também de Curitiba, Koti e Os Penitentes agregaram à cena folk a linguagem do rockabilly e os temas trash-urbanos. Um pouco na mesma linha, Fabulous Bandits cantou porres, brigas e tiroteios com seu folk-hardcore.

Dois grupos, um de São Paulo, Matuto Moderno, outro de Brasília, Judas, pisaram fundo na música caipira, na moda de viola e outras linguagens interioranas, com seus discos lançados em 2011 e 2013. Já o trio Bob ShuT, de Caxias do Sul, na serra gaúcha, introduziu na cena o “folk montanhês” com seu segundo disco. Por fim, o sempre genial Diego de Moraes, rebatizado Waldi, e o comparsa Redson, reinventaram as duplas caipiras em versão “indie” com o disco lançado em 2013

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 5
Nova Manhã (clássicos & raridades do folk rock)


1.Bad Folks - Impossible (PR)
2.Bob Shut – II (RS)
3.Charme Chulo – Charme Chulo (PR)
4.Continental Combo – Continental Combo (SP)
5.Cowboys Espirituais – Cowboys Espirituais (RS)
6.Dead Lovers Twisted Heart – DLTH (BH)
7.Fabulous Bandits - Chumbo Grosso (PR)
8.Judas – Nonada (DF)
9.Koti e Os Penitentes – Caído na Sarjeta (PR)
10.Matuto Moderno – 5 (SP)
11.Motormama – Carne de Pescoço (SP)
12.Os Pistoleiros – Os Pistoleiros (SC)
13.Pedrinho Grana & Os Trocados - ST (DF)
14.Sestine – Carros Fantasma + As Engrenagens (DF)
15.Vanguart - Vanguart (MT)
16.Waldi & Redson – Waldi & Redson (GO)

Bônus

17.Os Irmaõs Carrilho – No tempo que passou (single)  (PR)


/Noite


Operações submarinas, clássicos do instro-surf


da Redação

A surf music, em especial, e o rock instrumental independente tiveram seu grande momento nessa década passada. Inspirados em heróis clássicos e também em brasileiros sixties, muitos grupos ganharam os palcos dos festivais com suas guitarras flamejantes, especialmente do Primeiro Campeonato de Surf, em Belo Horizonte. Em seus 15 anos, Senhor F selecionou 15 títulos que achamos os mais legais e importantes dessa geração.

Entre eles, os pioneiros Os Argonautas, donos de um dos melhores discos do gêneros já gravados no Brasil – formada pelo grande guitarrista Marcelo Moreira, mais Régis Sam, Gustavo Dreher e Rodrigo Rosa. Deles, a música Maré Vermelha foi trilha do programa Senhor F - A História Secreta do Rock Brasileiro, na Usina do Som, entre 2011 e 2002. Também pioneiros, Os Ostras foram importantes para abrir caminho para grupos se aventurarem por essa vertente musical. Ainda, é importante destacar os cariocas Netunos e os catarinenses Cochabambas! e Ambervisions, com registros do início da década passada.

A seleção ainda traz clássicos como os Autoramas, Gasolines, Estrume’n’tal e The Dead Rocks, responsáveis por grandes discos. Outros destaques da lista são raridades como os grupos Limbonautas, de Curitiba, The Surf Mother Fuckers, de Belo Horizonte, e o gaúcho Marcelo Campos Moreira, em disco solo, com participação especial de integrantes do grupo Cachorro Grande.

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 4
Operações submarinas (clássicos & raridades do instro-surf)


1. Autoramas – Teletransporte (RJ) Mondo 77
2. Búfalos d’Água – Farewell to shore (PR) Independente
3. Camarones Orquestra Guitarrística - Camarones Orquestra Guitarrística (RN) DoSol
4. Cochabambas! – Máquinas quentes a todo vapor ... (cassete) (SC) Migué Records
5. Estrume’n’tal – Surfme'n'tal (MG) Golly Gee Recrods
6. Gasolines – Pura veneta (SP) Baratos Afins
7. Go! – Aventura sob o céu (RJ) Navena Muzik
8. Limbonautas – Rendam-se humanos (PR) Bloody Records
9.Marcelo Campos Moreira – Marcelo Campos Moreira (RS) Independente
10. Netunos - Alto Mar (RJ) Independente
11. Os Ambervisions – Bons momentos não morrem jamais (SC) Migué Records/Monstro Discos
12. Os Argonautas – Os Argonautas (RS) Argo Discos
13. Os Ostras – Operação submarina (SP) Excelente Discos/Abril Music
14. Super Stereo Surf – Antes do baile (DF) Monstro Discos
15.Surfadelica - Surfing on the desertshore (SP) Psices Records
16. The Dead Rocks – International Brazilian Surfs (SP) Monstro Discos
17. The Surf Mother Fuckers – Solano star (MG) Independente
18.Xevi 50 - Ensaio (SC) Inidependente

Bônus

17. Reverb Brasil – Uma coleção de bandas de surfe Alvo/Rveber Brasil/Obra Discos
18. Brazilian Surf – The atack of the tiki waves vol 1 Groove Records (PT)
19. Beach Combers - Beach Combers (EP)

(na foto: Estrume’n’tal)


/Noite


Seu guarda, entenda, estou indo para uma Noite Senhor F


por Fernando Rosa

A Noite Senhor F tem uma série de histórias loucas, comuns, divertidas, mas todas reais. Uma delas tem a ver com a sua importância cultural para a cidade de Brasília, naquele momento. E foi contada recentemente pelo próprio personagem. Como na maioria das histórias, vamos preservar seus nomes.

Naquela época, primeira metade dos anos dois mil, Brasilia começava a caretear de vez. Primeiro, inventaram uma tal de "lei seca", que obrigava a gente a acabar as Noites até 2h30. Se passasse desse horário, a blitz da fiscalização batia e podia fechar a casa, em nosso caso o Gate's Pub.

Também começavam a funcionar com mais intensidade as blitz de rua, como forma de reprimir a livre circulação noturna na cidade. Pois numa dessas blitz, o nosso amigo personagem acabou sendo barrado pelos policiais. Ao que apelou com um argumento, para ele, convincente.

- Seu guarda, entenda, estou indo para uma Noite Senhor F.

(Ou algo mais ou menos assim) 


/Noite


Banda Frida grava nos Estados Unidos


da  Redação

A banda Frida é um dos nomes convidados pela Converse para gravar em seus estúdios associados ao redor do mundo - o quarteto grava no estúdio Rubber Tracks, em Boston, nos Estados Unidos. Natural de Gravatai, Frida foi selecionada junto com outras bandas brasileiras pela plataforma WorldWide, de abrangência mundial. Ao todo nove mil artistas de todo o mundo se inscreveram para concorrer ao prêmio. Também gaúcha, a banda Motor City Madness vai gravar nos Studios 301, em Sydney, Austrália.

Segundo a divulgação do projeto, o WorldWide promove um intercâmbio mundial entre bandas e os doze maiores estúdios de música do mundo. Os artistas convidados ganham tempo de gravação nos estúdio, além de todas as despesas pagas. Totalmente equipada com os melhores instrumentos e equipamentos fornecidos pela Guitar Center, parcerio da Converse Rubber Tracks, os artistas dedicam-se a criar suas músicas, e no final retêm todos os direitos sobre elas. Frida entra em estúdio nos próximos dias 18 e 19 e setembro. Converse Inc., com sede em Boston, Massachusetts, é uma subsidiária da NIKE. Inc.

A Frida é uma banda formada por Sandro Silveira (guitarra e voz), Andriel Cimino (guitarra), Vinicius Braga (baixo) e Luis Mausolff (bateria). Circulando pelo Rio Grande do Sul em festivais e eventos como El Mapa de Todos, Noite Senhor F, Morrostock, Rock na Praça e Acid Rock, a Frida é apontada no circuito independente e em diferentes veículos como uma das revelações do novo rock feito no Brasil. O primeiro álbum completo do grupo – gravado no estúdio Mubemol, em Porto Alegre, sob a produção de Iuri Freiberger – foi lançado em março, em uma parceria entre os selos The Southern Crown e Senhor F.

Os doze estúdios são Abbey Road Studios em Londres, Inglaterra; Sunset Sound, em Los Angeles, Califórnia; Hansa Tonstudio, em Berlim, Alemanha; Tuff Gong, em Kingston, Jamaica; Greenhouse Studios, em Reykjavik, na Islândia; Warehouse, em Vancouver, Canadá; Avast Recording Co., em Seattle, Washington; Stankonia em Atlanta, Geórgia; Studios 301 em Sydney, Austrália; Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, Brasil; o original estúdio permanente Converse Rubber Tracks Studios no Brooklyn, Nova York, além do recentemente inaugurado em Boston, Massachusetts, em Lovejoy Wharf.


 


/Noite


Evento no Sul avança conceito independente


da Redação

Hoje, em Porto Alegre, tem mais uma Noite Senhor F, com shows das bandas Frida e Fire Departament Club, a primeira de Gravatai, na região metropolitana, e a segunda da capital gaúcha. O evento marca três lançamentos importantes para a cena independente gaúcha: o disco de estréia da banda Frida, a empresa Gramo e o EP do Fire Departament. Os shows acontecem no Beco da Cidade Baixa, a partir das 20 horas, com ingressos a R$ 15,00 com nome na lista e R$ 20,00 na hora.

O disco de estréia da banda Frida, saudado nos principais sites e blogs musicais do país como um dos lançamentos do ano, assinala um momento de renovação da música gaúcha. Natural de Gravatai, o quarteto traz para a cena independente a qualidade autoral e instrumental, em canções perfeitas e emocionantes. O disco, com produção de Iuri Freiberger, é um lançamento da parceria entre os selos Senhor F Discos,que completa 20 trabalhos editados, e The Southern Crown, selo e produtora local.

A banda Frida tem uma trajetória construída com muito trabalho, circulação pelo estado, onde conta um público fiel em muitas cidades do interior. Em 2013, participou da Noite Senhor F e foi um dos destaques do Festival El Mapa de Todos, dividindo o palco com os argentinos Valle de Muñecas e os uruguaios La Vela Puerca. Em 2014 foi destaque do portal britânico Independent Music News como uma das dez bandas brasileiras mais promissoras.

Também gaúcha, mas de Porto Alegre, a banda The Fire Departament é outra promessa da nova cena local, mas mirando no exterior. Em março, a banda lançou seu novo EP Best Intuition, dispobilizado nas principais plataformas mundiais, como iTunes, Spotify, e Deezer, entre outras. Produzido por Luc Silveira, o EP destaca o tema “Pitfall” que vem acompanhada de um lyric-video criado pela BC Motion.

Gramo

“Gramo” é uma empresa de consultoria de carreiras e desenvolvimento de produtos para o mercado fonográfico brasileiro e internacional, informa seu mentor e diretor, o produtor Iuri Freiberger. “A lógica é a do ganha-ganha. Tanto para artistas entry-level ou que estejam rearranjando suas carreiras. E claro, para todos os envolvidos com a música”, diz ele. Com o produtor musical Iuri Freiberger à frente, a ideia do Gramo é combinar talentos e experiências no mercado fonográfico através de um hub de serviços colaborativos.

http://firedepartmentclub.com/
https://soundcloud.com/frida_tv
http://gramo.cc/




/Noite


Festival promove circulação e exporta nova música gaúcha


da Redação

Tomando emprestada expressão do Secretário de Cultura do RS, Victor Hugo, que foi ao evento, “a casa pulsou” música e cultura naqueles dois dias de festival. A casa em questão é a Casa de Cultura Mário Quintana, mais exatamente o Teatro Bruno Kiefer, onde aconteceram os shows. O evento, no caso, o Festival Noite Senhor F, que promove a circulação de novos artistas pelo estado do Rio Grande do Sul. Resultado do edital Movida Cultural, e organizado pela Produtora Senhor F, o projeto conta com apoio da Secretaria Estadual de Cultura.

“O festival é um marco na história da música gaúcha, pelo fato de reunir um expressivo recorte da nova música produzida no estado, em condições excelentes de palco, som e luz e público”. A observação é do produtor Fernando Rosa, responsável pelo projeto, ao lado dos produtores Thiago Piccoli e Brisa Daitx. De fato, os shows que começaram pontualmente às 16 horas, em número de sete por dia, foram um marco na carreira dos artistas que pisaram no palco e conquistaram o público, que lotou a casa desde a primeira apresentação.

Participam do projeto os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Orlando Garcia & Los Coyotes (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre). Desde novembro, os artistas e bandas circularam pelo estado, em shows acompanhados de palestras e debates sobre o novo cenário musical do estado e do país, e o posicionamento diante dessa nova realidade.

Cada um à sua maneira, os jovens artistas mostraram uma qualidade surpreendente para quem compareceu ao evento. “Com um representante de Porto Alegre, e os demais do interior do estado, o festival cumpriu um importante papel de destacar a existência de uma forte produção além da capital”, destacou Fernando Rosa, que também apresentou o evento. Antes do festival, os artistas apresentaram-se em suas cidades e também em uma segunda cidade. O festival ainda contou com dois shows especiais com o grupo The Outs no sábado e Ian Ramil no domingo. Neste mês, ainda ocorreram mais dois eventos, em São Borja e Farroupilha.

Além de promover a circulação interna no estado, o festival em particular serviu para mostrar a nova produção para produtores de festivais independentes especialmente convidados pela organização. Nos dois dias do evento, na ante-sala do próprio teatro, foram realizadas reuniões abertas com os produtores e abertas aos demais artistas e produtores do estado. Nos encontros, ocorreram trocas de informações sobre cada um dos eventos e também aproximação informal entre os produtores dos festivais convidados e os artistas.

Estiveram presentes no evento os produtores Paulo André (Abril Pro Rock – Recife), Antonio Gutierrez (RecBeat – Recife), Guilherme Pereira (Goiânia Noise – Goiânia), Marcelo Damaso (Se Rasgum – Belém), Gustavo Sá – (Porão do Rock – Brasília), Marcelo Domingues - (Demosul – Londrina), Guilherme Zimmer (Floripa Noise – Florianópolis), Beto Vizotto (Paraíso do Rock - Paraíso do Norte), Pablo Hierro (Music is My Girlfriend – Buenos Aires, Argentina) e Nicolas Molina (Las Palmeiras Festival del Sonido - Águas Dulces, Uruguai).

Veja as fotos do festival, de autoria de Thiago Lázeri - http://goo.gl/pHXpfT

 


/Noite


Calvin lança EP Café em Santa Cruz


por Fernando Rosa

Uma nova geração de cantores e compositores surgiu com força no Rio Grande do Sul nestes últimos tempos. Alguns nomes já se afirmaram na cena independente. Ian Ramil foi o primeiro a ocupar seu espaço na cena musical. No ano passado, de Três Coroas, Jéf lançou o disco Leve, um clássico da nova geração. A cantora e compositora portoalegrense Ana Muniz é outro nome de cresce junto ao público.

De Santa Cruz, chega um novo nome, Calvin, munido de belas canções. Ele acaba de lançar o EP “Café”, que traz ainda Ancore, Poesia dos Amores Dormidos e Chuva. “Café” é um hit que deve marcar essa geração, mesmo que as rádios insistam em ignorar a nova produção. As outras três canções não deixam por menos em qualidade autoral, tanto musical, quanto poética.

Acompanhado de uma ótima banda, Calvin integrou o projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente. Apresentou-se em sua cidade, em Bagé, e por fim em Porto Alegre, no Festival Noite Senhor F. Em todas as ocasiões conquistou o público com suas melodias pop, diretas e assoviáveis. No dia 7 de março, ele lança o EP em show em Santa Cruz, no Espaço Camarim.


/Noite


Noite Senhor F promove circulação e mostra de novos artistas gaúchos


da Redação

Neste sábado, em Três Coroas, com shows de Jéf e da banda Similares, no Centro Cultural da cidade, a partir das 19 horas, o projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente encerra a primeira etapa da iniciativa. Durantes três meses, a iniciativa promoveu a circulação de doze artistas por suas cidades, em apresentações musicais, acompanhadas de palestras sobre a nova cena independente do estado. O projeto de circulação Noite Senhor F – RS Independente, tem patrocínio da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul – Procultura.

Nos próximos dias 21 e 22 de fevereiro, o Festival Noite Senhor F completa o projeto, com os dozes artistas reunidos no palco do Teatro Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Além das apresentações das bandas do projeto, haverá dois shows especiais com o grupo The Outs no sábado e Ian Ramil no domingo. O grupo carioca foi o segundo colocado no prêmio Breakout Brasil. Ian Ramil acaba de lançar seu disco de estréia.

O evento ainda contará com as presenças de oito produtores de importantes festivais brasileiros, e dois representantes de festivais do Uruguai e da Argentina. Com os shows e a presença dos convidados, o projeto pretende aproximar os novos artistas gaúchos dos programadores de festivais. Para Fernando Rosa, “além de promover a circulação interna, é importante também mostrar a nova produção gaúcha para os produtores de festivais dos demais estados do país e do Mercosul”.

O festivais e seus respectivos representes são: Paulo André (Abril Pro Rock – Recife), Antonio Gutierrez (RecBeat – Recife), Guilherme Pereira (Goiânia Noise – Goiânia), Marcelo Damaso (Se Rasgum – Belém), Gustavo Sá (Porão do Rock – Brasília), Marcelo Domingues (Demosul – Londrina), Guilherme Zimmer (Floripa Noise – Florianópolis), Beto Vizotto (Paraíso do Rock - Paraíso do Norte), Pablo Hierro (Music is My Girlfriend – Buenos Aires, Argentina) e Nicolas Molina (Las Palmeiras Festival del Sonido - Águas Dulces, Uruguai).

Programação do Festival

21 de fevereiro - sábado

Velocetts (Farroupilha)
Zudizilla (Pelotas)
Rinoceronte (Santa Maria)
Calvin (Santa Cruz do Sul)
Ana Muniz (Porto Alegre)
Frida (Gravataí)
The Outs (RJ)

22 de fevereiro – domingo

Orlando Garcia & Los Coyotes (São Borja)
The Sorry Shop (Rio Grande)
Bob Shut (Caxias do Sul)
Similares (Bagé)
General Bonimores (Passo Fundo)
Jéf (Três Coroas)
Ian Ramil (RS)

Serviço

Dias 21 e 22 de fevereiro de 2015
16 horas
Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mário Quintana
Entrada Franca










* Assista outros vídeos de apresentação do projeto: https://www.youtube.com/user/NoiteSenhorF

 


/Noite


Carro de Passeio, o novo rock gaúcho


por Fernando Rosa

A bordo de um ótimo EP lançado em 2014, a banda Carro de Passeio credenciou-se junto à novíssima cena musical do Rio Grande Sul. Natural de Santa Maria, terra do festival Macondo Circus, a banda foi formada no final de 2013, pela “junção de amigos”. “O EP Es-Passo é o primeiro registro da banda, gravado no inverno de 2014, com produção da própria banda e técnica de André Boaz”, segundo eles.

O EP traz uma sonoridade moderna, distante do que normalmente espera-se do que chamam “rock gaúcho”. “A influência da banda passeia por Pixies, Sonic Youth, El Mató a un Policía Motorizado, The Smiths e tantas outras bandas e músicos que inconscientemente acabam influenciando no nosso som”, dizem. A banda é formada por Matheus Genro Bueno e Guilherme Brum nos vocais e guitarras, Mariana Kussler no baixo e Vinício Möller na bateria.

Com o EP circulando pela rede – ouçam abaixo -, agora a banda planeja tentar girar ao máximo tocando e divulgando o trabalho. “Mais um clipezinho vai rolar, lançamos um vídeo de Inverno recentemente e estamos engajados em produzir mais registros visuais”. Segundo eles, um disco cheio também está nos planos de 2015, o que vai exigir mais dedicação. A circulação inclui a participação em festivais estaduais e mesmo nacional, também faz parte dos planos da banda.




 


/Noite


Em Bagé, Noite Senhor F reúne Similares e Calvin


da Redação

Neste próximo domingo, em Bagé, no Complexo Cutural Dom Diogo, às 20 horas, acontece o primeiro evento do projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente do ano. Desta vez, com apresentações do cantor e compositor Calvin e da banda Similares - Calvin é natural de Santa Cruz e Similares de Bagé. Além dos shows, haverá palestra e debates sobre a atual cena musical com o jornalista e produtor Fernando Rosa. O projeto é uma realização da Produtora Senhor F, com apresentação e patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura e Pro-Cultura RS.

Ainda com eventos por acontecer em várias cidades do interior do Rio Grande do Sul, o projeto conta com a primeira edição do Senhor Festival, em Porto Alegre, reunindo todos os artistas da circulação, além de headliners convidados, com shows especiais, voltados para curadores e produtores de festivais de fora do estado. A organização do evento já convidou produtores e curadores de festivais nacionais e latinoamericanos para conhecerem de perto, e ao vivo, a nova produção local.

No último 20 de dezembro, em Pelotas, aconteceu a última etapa do ano do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. No palco do Galpão Satolep, o anfitrião Zudizilla e os convidados General Bonimores de Passo Fundo e Velocetts de Farroupilha foram os destaques da edição. O evento contou com a participação do músico Frank Jorge, que palestrou sobre o momento atual da cena musical.

O projeto já passou por Gravatai, Caxias do Sul, Santa Cruz, Santa Maria e Rio Grande - com os artistas e grupos Frida, Calvin, Ana Muniz, Bob Shut, Jéf, e The Sorry Shop. O projeto inclui os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Johnny Chivas (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre).







+ Veja registros no projeto no Youtube:

- www.facebook.com/noitesenhorf 


/Noite


Projeto Noite Senhor F fecha 2014 com sucesso


da Redação

Neste último sábado, 20 de dezembro, em Pelotas, aconteceu a última etapa do ano do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. No palco do Galpão Satolep, o anfitrião Zudizilla e os convidados General Bonimores de Passo Fundo e Velocetts de Farroupilha foram os destaques da edição. O evento contou com a participação do músico Frank Jorge, que palestrou sobre o momento atual da cena musical.

Esta foi a sexta etapa do projeto, que já passou por Gravatai, Caxias do Sul, Santa Cruz, Santa Maria e Rio Grande - com os artistas e grupos Frida, Calvin, Ana Muniz, Bob Shut, Jéf, e The Sorry Shop. Em janeiro e fevereiro o projeto continua, seguindo para as demais cidades incluidas no projeto.

O projeto inclui os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Johnny Chivas (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre).

Ao final do projeto, um festival vai reunir todos os artistas da circulação, para a realização de shows especiais, abertos ao público e também voltados para curadores convidados. A organização do evento já convidou produtores e curadores de festivais nacionais e latinoamericanos para conhecerem de perto, e ao vivo, a nova produção local.

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/Noite


Em Santa Cruz, Calvin e Ana Muniz celebram nova música jovem gaúcha


da Redação

A cidade de Santa Cruz do Sul, cerca de 2 horas de Porto Alegre, foi sede da terceira etapa do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. O projeto premiado em primeiro lugar no edital Movida Cultural, da ProCultura RS, tem patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado. No Espaço Camarim, no centro da cidade, o evento reuniu os artistas Calvin, de Santa Cruz, e Ana Muniz, de Porto Alegre.

Os shows confirmaram o acerto do projeto que busca promover e dar visibilidade para a produção musical jovem do Rio Grande do Sul, além da capital. Ana Muniz, de 17 anos, primeira a se apresentar, confirmou a exuberância de sua música, tanto como compositora, quanto intérprete. Acompanhado de uma ótima banda, Calvin mostrou seu talento de compositor pop, com um repertório de ótimas e bem resolvidas canções.

Ajudados por um ambiente perfeito, o Espaço Camarim, os dois artistas interagiram com o público presente, em grande número e atento aos shows. A cada canção, os dois foram sendo aplaudidos mais intensamente, até serem ovacionados de pé, ao final das respectivas apresentações. No encerramento, celebrando o espírito do projeto, os dois artistas e bandas subiram juntos no palco para receber os aplausos finais e selar o sucesso do evento.

Na semana passada, em sua segunda edição, o projeto reuniu em Caxias do Sul o grupo local Bob Shut e o cantor e compositor Jéf, de Três Coroas. Os dois foram destaque na última edição do Festival El Mapa de Todos, realizado em Porto Alegre, com participação de artistas latinos. Jéf é finalista do programa Breakout Brasil, promovido pelo Canal Sony, que premiará o vencedor com a gravação de um disco.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente iniciou no dia 8 de novembro, com shows do grupo Frida, de Gravatai, e dos rapers Zudizilla, de Pelotas - no Sesc de Gravatai. Ao final da circulação interna será realizado um festival com os artistas do projeto, com presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e de países latinos. Aguardem a informação sobre a data e o local do festival, que ocorrerá em Porto Alegre, em fevereiro.


/Noite


Nova edição da Noite Senhor F, com Calvin e Ana Muniz, em Santa Cruz


da Redação

Neste sábado, 29 de novembro, acontece a terceira etapa do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente, que tem patrocínio do ProCultura-RS, da Secretaria de Estado da Cultura. Com shows de Calvin e Ana Muniz, o evento ocorre em Santa Cruz do Sul, no Espaço Camarim, às 20 horas. Calvin, de Santa Cruz e Ana Muniz, de Porto Alegre, são dois jovens e destacados artistas da nova música gaúcha.

Na semana passada, em sua segunda edição, o projeto reuniu em Caxias do Sul o grupo local Bob Shut e o cantor e compositor Jéf, de Três Coroas. Os dois foram destaque na última edição do Festival El Mapa de Todos, realizado em Porto Alegre, com participação de artistas latinos. Jéf é finalista do programa Breakout Brasil, promovido pelo Canal Sony, que premiará o vencedor com a gravação de um disco.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente iniciou no dia 8 de novembro, com shows do grupo Frida, de Gravatai, e dos rapers Zudizilla, de Pelotas - no Sesc de Gravatai. O projeto tem por objetivo conectar a nova produção musical do estado, que vem crescendo em vários pontos distantes da capital. Ao final da circulação interna será realizado um festival com os artistas do projeto, com presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e de países latinos. 

* Na foto, Calvin e o cantor e compositor uruguaio Franny Glass.


/Noite


Frida e Zudizilla abrem, em Gravataí, Noite Senhor F - Conexão RS


da Redação

As bandas Frida e Zudizilla realizam em Gravatai, no sábado, dia 8 de noovembro, o primeiro show do projeto Noite Senhor F - Conexão RS. Frida de Gravatai e Zudizilla de Pelotas promovem o encontro de diferentes regiões e também de gêneros musicais. A anfitriã é uma das bandas de rock & pop revelação do Rio Grande Sul, enquanto Zudilla traz o hip pop com influências reigonais.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente foi aprovado em 1º lugar, em sua categoria, no edital Movida Cultural, promovido pelo FAC/Sedac-RS, em parceria com a Petrobras.O projeto realizará 12 eventos em diferentes cidades do interior do estado, incluindo também Porto Alegre, além de seminários voltados para a qualificação de produtores locais.
 

Participam do projeto os seguinte artistas, que realizarão shows em suas cidades, e em outra cidade do estado, entre os meses de novembro de fevereiro:

- Similares (Bagé),
- Zudizilla (Pelotas),
- Bob Shut (Caxias do Sul),
- Jéf (Três Coroas),
- Sorry Shop (Rio Grande),
- Velocetts (Farroupilha),
- General Bonimores (Passo Fundo),
- Johnny Chivas (São Borja),
- Calvin (Santa Cruz),
- Rinoceronte (Santa Maria),
- Frida (Gravataí),
- Ana Muniz (Porto Alegre).

No final de fevereiro, o evento culmina com um festival-mostra com todas as bandas, e presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e da América Latina. Além disso, haverá um workshop com palestrantes locais destinado a mostrar a história da música, em especial da história e da evolução da música jovem do estado.


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Noite Senhor F: espaço e referência para as novas gerações


por Fernando Rosa

A última Noite Senhor F reafirmou o compromisso do evento com a renovação da cena e com a formação de público em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul e sede do festival El Mapa de Todos. No palco, as bandas Fire Department Club, Frida e Dévil Évil justificaram os comentários sobre o acerto da curadoria. Cada banda em sua onda, foram três shows dignos de qualquer grande festival em qualquer estado do Brasil.

Em especial, a 1ª Noite do ano destacou a banda Frida que, além de um belo show, mostrou a força de sua música na platéia. Ou seja, um bom número de fans de Gravatai, sua cidade natal, na Região Metropolitana, Cachoeirinha e Porto Alegre, cantando todas as músicas. Uma boa surpresa para quem não conhecia a banda e se perguntava “o que era aquilo?”.

Um fato que se repetiu ao longo dos mais de 10 anos de realização do evento, inicialmente em Brasília, entre 2001 e 2008, e desde 2011 em Porto Alegre. Nesse período, passaram pela Noite Senhor F artistas como Vanguart, em seu primeiro show fora de Cuiabá, Cachorro Grande, Faichecleres, Autoramas, La Pupuña, Phonopop, Superguidis, Los Porongas e tantos outros (veja a lista na página do evento, no menu acima).

Assim, humildemente, a Noite Senhor F, em parceria com o Opinião, dá mais um importante passo para tornar-se referência de produção musical jovem e ponto de encontro das novas gerações. Um papel que custa esforço de produção, respeito pelos artistas e bandas e, principalmente, pelo público que comparece no Opinião. E, claro, ouvir muita música, ver vídeos e ir a shows, o que não é trabalho, é diversão e prazer. 

(na foto: Frida p/Belisa Giorgis).