/Noite


Superguidis, o coraçãozinho sobreviverá


por Fernando Rosa

Nunca me senti à vontade para dizer o que achava do Superguidis. Falei deles sobre as mais variadas abordagens e formas. Mas sempre fugindo de dizer exatamente o que pensava. Bem, acho que agora, passada  mais de uma década, posso falar. Sempre achei a melhor banda da sua geração. Em música, em poesia, em presença de palco. Muitas outras foram geniais, mas eles foram perfeitos. Em todos os discos, mas especialmente no primeiro.

O primeiro disco tem uma série de histórias que envolveram o seu lançamento. Os guris, imagino, tentaram outros selos, mas ninguém deu bola para eles. Não podia ser diferente com um grupo e um disco predestinados. Não fosse o selo Senhor F Discos, talvez seguissem isolados em Porto Alegre. Onde tinham um público fiel e apaixonado por eles. Mas a cidade, e o estado, ainda viviam aquele espírito de auto-suficiência regional. E eles não faziam "rock gaúcho".

Pois foi, talvez, esse conflito que afastou outros selos e os aproximou do selo Senhor F. Eles contrariavam a expectativa inicial e surpreendiam com uma nova música. Não eram de Porto Alegre, eram de Guaíba, e adoravam Guided By Voices, Pavement e Yo La Tengo. Ai deu a liga que resultou na união da banda com o selo. Por três discos e cerca de cinco anos, andaram juntos. Em shows por todo o país - Argentina e Uruguai, participação em festivais e eventos.

O disco de estréia, de fato, ou ganhava o cidadão de cara, ou não passava no teste. Segundo padrão ainda vigente, era "mal gravado", lofi demais. A fábrica rejeitou prensar por três vezes, alegando má qualidade. Foi preciso assinar um termo de responsabilidade pelo resultado final. Sim, o disco tinha sido gravado "em casa", e coisas tipo a bateria duplicada nos canais, para dar mais peso. Mas isso, para o selo, eram medalhas na defesa do disco, que afinal ganhou às ruas.

Foi o "melhor disco do ano" em quase todas as listas de 2006. Chegou aos ouvidos de Robert - Deus - Pollard, que achou massa. Críticos do país inteiro se renderam à obra, que agora já se pode chamar de clássica. A humildade e o senso de humor juvenil dos quatro Guidis ajudavam a difundir melodias e poesias. De Norte a Sul do Brasil, riffs, refrões, expressões, trechos de músicas foram se espalhando. Sem que ninguém deixasse de notar o quanto geniais eram aquelas duas guitarras - que pareciam uma.

Ainda hoje sem cruzar a fronteiras dos ouvidos independentes, é o disco mais completo de sua geração. Andrio & Lucas & Diogo & Marco, na verdade, não faziam rock, faziam música universal. De um jeito tão ousado, que a cultura oficial fez pouco de sua presença. As canções são absolutamente geniais, da primeira à ultima das doze faixas do disco. A poesia ainda segue tão atual quanto inventiva - poucos como eles conjugaram de forma tão brilhante rock & língua pátria.



Foto: Bruna Paulim
Capa: André Ramos
Selo: Senhor F Discos
 


/Arquivo Senhor F


A origem do rock colombiano


por Fernando Rosa

A cena roqueira colombiana dos anos sessenta é uma das menos conhecidas de toda a América Latina. Um dos pioneiros e dos grupos mais destacados foi Los Flippers, em meados dos anos sessenta. Também integraram a cena beat-garagem os grupos Loso Speakers, Ampex, Los 4 Crickets, Los Monkees, Opus, e Los Yetis. Los Speakers, em sua primeira fase, fazia o gênero Beatles, enquanto Los Young Beats eram os "Rolling Stones colombianos". Já na segunda fase do rock, influenciada pela psicodelia e pelo hard rock, destacaram-se os grupos Time Machine, Opus e Genesis, entre outros.

Em meados dos anos sessenta, destacavam-se Los Pelukas, Los Danger Twist, Los Yetis, Los Flippers, The Speakers, Los Ampex, The Young Beats, Los Streaks, Los Beatniks, The Wallflower Complextion. Na segunda metade da década, destacaram-se grupos como The Time Machine, Siglo Cero e Malanga, formado por Roberto La Columna de Fuego (veja vídeo abaixo), um grupo formado por Roberto Fiorilli (ex-Los Young Beats), Jaime Rodrigues, arranjador e baixista, mais Adolfo Castro, Cipriano Hincapie, Jairo Gomez, Jorge Abarca, Daniel Basanta.  

Entre os discos mais emblemáticos da cena colombiana dessa época estão 'Ellos Estan Cambiando Los Tempos' e 'En El Maravilloso Mundo de Ingeson'. Com Los Young Beats, 'Ellos Estan Cambiando Los Tempos', trazia um repertório orientado para o beat e para a garagem, com versões e covers de clássicos como 'You Better Move On' (Rolling Stones), 'You Really Got Me' (Kinks) e 'Gloria' (Them, em espanhol). Ja 'En El Maravilloso Mundo De Ingeson', com Los Speakers, lançado originalmente em 1968, e reeditado em formato cd (como um compacto de vinil), é um dos grandes clássicos da psicodelia sul-americana,

(na foto: Los Young Beats).















 


/#SenhorF20Anos


Rara entrevista com o maestro Rogério Duprat


por Fernando Rosa e Alexandre Matias

Na virada do milênio, fizemos esta entrevista com o maestro tropicalista Rogério Duprat, para a primeira capa de revista Bizz que os Mutantes tiveram no Brasil, na gestão Emerson Gasperin, que acompanhou o papo. Já com a audição bastante prejudicada, Duprat falou por um bom tempo sobre sua carreira desde jovem. E, claro da sua relação com os Mutantes e o tropicalismo, além de contar saborosas histórias. Segundo Duprat, dito após a publicação da revista, foi uma das reportagens mais legais publicadas sobre ele. Neste mês de setembro, Matias estreu um projeto em São Paulo dedicado à obra do maestro.

Como é que um maestro com formação erudita, com com contato com músicos de vanguarda, concretistas, acaba no rock, no pop?

Eu sou um músico multimídia. Eu já nasci assim. Acho que não é de estranhar. O que eu acho que é uma coisa da minha geração, essa coisa de atacar em várias frentes, um troço que foi comum. E temos casos parecidos como o meu. Amigos meus como Júlio Medaglia, Damiano Cozzela; houve outros casos. Eu tive oportunidades melhores do que os outros. Quer dizer, meus primeiros instrumentos foram gaita de boca, violão cavaquinho; foi antes de eu saber ler música; eu era um olherudo, não lia música, fui aprender a ler música depois. E aí, claro, trabalhando na área erudita, com a Orquestra de Câmara de São Paulo. Em seguida, fazer concurso, o violoncelo… fazer concurso e entrar na Sinfônica de São Paulo, estava me formando na profissão de músico. Aí, sim, dentro da profissão, começaram a aparecer as ramificações, até por necessidade fisiológica, para sobreviver a família. Eu me casei muito cedo; aos 21 anos já tinha uma filha. Isso tudo tinha que comer. E nesse tempo tocar só no Teatro Municipal não bastava, não era um salário. Então, fazia várias coisas. Aí, comecei a gravar muito; com isso, conheci muitos músicos populares, tocando em gravação de filmes, por exemplo, trilhas de filmes, enfim, muita música popular e, aí, acabei ficando muito amigo de Agostinho dos Santos, por exemplo. Toquei no que viria a ser, mais tarde, a Rede Globo, em São Paulo, era a Vítor Costa, era rede de televisão, não sei, não lembro o nome. Mas ali era toda a turma da Rádio Nacional, do Rio, que circulava para cá, porque aqui também chamam Rádio Nacional. Era Rádio Nacional e Televisão. Ali, a gente também conheceu muito músico popular. Eram os pré-roqueiros, os primeiros roqueiros eram ligados à vertente de Elvis Presley mesmo.

Você foi arranjador da Gravadora Vilela Santos? É desse período?
Vilela Santos…!
  Você produziu o “Vigésimo Andar”, do Albert Pavão?

Pois é (risos)! Eu queria lembrar isso e não estava lembrando.

Quem mais produziu, nessa época, além do Albert Pavão? Baby Santiago, The Rebels…?

Esse pessoal eu acabei conhecendo. Aí, sim, eu já era músico profissional, tocando em orquestra basicamente, e comecei a escrever para o Ataliba, como é o nome dele…?

Era VS, o selo, o nome do selo era VS. De Paulo Vilela e Ataliba Santos.

E, aí, então, comecei a fazer vários arranjos e, na verdade, antes de fazer arranjo, eu estudei composição. Inclusive fui “mamar” nas vacas sagradas: Boulez, Stockhausen, aquele pessoal da música de vanguarda européia. Nós éramos afilhados deles. Um dia, Kollreuter – não sei se já ouviram falar – foi esse cara que trouxe essa coisa toda pra cá. Embora eu tivesse estudado principalmente com gente ligada à música nacionalista, “camarguista”, Olivier Toni e Claudio Santoro, com quem trabalhei em composição, orquestração, essas coisas. Fiz também um conservatório aqui, chamado Villa-Lobos. O Conservatório Villa-Lobos foi a minha formação em violoncelo, com as matérias complementares. Mas, aí, eu já tocava muita música popular, já estava familiarizado com essa coisa, e foi quando comecei a fazer esses arranjos aí, para a VS e a Penta. Tinha dois selos.

Alberto Pavão diz em seu livro que você assinou Rudá, no arranjo de Vigésimo Andar, para não ser cúmplice de um rock… Como é que é essa história?

Rudá é o nome do meu filho. Eu tinha um pouquinho assim de prurido erudito, de aparecer como compositor, porque eu era compositor de música de vanguarda, junto com – não sei se você sabe – as ligações que nós tivemos foi com os poetas concretos, Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos e outros. Fizemos festivais de música erudita, música de vanguarda e tal. Eles tinham uma revista importante – não lembro o nome -, uma revista a que a gente também comparecia, escrevendo artigos. Fizemos um grande manifesto, etc. Mas aí foi na volta, exatamente, na volta desse trabalho em que fui lá, “mamar” nas tetas culturais, é que a gente viu lá os “cagistas”, aqueles caras ligados ao John Cage (músico concrestista americano). E descobrimos, então, toda uma fatia de produção ligada ao acaso, ao happening, essa coisa, e começamos a fazer isso aqui. Eu, o Júlio Medaglia, o Damiano Cozzela, o pessoal que assinou aquele tal manifesto. Esse manifesto dizia exatamente isto: “chega desse negócio de coisinha da música erudita enfiada só dentro do teatro, pra meia dúzia de milionários e tal. A gente tem é que sair para a rua, fazer música na rua com os meios que houver; se forem bons ou maus, isso é outra coisa. Mas fazer o que for possível”. E aí que me aproximei deliberadamente da música popular. E é claro, nós somos do tempo em que a gente dançava os roquinhos, eu tinha 14 anos, eu já conhecia a minha mulher, nós dançávamos bem pra burro; íamos a todos os bailecos e dançávamos tudo – bolero, rock, samba, o que pintasse, e Gonzagão, que o Gil faz agora um show… Eu tocava todas as músicas do Caymmi, especificamente do Caymmi e do Gonzagão, acompanhado de violão.

Mas a aproximação em relação ao rock foi por motivo financeiro?

É… não só; também, é claro, eu já disse aqui… mas também porque a gente quis eliminar as fronteiras. Não deixando que se falasse que isto aqui é música erudita, isso aqui é música popular. Acabar com isso; a gente cantava e dançava tango, qualquer coisa. Então, todas as coisas estão aí, que são para a gente fazer mesmo. Nesse caso, nessa primeira fase aí, de arranjador, tinha um cara interessante que se chamava Edmar Aires Abreu – não sei se vocês ouviram falar. Ele era uma espécie de diretor de artístico nesses selos. Uma coisa grandiloqüente… quase sinfônica, mas com temas… Foi assim que começou. E ali, depois disso, eu não parei mais. Aí, vêm os prêmios, um prêmio aqui, outro ali, um faz uma badalação, outro faz outra. O povo brasileiro é o rei de jogar para o alto as coisas: é o maior do mundo, é o melhor do mundo, aquelas coisas; adoram dizer que em tudo são o melhor do mundo. Não é nada. Era uma bosta igual às outras. Nada disso. Todo esse trabalho ainda era uma coisa incipiente; a gente ainda não tinha descoberto o grande filão do pós-rock. Isso aqui é 1960.

Como foi que vocês descobriram esse filão?

Isso aí foi mais ou menos na era dos festivais, um pouquinho antes nós começamos a ouvir Beatles. Depois, fui para Brasília e aí a gente já estava ouvindo muitos os Beatles; começaram a aparecer os discos em fins de 64, 65. E lá fizemos alguns concertos muito interessantes. Uma das razões de os milicos terem invadido, era que eles achavam que aquilo era subversão, era música feita com aparelhos eletrodomésticos, leitura do jornal do dia… O coro era assim: todo mundo tinha o jornal do dia e, aí, a gente indicava entre nós um que era o maestro e, então, ele dava a dica. E o cara lia o que tinha na frente. Quando ele chamava uma dica, todo mundo lia, “tuque”, o que tinha na frente. Era uma balbúrdia total. E outra coisa: ninguém sabia quem era professor, quem era aluno, o que fazia parte também da nossa jogada e não era tão subversivo assim. A gente estava voltado para o mundo e os caras eram uns “caretas”. Não é só porque eles eram fascistas – eram caretas, filhos da puta mesmo. Aí começar a interferir cada dia mais, e nós todos, 200 professores, pedimos demissão e fomos embora.

Você, então, estava entre os 200…

O Cozzela também, o Cláudio Santoro...

Os Beatles são os elementos de ligação com essa mudança, dessa sua aproximação com o rock, é isso?

É, não só os Beatles, mas a também outros grupos. Em 62/63, eu vi os filmes dos Beatles na Europa.

Você travou contato mais próximo com os Mutantes na preparação do arranjo de “Domingo no Parque”. Mas, antes disso, já tinha trabalhado com O’Seis?

Vou contar uma historinha, como foi a coisa: quando nós voltamos a Brasília, nós começamos a pesquisar esses caras, esses grupinhos que já eram Jovem Guarda. Tinha, então, o Solano Ribeiro, que é produtor até hoje, está produzindo agora esse novo festival da Globo. Solano Ribeiro, com o jornalista Chico de Assis também, e outro cara que virou cronista esportivo, Alberto Helena Júnior…

Foi ele – Alberto Jr. – que deu o nome de “Mutantes”, que batizou os Mutantes?
  Não sei.
  Na biografia dos Mutantes…

Não sei. Acho que não é verdadeira essa informação… Pra nós foi ele quem achou Os Mutantes. Ele que andava querendo achar os Mutantes.

Ele que achou os Mutantes? O’Seis?

Ele que achou, porque ele começou… A gente insistiu: vamos ficar atrás desses grupinhos que fazem a Jovem Guarda, porque é o que tem de rock aqui, goste ou não goste, é isso o que tem. Então, muitos eram fraquinhos, mas tinha um cara aqui também… Albert…

Albert Pavão?

É, Albert, que era…

Irmão da Meire Pavão…

É .. Pavão (entusiasmado)!! A Meire!! A Meire era a irmã dele, o pai deles… era...?

Theotônio Pavão.

Ah, isso mesmo… Exatamente… Eu fiz nesse selo aí o “Vigésimo Andar”… E tinha outros roqueirinhos também… O Helena nos levava. Olhe, tem um grupo na Bela Vista; a gente ia ver, é bonzinhos, quem sabe, e tal. Mas sei que quando chegamos lá, tinham Os Mutantes lá; quer dizer, quebrou a nossa cara, porque eles estavam fazendo os Beatles igualzinho os Beatles. Faziam Beatles perfeito. E já tinham já suas músicas, faziam suas músicas. E aconteceu que, então, nesse ano de 67, o Júlio Medaglia, que estava lá no júri de seleção da Record, aí por acaso, ele, conversando com o Gil, ele viu que o Gil estava meio malcontente, não estava satisfeito de fazer só com orquestra; como todo mundo fazia aquele negócio de festival; ele queria botar pra quebrar também. Ele e Caetano já estava pensando que tinha que chegar à música pop. Era a última palavra, aquela coisa que estava misturando, comportamento diferente, não mais só musiquinha. Então, o Gil, conversando com o Júlio, perguntou quem ele achava que podia ajudar no arranjo de “Domingo do Parque”. E ele me apresentou ao Gil. Aí, Gil disse: “veja, o que você quer fazer?” “Eu acho que o negócio é partir para o pau mesmo, botar rock, misturar com essa coisa baiana de vocês, e mandar o pau”. E ele: “Está bom, você conhece alguém?”. E eu disse: “eu vou trazer as únicas pessoas que servem pra você… Dá um tempo, um dia ou dois…”. Então, peguei Os Mutantes, porque eu já estava “mamado” neles, porque eles eram um grupo de uma pureza sensacional, aquela coisa das primeiras músicas deles. Nenhum deles, nenhum desses grupos tinham aquela ingenuidade gostosa, agradável, aquela encenações que a Rita já fazia, e eles também, os meninos…

Tinha um elemento nos Mutantes que era um elemento de subversão também…

Ah, sim! Não tinha nada disso… Ao contrário, eram antinacionalistas.

Engraçado você falar dessa aproximação que teve com o Gil, porque eu acho assim, que, pela observação histórica, sem os Mutantes e sem a sua presença, o tropicalismo não teria esse grau de…

Talvez não tivesse essa cara que teve…

Há um elemento de subversão, essa coisa de romper mesmo…

O grupo, que fez “Alegria, Alegria” com o Caetano, também era bom. Mas era frio, não era quente, era frio… Era argentino… Então, eles tinham assim, eles faziam, tocavam bem, mas não tinha essa coisa inexplicável que Os Mutantes tinham. Essa grandiosidade… ingênua, espontânea, tudo isso.

E quando vocês começaram a tratar a tropicália como movimento, tanto a tua influência, quando a dos Mutantes foi definitiva para dar esse caráter mais de subversão artística?

A influência foi total, dos Mutantes, porque eles (Gil e Caetano) passaram a fazer espetáculos com os Mutantes. Daí para a frente, depois, os festivais para a frente, todos eles são mais…

E a sua influência deu uma espécie de respaldo erudito; se um maestro não estivesse no meio…

Não, todo mundo conhecia; no fim de 67, todos conheciam aquele disco Sgt. Pepper’s e é claro que, quando viram os meus arranjos, disseram “é esse cara aí”. Porque eu não era melhor nem pior do que os outros!

Por ser um maestro erudito, exterior, essa coisa toda, não dava um certo aval? Uma credibilidade, uma sustentação ao movimento?

Não sei, mas foi a união da fome com a vontade de comer. Estávamos todos a fim disso aí. Não é que eu fiquei dando aula para eles; ao contrário, eu que aprendi pra burro com os Mutantes, com o Gil, com o Caetano, com todo mundo, como fazer uma coisa, que pode ser ao mesmo tempo com uma certa correção, com uma correção que a gente já conhecia, de músicos, e fazer isso, de uma coisa popular e avançada, uma coisa na frente dos Beatles.

Tem uma história de que, antes disso, você teria trabalhado com O’Seis, o pré-Mutantes; um projeto de música, com Solano Ribeiro, pra fundir música sertaneja com rock?

Aí, sim, mas isso era o Chico de Assis que forçava mais a barra. Eu também achava que podia, porque estava crescendo essa faixa sertaneja. Só veio a explodir bem mais recentemente, só há poucos anos que explodiu, pra valer, esse pé no saco que agora você não consegue ouvir outra coisa…

O rock rural depois, que contou com os seus arranjos, por exemplo, em Terço, Bendegó, não seria um desdobramento dessa idéia original?

É, a mistura veio. Com Alceu Valença, (Geraldo) Azevedo. Fiz um disco inteiro com Alceu Valença e Azevedo. Era uma dupla, você sabe. Fiz um LP inteiro. Mas também fiz com João Bosco. Enfim… Não é que eu só queria ver rock daí para a frente, não é. Tanto que chegou uma hora em que eu não agüentava mais ver rock, isso sim… Quando passou mais dois ou três anos e o pessoal todo repetindo a mesma coisa, me encheu o saco e comecei a puxar o carro. Fui fazer mais tarde alguma coisa com o Terço, com Sá, Rodrix & Guarabyra.

Com o Bendegó…

Enfim, ao que me dediquei e com mais força foi nesses dois anos – 67 e 68 – de aproveitar aquela… Era um material humano reunido… E que os milicos fuderam, prendendo os caras, no fim de 68. Eu viajei com os Mutantes para fazer uma música só deles, naquele festival da França… lá de Cannes; era D. Quixote. Eles foram defender lá e eu fui com eles e orquestra. Quando nós voltamos, o Caetano estava preso, estava todo mundo apavorado, e nós, na rua, porque o pessoal da Philips… , enfim, passava aqui, nós fedíamos, tínhamos fedor subversivo. Então, não valia a pena ficarem muito ligados a nós, aquela sujeira… Então, todo mundo aí começou a fugir. No fim de 68 para 69, aí foi terrível – acabaram, proibiram, não podíamos mais fazer teatro.

Foi o AI-5.

Já estava armado um esquema muito bom com o Guilherme Araújo. Esse cara era um puta cara, um cara com uma belíssima cabeça…

Como é que era a coisa do estúdio? Por que vocês produziram verdadeiras loucuras que só os Beatles eram capazes disso. Você fala com entusiasmo muito grande dos Mutantes. Eu queria que você falasse como começou o teu namoro com os Mutantes que, para mim, é um dos períodos mais férteis da música brasileira? A partir daí como é que você descobriu que aquele grupinho que imitava os Beatles direitinho podia…

Pensava-se que esse grupo tivesse algumas ligações com a TV e tal. Houve um festival, onde apareceu o Milton Nascimento, na atual TV Canal 9, antes de aparecer esse festival da Record, que é onde apareceu Caetano, Gil. Esse outro festival foi bem badalado, era TV Excelsior (Canal 9). Ela tinha tentado ser uma TV de alto repertório, só dedicada às coisas culturais. Eu também atuei nesse tempo, um ano antes, ou dois anos antes. Mas aí, de repente, descobriram que o negócio era festival de música popular. O Milton Nascimento foi uma pessoa que apareceu em São Paulo, nesse festival. A idéia que se tinha era fazer uma espécie de programa dos melhores roqueiros. Havia outros grupos, eu não me lembro agora, mas sei… Depois de conhecer os Beatles, os Mutantes, era difícil ficar trabalhando com outros mais primitivos, porque eles eram avançados em certas áreas, eles tinham a mãe pianista, pianista erudita, fazia concertos, cheguei a tocar com ela…

E um dos irmãos fazia os instrumentos, o Cláudio César…

O irmão, era um espetáculo esse cara… Isso ajudava muito, porque não precisava ficar esperando vir a guitarra dos Estados Unidos; ele fazia, quando tinham alguma idéia, ele faziam imediatamente lá, um trocinho deste tamanho (mostrando o gravador), que…

Mas quando começou essa descoberta de que os Mutantes eram mais do que um simples grupo de rock prefeito, que podia ser maior do que os Beatles?

Era um time pesquisador. Eles estavam permanentemente… Depois, eram muito atentos a todas as coisas. Aquelas brincadeiras da Rita eram coisas que os americanos andavam fazendo, aquela coisa de simular certa ingenuidade, fingir que é bobo, aquelas coisas, e só eles sabendo que aquilo era gozação. Então, isso aí foi se desenvolvendo, eles acabavam fazendo disso um retrato, a cara do grupo era isso. Tinha um negócio de tocar instrumento raro, uma harpinha. Enfim, eu só podia cair de amores por eles, não tem outro, era o maior grupo que o país tinha dado até ali.

Como era essa coisa de estúdio, vocês produziam coisas fantásticas que nem os Beatles faziam…

Nós tínhamos essa história, que você já sabe, de misturar todas essas músicas, todos os tipos de música, e eu em especial tinha uma predileção por gozar a música, fazer gozação, algumas pornográficas, por exemplo, na música – não é uma música, é uma peça do Caetano… esqueci a palavra – como é o nome?

“Épico”?

Foi aquele que diz que foi na Bahia, quando eles estavam confinados lá…

“Acrilírico”.

“Acrílírico”! Ele acabou me dando a parceria. E o Gil também tocou na parceria; de um Gil com dois Rogérios, o Rogério Duarte. No “Acrílirico” tem vários sons feitos num estúdio. Um deles, um desses sons é um peido meu (risos). Fiz questão absoluta de entrar no estúdio – e o Fritz era um operador, também entrou na gozação, um ótimo operador. Aí eu dizia, “dá um tempo”, fique atento aí. Um dia eu vou contar para todo mundo qual é o lugar em que tá esse peido, eu tenho que localizar de novo, mas tá lá. Isso fazia parte do nível de gozação que a gente estava disposto a assumir.

E a história do LP A Banda Tropicalista do Duprat…

É, eu não gosto muito daquilo. Na verdade, eles forçaram muito. Para começar, aquela foto… O pai do Edu Lobo era produtor – já falecido, Deus o tenha em bom lugar – mas eles não entendiam as coisas. Dentro da gravadora, eles não entendiam bem as coisas. Então, forçaram a barra, me fizeram subir em cima da mesa para bater fotografia… Coisa tão boba, ingênua, cretina, mas enfim, acabei fazendo porque queria fazer o disco, tem umas coisas que eu gosto. Mas ele sofreu um pouco do efeito desse negócio do repertório, de me forçarem um pouco algum repertório da música internacional, que era um pouquinho mais comercializada. Mas agora, sei lá, eu teria…

Quem é o autor da capa do LP A Banda Tropicalista do Duprat?

Não sei.

Porque essa capa é a primeira a satirizar o Sgt. Pepper’s dos Beatles…

Eu não sei quem fez esse trabalho. Eu lembro que eu não interferi na escolha. Eu disse: não é meu problema, manda fazer. Quem acha que sabe fazer… Não sei. Uma hora vou perguntar pro Manuel Barenbein… Outro cara espetacular, o Mané Barenbein. Foi sorte nós termos esse cara. Já era da Polygram, Phillips… Ele é um cara que deu a maior cobertura. Defendia a todos nós perante a direção da gravadora, porque não era fácil, com o francesão que tinha lá, que só queria botar besteira, não é?

Em As Amorosas, têm duas músicas com os Mutantes, que também participam do filme? Isso foi lançado na época, um lp da trilha? Existe master disso?

Não! Foi feito só pro filme.

Só para o filme?

É, eles aparecem no filme.

O Peticov (Antonio) também aparece no filme, no papel de um hippie.

É num boteco… É um pouco forçado aquele boteco…

Quando tu entrou nessas histórias de música pop, tu rompeu com teus colegas eruditos?

Alguns. A maioria não. Eu continuei a fazer, trilhas de filmes, essas coisas… Agora, quando eu voltei para Brasília, já não voltei para a Orquestra Sinfônica mais. Porque eu já havia experimentado uma vida independente daquilo. Eu não quis mais tocar na Sinfônica. Voltei e pedi demissão, eu havia pedido licença antes; voltei e pedi demissão, não quis mais tocar na Sinfônica. Não que eu tenha sofrido alguma restrição profissional por causa disso, acho que não. Ao contrário, os músicos que continuaram a gravar comigo, músicos eruditos.

Mas não era uma coisa meio contraditória, assim, tipo… Com os Mutantes tu fazia gozações com música erudita e, depois, tu gravava música erudita de verdade não era uma coisa meio contraditória?

Eu não tinha… uma das coisas que eu fiz nesse selo ainda é fazer tudo isso em bossa nova. Não sei se você chegou a ver, tocava clássicos em bossa nova… . Soltaram até com dois títulos, acho que eles tinham dois selos para isso, para jogar uma parte aqui outra lá… Penta e o outro VS, era o mesmo disco, a mesma mistura, ela saiu com o nome de “Clássicos em Bossa Nova” num deles e, no outro, com outro nome. Mas eu vinha fazendo isso… e eles gravavam comigo…

Quando viste os Mutantes, te apaixonaste por eles. E eles, se apaixonaram por ti…?

Acho que sim. Pergunta pra eles. Precisava ver a festa que a Rita Lee fez há pouco tempo. Ela me pediu uma faixa, o “Gosto do Azedo” e, aí, na gravação pela MTV lá no Rio, ela insistiu que eu fosse; fez a MTV, obrigou a MTV a pagar, minha mulher foi junto e, puxa!, na hora que ela tocou o troço, a festa que ela fez. Ela é tão minha amiga quanto eu dela. Ela fez uma puta festa, sobre o meu arranjo, lá na gravação. Foi um teatro lá.

Essa admiração era recíproca?

É. O Arnaldo também, mesmo depois. Vocês souberam que ele teve um problema de saúde, seríssimo, ele pirou um pouco, mas foi internado num hospital, que deixaram janela aberta. Onde é que já se viu? Um hospital que tem um departamento dedicado a doenças mentais, deixam uma puta de uma janela aberta, o cara pode se atirar…

Você tem contato com o Arnaldo hoje?

Ultimamente, pouco. Mas ele foi muito à minha casa lá em Itapecerica. Ele mora num sítio. Ele mora em Juiz de Fora, Minas Gerais. A mulher dele também é muito conhecida nossa, conhecida de outras coisas. Mas não é tão fácil a gente se encontrar. Agora, com o Serginho, perdi um pouco de contato porque ele viaja para caralho, virou jazzman também. A vida do Serginho é na ponta dos dedos.

Você consegue fazer um retrato de cada um dos Mutantes, dentro do estúdio, qual era o papel de cada um deles, o Arnaldo fazia isso, a Rita fazia aquilo, o Sérgio entrava com… Eles eram grandes instrumentistas?

O grande músico, inventor mesmo, criador era o Arnaldo, sem dúvida. Agora, charme, essas coisas eram com a Rita, e o Serginho era mais coisas técnicas, ele não sabia música, por exemplo, do ponto de vista de música erudita, mas com guitarra ele tocava qualquer coisa, até fazia brincadeiras. E o Arnaldo era mais universalista, um cara mais John Lennon… por sinal, saiu uma coisa sobre o John Lennon… eu não acredito… você viu?

Que ele fazia sexo com a mãe dele… Inclusive a matéria que saiu antes, há um mês, é que ele financiava o IRA. Então, acho que é uma campanha…

É foi a primeira coisa que pensei; aí tem treta; coisa editorial… parece que têm coisas inéditas. Há pouco tempo também, a japonesa lá… ela teria material inédito para soltar…

Quando os Beatles acabaram, tu não estavas mais no rock? Tu já tava de saco cheio do rock?

Acho que já estava, sim.

Aquela história que tu disse aqui, aquela coisa que ficaste dois, três anos no rock?

Eu não lembro as datas.

Você falou do fato de o Arnaldo ter pirado no meio dos anos 70. Eu queria pegar esse gancho para falar de outra coisa. Eu queria saber como era a relação dos tropicalistas e, especificamente, dos Mutantes com drogas, e como isso se refletia na música, como era. E no estúdio? E a tua própria experiência também…

Todo mundo consumia um pouco. Mas, eu, por exemplo, nunca fui às drogas pesadas, não cheguei… Acho que também Caetano e Gil, não. O Arnaldo, um pouco; a Rita, uma ou outra experiência, talvez. Mas, maconha rolou pra todo lado. Quase igual ao tabaco… Toda essa área aí… maconha…

Quando você fala drogas pesada, o que é? Ácido? LSD?

Ácido, eu não ataquei, eu não tive coragem. Eu já tinha várias notícias, eu não estava afim de pirar clinicamente.

E como funcionava a relação com as drogas musicalmente? Porque, nos Beatles, o espelho, o parâmetro com os Mutantes, tinha uma lei assim de que nos estúdios não se usa droga porque atrapalha…

Eu nunca usei para facilitar êxtases, essas coisas… na minha presença, frente à música, ao trabalho, procurei estar sempre careta, sempre bem careta, para ver as coisas que estavam acontecendo. Eu recomendava a eles; várias vezes falei “tudo bem, não tenho nenhum preconceito, façam tudo o que quiser, mas esse negócio de chegar ao estúdio, encher a cara de todas as coisas e chegar lá e ficar duro no chão…

Mas acontecia essa coisa com os Mutantes?

Não. Eu acho que eles não… Na hora em que eles iam trabalhar, acho que não; talvez em shows. Mas em gravações não; em gravações, eles estavam sempre caretas também, porque não dá certo, não combina…

No começo do rock, tu estavas presente. Na Tropicália, mais ainda; na “pré-invasão nordestina”, que foi o primeiro disco gravado pelo Geraldo Azevedo e o Alceu Valença, em 72, lá estava o Duprat. Como é que tu explicas isso?

Você conhece o Brasil. Até hoje, é assim; aparece um cara que faz uma coisa diferente, todo mundo vai levantar o cara… Com a mesma facilidade, tira a mão dele e vai ver ele cair. Então, era isso, todo mundo achava que tinha uma fórmula secreta qualquer. E não tinha nada disso. Eu sempre achei que podia ajudar todo mundo, com a minha experiência.

Mas você tinha consciência disso, que você estava sendo a moda da vez, que já, já eles iam largar…

É esse negócio da moda, para mim, tem isso; o Brasil tem isso, os Estados Unidos também têm; é esse negócio da obsolecência programada…

Em 63, você e o Cozzela fizeram experiência ou gravaram com um IBM 1620, com cartão de perfurar e tal… Como foi isso naquela época? Como é que tu vê agora essa coisa da música eletrônica?

Era uma coisa primitiva porque o computador com que fomos trabalhar tomava três salas dessas daqui… Era verdade. Fora a impressora, que tomava outra sala.

O computador era de quem? De um banco, de um órgão?

Era da Escola Politécnica, da USP.

Com o pessoal viu na época o uso pouco ortodoxo do computador? Esse uso artístico do computador?

Ah sim, mil gozações. Não tinha alma, cadê a alma? Aquela coisa dos italianos, que gostam de ópera, da grande alma. A resposta foi sempre essa… Ih, esses caras estão loucos…

Hoje, a música eletrônica também tem essas barreiras aí. “Essa música aí é feita com botãozinho, isso não é música”…

Isso aconteceu com a guitarra. Todos os puristas da música brasileira…

Teve até passeata contra a guitarra, com Elis Regina, Edu Lobo, Vandré… A MPB mais tradicional organizou uma passeata contra a guitarra elétrica…

Foi a mesma coisa, o que aconteceu com o pessoal da música erudita em relação à música atonal em geral. Foi a mesma coisa que aconteceu também com os caras da MPB, que jamais nos perdoaram. Eu não tenho nada contra esses caras, mas o fato é que o próprio Chico queria distância, não se comprometia, não queria nada com a gente.

Mas em 72 você fez um arranjo de “Construção” e “Deus lhe pague”?

Eu estava no Rio e ele estava fazendo um show no Canecão. Alguém lá nos pôs em contato com alguém da gravadora, talvez, fosse o próprio Barembein, não tenho certeza. Eu estava no Rio fazendo outra coisa, gravando outro disco, não sei o que era. Aí, veio alguém, eu já tinha ouvido a música “Construção”, não sei se em show. Interessante, é uma brincadeira com proparoxítonas. Então, na hora que me mandaram avisar, eu fui direto lá, dizendo que ele queria, que ele estava me chamando. Eu fui direto lá, fui ouvir, estavam ensaiando no Canecão aí, tudo bem; eu ouvi e pedi, então “me arrumem uma fita, eu vou trabalhar”. Tinham pressa. Tinha o negócio de pressa, já estavam começando a gravação. Aí, eu fui para a casa do meu irmão que morava no Rio e escrevi a coisa, porque eu não podia ficar no Rio, tinha que voltar para São Paulo, e deixei na mão do Barembein, ou de alguém lá.

Mas foi de um dia para outro?

De um dia para outro. A parte dele estava pronta, com MPB4. Mas também foi a única coisa que eu fiz com o Chico. Depois, ele viajou também… Foi pra Itália. Perdi o contato.

Vocês falaram nesse negócio tipo rock estava o Duprat, “Tropicalismo” – estava o Duprat, começou a “Invasão Nordestina” – estava o Duprat. Mas, de repente, Duprat saiu da discussão… Na década de 80… , o Duprat deixou de ser moda?

O problema maior aconteceu com aquela coisa do inferno, em 69, depois do AI-5. Nós todos ficamos na rua, de cueca com as mãos no bolso… Os baianos foram proibidos de voltar, tiveram de ficar confinados.

Você sofreu alguma sanção política?

Direta, não. Só mais tarde, quando tiveram no júri, lá da Globo, com aqueles caras nos pegando pelo cu das calças.

Essa é uma história que foi desenterrada agora, com aquele vídeo, aquele documentário do Walter Franco. Houve uma ingerência militar para o “Cabeça” não ganhar…

A impressão que eu tive, e o Décio, que estava lá, também tinha essa impressão, aliás, até conversamos sobre isso há poucos dias – mas o Solano continua insistindo que não, que foi só política o negócio. Eles cismaram que a Nara Leão não podia ser presidente de júri nenhum neste planeta fascista, que era o Brasil naquele tempo. Talvez existisse as duas coisas, na verdade. Acho uma besteira discutir isso agora, trinta anos depois… Em todo caso, eu continuo achando que foi mais comercial da Globo, porque eles traziam aqueles cantores daqueles países… Têm países, lá, do tamanho deste apartamento, que é um país.

Você trabalhou com Walter Franco. Eu queria que tu falasses um pouco do teu contato com Walter Franco e analisasse a obra dele. Ele tem também esse trabalho de estar voltado mais para a vanguarda do que para a música popular.

É e não, quer dizer, sei lá. O Walter Franco é um um cara multimídia também, um cara que atacou várias áreas, vários tipos de coisas; a gente foi se encontrar, eu produzi o disco dele, o disco dele que tem na cabeça o poderoso Pica-pau. Sabe quem é o Pica-Pau, o Walter Silva (o Pica-Pau); ele tinha programa de rádio, mexeu com a bossa nova… Quem ia produzir o disco do Walter Franco era o Pica-Pau. Quando ele conheceu o repertório e conheceu melhor o Walter Franco, que é uma cabeça formidável, tem uma idéia a cada segundo, é impressionante o Walter Franco… aí, pulou fora. Aí passou para mim, porque ele achou que eu ia ter melhor trânsito, e de fato tive, nós nos entendemos maravilhosamente, o disco foi uma beleza.

É o da mosca – “Ou Não”?

É. É um disco todinho… , não lembro a data, mas… Depois disso, a partir – só para completar esse papo aí – foi uma coisa muito grave; todos ficaram na rua, desmanchou a todos, os Mutantes e os baianos estavam fazendo show juntos, no Canecão, no Rio, e na Boite Sucata, que era do Ricardo Amaral. E ali esquentou a coisa, porque começaram a pegar uns motes mais políticos “seja herói, seja marginal”.

Hélio Oiticica…

Enfim, teve um major que um dia foi lá ver um show, quebrou o pau, foi lá com a Polícia Federal e dedou, entregou. Essa foi a razão. Isso no fim de 68… Isso que gerou a prisão deles.

Talvez seja por isso que os Mutantes tenham partido, depois da saída da Rita, para uma coisa mais progressiva, mais apolítica?

A gente nunca deixou de ser cagista. O Cage era nosso grande modelo. Cage e, enfim, os americanos que tinha por lá. Eu tinha conhecido o Frank Zappa, lá na Alemanha; ele era cagista.

Em que época?

Em 62. Ele não era… Nós nos conhecemos assim. Eu estava com o Gilberto Mendes, o Billy Correa de Oliveira, inclusive eles… ; outros caras, outros brasileiros… Cozzela tinha ido no ano anterior. Os americanos é que estavam fazendo, então, a grande farra na música erudita, fazendo já gozação com os grandes ídolos da música serial. O serialismo era o contrário, era a coisa toda superestruturada, tudo estruturado, tudo amarrado. Eu tenha uma composição que se chama “Organismo”, que vai ser gravada provavelmente nos próximos meses. Era nesse tipo aí, bouleziana, tudo era seriado, estruturação dos sons, a reunião dos sons, a reunião dos grupos, o jeito de cantar, porque também tinha canto. E, aí, o Zappa passou lá e botou, jogou merda no ventilador. O Zappa e outros amigos deles. Ninguém conhecia o Frank Zappa, ele não fazia, não tinha formado os Mothers of Invention, uma coisa caralhal… Não sei se já se já chegaram a ouvir… espetacular. Mas ele estava prestes a fazer isso, mais tarde, às… . Quando nós chegamos, mais tarde, em 69, que eu fui vê-lo em Nova York, já era 69. Enfim, essa geração, aí, que está hoje beirando os 70 anos, como eu, 68 anos, é que fez essa mistura toda. Então, tudo virou uma coisa só. Não tem esse negócio que tem música erudita, tem música popular; não sei o que, é som aí.

Mas também uma quebra de barreiras entre diversos gêneros da própria música popular?

É, esse pessoal, Cozzela, o Júlio Medaglia mesmo, mas fora do Brasil, muita gente fez essa fusão geral de todas as músicas. Não precisa mais da rótulo; tira esses rótulos daí, até jazz e sambão, por que não? Qualquer coisa.

Mutantes vêm depois do Beatles?

Como assim?

Na sua hierarquia, Beatles e, depois, Mutantes?

Ah, é outra coisa; têm coisas que os Beatles não saberiam fazer. “Panis et Circenses”, por exemplo, nós fizemos um happening naquela música. Você pensa que os Beatles fizeram alguma vez? Nenhuma peça dos Beatles era uma coisa assim avançada. Não quero denegrir os Beatles, espetaculares e tal. Mas esses caras estavam na frente.

Já havia essa consciência de ser melhores que os Beatles? Você sabia que os Mutantes eram melhores do que os Beatles?

Eu, pelo menos, sabia (risos). Eu sabia que os Mutantes eram melhores que os Beatles.

O inglês é muito escolar, muito comportado mesmo quando quer ser mais gozado, eles são muito certinhos. Brasileiro já é mais moleque… com um maestro maluco…

É aquela coisa de valer tudo. Você se lembra, tem momento em que a música pára lá, fica só ruído de pratos, “passa a salada aí!”… Isso aí é claro que tinha a ver com o happening que a gente fazia…

E a história de citar Marighella em uma das músicas de Gil, se não me engano?

Eu fiz umas coisas, essa coisa com o Gil e com o Caetano, que era usar emissão de rádio, noticiário do rádio. Mas eu punha em rotações diferentes, que era para ninguém ficar reclamando; os milicos não virem reclamar. Então, teve gente que andou decodificando aquilo lá.

“Ando Meio Desligado”, dos Mutantes, tem uma versão normal do disco; mas existe uma segunda versão ao vivo, e uma outra em que, ao invés de ter sonoridade de órgão meio distorcida e tal, tem barulho de metralhadora, tiros. De quem foi a idéia?

Não me lembro disso…

E “Chão de Estrelas”? Lembra como fizeram no estúdio?

Não, mas eu sei que a gente agia muito coletivamente, é coisa que eu dava a idéia e, depois, eles faziam, e vice-versa.

O Cláudio tinha também grande participação nisso?

Mas na feitura, nos instrumentos…

Você trabalhou com o Lanny Gordin. Como ele era?

Um prazer. É meio jazzista, um cara meio jazzista. Mas um grande músico. No disco da Gal Costa, que eu fiz inteirinho, em todas as faixas o Lanny está, eu nem lembro qual é o disco… O Lanny inventava pacas também. Ele não lia música, mas lia cifras, acordes. Só que ele lia e acrescentava umas 400 notas naquilo que estava escrito. Ele era espetacular.

Olhando uma enciclopédia, que deve ser a mais conhecida, no seu verbete, “en passant”, tem uma referência a tua participação no movimento tropicalista, e o resto é o teu lado erudito. Como é que você vê isso? De não haver o resgate desse teu lado mais intenso, esse lado sobre o qual conversamos aqui…

… Em uma enciclopédia, advinha o que o cara queria botar? Só quer botar coisas enciclopeidais (risos).


/Trilhas Sonoras


No Maranhão, o segundo Museu do Reggae do mundo


da Redação

A cidade São Luís, capital do Maranhão, conta com o primeiro museu do Reggae fora da Jamaica. O espaço, de 397 metros quadrados, conta a trajetória do gênero musical no estado e já pode ser incluído no roteiro de quem visitar a capital do Maranhão em qualquer época do ano. O museu está localizado Praça do Reggae, tradicional espaço de radiola de reggae na capital, abrigando o acervo, material e imaterial, sobre o reggae maranhense.

O museu também contará com parceria da Secretaria de Cultura e Turismo do Maranhão com museus jamaicanos, o que enriquecerá o espaço. Os acordos com museus e casas de cultura públicas e privadas de Kingston, como o Museu Bob Marley, o Museu Peter Tosh e o Museu da Música da Jamaica vão permitir empréstimos de material para exposições temporárias em São Luís. A primeira delas, ainda sem data definida, deverá reunir parte do acervo do Museu Bob Marley no novo espaço cultural.



A partir de experiência editorial do portal Senhor F, a produtora Senhor F aposta em parcerias para desenvolver o projeto "Trilhas Sonoras - Turismo musical na América Latina",, valorizando a união do turismo com a música. Batizado de "Trilhas Sonoras - Turismo musical na América Latina". O projeto inclui mais de 50 pontos no Brasil e nos demais países latinos, entre eles a Praça do Reggae e, agora, o museu.






 


/#Lambada40Anos


Manezinho do Sax, quebrando tudo


por Fernando Rosa

Manoel Monteiro Tavares, conhecido como Manezinho do Sax, é um dos saxofonistas mais importantes do Brasil. Natural do município de Cametá, terra do Mestre Cupijó, no interior do Pará, construiu sua carreira no Norte do país. Gravou quatro LPs na década de 80, entre 1985 e 1989, lançados pela gravadora Continental. Em 2010, lançou um CD pelo selo paraense Ná Music.

Em 1973, Manezinho do Sax mudou-se para a capital do estado, ingressando na banda da Polícia Militar do Pará, onde fez carreira no posto de Sargento Músico. Em Belém, participou do grupo Os Populares de Igarapé Miri, do guitarrista João Gonçalves, e da banda Warilou, de Manoel Cordeiro, e do grupo de carimbó Uirapuru, de Verequete. Também montou sua própria banda, a Big Show.



Nos anos dois mil, ganhou notoriedade ao participar do combo Metaleira da Amazônia, ao lado de Pantoja do Pará (sax) e Pipira do Trombone. Com o trio e também solo, foi um dos destaques do projeto Terruá Pará, em 2006 e 2012, que projetou a música paraense em eventos em São Paulo. Em 2004, participou do festival Um Sopro de Brasil, também na capital paulista.



Discografia (LPs)

- Manezinho do Sax - Quebrando tudo (Continental, 1985)
- Manezinho do Sax - Volume 2 (Continental, 1986)
- Manezinho do Sax - Volume 3 (Continental, 1987)
- Manezinho do Sax - Para Vigo me voy (Chantecler, 1989)

* Manezinho do Sax - Apimentado (Ná Music, 2010) (CD)



Vídeos

/Ao vivo


Tributo aos Guidis tem lançamento dia 28


No próximo dia 28, o tributo O MANUAL DE INSTRUÇÕES ganha às plataformas digitais. Parceria dos selos Senhor F Discos e Scatter Records (de Buenos Aires), o tributo reúne 21 artistas e bandas do Brasil e da Argentina. No vídeo, apresentação no festival Varadouro 2007, em Rio Branco (AC). 


/Videoclipe


Após 47 anos, versão inédita de Imagine é encontrada


Uma das músicas mais famosas do mundo, “Imagine”, de John Lennon, teve uma versão inédita encontrada por um engenheiro de som em meio aos arquivos da família Lennon. A demo já pode ser ouvida pelos fãs e será lançada junto a uma edição especial do disco Imagine: the Ultimate Collection, que será lançado no dia 5 de outubro. Após 47 anos do lançamento, a faixa tem apenas voz e piano e foi gravada por Lennon no quarto em que dividia com Yoko Ono na Inglaterra. Rob Stevens, o engenheiro que encontrou a música, contou à Rolling Stone EUA sobre a descoberta: “Era uma fita que não dizia nada no etiqueta, a não ser ‘John Lennon’, a data, o nome do engenheiro de som Phil McDonald e a palavra ‘demo’”, contou. “Não havia qualquer indicação do que era a gravação. Foi difícil transferir para o digital e, só então, percebi que se tratava de ‘Imagine’.” (RS Brasil)


/Ao vivo


Apokalipo, de Santiago do Chile


Um dos grupos revelação da música chilena, com seu pós-punk-rock com influências andinas e árabes.


/Documentário


A gênese e a difusão da cumbia na América Latina


Documental independiente colombiano sobre la propagación de la Cumbia por el continente grabado en varios países de América Latina.


/Videoclipe


Lovely Loosers em ótimo clipe


Clipe da banda Lovely Loosers, de Richmond, nos Estados Unidos, formada por um brasileiro, Thiva de Souza, violão e voz, e dois americanos.


Resenha



Projetos Especiais







El Mapa de Todos - 7ª edição

/Festival


El Mapa de Todos aprovado em edital da Sedac-RS


da Redação

O projeto para realização da oitava edição do festival El Mapa de Todos foi aprovado no edital #juntospelacultura_2", da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul. O El Mapa de Todos contava, desde sua segunda edição, com patrocínio da Petrobras, na condição de festival convidado. No final do ano passado, a Petrobras retirou o apoio aos festivais musicais, em especial os independentes. O festival ocorrerá ainda no segundo semestre em data a ser confirmada. 

Com apoio da SEDAC-RS, o principal festival brasileiro voltado para a integração latino-americana será realizado em 2008, mesmo que em condições mais modestas, segundo seus organizadores. O Festival El Mapa de Todos é realizado anualmente em Porto Alegre, desde sua segunda edição, em 2011. Nesse período, tornou-se a plataforma de conexão musical latina mais importante do Brasil, com reconhecimento em toda a América Latina.

O El Mapa de Todos é considerado um festival com a curadoria apurada, que contempla a história da música latina e, ao mesmo tempo, sintoniza a vanguarda da região. Pelo seu palco já passaram os principais artistas latinos da atualidade, como Bomba Estéreo e Los Pirañas (Colômbia), Bareto (Peru), Xoel López (Espanha), Gepe (Chile), Daniel Viglietti (Uruguai), Babasónicos (Argentina), Juan Cirerol (México), além dos brasileiros Francisco el hombre e Boogarins, entre outros.

“O festival El Mapa de Todos é conceitualmente muito importante para que a gente mantenha a cena local da América Latina viva. Para nós, foi um grande mérito fazer parte dele, pois conseguimos chegar ao Brasil com bastante força”, afirmou Gérman Cohen, do grupo argentino Onda Vaga, um dos destaques do festival em 2014, em entrevista ao jornal Correio do Povo, em outubro do ano passado.

Como resultado do festival, a circulação e o intercâmbio de artistas cresceu em grande escala, abrindo novos mercados para artistas latinos no Brasil e para brasileiros nos países vizinhos. Os gaúchos também ganharam com a plataforma, do que é melhor exemplo o grupo Yangos, de Caxias do Sul, que hoje leva a música gaúcha para o país e o exterior.

Ouça quem já tocou no festival:




/O FESTIVAL


Babasónicos, show memorável na 1ª edição do El Mapa de Todos


A banda Babasónicos realizou um dos shows mais inesquecíveis do festival El Mapa de Todos. Os argentinos apresentaram-se na primeira edição do festival, que ocorreu em Brasília, no Espaço Brasil Telecom. Como se estivem tocando para um ginásio lotado, o grupo levou o público presente literalmente ao delírio, como mostra o...


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/O FESTIVAL


El Mapa de Todos, conceito e qualidade em 2011


da Redação

“O que mais importa são as pessoas”, disse em um bom português Xoel López, músico da Galícia, Espanha, ao despedir-se do El Mapa de Todos, traduzindo o clima de integração musical, cultural e afetivo que marcou os três dias do festival, realizado nos dias 12, 13 e 14 na capital...


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/O FESTIVAL


Uruguaio Franny Glass conquista público gaúcho


O cantor e compositor uruguaio Franny Glass fez um dos shows mais aplaudidos do festival El Mapa de Todos. Com repertório baseado em seu terceiro disco, Podador Primaveral, ele conquistou o público gaúcho. Em vários momentos, o público ensaiou cantar junto as músicas.


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/O FESTIVAL


El Mapa de toda a América


por Paulo Finatto Jr. / Noize

No final de novembro, Porto Alegre sediou a quarta edição do festival El Mapa de Todos. Com o intuito de integrar a cena independente da América Latina, o evento levou para o palco do Opinião, pelo terceiro ano consecutivo, um apanhado do que surgiu de melhor nos últimos anos no Brasil e nos seus...


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/O FESTIVAL


Festival El Mapa de Todos, integrando a América Latina


da Redação

“En su quinta edición, El Mapa de Todos volvió a dejar claro en la ciudad brasileña de Porto Alegre que su apuesta por la integración no se detiene y es atrevida, reafirmándolo como un festival que celebra la diversidad sonora desde lo estético y reivindica el peso histórico de la...


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/O FESTIVAL


El Mapa de Todos no centro da integração


da Redação

Em sua sexta edição, o Festival El Mapa de Todos consolidou sua posição de vanguarda do processo de integração musical iberoamericana. Realizado pela Produtora Senhor F, com patrocínio-master da Petrobras, o festival confirmou seu papel de plataforma de intercâmbio regional. No palco, na...


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/O FESTIVAL


El Mapa De Todos: Latinoamérica se unió en Porto Alegre


por Claudio Kleiman

El Mapa de Todos, el festival que promueve la integración latinoamericana a través de la música, llegó a su 7ª edición, realizada en la ciudad gaúcha de Porto Alegre, capital de Rio Grande do Sul. En esta oportunidad, el lugar elegido fue el Theatro São Pedro, el más antiguo de la ciudad, un...


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Indie Brasil

/Noite


Superguidis, o coraçãozinho sobreviverá


por Fernando Rosa

Nunca me senti à vontade para dizer o que achava do Superguidis. Falei deles sobre as mais variadas abordagens e formas. Mas sempre fugindo de dizer exatamente o que pensava. Bem, acho que agora, passada  mais de uma década, posso falar. Sempre achei a melhor banda da sua geração. Em música, em poesia, em presença de palco. Muitas outras foram geniais, mas eles foram perfeitos. Em todos os discos, mas especialmente no primeiro.

O primeiro disco tem uma série de histórias que envolveram o seu lançamento. Os guris, imagino, tentaram outros selos, mas ninguém deu bola para eles. Não podia ser diferente com um grupo e um disco predestinados. Não fosse o selo Senhor F Discos, talvez seguissem isolados em Porto Alegre. Onde tinham um público fiel e apaixonado por eles. Mas a cidade, e o estado, ainda viviam aquele espírito de auto-suficiência regional. E eles não faziam "rock gaúcho".

Pois foi, talvez, esse conflito que afastou outros selos e os aproximou do selo Senhor F. Eles contrariavam a expectativa inicial e surpreendiam com uma nova música. Não eram de Porto Alegre, eram de Guaíba, e adoravam Guided By Voices, Pavement e Yo La Tengo. Ai deu a liga que resultou na união da banda com o selo. Por três discos e cerca de cinco anos, andaram juntos. Em shows por todo o país - Argentina e Uruguai, participação em festivais e eventos.

O disco de estréia, de fato, ou ganhava o cidadão de cara, ou não passava no teste. Segundo padrão ainda vigente, era "mal gravado", lofi demais. A fábrica rejeitou prensar por três vezes, alegando má qualidade. Foi preciso assinar um termo de responsabilidade pelo resultado final. Sim, o disco tinha sido gravado "em casa", e coisas tipo a bateria duplicada nos canais, para dar mais peso. Mas isso, para o selo, eram medalhas na defesa do disco, que afinal ganhou às ruas.

Foi o "melhor disco do ano" em quase todas as listas de 2006. Chegou aos ouvidos de Robert - Deus - Pollard, que achou massa. Críticos do país inteiro se renderam à obra, que agora já se pode chamar de clássica. A humildade e o senso de humor juvenil dos quatro Guidis ajudavam a difundir melodias e poesias. De Norte a Sul do Brasil, riffs, refrões, expressões, trechos de músicas foram se espalhando. Sem que ninguém deixasse de notar o quanto geniais eram aquelas duas guitarras - que pareciam uma.

Ainda hoje sem cruzar a fronteiras dos ouvidos independentes, é o disco mais completo de sua geração. Andrio & Lucas & Diogo & Marco, na verdade, não faziam rock, faziam música universal. De um jeito tão ousado, que a cultura oficial fez pouco de sua presença. As canções são absolutamente geniais, da primeira à ultima das doze faixas do disco. A poesia ainda segue tão atual quanto inventiva - poucos como eles conjugaram de forma tão brilhante rock & língua pátria.



Foto: Bruna Paulim
Capa: André Ramos
Selo: Senhor F Discos


 


/Noite


Antes que a memória desapareça no ralo da internet


Da Redação

"A memória dessa geração irá pelo ralo" se nada for feito para preservar os registros produzidos. A afirmação de um jornalista sintetizou uma conversa anterior com músicos - sem sua presença. A sintonia na análise deve-se, talvez, a uma visão mais ou menos evidente para quem viveu aqueles momentos. Estamos falamos da primeira geração pós-internet, que gravou e lançou centenas, milhares de singles, eps e discos-discos. Virtual e fisicamente.

A opinião comum às pessoas é que a tendência é esse acervo perder-se ao longo do tempo, por diversos motivos. Um deles, é a própria forma de produção desse período, dispersa e em pequenas tiragens. Outra, contraditoriamente, tem a ver com o próprio meio que facilitou a vida de todos. Inicialmente, o MySpace, depois a Trama Virtual e, ainda, outras ferramentas de streaming. Ocorre que a maioria deles desapareceu e levou junto os acervos.

Para tentar resgatar a produção desse período, o portal Senhor F desenvolveu o projeto "OBJETOS ANTES CHAMADOS DISCOS (1º Catálogo do rock independente brasileiro da geração pós-internet - 1998/2013) - Singles, EPs e Discos-Cheios". Trata-se de uma plataforma virtual, com capas, biografias e possibilidade de audição das obras. Em fase "demo", para manter fidelidade à época, o projeto já reuniu cerca de 1.000 discos-cheios e centenas de singles e EPs do período. 

"Lançamos o portal, então Senhor F - A Revista do Rock" em 1998 e, desde então, mantivemos um estreito contato com a cena independente nacional", diz Fernando Rosa, editor do portal e curador do projeto. "De todas as regiões, a redação da revista recebia semanalmente singles, demos e discos-cheios", que ganhavam notas, matérias, circularam pela Parada Senhor F", continua. Esse material - físico, ressalta o curador - guardado cuidadosamente é a base do projeto.

Até o momento, já foram produzidos 30 volumes da série voltada para apresentar os singles e EPs - demos, semi-industrial e prensados industrialmente, contendo 11 músicas cada um. Sem cronologia, mas compondo um mosaico interessante para valorizar a audição, a coleção reúne 275 artistas e grupos - dois volumes extras repetem os artistas. Entre os nomes, gente do Acre ao interior do Rio Grande do Sul. "É uma verdadeira arqueologia", diz Fernando Rosa. 


OBJETOS ANTES CHAMADOS DISCOS
1º Catálogo do rock independente brasileiros da geração pós-internet (1998-2013)
Singles, EPs e Discos-Cheios

 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 1

01 - Vanguart - Rayny day song
02 - Mopho - Não mande flores
03 - Ludovic - Você sempre terá alguém as seus pés
04 - Superguidis - O véio Máximo
05 - Supersoniques - Ela dança
06 - Plástico Lunar - Formato cereja
07 - Telesonic - Mr Bones
08 - Los Porongas - Lego de palavras
09 - Pipodélica - Borracharia todo dia
10 - Watson e o Progresso da Ciência - Eu quero envelhecer
11 - Vídeo Hits - (vo)C
12 - Mordida - Sinais de fumaça
13 - Jerusos - Pega na minha mão
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 2

01 - La Pupuña - São Domingo do surfe
02 - Os Bonnies - Não toque na mina beibe
03 - OAEOZ - Impossibilidades
04 - Frank Poole - Canção para Cecília
05 - Dead Lover's Twisted Heart - Walking Down The Street (When I Saw That Girl)
06 - Stereovitrola - Depois das seis
07 - Laranja Freak - Sempre livre
08 - Mechanics - Formigas comem porra
09 - Los Canos - Mercadologia
10 - Ecos Falsos - Fim de milênio
11 - Jair Naves - Araguari I (Meus Amores Inconfessos)
12 - Virgem Again - Amar é uma simples troca
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 3

01 - Volver - Você que pediu
02 - Banzé! - Alvo móvel
03 - ruído por milímetro - Baixo e guitarra
04 - Casino - Ponte
05 - Madeixas - Drunk joke
06 - Walverdes - Meu bar
07 - Madame Saatan - Messalina blues
08 - Procura-se quem fez isso - Qual é (o nome do anão?)
09 - Brilhantines - Amanhã
10 - Disco Alto - Segundo conforto
11 - Blue Afternoon - I can't try
12 - Single Parents - Last Conversation
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 4

01 - Charme Chulo - Piada cruel
02 - Nervoso - A visita
03 - Monno - Enquanto o mundo dorme
04 - Tom Bloch - Nossa Senhora
05 - Phonopop - Surreal
06 - Revoltz - Mr White
07 - Volantes - Vitória
08 - Ataque Fantasma - Detetive
09 - Daysleepers - Tempo
10 - Valv - Centred
11 - Os Massa - Só mulher pelada
12 - Anjo Gabriel - Ostinato em can menor n1 (marco de lata)
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 5

01 - Irmãos Rocha - Ugabugababy
02 - Móveis Coloniais de Acaju - Swing I
03 - Faichecleres - Ela só quer me ter
04 - The Playboys - Paulo André não me ouve
05 - Macaco Bong - Soraya by starsex
06 - Santo Samba - Amanhã de manhã
07 - Lê Almeida - Me dê sua mão
08 - Mordida - Pro inferno ninguém
09 - Sala Especial - Interlagos 75
10 - NaurÊa - Hoje tem forró
11 - Madalena Moog - Descartáveis
12 - Ultravespa - Amigos e perigos
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 6

01 - Pública - Tempo
02 - Criaturas - Bianca
03 - Beto Só e Os Solitários Incríveis - Isadora
04 - Kandinsky - Memórias
05 - The ESS - Easy way
06 - Motormama - Rota caipira (Anhanguera song)
07 - Nevilton - A máscara
08 - Glamourama - Um cadáver no palco
09 - han(S)olo - Por volta dos trinta
10 - Souvenirs - 29 de dezembro
11 - Texticulos de Mary - Propóstata
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 7

01 - Rádio de Outono - Além da razão
02 - Os Dissonantes - Um filme a dois
03 - Hotel Avenida - Só o amor pode partir seus joelhos
04 - Bidê ou Balde - Melissa
05 - Luiza Mandou um Beijo - Guardanapos
06 - The Pro - Todos juntos
07 - GRU - Saturday morning hope
08 - Continental Combo - Nova manhã
09 - Brinde - Onde eu for
10 - Os Jeans - Meu quarto vazio
11 - Barbiekill - Chiclete
12 - Jesus Buceta - Freiras lésbicas assassinas do espaço 
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 8

01 - Os Dissidentes - Ingleses não usam mullets
02 - Os Jones - Força do hábito
03 - Cachorro Grande - Sexperienced
04 - Beach Combers - Super-homem
05 - Autoramas - Fale mal de mim
06 - Impar - O incrivel homem-âncora
07 - Malditas Ovelhas! - Cidade alerta
08 - Sweet Fanny Adams - Hate song 3
09 - Super Trunfo - Uhuhuu
10 - Megafone - Aparelho
11 - Os Pedrero - Pin Up gordinha
12 - Cadabra - Quanto? 
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 9

01 - Retrofoguetes - Surf-O-Matic
02 - Bois de Gerião - Cifrão
03 -Star 61 - Tão sexy
04 - Apanhador Só - Pouco importa
05 - The Tape Disaster - A voz do fogo
06 - Violins and Old Books - Camus
07 - Plato Divorak & Os Shazams - Turbilhão de emoções
08 - Cochabambas! - Fuca bala
09 - Blush Azul - Amargo perfume
10 - Ácidogroove - O anti-herói
11 - Repolho - Pau na bucetinha
12 - Turbo - Guri de apartamento 
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 10

01 - Sestine - Esse lugar ruim
02 - Headphone - Hoje
03 - Diego de Moraes - Desculpe-me, mas vou cantar em português
04 - Astronauta Pinguim - Melissa
05 - Maria Scombona - Contemplário 79
06 - Novanguarda - Rejeição
07 - Sapatos Bicolores - Garota cor-de-fogo
08 - Rockassetes - As flechas
09 - Carlo Pianta - Sozinho
10 - Mezatrio - Despacho
11- Fóssil - cum-panere [intriga de todos]
12 - Fortunetellers - Downtown
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 11

01 - Wonkavision - O plano mudou
02 - The Book is on the Table - Spin around
03 - Aeroplano - Pra você, solidão
04 - Superphones - Where have you been?
05 - Cassim & Barbária - That old speel
06 - Projeto Secreto Macacos - Primata urbano
07 - Lucy and The Popsonics - Coração empacotado
08 - Lenzi Brothers - Abstinência
09 - Os Dinamites - Cowboy de entrequadra
10 - Superego Elvis - Devo lhe falar
11 - Richard Vee ans his Veetagers - She got married
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 12

01 -JavaCafé - Caos
02 - Mr. Spaceman - Lost not found
03 - Coloração Desbotada - Beijo de açúcar molhado
04 - Siléste - Jesus/Genet
05 - Ludov - Princesa
06 - Os Telepatas - Coração pedra de gelo
07 - Pierrot Lunar - Meu pequeno escorpião
08 - Tomate Maravilha - Em suma
09 - Bad Folks - Big white chase
10 - Os Efervescentes - Não vou lhe contar
11 - Trilobita - Cocking crash revolting
12 - Turbo - Guri de Apartamento
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 13

01 - Acústicos & Valvulados - Até a hora de parar
02 - Lasciva Lula - Hagens Dazs
03 - Alex Sant'Anna - Engolindo sapo
04 - Mersault e a Máquina de Escrever - Ladrão de brinquedos
05 - Postal Blue - Asleep
06 - Loomer - Enough
07 - Fantomáticos - Italiano
08 - Gauche - Brilho
09 - Molho Negro - San Telmo
10 - Desert Lune - Mapas e calendários
11 - Johny Rockstar - Las Vegas
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 14

01 - Marcelo Mendes e Os Bacanas - A juventude
02 - Do Amor - Modelo americano
03 - Frank Jorge - Sofrimento nunca mais
04 - O Quarto das Cinzas - Circulares
05 - The Biggs - Bullet proof jacket
06 - Theatro de Séraphin - Sombras chinesas
07 - Quatro Sensorial - Inferno astral
08 - Saulo Duarte e A Unidade - Onze horas (com Tulipa Ruiz)
09 - Romulo Fróes - Corpo vazio
10 - Mentes Póstumas - Insanidade
11 - The Concept - No ...
12 - Los Torrones - Você me faz mal, meu bem
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 15

01 - Dingo Bells - Costura de botão
02 - Bang Bang Babies - Heart's crash
03 - Pó de Ser - Ypsilone
04 - Eduardo Christ - Em Porto Alegre
05 - Os Skywalkers - Na cabeça de Syd Barret
06 - Nuda - Fato: mamado vado
07 - Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta - Aquela dança ...
08 - Ivan Santos & Giancarlo Ruffato - Deserto
09 - Monokini - Riviera
10 - Hipnóticos - Tornado
11 - Merda - Grupo elétrico definhadores da natureza "g.n.d.e"
12 - Lepstopirose - Mamãe costura meus patches
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 16

01 - Cérebro Eletrônico - Pareço moderno
02 - Gramophones - Aquele elevador
03 - Berlinda - O lado escuro da rua
04 - Cactus Cream - Sempre igual
05 - Júlia Says - Ondas & barcos (indicando a direção)
06 - Campbell Trio - Ehnay
07 - The First Limbo - Perceptions from the hill
08 - Pic Nic - Passa um ano
09 - General Bonimores - Dia feliz
10 - Dinartes - Clubinho
11 - Waldi & Redson - A vida, o vício e o adeus
12 - Tagore - Poliglota
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 17

01 - Uma Nova Orquídea - Estar seja
02 - Soma - Eu, o alien
03 - Lo-Fi - Eu não preciso de você
04 - Nancy - Keep cooler
05 - Multiplex - Particularidades
06 - Dunas do Barato - Amante do kaos
07 - Nublado - Sobre o caos
08 - FuzzFaces - Caminhos cruzados
09 - Superquadra - Ultra-romântico
10 - Smiley - Tanto faz
11 - Supermaneiro - Todo tempo do mundo
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 18

01 - Esteban - Red like sparkle
02 - ZecaCuryDamm - Já não dá mais
03 - Os Amantes Invisíveis - O quarto
04 - Hang the Supertars - Money
05 - Arco Voltaico - Dissoluto
06 - A Banda de Joseph Tourton - #2
07 - Ana Clara - Que nem passarinho
08 - Dr. Cascadura - Queda livre (ac)
09 - Leela - Romance fugitivo
10 - Diedrich & Os Marlenes - Febre e delírio
11 - The Honkers - Não beba, papai, não beba
12 - La Paliza - Festim 
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 19

01 - Coquetel Acapulco - Um buraco chamado Beverly Hills
02 - Camarones Orquestra Guitarrística - Pipa
03 - Tiro Williams - Monroe
04 - Vinill 69 - Cai a noite
05 - Os Vespas - Disse me disse
06 - Carpete Florido - Nuvens
07 - The Dealers - Come on, come on
08 - Hangoovers - O Sr. está depedido
09 - Good Morning Kiss - Change the way
10 - Os Analógicos - Canção do fim do mundo
11 - Surfadelica - Surf me to the moons of Saturno
12 - GarageFuzz - Warm and cold
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 20

01 - Lítera - Domitila
02 - Supercordas - Ruradélica
03 - Robô Gigante - Hoje eu resolvi beber
04 - Léo Aprato - Branditt
05 - Barracuda Project - Fuck off synthesizer
06 - Suco Elétrico - Oh, yeah!
07 - IMOF - Chuva
08 - Gulivers - Ausente
09 - Valentina - Tribuna de ladrões
10 - Costellethas - Esgace o rock 'n' roll
11 - Facas Voadoras - 1:54
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 21

01 - Relespública - Garoa e solidão
02 - Bandinha Di Dá Dó - Pãnãnã em mi
03 - Los Pirata - Xá lá lá lá
04 - Mari Martinez & The Soulmates - Estranhos conhecidos
05 - Pão com Hambruguer - Homem do dia
06 - Cachorro Cego - Famíla que briga unida permanece unida
07 - CwBillys - Boogie do carango
08 - Identidade - NInguém é de ninguém
09 - Pocilga DeLuxe - Bandida
10 - Sangue Seco - Inimigo Íntimo
11 - Zumbis do Espaço - Cão do inferno
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 22 (Extras - Especial Volume 1)

01 - Superguidis - Malevolosidade
02 - Pipodélica - Blá blá blá
03 - Beto Só - O tempo contra nós
04 - Dead Lover's Twisted Heart - Eu tenho
05 - Phonopop - Goodbye
06 - Mordida - Garota de programa
07 - Watson - Tupanzine
08 - Vanguart - The cowboy has the money
09 - Bidê ou Balde - Vamos passar a noite de galera
10 - Mordida - Judy
11 - Os Pedrero - Lúcifer
12 - 10 - NaurÊa - Bate beat
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 23

01 - Forgotten Boys - Babylon
02 - Nihilo - Pela estrada
03 - Radiotape - Nova chance
04 - Bona Dea - Lost son
05 - Amplificador de Brinquedo - Tarde feliz
06 - Barfly - Thoughts I had in mind
07 - River Raid - Experiência
08 - Abaixo de Zero - Deixa
09 - Tape Rec - Aeronave
10 - Projeto Moe - Baião de Brian
11 - Big Fish and the BopaLulas - Cadillac
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 24 (Extra - Especial Volume 2)

01 - Lê Almeida - Querida Deal
02 - Sestine - As mentiras certas
03 - Star 61 - Tanto faz
04 - Siléste - Casmurrice
05 - Continental Combo - Faroeste blues
06 - Criaturas - Bebendo dúvidas
07 - Postal Blue - The world doesn't need you
08 - Pública - Coisas da vida
09 - Os Dissidentes - Amanhã ninguém sabe
10 - Autoramas - Hotel Cervantes
11 - Laranja Freak - Após o bip (+ hidden track)
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 25 (Extra - Senhor F Virtual Volume 1)

01 - Victor Tucano - Mapa
02 - StereoScope - Cherole
03 - Suíte Super Luxo - Ad Hoc
04 - Vanguart - Semáforo
05 - Beto Só - Meu velho Escort
06 - Gianoukas Papoulas - Desilusão de ótica
07 - Los Porongas - Enquanto uns dormem
08 - Phonopop - Comendo vidro
09 - Superguidis - O banana
10 - Watson - Notícia do dia 3
11 -Volver - Tão perto, tão certo
12 - Repolho - Meu coração é assim mesmo
13 - MQN - Caribbean Beach
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 26

01 - The Baggios - Pegando um punga
02 - Sonic Volt - Estradeira
03 - MIndgarden - Beach times
04 - Alphagraus - Autocrítica
05 - Tapete Persa - Aquele cara
06 - Badhoneys - Last day
07 - Sincera - Força em sua vida
08 - Yellow Monkey - The stoned sensation
09 - Joseph K - De cabeça pra baixo
10 - The Skinks - Ignored
11 - Billy Goat - Dandelion
 

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 27 (Extra - Especial Volume 3)

01 - Pipodélica - Nada disso
02 - Laranja Freak - Pegando fogo
03 - Mordida - Menina maçã
04 - Acústicos & Valvulados - Milésima canção de amor (ac)
05 - Mr. Spaceman - To whom i may concern
06 - Cachorro Grande - Debaixo do chapéu
07 - Walverdes - Anticontrole
08 - OAEOZ - Canção para o AEOZ
09 - Bidê ou Balde - É preciso dar vazão aos sentimentos
10 - Monno - Nada demais
11 - Driving Music - Day for night
12 - Beto Só e os Solitários Incríveis - Charlote (ao vivo)
13 - Watson - Perfume de hotel + hidden track
14 - (hidden track) Waston - II

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 28 (Extra - Especial Volume 4)

01 - Attack Fantasma Central
02 - Lascila Lula - Vai que morre
03 - Phonopop - Puro veludo
04 - Sweet Fanny Adams - Flaming veins
05 - Continental Combo - O homem retalho
06 - Bidê ou Balde - Lightning bolt
07 - NaurÊa - Duvido
08 - Santo Samba - Colinho
09 - Watson - Emitivi apresenta
10 - Wonkavision - Comprimidos
11 - Sapatos Bicolores - Aeromoça
12 - Irmãos Rocha - Beibeam
13 - han(S)olo - Supermil

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 29

01 - Kelton - Sem concerto
02 - Filomedusa - Batcaverna
03 - Avante Royale - A ressaca da pracinha
04 - Chá das Cinco - A coragem
05 - Daca - Número
06 - O Carabala - O imigrante
07 - Vendo 147 - Skate-O-Matic
08 - Os Marmotta - Ontem
09 - Os Variantes - Soluções aos seus pés
10 - Aip! - ? (question)
11 - Impossíveis - Psicopata do amor

PROTÓTIPOS DE DEMONSTRAÇÃO - VOLUME 30

01 - Driving Music - Windowsill
02 - Morsa - Bumbo mjölnir
03 - João e os Poetas de cabelo solto - A sangrar
04 - Caffeine - Donkey
05 - Goldfish Memories - Tricks
06 - Café Colômbia - Por tempo
07 - Sargento Malagueta - Um carinha bem legal
08 - Cuscobayo - Ô, vagabundo!
09 - Espaçonave - Nada em comum
10 - Incolores - Pobre coração
11 - PapaUmas - Pode me usar
12 - Smack - Se você

DISCOS-CHEIOS (Coletâneas temáticas)

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 1
Garage Laboratorium (clássicos & raridades da psicodelia)

 

1.Anjo Gabriel – O culto secreto do Anjo Gabriel (PE)
2.Boogarins - As plantas que curam (GO)
3.Cérebro Eletrônico – Pareço moderno (SP)
4.Cidadão Instigado - O método tudo de experiências (CE)
5.Continental Combo – Conveniências na cidade (SP)
6.Effervescing Elephant – Effervescing Elephant (SP)
7.FuzzFaces – Voodoo Hits (SP)
8.Júpiter Maçã – Uma tarde na fruteira (RS)
9.Lacertae – A volta que o mundo deu (SE)
10.Laranja Freak – Brasas lisérgicas (RS)
11.Madalena Moog - Universal Park (PB)
12.Makina du Tempo - Músicas para dias de sol (DF)
13.Momento 68 - Onde Estão Suas Canções? (SP)
14.Mopho – Mopho (AL)
15.Os Haxixins – Euro Tour 2008 (SP)
16.Os Hipnóticos – Garage Laboratorium (RS)
17.Os Skywalkers – ZenMakumba (SP)
18.Os The Darma Lóvers – Os The Darma Lóvers (RS)
19.Pipodélica – Simetria radial (SC)
20.Plástico Lunar – Coleção de viagens espaciais (SE)
21.Plato Dvorak & Os Exciters - Plato Dvorak & Os Exiters (RS)
22.Stereovitrola (AP) – No espaço líquido (AP)
23.Supercordas - Seres verdes ao redor (RJ)
24.Transistors – In transfuzzion (SP)
25.Vaca de Pelúcia - Vaca de Pelúcia (SP)
26.Wado - O manifesto da arte periférica (AL)

Bônus

25. Brazilian Pebbles Vol 1 & 2 – Vários (Bônus)


Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 2
A voz do fogo (clássicos & raridades da psicodelia)

 

1. Astronauta Pingüim – Petiscos: Sabor Churrasco (RS)
2. Burro Morto – Baptista virou máquina (PB)
3. Constantina - Constantina (MG)
4. Floresta Sonora – Floresta Sonora (PA)
5. Fóssil – Insônia (CE)
6. Funkalister – Vol 2 (RS)
7. João Erbetta – Guitar Bizarre (SP)
8. La Pupuña – All right penoso!!! (PA)
9. Lise - Qualquer frágil fio de fantasia (MG)
10. Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro (MT)
11. Músicas Intermináveis para Viagem - ST (RS)
12. Pata de Elefante – Pata de Elefante (RS)
13. pexbaA – pexbaA (MG)
14. Pio Lobato – Tecnoguitarradas (PA)
15. Quarto Sensorial (RS) – Halteroniilismo (RS)
16. Retrofoguetes – Chachachá (BA)
17. ruído/mm - Introdução à Cortina do Sótão (PR)
18. Sala Especial – Edição Granfina (SP)
19. Satanique Samba Trio - Misantropicalia (DF)
20. SOL – No descompasso do transe, retalho do meu silêncio (1999-2003) (RS)
21. Skrotes - Nessum Dorma (SC)
22. The Tape Disaster – Compilation (EPs) (RS)
23. Trilöbit – Tutorial (PR)

Bônus

24. The Ess - Rehearsal Ess - Ao vivo na Grande Garagem que Grava/ EP (PR)
25.Os Jones - peledemamute / EP (AL)
26. Nova Música Experimental – Ruído MM, Labirinto, Fóssil, Constantina (Vários) 

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 3
Solitários Incríveis (clássicos & raridades de cantautores)

 

1. Alex Sant’anna – Aplausos mudos, vaias amplificadas (SE)
2. Arthur Franquini – When loneliness fucks you up... (SP)
3. Beto Só – Dias mais tranquilos (DF)
4. BNegão & Os Seletores de Frequência (RJ) – Enxugando Gelo (RJ)
5.Criolo – Nó na orelha (SP)
6. Diego de Moraes & Sindicato – Parte de nós (GO)
7. Esteban – Adios, Esteban! (RS)
8. Frank Jorge – Carteira nacional de apaixonado (RS)
9. Giarcarlo Rufatto – Machismo (PR)
10. Giovanni Caruso e o Escambau – Acontece nas melhores famílias (PR)
11. Jair Naves – E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias mãos (SP)
12. Juvenil Silva – Desapego (PE)
13. Lobão – A vida é doce (RJ)
14. Malu Magalhães – Malu Magalhães (SP)
15. Marcelo Mendes & Os Bacanas – Mendes, Marcelo (DF)
16. MOMO – Buscador (RJ)
17. Otto - Samba pra burro (PE)
18. Pélico – O último dia de um homem sem juízo (SP)
19.Rodrigo César/Grenade - Is an out of the body experience (PR)
20.Thiago Pethit – Pethit (SP)
21.Tiago Iorc – Letyourselfin (SP)
22.Tulipa Ruiz – Efêmera (SP)
22. Wado – Cinema auditivo (AL)
24. Wander Wildner – Buenos Dias!

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 4
Operações submarinas (clássicos & raridades do instro-surf)

 

1. Autoramas – Teletransporte (RJ) Mondo 77
2. Búfalos d’Água – Farewell to shore (PR) Independente
3. Camarones Orquestra Guitarrística - Camarones Orquestra Guitarrística (RN) DoSol
4. Cochabambas! – Máquinas quentes a todo vapor ... (cassete) (SC) Migué Records
5. Estrume’n’tal – Surfme'n'tal (MG) Golly Gee Recrods
6. Gasolines – Pura veneta (SP) Baratos Afins
7. Go! – Aventura sob o céu (RJ) Navena Muzik
8. Limbonautas – Rendam-se humanos (PR) Bloody Records
9.Marcelo Campos Moreira – Marcelo Campos Moreira (RS) Independente
10. Netunos - Alto Mar (RJ) Independente
11. Os Ambervisions – Bons momentos não morrem jamais (SC) Migué Records/Monstro Discos
12. Os Argonautas – Os Argonautas (RS) Argo Discos
13. Os Ostras – Operação submarina (SP) Excelente Discos/Abril Music
14.Reverba Trio - Reverba Trio (RS)
15. Super Stereo Surf – Antes do baile (DF) Monstro Discos
16.Surfadelica - Surfing on the desertshore (SP) Psices Records
17. The Dead Rocks – International Brazilian Surfs (SP) Monstro Discos
18. The Surf Mother Fuckers – Solano star (MG) Independente
19.Xevi 50 - Ensaio (SC) Inidependente

Bônus

17. Reverb Brasil – Uma coleção de bandas de surfe Alvo/Rveber Brasil/Obra Discos
18. Brazilian Surf – The atack of the tiki waves vol 1 Groove Records (PT)
19. Beach Combers - Beach Combers (EP)


Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 5
Nova Manhã (clássicos & raridades do folk-rock)


Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 6
Metade Roberto Carlos, Metade GG Allin (clássicos & raridades do punk rock)


Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 7
A Discreta Vingança de Lafayette (tributos ao mestre dos teclados)

 

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 8
Aos Meus Amigos (raridades & curiosidade)

 
 


/Noite


A voz do fogo: clássicos & raridades do instrumental


por Fernando Rosa

O rock instrumental ganhou espaço junto à cena independente brasileira moderna. Entre 1998 e 2013, são várias as obras que se destacaram em meio a uma profícua produção. Na comemoração dos 15 anos de Senhor F, listamos 20 títulos que consideramos os mais importantes dessa época.

Na lista estão discos que marcaram época, como Artista Igual Pedreiro, do Macaco Bong, até obras atuais como Realidade Aumentada, dos novatos gaúchos The Tape Disaster. Também discos de dois dos mais importantes guitarristas modernos do Brasil, Pio Lobato e João Erbetta.

Vale destacar que a produção é oriunda dos mais variados pontos do país, do Rio Grande do Sul até o Pará. Algumas bandas não existem mais, como La Pupuña e Pata de Elefante, mas seus discos perpetuarão seus grandes momentos de criatividade.

Esta é a primeira lista de uma série que vai destacar os melhores discos psicodélicos, de instro-surf, cantautores, as coletâneas mais importantes e, por fim, os 100 EPs e os 150 discos que marcaram a geração pó-internet,entre 1998 e 2013.

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 2
A voz do fogo (clássicos & raridades da psicodelia)


1. Astronauta Pingüim – Petiscos: Sabor Churrasco (RS)
2. Burro Morto – Baptista virou máquina (PB)
3.Chipanzé Clube Trio - CCT
4. Constantina - Constantina (MG)
5. Floresta Sonora – Floresta Sonora (PA)
6. Fóssil – Insônia (CE)
7. Funkalister – Vol 2 (RS)
8. João Erbetta – Guitar Bizarre (SP)
9. La Pupuña – All right penoso!!! (PA)
10. Lise - Qualquer frágil fio de fantasia (MG)
11. Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro (MT)
12. Músicas Intermináveis para Viagem - ST (RS)
13. Pata de Elefante – Pata de Elefante (RS)
14. pexbaA – pexbaA (MG)
15. Pio Lobato – Tecnoguitarradas (PA)
16. Quarto Sensorial (RS) – Halteroniilismo (RS)
17. Retrofoguetes – Chachachá (BA)
18. ruído/mm - Introdução à Cortina do Sótão (PR)
19. Sala Especial – Edição Granfina (SP)
20. Satanique Samba Trio - Misantropicalia (DF)
21. SOL – No descompasso do transe, retalho do meu silêncio (1999-2003) (RS)
22. Skrotes - Nessum Dorma (SC)
23. The Tape Disaster – Compilation (EPs) (RS)
24. Trilöbit – Tutorial (PR)

Bônus

25. The Ess - Rehearsal Ess - Ao vivo na Grande Garagem que Grava/ EP (PR) 
26.Os Jones - peledemamute / EP (AL)
27. Nova Música Experimental – Ruído MM, Labirinto, Fóssil, Constantina (Vários)
 


/Noite


Garage Laboratorium, a psicodelia nos anos 2000


por Fernando Rosa

A psicodelia mundial misturou-se ao rock e a música brasileira sob as mais variadas formas, desde o tropicalismo até o Clube da Esquina e artistas como Lula Côrtes & Zé Ramalho e Ronnie Von. Nos anos dois mil,  se fez presente na produção musical da geração pós-internet brasileira, de uma maneira intensa e criativa. A revista Senhor F com suas matérias especiais sobre o tema contribuiu em parte com isso, a partir de 1998. Durante esse tempo, o site publicou textos sobre temas como a psicodelia nordestina dos anos 70, resgatou bandas raras como Spectrum e realizou entrevistas históricas com Rogério Duprat e Ronnie Von, entre outros.

O portal também acompanhou as cenas e artistas que surgiram orientados, ou com influência da psicodelia brasileira e estrangeira. Dezenas de discos forma produzidos, dos quais compilamos 26, com artistas independentes de vários estados. Nela estão clássicos absolutos do rock nacional como o disco da banda alagoana Mopho até super raridades como o discos dos paulistanos Transistors. Em todos eles, a sintonia com Mutantes, Ave Sangria, Gil & Caetano, Lanny Gordin e toda sorte de artistas da punk-psicodelia americana e inglesa dos anos sessenta.


Sem a pretensão de esgotar o tema, apresentamos a lista que segue abaixo, lançados entre 1998 e 2013:
 

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume  1
Garage Laboratorium (clássicos & raridades da psicodelia)


1.Anjo Gabriel – O culto secreto do Anjo Gabriel (PE)
2.Boogarins - As plantas que curam (GO)
3.Cérebro Eletrônico – Pareço moderno (SP)
4.Cidadão Instigado - O método tudo de experiências (CE)
5.Continental Combo – Conveniências na cidade (SP)
6.Effervescing Elephant – Effervescing Elephant (SP)
7.FuzzFaces – Voodoo Hits (SP)
8.Júpiter Maçã – Uma tarde na fruteira (RS)
9.Lacertae – A volta que o mundo deu (SE)
10.Laranja Freak – Brasas lisérgicas (RS)
11.Madalena Moog - Universal Park (PB)
12.Makina du Tempo - Músicas para dias de sol (DF)
13.Momento 68 - Onde Estão Suas Canções? (SP)
14.Mopho – Mopho (AL)
15.Os Haxixins – Euro Tour 2008 (SP)
16.Os Hipnóticos – Garage Laboratorium (RS)
17.Os Skywalkers – ZenMakumba (SP)
18.Os The Darma Lóvers – Os The Darma Lóvers (RS)
19.Pipodélica – Simetria radial (SC)
20.Plástico Lunar – Coleção de viagens espaciais (SE)
21.Plato Dvorak & Os Exciters - Plato Dvorak & Os Exiters (RS)
22.Stereovitrola (AP) – No espaço líquido (AP)
23.Supercordas - Seres verdes ao redor (RJ)
24.Transistors – In transfuzzion (SP)
25.Vaca de Pelúcia - Vaca de Pelúcia (SP)
26.Wado - O manifesto da arte periférica (AL)

Bônus
25. Brazilian Pebbles Vol 1 & 2 – Vários (Bônus)

(na foto: Mopho/1ª foto de divulgação)
 


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Nova Manhã, o folk rock dos anos 2000


por Fernando Rosa

A música caipira, ou folclórica, ou ainda regional, faz parte da construção da cultura musical brasileira, passando por todas as gerações e chegando aos tempos modernos. Por outro lado, o folk de origem americana também penetrou na cultura nacional de forma marcante, especialmente a partir dos anos sessenta. Em meio a esse processo, a partir do tropicalismo (2001/Mutantes & Tom Zé), Tião Carreiro & Pardinho e The Byrds puderam conviver harmoniosamente, resultando no chamado “rock rural”, nos anos setenta.

Naquele momento, e durante os anos seguintes, proliferaram grupos como Sá, Rodrix & Guarabira, Ruy Maurity Trio, Bendegó, Flying Banana, Almôndegas, Tetê & O Lírio Selvagem e Paranga. A fusão das linguagens do rock com as vertentes folclóricas regionais produziu grandes discos, alguns reconhecidos nacionalmente, outros mantidos na obscuridade. Mas, o importante é que a música brasileira mostrou mais uma vez sua enorme capacidade de transmutar-se sem perder a identidade.

A cena independente dos anos dois mil não passou impunemente por esse universo sonoro, incorporando outras influências musicais a ele. Entre os anos 2000 e 2015, vários grupos gravaram obras referenciadas nessa história particular, atualizando sonoridades do folk rock no país. O portal Senhor F acompanhou de perto essa geração, ouvindo as novas produções, colecionando seus singles, eps e discos-cheios lançados nesse período, dos quais destacamos alguns.

Os grupos

Natural de Porto Alegre, Cowboys Espirituais reunia Frank Jorge, Julio Reny e Márcio Petracco, e teve seu disco de estreia lançado pela Trama, em 1998. Os Pistoleiros, desde Florianópolis, lançaram em 2000 um dos grandes discos da cena independente, que conquistou fans como Wander Wildner. Já os paulistas Motormama, de Ribeirão Preto, emergiram na cena independente com o clássico Carne de Pescoço, em 2002, com forte acento de psicodélica-caipira. Em Belo Horizonte, destacou-se a banda Dead Lovers Twisted Heart com seu hillbilly indie cantado em inglês. Também em inglês, Bad Folks construir sua carreira a partir de Curitiba.

O brasiliense Sestine, liderado por Márcio Porto, é um dos segredos mais bem guardados da cena independente do Centro-Oeste, resultado de seus dois únicos EPs Carros-Fantasma e As Engrenagens (2006). Paranaense, Charme Chulo talvez tenha afirmado de maneira mais intensa a linguagem do folk rock na cena independente, por conta de seu disco de estreia, lançado em 2007 e da subsequente carreira. Da mesma cidade, a dupla Os Irmaõs Carrilho, casam Everly Brothers com modinhas caipiras, em singles lançados entre 2013 e 2015.

O grupo paulista Continental Combo tem sua história ligada ao mod e ao rock sessentista, mas em seu disco homônimo gravado entre 2003 e 2005, registrou seu lado folk, fundindo rock rural com Flying Burrito Brothers. Explodindo na cena independente desde Cuiabá, Vanguart ganhou o Brasil com seu mix inicial de Bob Dylan e Radiohead, afirmando-se nacionalmente, com profunda identidade, com o hit Semáforo. Também de Curitiba, Koti e Os Penitentes agregaram à cena folk a linguagem do rockabilly e os temas trash-urbanos. Um pouco na mesma linha, Fabulous Bandits cantou porres, brigas e tiroteios com seu folk-hardcore.

Dois grupos, um de São Paulo, Matuto Moderno, outro de Brasília, Judas, pisaram fundo na música caipira, na moda de viola e outras linguagens interioranas, com seus discos lançados em 2011 e 2013. Já o trio Bob ShuT, de Caxias do Sul, na serra gaúcha, introduziu na cena o “folk montanhês” com seu segundo disco. Por fim, o sempre genial Diego de Moraes, rebatizado Waldi, e o comparsa Redson, reinventaram as duplas caipiras em versão “indie” com o disco lançado em 2013

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 5
Nova Manhã (clássicos & raridades do folk rock)


1.Bad Folks - Impossible (PR)
2.Bob Shut – II (RS)
3.Charme Chulo – Charme Chulo (PR)
4.Continental Combo – Continental Combo (SP)
5.Cowboys Espirituais – Cowboys Espirituais (RS)
6.Dead Lovers Twisted Heart – DLTH (BH)
7.Fabulous Bandits - Chumbo Grosso (PR)
8.Judas – Nonada (DF)
9.Koti e Os Penitentes – Caído na Sarjeta (PR)
10.Matuto Moderno – 5 (SP)
11.Motormama – Carne de Pescoço (SP)
12.Os Pistoleiros – Os Pistoleiros (SC)
13.Pedrinho Grana & Os Trocados - ST (DF)
14.Sestine – Carros Fantasma + As Engrenagens (DF)
15.Vanguart - Vanguart (MT)
16.Waldi & Redson – Waldi & Redson (GO)

Bônus

17.Os Irmaõs Carrilho – No tempo que passou (single)  (PR)


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Operações submarinas, clássicos do instro-surf


da Redação

A surf music, em especial, e o rock instrumental independente tiveram seu grande momento nessa década passada. Inspirados em heróis clássicos e também em brasileiros sixties, muitos grupos ganharam os palcos dos festivais com suas guitarras flamejantes, especialmente do Primeiro Campeonato de Surf, em Belo Horizonte. Em seus 15 anos, Senhor F selecionou 15 títulos que achamos os mais legais e importantes dessa geração.

Entre eles, os pioneiros Os Argonautas, donos de um dos melhores discos do gêneros já gravados no Brasil – formada pelo grande guitarrista Marcelo Moreira, mais Régis Sam, Gustavo Dreher e Rodrigo Rosa. Deles, a música Maré Vermelha foi trilha do programa Senhor F - A História Secreta do Rock Brasileiro, na Usina do Som, entre 2011 e 2002. Também pioneiros, Os Ostras foram importantes para abrir caminho para grupos se aventurarem por essa vertente musical. Ainda, é importante destacar os cariocas Netunos e os catarinenses Cochabambas! e Ambervisions, com registros do início da década passada.

A seleção ainda traz clássicos como os Autoramas, Gasolines, Estrume’n’tal e The Dead Rocks, responsáveis por grandes discos. Outros destaques da lista são raridades como os grupos Limbonautas, de Curitiba, The Surf Mother Fuckers, de Belo Horizonte, e o gaúcho Marcelo Campos Moreira, em disco solo, com participação especial de integrantes do grupo Cachorro Grande.

Objetos ainda chamados discos
1º catálogo de CDs independentes da geração pós-internet (1998-2013)
Volume 4
Operações submarinas (clássicos & raridades do instro-surf)


1. Autoramas – Teletransporte (RJ) Mondo 77
2. Búfalos d’Água – Farewell to shore (PR) Independente
3. Camarones Orquestra Guitarrística - Camarones Orquestra Guitarrística (RN) DoSol
4. Cochabambas! – Máquinas quentes a todo vapor ... (cassete) (SC) Migué Records
5. Estrume’n’tal – Surfme'n'tal (MG) Golly Gee Recrods
6. Gasolines – Pura veneta (SP) Baratos Afins
7. Go! – Aventura sob o céu (RJ) Navena Muzik
8. Limbonautas – Rendam-se humanos (PR) Bloody Records
9.Marcelo Campos Moreira – Marcelo Campos Moreira (RS) Independente
10. Netunos - Alto Mar (RJ) Independente
11. Os Ambervisions – Bons momentos não morrem jamais (SC) Migué Records/Monstro Discos
12. Os Argonautas – Os Argonautas (RS) Argo Discos
13. Os Ostras – Operação submarina (SP) Excelente Discos/Abril Music
14.Reverba Trio - Reverba Trio (RS)
15. Super Stereo Surf – Antes do baile (DF) Monstro Discos
16.Surfadelica - Surfing on the desertshore (SP) Psices Records
17. The Dead Rocks – International Brazilian Surfs (SP) Monstro Discos
18. The Surf Mother Fuckers – Solano star (MG) Independente
19.Xevi 50 - Ensaio (SC) Inidependente

Bônus

17. Reverb Brasil – Uma coleção de bandas de surfe Alvo/Rveber Brasil/Obra Discos
18. Brazilian Surf – The atack of the tiki waves vol 1 Groove Records (PT)
19. Beach Combers - Beach Combers (EP)

(na foto: Estrume’n’tal)


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Seu guarda, entenda, estou indo para uma Noite Senhor F


por Fernando Rosa

A Noite Senhor F tem uma série de histórias loucas, comuns, divertidas, mas todas reais. Uma delas tem a ver com a sua importância cultural para a cidade de Brasília, naquele momento. E foi contada recentemente pelo próprio personagem. Como na maioria das histórias, vamos preservar seus nomes.

Naquela época, primeira metade dos anos dois mil, Brasilia começava a caretear de vez. Primeiro, inventaram uma tal de "lei seca", que obrigava a gente a acabar as Noites até 2h30. Se passasse desse horário, a blitz da fiscalização batia e podia fechar a casa, em nosso caso o Gate's Pub.

Também começavam a funcionar com mais intensidade as blitz de rua, como forma de reprimir a livre circulação noturna na cidade. Pois numa dessas blitz, o nosso amigo personagem acabou sendo barrado pelos policiais. Ao que apelou com um argumento, para ele, convincente.

- Seu guarda, entenda, estou indo para uma Noite Senhor F.

(Ou algo mais ou menos assim) 


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Banda Frida grava nos Estados Unidos


da  Redação

A banda Frida é um dos nomes convidados pela Converse para gravar em seus estúdios associados ao redor do mundo - o quarteto grava no estúdio Rubber Tracks, em Boston, nos Estados Unidos. Natural de Gravatai, Frida foi selecionada junto com outras bandas brasileiras pela plataforma WorldWide, de abrangência mundial. Ao todo nove mil artistas de todo o mundo se inscreveram para concorrer ao prêmio. Também gaúcha, a banda Motor City Madness vai gravar nos Studios 301, em Sydney, Austrália.

Segundo a divulgação do projeto, o WorldWide promove um intercâmbio mundial entre bandas e os doze maiores estúdios de música do mundo. Os artistas convidados ganham tempo de gravação nos estúdio, além de todas as despesas pagas. Totalmente equipada com os melhores instrumentos e equipamentos fornecidos pela Guitar Center, parcerio da Converse Rubber Tracks, os artistas dedicam-se a criar suas músicas, e no final retêm todos os direitos sobre elas. Frida entra em estúdio nos próximos dias 18 e 19 e setembro. Converse Inc., com sede em Boston, Massachusetts, é uma subsidiária da NIKE. Inc.

A Frida é uma banda formada por Sandro Silveira (guitarra e voz), Andriel Cimino (guitarra), Vinicius Braga (baixo) e Luis Mausolff (bateria). Circulando pelo Rio Grande do Sul em festivais e eventos como El Mapa de Todos, Noite Senhor F, Morrostock, Rock na Praça e Acid Rock, a Frida é apontada no circuito independente e em diferentes veículos como uma das revelações do novo rock feito no Brasil. O primeiro álbum completo do grupo – gravado no estúdio Mubemol, em Porto Alegre, sob a produção de Iuri Freiberger – foi lançado em março, em uma parceria entre os selos The Southern Crown e Senhor F.

Os doze estúdios são Abbey Road Studios em Londres, Inglaterra; Sunset Sound, em Los Angeles, Califórnia; Hansa Tonstudio, em Berlim, Alemanha; Tuff Gong, em Kingston, Jamaica; Greenhouse Studios, em Reykjavik, na Islândia; Warehouse, em Vancouver, Canadá; Avast Recording Co., em Seattle, Washington; Stankonia em Atlanta, Geórgia; Studios 301 em Sydney, Austrália; Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, Brasil; o original estúdio permanente Converse Rubber Tracks Studios no Brooklyn, Nova York, além do recentemente inaugurado em Boston, Massachusetts, em Lovejoy Wharf.


 


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Evento no Sul avança conceito independente


da Redação

Hoje, em Porto Alegre, tem mais uma Noite Senhor F, com shows das bandas Frida e Fire Departament Club, a primeira de Gravatai, na região metropolitana, e a segunda da capital gaúcha. O evento marca três lançamentos importantes para a cena independente gaúcha: o disco de estréia da banda Frida, a empresa Gramo e o EP do Fire Departament. Os shows acontecem no Beco da Cidade Baixa, a partir das 20 horas, com ingressos a R$ 15,00 com nome na lista e R$ 20,00 na hora.

O disco de estréia da banda Frida, saudado nos principais sites e blogs musicais do país como um dos lançamentos do ano, assinala um momento de renovação da música gaúcha. Natural de Gravatai, o quarteto traz para a cena independente a qualidade autoral e instrumental, em canções perfeitas e emocionantes. O disco, com produção de Iuri Freiberger, é um lançamento da parceria entre os selos Senhor F Discos,que completa 20 trabalhos editados, e The Southern Crown, selo e produtora local.

A banda Frida tem uma trajetória construída com muito trabalho, circulação pelo estado, onde conta um público fiel em muitas cidades do interior. Em 2013, participou da Noite Senhor F e foi um dos destaques do Festival El Mapa de Todos, dividindo o palco com os argentinos Valle de Muñecas e os uruguaios La Vela Puerca. Em 2014 foi destaque do portal britânico Independent Music News como uma das dez bandas brasileiras mais promissoras.

Também gaúcha, mas de Porto Alegre, a banda The Fire Departament é outra promessa da nova cena local, mas mirando no exterior. Em março, a banda lançou seu novo EP Best Intuition, dispobilizado nas principais plataformas mundiais, como iTunes, Spotify, e Deezer, entre outras. Produzido por Luc Silveira, o EP destaca o tema “Pitfall” que vem acompanhada de um lyric-video criado pela BC Motion.

Gramo

“Gramo” é uma empresa de consultoria de carreiras e desenvolvimento de produtos para o mercado fonográfico brasileiro e internacional, informa seu mentor e diretor, o produtor Iuri Freiberger. “A lógica é a do ganha-ganha. Tanto para artistas entry-level ou que estejam rearranjando suas carreiras. E claro, para todos os envolvidos com a música”, diz ele. Com o produtor musical Iuri Freiberger à frente, a ideia do Gramo é combinar talentos e experiências no mercado fonográfico através de um hub de serviços colaborativos.

http://firedepartmentclub.com/
https://soundcloud.com/frida_tv
http://gramo.cc/




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Festival promove circulação e exporta nova música gaúcha


da Redação

Tomando emprestada expressão do Secretário de Cultura do RS, Victor Hugo, que foi ao evento, “a casa pulsou” música e cultura naqueles dois dias de festival. A casa em questão é a Casa de Cultura Mário Quintana, mais exatamente o Teatro Bruno Kiefer, onde aconteceram os shows. O evento, no caso, o Festival Noite Senhor F, que promove a circulação de novos artistas pelo estado do Rio Grande do Sul. Resultado do edital Movida Cultural, e organizado pela Produtora Senhor F, o projeto conta com apoio da Secretaria Estadual de Cultura.

“O festival é um marco na história da música gaúcha, pelo fato de reunir um expressivo recorte da nova música produzida no estado, em condições excelentes de palco, som e luz e público”. A observação é do produtor Fernando Rosa, responsável pelo projeto, ao lado dos produtores Thiago Piccoli e Brisa Daitx. De fato, os shows que começaram pontualmente às 16 horas, em número de sete por dia, foram um marco na carreira dos artistas que pisaram no palco e conquistaram o público, que lotou a casa desde a primeira apresentação.

Participam do projeto os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Orlando Garcia & Los Coyotes (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre). Desde novembro, os artistas e bandas circularam pelo estado, em shows acompanhados de palestras e debates sobre o novo cenário musical do estado e do país, e o posicionamento diante dessa nova realidade.

Cada um à sua maneira, os jovens artistas mostraram uma qualidade surpreendente para quem compareceu ao evento. “Com um representante de Porto Alegre, e os demais do interior do estado, o festival cumpriu um importante papel de destacar a existência de uma forte produção além da capital”, destacou Fernando Rosa, que também apresentou o evento. Antes do festival, os artistas apresentaram-se em suas cidades e também em uma segunda cidade. O festival ainda contou com dois shows especiais com o grupo The Outs no sábado e Ian Ramil no domingo. Neste mês, ainda ocorreram mais dois eventos, em São Borja e Farroupilha.

Além de promover a circulação interna no estado, o festival em particular serviu para mostrar a nova produção para produtores de festivais independentes especialmente convidados pela organização. Nos dois dias do evento, na ante-sala do próprio teatro, foram realizadas reuniões abertas com os produtores e abertas aos demais artistas e produtores do estado. Nos encontros, ocorreram trocas de informações sobre cada um dos eventos e também aproximação informal entre os produtores dos festivais convidados e os artistas.

Estiveram presentes no evento os produtores Paulo André (Abril Pro Rock – Recife), Antonio Gutierrez (RecBeat – Recife), Guilherme Pereira (Goiânia Noise – Goiânia), Marcelo Damaso (Se Rasgum – Belém), Gustavo Sá – (Porão do Rock – Brasília), Marcelo Domingues - (Demosul – Londrina), Guilherme Zimmer (Floripa Noise – Florianópolis), Beto Vizotto (Paraíso do Rock - Paraíso do Norte), Pablo Hierro (Music is My Girlfriend – Buenos Aires, Argentina) e Nicolas Molina (Las Palmeiras Festival del Sonido - Águas Dulces, Uruguai).

Veja as fotos do festival, de autoria de Thiago Lázeri - http://goo.gl/pHXpfT

 


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Calvin lança EP Café em Santa Cruz


por Fernando Rosa

Uma nova geração de cantores e compositores surgiu com força no Rio Grande do Sul nestes últimos tempos. Alguns nomes já se afirmaram na cena independente. Ian Ramil foi o primeiro a ocupar seu espaço na cena musical. No ano passado, de Três Coroas, Jéf lançou o disco Leve, um clássico da nova geração. A cantora e compositora portoalegrense Ana Muniz é outro nome de cresce junto ao público.

De Santa Cruz, chega um novo nome, Calvin, munido de belas canções. Ele acaba de lançar o EP “Café”, que traz ainda Ancore, Poesia dos Amores Dormidos e Chuva. “Café” é um hit que deve marcar essa geração, mesmo que as rádios insistam em ignorar a nova produção. As outras três canções não deixam por menos em qualidade autoral, tanto musical, quanto poética.

Acompanhado de uma ótima banda, Calvin integrou o projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente. Apresentou-se em sua cidade, em Bagé, e por fim em Porto Alegre, no Festival Noite Senhor F. Em todas as ocasiões conquistou o público com suas melodias pop, diretas e assoviáveis. No dia 7 de março, ele lança o EP em show em Santa Cruz, no Espaço Camarim.


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Noite Senhor F promove circulação e mostra de novos artistas gaúchos


da Redação

Neste sábado, em Três Coroas, com shows de Jéf e da banda Similares, no Centro Cultural da cidade, a partir das 19 horas, o projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente encerra a primeira etapa da iniciativa. Durantes três meses, a iniciativa promoveu a circulação de doze artistas por suas cidades, em apresentações musicais, acompanhadas de palestras sobre a nova cena independente do estado. O projeto de circulação Noite Senhor F – RS Independente, tem patrocínio da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul – Procultura.

Nos próximos dias 21 e 22 de fevereiro, o Festival Noite Senhor F completa o projeto, com os dozes artistas reunidos no palco do Teatro Bruno Kiefer, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Além das apresentações das bandas do projeto, haverá dois shows especiais com o grupo The Outs no sábado e Ian Ramil no domingo. O grupo carioca foi o segundo colocado no prêmio Breakout Brasil. Ian Ramil acaba de lançar seu disco de estréia.

O evento ainda contará com as presenças de oito produtores de importantes festivais brasileiros, e dois representantes de festivais do Uruguai e da Argentina. Com os shows e a presença dos convidados, o projeto pretende aproximar os novos artistas gaúchos dos programadores de festivais. Para Fernando Rosa, “além de promover a circulação interna, é importante também mostrar a nova produção gaúcha para os produtores de festivais dos demais estados do país e do Mercosul”.

O festivais e seus respectivos representes são: Paulo André (Abril Pro Rock – Recife), Antonio Gutierrez (RecBeat – Recife), Guilherme Pereira (Goiânia Noise – Goiânia), Marcelo Damaso (Se Rasgum – Belém), Gustavo Sá (Porão do Rock – Brasília), Marcelo Domingues (Demosul – Londrina), Guilherme Zimmer (Floripa Noise – Florianópolis), Beto Vizotto (Paraíso do Rock - Paraíso do Norte), Pablo Hierro (Music is My Girlfriend – Buenos Aires, Argentina) e Nicolas Molina (Las Palmeiras Festival del Sonido - Águas Dulces, Uruguai).

Programação do Festival

21 de fevereiro - sábado

Velocetts (Farroupilha)
Zudizilla (Pelotas)
Rinoceronte (Santa Maria)
Calvin (Santa Cruz do Sul)
Ana Muniz (Porto Alegre)
Frida (Gravataí)
The Outs (RJ)

22 de fevereiro – domingo

Orlando Garcia & Los Coyotes (São Borja)
The Sorry Shop (Rio Grande)
Bob Shut (Caxias do Sul)
Similares (Bagé)
General Bonimores (Passo Fundo)
Jéf (Três Coroas)
Ian Ramil (RS)

Serviço

Dias 21 e 22 de fevereiro de 2015
16 horas
Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mário Quintana
Entrada Franca










* Assista outros vídeos de apresentação do projeto: https://www.youtube.com/user/NoiteSenhorF

 


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Carro de Passeio, o novo rock gaúcho


por Fernando Rosa

A bordo de um ótimo EP lançado em 2014, a banda Carro de Passeio credenciou-se junto à novíssima cena musical do Rio Grande Sul. Natural de Santa Maria, terra do festival Macondo Circus, a banda foi formada no final de 2013, pela “junção de amigos”. “O EP Es-Passo é o primeiro registro da banda, gravado no inverno de 2014, com produção da própria banda e técnica de André Boaz”, segundo eles.

O EP traz uma sonoridade moderna, distante do que normalmente espera-se do que chamam “rock gaúcho”. “A influência da banda passeia por Pixies, Sonic Youth, El Mató a un Policía Motorizado, The Smiths e tantas outras bandas e músicos que inconscientemente acabam influenciando no nosso som”, dizem. A banda é formada por Matheus Genro Bueno e Guilherme Brum nos vocais e guitarras, Mariana Kussler no baixo e Vinício Möller na bateria.

Com o EP circulando pela rede – ouçam abaixo -, agora a banda planeja tentar girar ao máximo tocando e divulgando o trabalho. “Mais um clipezinho vai rolar, lançamos um vídeo de Inverno recentemente e estamos engajados em produzir mais registros visuais”. Segundo eles, um disco cheio também está nos planos de 2015, o que vai exigir mais dedicação. A circulação inclui a participação em festivais estaduais e mesmo nacional, também faz parte dos planos da banda.




 


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Em Bagé, Noite Senhor F reúne Similares e Calvin


da Redação

Neste próximo domingo, em Bagé, no Complexo Cutural Dom Diogo, às 20 horas, acontece o primeiro evento do projeto Noite Senhor F – Conexão RS Independente do ano. Desta vez, com apresentações do cantor e compositor Calvin e da banda Similares - Calvin é natural de Santa Cruz e Similares de Bagé. Além dos shows, haverá palestra e debates sobre a atual cena musical com o jornalista e produtor Fernando Rosa. O projeto é uma realização da Produtora Senhor F, com apresentação e patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura e Pro-Cultura RS.

Ainda com eventos por acontecer em várias cidades do interior do Rio Grande do Sul, o projeto conta com a primeira edição do Senhor Festival, em Porto Alegre, reunindo todos os artistas da circulação, além de headliners convidados, com shows especiais, voltados para curadores e produtores de festivais de fora do estado. A organização do evento já convidou produtores e curadores de festivais nacionais e latinoamericanos para conhecerem de perto, e ao vivo, a nova produção local.

No último 20 de dezembro, em Pelotas, aconteceu a última etapa do ano do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. No palco do Galpão Satolep, o anfitrião Zudizilla e os convidados General Bonimores de Passo Fundo e Velocetts de Farroupilha foram os destaques da edição. O evento contou com a participação do músico Frank Jorge, que palestrou sobre o momento atual da cena musical.

O projeto já passou por Gravatai, Caxias do Sul, Santa Cruz, Santa Maria e Rio Grande - com os artistas e grupos Frida, Calvin, Ana Muniz, Bob Shut, Jéf, e The Sorry Shop. O projeto inclui os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Johnny Chivas (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre).







+ Veja registros no projeto no Youtube:

- www.facebook.com/noitesenhorf 


/Noite


Projeto Noite Senhor F fecha 2014 com sucesso


da Redação

Neste último sábado, 20 de dezembro, em Pelotas, aconteceu a última etapa do ano do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. No palco do Galpão Satolep, o anfitrião Zudizilla e os convidados General Bonimores de Passo Fundo e Velocetts de Farroupilha foram os destaques da edição. O evento contou com a participação do músico Frank Jorge, que palestrou sobre o momento atual da cena musical.

Esta foi a sexta etapa do projeto, que já passou por Gravatai, Caxias do Sul, Santa Cruz, Santa Maria e Rio Grande - com os artistas e grupos Frida, Calvin, Ana Muniz, Bob Shut, Jéf, e The Sorry Shop. Em janeiro e fevereiro o projeto continua, seguindo para as demais cidades incluidas no projeto.

O projeto inclui os artistas Similares (Bagé), Zudizilla (Pelotas), Bob Shut (Caxias do Sul), Jéf (Três Coroas), Sorry Shop (Rio Grande), Velocetts (Farroupilha), General Bonimores (Passo Fundo), Johnny Chivas (São Borja), Calvin (Santa Cruz), Rinoceronte (Santa Maria), Frida (Gravataí) e Ana Muniz (Porto Alegre).

Ao final do projeto, um festival vai reunir todos os artistas da circulação, para a realização de shows especiais, abertos ao público e também voltados para curadores convidados. A organização do evento já convidou produtores e curadores de festivais nacionais e latinoamericanos para conhecerem de perto, e ao vivo, a nova produção local.

- www.facebook.com/noitesenhorf
 


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Em Santa Cruz, Calvin e Ana Muniz celebram nova música jovem gaúcha


da Redação

A cidade de Santa Cruz do Sul, cerca de 2 horas de Porto Alegre, foi sede da terceira etapa do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente. O projeto premiado em primeiro lugar no edital Movida Cultural, da ProCultura RS, tem patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado. No Espaço Camarim, no centro da cidade, o evento reuniu os artistas Calvin, de Santa Cruz, e Ana Muniz, de Porto Alegre.

Os shows confirmaram o acerto do projeto que busca promover e dar visibilidade para a produção musical jovem do Rio Grande do Sul, além da capital. Ana Muniz, de 17 anos, primeira a se apresentar, confirmou a exuberância de sua música, tanto como compositora, quanto intérprete. Acompanhado de uma ótima banda, Calvin mostrou seu talento de compositor pop, com um repertório de ótimas e bem resolvidas canções.

Ajudados por um ambiente perfeito, o Espaço Camarim, os dois artistas interagiram com o público presente, em grande número e atento aos shows. A cada canção, os dois foram sendo aplaudidos mais intensamente, até serem ovacionados de pé, ao final das respectivas apresentações. No encerramento, celebrando o espírito do projeto, os dois artistas e bandas subiram juntos no palco para receber os aplausos finais e selar o sucesso do evento.

Na semana passada, em sua segunda edição, o projeto reuniu em Caxias do Sul o grupo local Bob Shut e o cantor e compositor Jéf, de Três Coroas. Os dois foram destaque na última edição do Festival El Mapa de Todos, realizado em Porto Alegre, com participação de artistas latinos. Jéf é finalista do programa Breakout Brasil, promovido pelo Canal Sony, que premiará o vencedor com a gravação de um disco.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente iniciou no dia 8 de novembro, com shows do grupo Frida, de Gravatai, e dos rapers Zudizilla, de Pelotas - no Sesc de Gravatai. Ao final da circulação interna será realizado um festival com os artistas do projeto, com presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e de países latinos. Aguardem a informação sobre a data e o local do festival, que ocorrerá em Porto Alegre, em fevereiro.


/Noite


Nova edição da Noite Senhor F, com Calvin e Ana Muniz, em Santa Cruz


da Redação

Neste sábado, 29 de novembro, acontece a terceira etapa do projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente, que tem patrocínio do ProCultura-RS, da Secretaria de Estado da Cultura. Com shows de Calvin e Ana Muniz, o evento ocorre em Santa Cruz do Sul, no Espaço Camarim, às 20 horas. Calvin, de Santa Cruz e Ana Muniz, de Porto Alegre, são dois jovens e destacados artistas da nova música gaúcha.

Na semana passada, em sua segunda edição, o projeto reuniu em Caxias do Sul o grupo local Bob Shut e o cantor e compositor Jéf, de Três Coroas. Os dois foram destaque na última edição do Festival El Mapa de Todos, realizado em Porto Alegre, com participação de artistas latinos. Jéf é finalista do programa Breakout Brasil, promovido pelo Canal Sony, que premiará o vencedor com a gravação de um disco.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente iniciou no dia 8 de novembro, com shows do grupo Frida, de Gravatai, e dos rapers Zudizilla, de Pelotas - no Sesc de Gravatai. O projeto tem por objetivo conectar a nova produção musical do estado, que vem crescendo em vários pontos distantes da capital. Ao final da circulação interna será realizado um festival com os artistas do projeto, com presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e de países latinos. 

* Na foto, Calvin e o cantor e compositor uruguaio Franny Glass.


/Noite


Frida e Zudizilla abrem, em Gravataí, Noite Senhor F - Conexão RS


da Redação

As bandas Frida e Zudizilla realizam em Gravatai, no sábado, dia 8 de noovembro, o primeiro show do projeto Noite Senhor F - Conexão RS. Frida de Gravatai e Zudizilla de Pelotas promovem o encontro de diferentes regiões e também de gêneros musicais. A anfitriã é uma das bandas de rock & pop revelação do Rio Grande Sul, enquanto Zudilla traz o hip pop com influências reigonais.

O projeto Noite Senhor F - Conexão RS Independente foi aprovado em 1º lugar, em sua categoria, no edital Movida Cultural, promovido pelo FAC/Sedac-RS, em parceria com a Petrobras.O projeto realizará 12 eventos em diferentes cidades do interior do estado, incluindo também Porto Alegre, além de seminários voltados para a qualificação de produtores locais.
 

Participam do projeto os seguinte artistas, que realizarão shows em suas cidades, e em outra cidade do estado, entre os meses de novembro de fevereiro:

- Similares (Bagé),
- Zudizilla (Pelotas),
- Bob Shut (Caxias do Sul),
- Jéf (Três Coroas),
- Sorry Shop (Rio Grande),
- Velocetts (Farroupilha),
- General Bonimores (Passo Fundo),
- Johnny Chivas (São Borja),
- Calvin (Santa Cruz),
- Rinoceronte (Santa Maria),
- Frida (Gravataí),
- Ana Muniz (Porto Alegre).

No final de fevereiro, o evento culmina com um festival-mostra com todas as bandas, e presença de curadores convidados de festivais independentes do Brasil e da América Latina. Além disso, haverá um workshop com palestrantes locais destinado a mostrar a história da música, em especial da história e da evolução da música jovem do estado.


/Noite


Noite Senhor F: espaço e referência para as novas gerações


por Fernando Rosa

A última Noite Senhor F reafirmou o compromisso do evento com a renovação da cena e com a formação de público em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul e sede do festival El Mapa de Todos. No palco, as bandas Fire Department Club, Frida e Dévil Évil justificaram os comentários sobre o acerto da curadoria. Cada banda em sua onda, foram três shows dignos de qualquer grande festival em qualquer estado do Brasil.

Em especial, a 1ª Noite do ano destacou a banda Frida que, além de um belo show, mostrou a força de sua música na platéia. Ou seja, um bom número de fans de Gravatai, sua cidade natal, na Região Metropolitana, Cachoeirinha e Porto Alegre, cantando todas as músicas. Uma boa surpresa para quem não conhecia a banda e se perguntava “o que era aquilo?”.

Um fato que se repetiu ao longo dos mais de 10 anos de realização do evento, inicialmente em Brasília, entre 2001 e 2008, e desde 2011 em Porto Alegre. Nesse período, passaram pela Noite Senhor F artistas como Vanguart, em seu primeiro show fora de Cuiabá, Cachorro Grande, Faichecleres, Autoramas, La Pupuña, Phonopop, Superguidis, Los Porongas e tantos outros (veja a lista na página do evento, no menu acima).

Assim, humildemente, a Noite Senhor F, em parceria com o Opinião, dá mais um importante passo para tornar-se referência de produção musical jovem e ponto de encontro das novas gerações. Um papel que custa esforço de produção, respeito pelos artistas e bandas e, principalmente, pelo público que comparece no Opinião. E, claro, ouvir muita música, ver vídeos e ir a shows, o que não é trabalho, é diversão e prazer. 

(na foto: Frida p/Belisa Giorgis).