The Beatles / Revolver



30 Janeiro 2019

por Fernando Rosa / Jonnhy McCartney

O disco mais importante da história da música pop foi lançado em 5 agosto de 1966, há cinquenta anos atrás. Trata-se de Revolver, dos Beatles, editado menos de um ano depois de Rubber Soul e cinco meses antes de Sgt Pepper’s. Apenas pelo fato de ter vindo da forma que veio ao mundo, entre duas obras deste porte, Revolver já mereceria ter todos os prêmios do mundo do rock. No Brasil, o disco foi lançado com dois meses de atraso, mas em sua forma original, o que não era comum naquela época.

O reconhecimento dessa importância, no entanto, precisou esperar o advento do punk rock e seus desdobramentos estéticos, culturais e musicais - talvez sua capa em preto e branco, de autoria do baixista Klaus Voorman, tenha algo a ver com isso. Durante um tempo, outro disco dos Beatles, Sgt Pepper's, imperava em todas as listas de melhores de todos os tempos, pelo seu aspecto conceitual, além, claro, das qualidades musicais. No pós-punk, e posteriormente, Revolver passou a conquistar seu espaço, sendo atualmente invariavelmente citado como o 'número um' em praticamente todas as listas de melhores discos da história do rock.

O que explica isso, em grande parte, é a mudança de conceitos, que passou a secundarizar obras do tipo "conceitual" e valorizar álbuns pela diversidade musical. E, nesse quesito, Revolver é imbatível, pois nele estão pelo menos três das músicas que mais influenciaram a história da música pop moderna. Eleanor Rigby, pelos seus arranjos orquestrais modernos para a sua época; Love You To, que introduziu a cítara no rock e promoveu a conexão com as sonoridades orientais; e, claro, Tomorrow Never Knows, a mais radical e profunda experiência musical dos Beatles e dos anos sessenta.

Mais do que isso, se não bastasse, Revolver é também o disco dos Beatles que mais conexões estabeleceu com as modernas gerações do rock. A guitarra "suja" de Taxman e de She Said She Said chegou aos ouvidos da garagem, do grunge e das bandas de guitarra dos anos noventa. And Your Bird Can Sing foi a ponte com o mod revival de Paul Weller & The The Jam e toda a geração do pop-elétrico do início dos anos oitenta na Inglaterra. Tomorrow Never Knows, com seu experimentalismo pré-digital, aproximou os Beatles das futuras tribos eletrônicas.

Revolver conquistou essa visibilidade dentro do conjunto da obra dos Beatles também pelo fato de ser uma espécie de ponto de equilíbrio de toda a sua discografia. Nele, a força autoral de Lennon & McCartney está presente de uma forma avassaladora e a ela, pela primeira vez, Harrison agrega as suas qualidades de compositor. São dele Taxman, que abre o disco, a revolucionária Love You To e, ainda, I Want To Tell You - as três no mesmo nível de qualidade dos seus parceiros de banda.

Passado tanto tempo de seu lançamento, Revolver'é, por fim, o disco mais atual e moderno dos Beatles, não soando datado em momento algum. Ao contrário, ele ainda esconde segredos que somente sucessivas releituras descobrirão, em cada uma de suas canções ou em cada uma de suas linhas de guitarra ou outros instrumentos. Mais "sujo" e elétrico do que Rubber Soul e menos conceitual e experimentalista do que Sgt Pepper's, Revolver é o disco na medida certa, em que prevalece a força e a inventividade de cada uma de suas canções.

PS – ah, e o disco ainda trazia Yellow Submarine.






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