Andrés Calamaro / Nadie Sale Vivo de Aqui



09 Maio 2017

por Fernando Rosa

Na época, 1989, o disco foi ignorado pelo público e rechaçado pela crítica especializada, apesar de sua exuberância musical e poética. A Argentina mergulhava na crise hiperinflacionária e Andres Calamaro dava o seu recado: "Nadie Sale Vivo de Aqui" (Ninguém Sai Vivo Daqui).

Atualmente considerado um dos melhores discos da história do rock argentino, a obra ganhou uma reedição em digipack, em meados da década passada, pela Sony Music. Naquele momento, diante da recuperação econômica da Argentina, as gravadoras passaram a reeditar centenas de títulos, especialmente de clássicos do rock local.

"Nadie Sale Vivo de Aqui" é uma obra sensível, com timbres e instrumental perfeitos, longe do padrão "new wave palha" dos anos oitenta. As músicas, sem distinção, vão do rock mais agitado às canções mais lentas, passando por algumas com climas "velvetianos", sempre com ótimas letras, uma tradição do bom rock argentino.

A música de Andres Calamaro tem a verve dos trovadores clássicos, algo entre Bob Dylan, Lou Reed, Nick Cave e heróis nacionais como Litto Nebia (Los Gatos), Luis Alberto Spinetta (Almendra) e Charly Garcia (Sui Generis). A isso, soma-se um tom pop bem resolvido, rico e elegante nos arranjos, longe da obviedade que a expressão possa sugerir.

Andres Calamaro surgiu no rock argentino nos anos oitenta, como tecladista do grupo Los Abuelos de La Nada. Em 1984, lança "Hotel Calamaro" e a partir dai. em discos estranhos como "Salmon" (quintuplo) e clássicos como '"Alta Suciedad", e com uma passagem pela Espanha, com o trio Los Rodriguez, transforma-se em um dos artistas mais importantes e respeitados do rock em espanhol.






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