The Clean / Anthology



27 Abril 2017

por Flávio Ohno

The Clean é uma das bandas mais legais, e menos conhecidas, nascidas da cena do kiwi rock, como ficou conhecido rock neozelandês a partir dos anos oitenta. Fortalecido nos anos setenta com o sucesso da banda Split Enz, o rock da Nova Zelândia afirmou-se no pós-rock, com seu instrumental rebuscado e vocais melódicos. A banda Crowded House, especialmente, com forte acento beatle, levou a nova cena para o mainstream mundial.

The Clean talvez seja a expressão mais acabada das bandas surgidas nessa época, com sua forte influência de Velvet Underground. Com um som por vezes quase minimalista, misturando barulho e melodia, sustentado por ótimas guitarras, e um órgão tão econômico quanto genial, as canções da banda são pequenas obras-primas que a presente coletânea se encarrega de praticamente tirar da obscuridade.

Até então, os discos do Clean eram somente acessíveis aos nativos, aos vizinhos australianos e aos (colonizadores) ingleses. A coletânea dupla Anthology, lançada em 2003 pelo selo Flying Nun/Merge Records, reúne o melhor da banda em todas as suas fases, de 1981 até 1996.

O primeiro cd traz a fase inicial da banda, ainda nos anos oitenta, com seu pop-punk & psicodélico que atraiu a atenção de gente como Pavement, Yo La Tengo e outros proto-indies. O segundo contém os álbuns que, além de afirmar a banda como uma das mais importantes de sua terra, consolidou o selo Flying Nun como um dos mais interessantes e criativos do planeta.

O cd abre com o primeiro single Tally Ho’/’Platypus, lançado em agosto de 1981. Na seqüência, rolam os eps Boodle, Boodle Boodle (81) e Great Sounds Great (82), faixas dos lps Vehicle (89), Modern Rock (94) e Unknow Country (96), além de outtakes, mais singles e faixas ao vivo.

Canções como Thumbs Off, Diamond Shine e Big Cat, presentes da coletânea, podem estar em qualquer seleção de clássicos de sua geração. Talvez pela distância dos grandes centros, e pelas influências difusas, a música da banda não soa datada, como boa parte do repertório dos anos oitenta.

Integram o The Clean os músicos Hamish Kilgour (bateria e vocais), Robert Scott (baixo e vocal), que depois integrou o The Chills, e David K. (guitarra e vocal), responsável por uma das melhores guitarras dos anos oitenta/noventa.

Com esta coletânea, mais uma das bandas seminais do pós-rock chega aos ouvidos de quem ainda não desistiu de procurar ‘novidades’ no mundo do rock and roll. Especial para gosta de Velvet Underground, guitarras elegantes e pop refinado.






POSTADO EM: /Resenha