Chile pulsando estás



21 Setembro 2017

da Redação

A música chilena fez parte da vida de toda uma geração de brasileiros, latinos e até mesmo de outros mundos, gente que lutou contra as ditaduras do continente, em diversos momentos. Nos anos sessenta e setenta, os músicos chilenos Violeta Parra, Victor Jara, Los Jaivas, Inti-Illimani e Quilapayún, em especial, iluminaram corações e mentes. As ditaduras se foram, mas a música permaneceu influenciando as gerações futuras não apenas no Chile.

Na semana passada, em Santiago, na abertura das Festas Pátrias no palco do Parque O'Higgins, Los Jaivas provou isso "ao vivo", cinquenta anos depois. À convite da organização do evento IMESUR, um grupo de produtores e produtoras do Brasil presenciou o grupo emocionar milhares de pessoas. Vindos da maioria dos estados brasileiros, os produtores ali estavam para conhecer a primeira das "fondas" (festas populares) e, na sequência, outras expressões culturais do país.

O evento IMESUR é resultado do processo de integração em curso na América do Sul, que cada vez mais aproxima artistas e produtores. Trata-se de um mercado organizado pela produtora La Makinita, com apoio dos brasileiros da Difusa Fronteira e Conexão Latina - nesta edição, e também das autoridades culturais de Santiago e de Valparaíso. Mais do que intensas rodadas de negócios e proveitosas palestras, o evento inovou ao mergulhar os convidados nas entranhas da cultura local.

Nesta edição, IMESUR apostou no intercâmbio bilateral entre Chile e Brasil, buscando aproximar as duas realidades por meio de rodadas de negócios, pocket-shows, seminários e palestras. Durante uma semana, o encontro promoveu uma intensa troca de informações e de experiências de parte a parte, com resultados imediatos e estratégicos para a integração da região. Em sua totalidade, participaram cerca de trinta produtores de festivais e eventos afins, oriundos de praticamente todos os estados brasileiros. A FBA - Festivais Brasileiros Associados participou do evento, representada nos festivais rec-beat e Se Rasgum. 

"A experiência foi intensa, por proporcionar um maior conhecimento sobre a realidade musical do Chile, mas principalmente pela imersão na cultura do país", diz Fernando Rosa, programador do festival El Mapa de Todos. Para ele, "a proposta de mercados bilaterais são importantes para tornar as relações mais próximas e efetivas entre produtores e artistas". "A música do Chile, de antes, de agora, de sempre é uma das mais ricas do continente, com um forte conteúdo político e social", destaca.



POR UMA RESISTÊNCIA CULTURAL LATINOAMERICANA (Festival El Mapa de Todos)

O tema, por mais que pareça "ultrapassado", digamos, ganhou uma nova dimensão com as mudanças ocorridas no mundo. A globalização estertora, posta em cheque com o Brexit e as eleições norte-americanas. O capital financeiro tenta impor sua hegemonia à custa da destruição dos Estados Nacionais.

Durante duas décadas venderam as maravilhas da internacionalização para facilitar a ocupação dos mercados, inclusive culturais. Além da economia, também a cultura sofreu com essa política de desvirtuamento das realidades e potencialidades locais. O Brasil, por exemplo, enredou-se nessa lógica e, de certa forma, perdeu seu protagonismo cultural e musical.

O momento, portanto, é de pensar o tema da resistência cultural integrada com as lutas sociais e políticas por soberania. A cultura e a música devem estar no mesmo patamar dos demais temas, como o desenvolvimento econômico, os avanços tecnológicos e o bem-estar social. A cultura tem que ser vista como um pilar fundamental da construção das nacionalidades, em particular, e da nossa unidade regional.

Temos experiências históricas como a Nova Canção no Chile, a Nova Trova em Cuba ou a Tropicália no Brasil. E também heróis legendários nesse "crossover" entre política, luta social e cultura como Vitor Jara, Daniel Viglietti e Chico Buarque. São referências que podem ajudar a inspirar e reorientar as novas batalhas pela construção da nossa identidade comum.

Não se trata de xenofobia cultural, menos ainda de isolamento, mas sim da afirmação das nossas expressões culturais de forma solidária, como é da índole dos povos latinos. Nos últimos anos, à margem da indústria, iniciamos um processo de circulação e de integração na região, do qual o Festival El Mapa de Todos faz parte. A continuidade do debate e da implementação de ações práticas são, portanto, decisivas para avançar.



POR UNA RESISTENCIA CULTURAL LATINOAMERICANA (Festival El Mapa de Todos)

El tema, por más que parezca “superado”, digamos, ganó una nueva dimensión con los cambios ocurridos en el mundo. La globalización estertora, puesta en cheque con Brexit y las elecciones norteamericanas. El capital financiero intenta imponer su hegemonía a costa de la destrucción de los estados nacionales.

Durante dos décadas vendieron las maravillas de la internacionalización para facilitar la ocupación de los mercados, incluso culturales. Además de la economía, también la cultura sufrió con esa política de desnaturalización de las realidades y potencialidades locales. Brasil, por ejemplo, se enredó en esa lógica y, de cierta forma, perdió su protagonismo cultural y musical.

El momento, por lo tanto, es de pensar el tema de la resistencia cultural integrada con las luchas sociales y políticas por soberanía. La cultura y la música deben estar en el mismo nivel de los demás temas, como el desarrollo económico, los avances tecnológicos y el bienestar social. La cultura tiene que ser vista como un pilar fundamental de la construcción de las nacionalidades, en particular, y de nuestra unidad regional.

Tenemos experiencias históricas como la construcción cultural en la Nueva Canción en Chile, la Nueva Trova en Cuba, o Tropicália en Brasil. Y también héroes legendarios en ese “crossover” entre política, lucha social y cultura como Víctor Jara, Daniel Viglietti y Chico Buarque. Son referencias que pueden ayudar a inspirar y reorientar las nuevas batallas por la construcción de nuestra identidad común.

No se trata de xenofobia cultural, menos aún de aislamiento, sino de la afirmación de nuestras expresiones culturales de forma solidaria, como es de la índole de los pueblos latinos. En los últimos años, al margen de la industria, iniciamos un proceso de circulación y de integración en la región, del cual el Festival El Mapa de Todos forma parte. La continuidad del debate y la aplicación de acciones prácticas son, por lo tanto, decisivas para avanzar.

* O texto acima, publicado no portal Senhor F, ganhou tradução do amigo peruano Wili Jimenez Torres. #gracias


 






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