Alaídenegão, som amazônico, latino & pop



20 Junho 2018

por Fernando Rosa

Alaidenegão é o estranho nome de uma banda de Manaus, capital do estado do Amazonas, na região Norte do Brasil. O grupo faz parte de uma das cenas mais interessantes do país atualmente. Uma cena que, aliás, a banda nascida em 2008, e com dois discos gravados, ajudou a criar e desenvolver. Senhor F entrevistou o guitarrista Rafael Ângelo, que fala da história, da discografia e dos projetos da banda.

Entrevista 

Senhor F - A banda surgiu em 2008, tem dois discos gravados, e muitos shows realizados. Como vocês têm levado a carreira neste momento de tantas mudanças no campo musical?

Rafael Ângelo/Alaidenegão - Tem sido um desafio manter-se ativo no cenário musical desde o começo da banda. Na medida do possível, buscamos nos posicionar nesse campo artístico, principalmente por meio dos shows e materiais divulgados na internet e suas múltiplas plataformas. Penso que o momento atual talvez exija outras formas de alcance e distribuição de nossas músicas.



Senhor F - Quais as principais influências musicais da banda? Vocês promovem um resgate de sonoridades regionais importantes, como a lambada, o beiradão e o brega. Como isso entrou na mistura sonora da banda?

Rafael Ângelo - Temos pessoas com diferentes formações na banda, o que possibilita uma rica troca de experiências no processo de criação das músicas. De fato há uma pesquisa sonora em andamento contínuo por assim dizer, tanto em relação ao saber acadêmico quanto ao empírico, sem distinção entre os dois. A lambada, o beiradão e o brega estão presentes no imaginário coletivo da nossa cidade; lembro claramente de artistas como Os Tucumanus surgirem com a proposta de incorporar essa sonoridade em suas composições. Nacionalmente, Arnaldo Antunes foi outra referência neste sentido. Hoje, acredito que este gêneros musicais revelam muito mais sobre a Amazônia, por sua riqueza social e musical.

Senhor F - A lambada, a guitarrada, tem um peso na história musical do Amazonas, destacando seus mestres Oseas, Magalhães e André Amazonas. Qual o papel dessas influências na música da banda, em especial nas guitarras?

Rafael Ângelo - Estes compositores possuem grande influência na musicalidade da banda. No meu caso, na forma da abordagem da guitarra, estruturas melódicas e harmônicas. Porém, sempre que possível acrescentamos algo a mais.



Senhor F - Como é, atualmente, a cena musical em Manaus? O que mudou desde o início da banda? Os artistas locais têm conseguido circular por outros espaços no Brasil?

Rafael Ângelo - É uma cena rica em vários aspectos. O que antes era um cenário voltado principalmente para reprodução da cultura de massa teve essa hegemonia quebrada por artistas independentes com a poética voltada para nossas raízes musicais caboclas, nordestinas, caribenhas e outras mais, com o apoio importante de um público que tem possibilitado que prossigamos com nossos trabalhos. Há artistas que estão bem articulados com o circuito musical nacional como o caso da Luneta Mágica e espero que essas ações possibilitem de alguma forma, uma maior abertura para que os demais artistas obtenham a divulgação de seu trabalho.



Senhor F - Acreditamos que a cena de Manaus, no momento, é uma das mais criativas do país. O que, na visão de vocês, precisa para que ganhe força nacionalmente?

Rafael Ângelo - Existem vários fatores que são apontados como entraves nesse campo musical, como os de ordem financeira e estrutura profissional; outro seria a barreira histórica e ideológica existente no imaginário nacional em relação a Amazônia. Porém, quero ressaltar que há produtores e agentes culturais nos grandes centros interessados em nossa produção e abertos ao diálogo que ao longo de nossa jornada possibilitaram nossa incursão em outros estados, inclusive com lançamento nacional de nossos trabalhos.

Senhor F - Quais são os planos futuros? Novo disco para quando? Shows ...

Rafael Ângelo - Pretendemos lançar um DVD com show comemorativo aos 10 anos de banda e documentário sobre essa trajetória.






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