Cachimbó: pop brasileiro reinventado



22 Julho 2018

por Fernando Rosa

"Há tempos não ouvia um disco inteiro tantas vezes", foi um dos vários comentários positivos que ouvi sobre o disco de estreia da banda brasiliense Cachimbó (independente). Uma observação rara, ainda mais vinda de jovens nos tempos atuais em que a audição musical voltou aos tempos do vídeo-single. Mas, no caso, totalmente pertinente, pois estamos diante de um achado pop surpreendente, daqueles discos que marcam sua época.

Um trio, Cachimbó - Lai, vocal; Paulo, guitarra e violão; João, sinths e batidas eletrônicas - promove uma emocionante reinvenção do pop brasileiro, passeando por vários gêneros. A partir de influências do indie moderno, criativos grooves eletrônicos e um vocal excepcional, os três humilde e despretensiomente arejam a música brasileira atual. Espertos riffs, linhas e até solos de guitarras e percussões ocasionais afastam a sonoridade do "maculelê" e do som eletrônico de pista.

As letras atuais, maduras, mas reflexivas - e divertidas - do cotidiano da juventude, com belas tiradas poéticas, declaradamente feministas, completam a obra de dez canções. "Eu não sou da cidade / mas não volto pro interior / eu não sei onde eu encaixo / pensa que é fácil viver" (Eu não sou da cidade), demarca o terreno nos primeiros versos. "Acabei disfarçando meu vazio com abadá" (Pra que correr?) entrega a origem baiana da cantora e compositora - João é brasiliense e Paulo é carioca.



Foto: Raquel Reis.

 






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