Pinduca, a revolução pop do carimbó



12 Janeiro 2019

por Fernando Rosa

Aurino Quirino Gonçalves, mais conhecido como Pinduca, é o "Rei do Carimbó" moderno. Paraense, é natural de Igarapé-Miri, onde nasceu em 4 de junho de 1937. Pinduca iniciou sua carreira aos quatorze anos de idade, nos anos cinquenta, cantando carimbó. O carimbó é manifestação de dança e música originária do estado do Pará, com influência indígena, africana e europeia. Além de Pinduca, são representantes históricos do gênero os Mestres Lucindo e Verequete, em especial.

Mestre Lucindo é considerado um dos principais, senão o principal, poeta da carimbó, com seus flashes do cotidiano dos paraenses das águas e do interior. Com seu conjunto Uirapuru, Mestre Verequete é responsável pela gravação do primeiro disco de carimbo, em 1971, pela gravadora CID. Junto com Pinduca, modernizou o carimbo, atualizando o gênero para as novas gerações. Lucindo tem apenas um registro fonográfico – “Isto é Carimbó!!”, com o conjunto Carimbó Canarinho de Marapanim. Mestre Verequete gravou 10 discos e 4 CDs.

O reinado de Pinduca se deve, em grande parte ao fato de ter promovido uma profunda revolução no gênero, ao amplificar o carimbó. A partir de seu segundo disco, "Carimbó e sirimbó no embalo do Pinduca", lançado em 1974, Pinduca radicalizou o uso de duas guitarras no carimbó, em vez do tradicional banjo. Os guitarristas responsáveis pelo feito foram Mário Gonçalves, seu irmão, e Dinaldo Gonçalves.

Outra contribuição de Pinduca à construção da música popular moderna da Amazônia é a música "Lambada", em seu quinto disco, "Pinduca - No embado do carimbó e sirimbó, Vol. 5", de 1976. Apresentada como "sambão", a música traz pela primeira vez uma levada de lambada, com a guitarra de Mário Gonçalves. A música é considerada a primeira lambada gravada no Brasil, disputando com Mestre Vieira a primazia no batismo do gênero.



Pinduca também tem em sua biografia a descoberta e incentivo à carreira de Teixeira de Manaus, o músico popular mais importante do estado do Amazonas. Também um feito importante em sua trajetória é a participação na construção da gravadora Gravasom. No início da década de oitenta, foi produtor da gravadora e seu conjunto base de estúdio para muitos artistas. Pinduca também revolucionou a estética de shows, apresentando-se com roupas coloridas e adereços variados.

Pinduca tem mais de 25 títulos em sua discografia, entre obras inéditas e coletâneas. Depois de romper a barreira local, Pinduca tornou o carimbó conhecido no restante do país. Ao longo da carreira, realizou shows em rádios e televisões, popularizando canções como "Sinhá Pureza", "O rico e o pobre" e "Comancheira", entre outras. Em 2016, aos 79 anos, lançou o CD “No Embalo do Pinduca”, apoiado pelo edital Natura Musical, com produção de Manoel Cordeiro.

Em 11 de setembro de 2014, o carimbó foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial, pelo Ministério da Cultura. No mesmo ano, em dezembro, Pinduca recebeu o Prêmio de Ordem ao Mérito Cultural, no Dia Nacional da Cultura. A cerimônia de condecoração foi conduzida pela então presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. Em 2017, seu álbum "No Embalo do Pinduca" foi indicado ao Grammy Latino de 2017 de Melhor Álbum de Raizes Brasileiras.

 






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