Rozenblit, primeiro exemplo regional



18 Janeiro 2019

por Fernando Rosa

Em 1972, o grupo Os Mocambos, de Macapá, capital do Amapá, gravou o primeiro registro conhecido de “marabaixo”, um ritmo do estado, na Rozenblit, em Recife. Um pouco depois, o primeiro e o segundo disco do paraense Mestre Cupijó e seu Rítmo, também foram lançados pela Rozenblit, editados por seu selo Escorpião. Fundada em 11 de junho de 1954 por José Rozenblit e seus irmãos, a Rozenblit foi a gravadora mais moderna do país em sua época, com destaque para o selo Mocambo.

Além de fortalecer a cultura regional, a Rozenblit lançou vários discos de artistas latinos que circularam, além de Pernambuco e do Nordeste, no mercado do Norte - como Luis Kalaff, intérprete de merengue da República Dominicana. Ainda nos anos cinquenta, em formato 78rpm, a Rozenblit lançou o cantor de boleros Leo Marini, argentino de Mendoza. Uma das edições trazia Marini, acompanhado da orquestra cubana Sonora Matancera, cantando “Baion de dos”, ou seja, “Baião de Dois”, original de Luis Gonzaga e Humberto Teixeira.

Entre os artistas latinos que se tornaram conhecidos no Norte do país pelo selo Rozenblit – e outras gravadoras - podem ser citados, o cubano Bienvenido Granda e os colombianos Los Corraleros de Majagual. Um disco em particular lançado com “exclusividade” pelo selo Mocambo destacou-se pelo papel de difusor do merengue em Belém. Foi “Vamos dançar merengue”, com Petiton Guzman y Sus Merengueros, Chiquitin Garcia & Tony Merete. Confirmando a forte influência do merengue na música do Norte, nos anos oitenta a gravadora CID lançou o disco “Lambada Espetacular” só com temas de Kalaff.



Alguns desses artistas tornaram-se referências como os grupos de merengue de Luis Kalaff e de Angel Viloria e Los Corraleros de Majagual, de cumbia. Lançado pela clássica gravadora Discos Fuentes, de Medellin, Los Corraleros de Majagual chegou a apresentar-se ao vivo em Belém nos anos setenta. Deles, Pinduca gravou versão para “Caballo Viejo” e Aldo Sena para “La Pollera Colora”. O grupo também difundiu secundariamente o “passaito”, ou “paseaíto”, um dos mais de trinta ritmos da região sabanera da Colômbia.

A Rozenblit lançava seus discos utilizando principalmente os selos Mocambo (de música regional), Passarela (coletâneas carnavalescas, sambas, trilhas sonoras), Artistas Unidos (gravações de músicos das regiões Sul e Sudeste do Brasil), Arquivo (coletâneas especiais) e Solar (dedicado a sons mais experimentais). Durante os anos sessenta, a Rozenblit foi responsável por cerca de um quarto do mercado fonográfico brasileiro.

No início dos anos sessenta e setenta, a Rozenblit destacou-se em seu papel de dotar o Nordeste de infraestrutura para difundir sua produção musical. Naquela década, lançou vários discos da hoje chamada “psicodelia nordestina”, entre eles o emblemático LP duplo “Paebirú”, com Lula Côrtes e Zé Ramalho. Em consequência da concorrência das “majors”, e das sucessivas enchentes do Rio Capiberibe, a Rozenblit passou a enfrentar problemas financeiros, indo à falência nos anos oitenta.



 






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