Um ano sem Mestre Vieira, o rei da lambada



02 Fevereiro 2019

por Fernando Rosa

Neste final de semana, o Norte lembra um de seus maiores heróis musicais, o guitarrista Mestre Vieira, que morreu no dia 2 de fevereiro do ano passado. Vieira é responsável por criar um gênero musical, um dos fatos mais revelevantes da história da música brasileira moderna. Diversas atividades estão sendo realizadas para reverenciar o mestre que deixou 12 LPs gravados e uma série de CDs e registros ao vivo.

A cidade de Barcarena, no interior do estado do Pará, ao Norte do Brasil, é o lugar onde nasceu Joaquim de Lima Vieira, o inventor da lambada, rebatizada de guitarrada - a lambada com guitarra. A lambada, muito além do Kaoma, é o gênero musical mais importante surgido no Brasil moderno, pós-Bossa Nova, Tropicalismo e Jovem Guarda.

Seu disco "Lambadas das Quebradas", lançado em 1978, é o marco zero de um "movimento" que conquistou o Norte do país. Sem nunca abandonar sua terra natal, Mestre Vieira transformou-se em um dos músicos mais importantes na construção da nacionalidade musical brasileira. Um dos guitarristas brasileiros mais importantes da história do instrumento.

Apenas duas regiões na América Latina têm a guitarra como um instrumento popular e definidor de um movimento particular. A região selvática do Peru, com a "cumbia psicodélica", em que se destacaram grandes guitarristas. E o interior dos estados do Pará e do Amazonas, com a lambada, rebatizada de guitarrada, que também projetou alguns dos mais importantes guitarristas do país.

Além de marco zero do gênero, o disco "Lambadas das quebradas" abriu o caminho para o surgimento de uma série de grandes guitarristas na região. Uma “escola” que se mantém ativa em novos guitarristas como Chimbinha, Pio Lobato, Felipe Cordeiro, Félix Robatto, Bruno Rabelo, que explora sonoridades afro-congolesas, e Lucas Estrela, em Belém, e Jefferson Mady, em Manaus.

Em Belém, a partir do início dos anos oitenta, surgem Aldo Sena, o mais importante deles, e João Gonçalves, do grupo Os Populares de Igarapé-Mirí, além de Mário Gonçalves, Solano, Barata, Marinho e Didi. Em Manaus, grandes instrumentistas também emergiram na "onda" da lambada, com destaque para Oseas, André Amazonas e Magalhães.

Em sua longa carreira, Mestre Vieira gravou 18 discos, sendo 12 deles em vinil, deixando um amplo legado para a música nacional. Os 12 discos em vinil seguem inéditos, tanto em cd, quanto em vinil, com algumas reedições em plataformas digitais. Consta ainda em sua discografia a participação no compacto duplo do cantor Lauro Alves, de 1982, com autoria das músicas e acompanhamento de sua guitarra e grupo.




Foto: Luciana Medeiros.






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