Alypyo Martins, mestre do pop e dos estúdios



10 Fevereiro 2019

por Fernando Rosa

Alípio era gênio", assim o músico e produtor Manoel Cordeiro define Alípio Martins, ou Alypyo Martins, compositor, cantor e produtor da Gravasom - em entrevista para a revista Seleta, de Belém. "Eu continuo achando, até hoje, que ele foi o cara mais criativo e visionário dessa turma toda", continua. Manoel Cordeiro faz referência à geração musical do Norte dos anos setenta e oitenta, especialmente. Um gênio no estilo do americano Kim Fowley, cantor, compositor mas, principalmente, mestre dos estúdios.

Nascido em Belém, em 13 de junho de 1944, aos 18 anos fugiu de casa sem dinheiro e viajou de navio, como passageiro clandestino, para o Rio de Janeiro. Depois, viveu um período de sua vida nos Estados Unidos, de onde foi deportado. Na volta ao Brasil, grava em inglês sob o nome de Vick Mackenzie, imitando James Brown. "O Alípio era doido de pedra. Era rock and roll de verdade", diz Manoel Cordeiro.

Nos anos setenta, ele apostou em ser o "rei do carimbó", lançando uma série de quatro discos sob esta alcunha, entre 1973 e 1976. Mas iniciou a carreira ainda nos anos sessenta, em 1969, com um disco auto-intitulado, sucedido "Hoje é dia de seus carinhos", de 1971. Antes de enveredar pelo brega, ainda gravou um disco conceitual, "O Homem Pássaro", em 1978, sob o pseudônimo de Patrick.

No segundo disco da série "rei do carimbó", gravou a música "Piranha", dos grandes hits da história da música popular do Norte do Brasil. Na época, a música ganhou clipe na TV Globo, com Alypyo cantando e participação dos Trapalhões. Mais recentemente, o também paraense Felipe Cordeiro gravou sua versão-tributo para a música. Entre seus maiores sucessos ainda estão "Garota", "Onde andará você" e "Farinhada".

De volta para Belém, associou-se a Carlos Santos na Gravasom, tornando-se um dos produtores mais geniais da história da música popular brasileira. Segundo muitos dos artistas produzidos por ele, Alípio era um mestre do estúdio, espécie de George Martin do Norte. O que lhe rendeu 5 discos de ouro por produções, além de outros 12 discos de ouro, 8 de platina, 1 platina duplo, totalizando quase 5 milhões de unidades vendidas.

Em discos e na produção, foi um dos expoentes da lambada e do brega que imperou na região Amazônica, Norte e Nordeste do Brasil nos anos oitenta. Alypyo Martins morreu em 24 de março de 1997, vítima de um câncer no estômago. Em sua longa carreira de compositor, cantor e produtor deixou mais de vinte LPs e CDs gravados, além de vários compactos.






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