Merengue y cumbia no caldeirão sonoro do Norte



07 Novembro 2019

por Fernando Rosa

A relação da lambada com a cumbia e o merengue é um tema especial da etnomusicologia brasileira, em particular da região Norte do país. As três expressões surgem confundidas no início dos anos oitenta e seguem assim por toda a década. Artistas - e discos - de cumbia e de merengue de várias origens foram "vendidos" sob o título de "lambada".

Em 1981, antes da popularização do termo, o disco "La Pollera Colorá" trazia como sub-título "e outras lambadas dançantes". Na verdade, o disco continha cumbias, com bandas clássicas da Colômbia, como Pedro Salcedo y Su Orquesta. A música tema, regravada por Aldo Sena, do Pará, é uma das canções mais emblemáticas da música colombiana, escrita por Juan Madera Castro, com letra - posterior - de Wilson Choperena.

O merengue também foi apresentado como "lambada" aos ouvintes brasileiros, especialmente do Norte do Brasil. Em 1988, a gravadora CID (Companhia Industria de Discos) lançou o disco "Lambada Espetacular". Assim como no caso da cumbia, o disco trazia um repertório interpretado por Luiz (sic) Kalaff c/Los Alegres Dominicanos, ou seja merengues.

O merengue e congêneres sonoros caribenhos também ganharam o rótulo de "lambadas", por meio da gravadora Gravasom, de Belém. Em dez volumes, lançados durante os anos oitenta, a série estampava o título de "Lambadas Internacionais". As músicas ganharam títulos nacionais que as tornaram conhecidas, como "Melô do Ti Pi Ti", "Melô do Assovio" ou "Melô do Milionário".

Entre os artistas mais conhecidos, ouvidos e cultuados na região Norte estão o dominicano Luis Kalaff, no merengue, e os colombianos Los Corraleros de Majagual, na cumbia. No auge de ouro do merengue, embora sem disco lançado aqui, também se destacou Angel Viloria, outro clássico dominicano do gênero. Além dos discos, a cumbia e o merengue chegavam por rádios ondas curtas e pelos portos da região.

A cumbia e o merengue, por fim, terminaram por se fundirem com os ritmos regionais, resultando na lambada e no beiradão, nos estados do Pará e do Amazonas. Os dois gêneros batizaram nomes de músicas, de discos e seguem presentes no cotidiano musical das duas regiões. Ainda hoje, nos sebos de vinil, podem ser encontrados discos de artistas clássicos de cumbia e merengue.
 






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