O encontro do kadans com o calypso no grande Caribe



29 Fevereiro 2020

per Fernando Rosa

O "cadence-lypso" é uma fusão dos gêneros "kadans rampa" (cadence rampa - e compas) do Haiti com o calypso de Trinidad e Tobago. A banda Exile One, da ilha de Dominique, é creditada como "inventora" do novo gênero. O cadence-lypso se tornou popular no Caribe, na África e chegou até o estado Pará, no Norte do Brasil. O grupo Exile One, entre outros, faz parte da cultura musical paraense.

O "kadans" hatiano é uma espécie de merengue moderno, popularizado no Caribe pelo saxofonista Webert Sicot, no início dos anos 1960. Oriundo de Trindad Tobago, o calypso também se espalhou pelas ilhas da região e ganhou novas formas modernas. O encontro dos dois gêneros ocorreu na pequena ilha de Dominique, nos anos sessenta e setenta.

O disco homônimo de estreia do Exile One foi lançado em 1974 pela gravadora Disques Debs International, de Henri Debs, sediada em Guadalupe. À mistura de kadans e calypso, o grupo agregou reggae, soul, funk e rock afro-latino, batizando o resultado de "cadence-lypso". Segundo os historiadores, o fundador e líder do Exile One, Gordon Henderson, foi quem cunho a expressão.

A popularidades do Exile One provocou uma explosão de grupos nas ilhas caribenhas, principalmente em Dominique. Entres os principais, Grammacks, Liquid Ice, Midnight Groovers, Black Affairs, Belles Combo, Black Roots e Mammouth. Com isso, os grupos de "cadence" de Dominique se tornaram populares na Martinica, Guadalupe, Haiti, outras ilhas do Caribe, América Latina e África.

Além das heranças musicais da região, a música afro-latina internacional também influenciou a mistura do "cadence", em especial Santana e Osibisa. A influência se torna evidente no uso de guitarras, teclados e percussão, que deram um tom de modernidade ao som. Também teve peso o "pan-africanismo" reinante naquele momento, com os jovens negros buscando identificação com suas raízes africanas.





 






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