Coletânea resgata originais do som afro-colombiano



11 Outubro 2020

da Redação

Em resenha publicada nas Recomendaciones REDPEM 83, no portal Zona de Obras, o jornalista colombiano Jaime Monsalve apresenta a coletânea "Guasá, Cununo y Marimba", com diversos artistas da região de Cali, a capital afro-americana do país. Segundo Monsalve, a seleção é fruto dos esforços do produtor colombiano Lucas Silva e seu selo independente Palenque Records que, após uma década de pesquisas, coletou registros originais. O lançamento é da clássica Vampisoul, em vinil duplo, como sempre embalado em bela edição gráfica.

A seleção, segundo Monsalve, abrange principalmente um dos vários formatos instrumentais característicos do litoral ocidental colombiano, "composto por marimba de chonta (assim chamada por causa do uso da madeira do chontaduro), tambor de cununo e guizo chamado guasá; trio instrumental com o qual se tocam currulaos, jugas e bundes, entre outros estilos, nas costas dos departamentos de Valle del Cauca, Cauca e Nariño, centrado em populações de criatividade transbordante, gastronomia ambrosiana, acessos complexos e não poucos problemas sociais como Guapi, Timbiquí, Barbacoas e Tumaco".

Ainda, a música chirimía de clarinetes e percussão também foi incluída, um conjunto característico do Chocó, o mais setentrional dos quatro departamentos, diz a resenha. Além de algumas gravações de orquestras de grande formato, além da música de alguns novos expoentes como Buscajá e Bambazulu. De acordo com o jornalista, "muitos dos artistas participantes da seleção ficaram no esquecimento, como o cantor Gertrudis Bonilla, os conjuntos La Marucha e Los Trovadores del Pacífico, e os maestros Julián Angulo (Julián y su Combo), Cachito Vidal (La Sonora del Pacífico ) e Crescencio Hernández, "Chencho Trumpeta” (Los Brujos del Folklore).
 




A história de Cali, por Jaime Monsalve

"Em 1996, a cidade colombiana de Cali, localizada a oeste e considerada a capital afro-americana do país, inaugurou o chamado Festival de Música do Pacífico Petronio Álvarez com mais boas intenções do que reais expectativas. Seu nome se refere ao compositor de um hino daquele litoral dedicado ao seu porto principal, Mi Buenaventura. Tema popularizado na década de 60 em gravações paralelas de duas intérpretes da mesma região do país: a cantora Leonor González Mina, conhecida como La Negra Grande de Colombia, e seu colega Markitos Micolta; ambos secundados pela orquestra de outro local, Peregoyo y su Combo Vacaná, do saxofonista Enrique Urbano Tenorio.

Tanto Mi Buenaventura como o Festival Petronio Álvarez – evento que a cada ano se torna mais massivo e que chega a 130.000 pessoas por noite – são marcos na revitalização dos gêneros endêmicos do Pacífico colombiano e equatoriano, litoral com componente predominantemente afros, cujo som mistura de campo, selva, rio e mar, havia permanecido invisível aos ouvidos do mundo durante décadas, seja pelo abandono do centralismo estatal, um pouco mais porque em muitos casos era uma música relacionada a práticas ancestrais atribuídas aos territórios , de difícil saída comercial.

Por isso, embora nos últimos anos esta música tenha se difundido com maior força pelo mundo graças à preocupação de suas novas figuras, houve pouca produção histórica de gravações desses sons, exultantes e tristes ao mesmo tempo, é claro. Foi graças ao patrocínio de pequenas empresas privadas ou de algumas entidades públicas territoriais dos quatro departamentos com a costa do Pacífico, ou devido ao trabalho e à arte dos registos de campo obtidos na altura por etnomusicólogos nacionais e estrangeiros. Por isso o valor de "Guasá, cununo e marimba", coletânea que acaba de ser lançada, é enorme e digno de comemoração".


 






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