Relespública está de volta com novo hit mod



20 Novembro 2020

da Redação

Na esteira das comemorações pelo início da terceira década de atividade, uma das principais bandas de Curitiba está voltando aos discos. A Relespública lança neste dia 20 de novembro o single “James Brown”, com a participação especial de Edgard Scandurra nas guitarras. A chegada da faixa às plataformas digitais de streaming dá início a uma série de novidades que Fabio Elias (voz e guitarra), Ricardo Bastos (baixo e vocais) e Moon (bateria) estão preparando para o ano de 2021 como artistas contratados da Volts, iniciativa fonográfica da capital paranaense fundada neste final de ano e com atuação voltada para o mercado do rock e da música pop.

“James Brown” não é uma canção recente da Reles, apesar de inédita em disco. Fábio Elias a compôs em 1991 e, desde então, volta e meia aparecia em shows do trio como uma pérola escondida no repertório. “Sempre amei o ritmo da música negra. Blues, soul, funk e até nosso samba, claro”, conta o autor. Ele lembra também que, na companhia de Daniel Fagundes, então vocalista da Reles (e falecido em maio de 1994, aos 16 anos de idade, após um acidente de carro), passavam tardes inteiras ouvindo música negra no toca-discos. “James Brownera o pai de todos na nossa singela opinião de jovens descobridores daqueles caras como Otis Redding, Sam Cooke, Marvin Gaye e todos os outros das gravadoras Motown e Stax. Um mod de verdade tem que ouvir música negra. Está no DNA mod”, exclama.

A gravação resgata um momento especial vivido pela banda no mês de setembro de 2005, em São Paulo. O trio ainda colhia os louros daquela que é considerada principal obra da carreira, o álbum As Histórias São Iguais, e fazia ensaios regulares para a gravação do DVD MTV Apresenta Relespública, o único título da série realizado em parceria entre a hoje extinta MTV Brasil e um artista independente – isto é, sem vínculo com gravadoras de grande ou médio porte em distribuição no território nacional. Misto de amigo e ídolo dos três integrantes por causa de sua extensa carreira com o Ira!, Edgard Scandurra apareceu no estúdio Mosh e acabou fazendo uma participação especial naquela música. O resultado foi registrado pela banda e mantido até hoje guardado sob sete chaves.

Como manda a boa cartilha de subversão do rock, entretanto não espere deste featuring uma participação vocal. Scandurra não canta e “apenas” toca a sua guitarra. “Estávamos afiados. Foi só contar 1, 2, 3, 4 e POW!!! Esse é o espírito da coisa e a melhor maneira de se gravar uma banda de rock. Edgard chegou, empolgou-se e se divertiu durante o encontro. Foi muito rápido e espontâneo, como deve ser. Nem precisou cantar. A guitarra deste mestre já fala por si só!”,comenta Fabio Elias.


A capa de “James Brown” traz a assinatura do curitibano Guilherme Caldas, autor das clássicas HQs Candyland ao lado do paulista Olavo Rocha (músico das bandas Lestics e Olavo Rocha). A arte traz uma ilustração do icônico godfather do soul e retoma, em traços e cores, o estilo das ilustrações de As Histórias São Iguais, também feitas por Caldas.

As Histórias São Iguais

O mês de novembro de 2020 também marcou o relançamento do histórico álbum As Histórias São Iguais, feito pela Relespública em 2003. Até então disponível apenas em CD, agora ele pode ser encontrado também nas plataformas digitais de streaming. E ainda está prevista para 2021 a tão esperada edição em vinil.

Com onze faixas e a participação especial de Nasi, vocalista do Ira!, em uma delas, este disco marcou a volta da banda às suas raízes sonoras – isto é, à formação de power trio mod (guitarra, baixo e bateria). Canções como “Garoa e Solidão” e “Nunca Mais”, em pouco tempo, transformaram-se em históricos hinos do rock curitibano em toda a sua história. Outros destaques também foram “Boatos de Bar”, “A Fumaça é Melhor Que o Ar” (canção até então inédita de Edgard Scandurra e que o Ira! Nunca havia gravado em disco), “Eu Soul” e a balada
“Marcianos”.

Volts

Criada em 2020 e dirigido pelos produtores curitibanos Marcelo Crivano e Caetano Zagonel, a Volts surge como uma forma não tradicional de selo musical. Com o objetivo de lançar discos em formato físico (vinil) e digital, a iniciativa procura fazer com que seus artistas sintam-se como parte dela, com acesso total ao que acontece, a rendimentos e sem burocracia. Tudo de forma direta e sem
mistérios.

O objetivo, segundo seus diretores, é “catalogar músicas que amamos de pessoas que são nossas amigas – e de quem admiramos – e dar a oportunidade a esses artistas de lançá-las profissionalmente através da Volts. Nossa visão é promover música de alta qualidade, de maneira positiva e transparente”. Constituem o foco principal do selo quatro itens:artistas, boa música, transparência e a união de 1
com 2 e 3.

O primeiro título da Volts foi Vestígios, o novo disco do quinteto curitibano Criaturas. O trabalho já está nas plataformas digitais desde o início de outubro e sua edição em vinil está prevista para o começo de dezembro. Com a Relespública, o selo trabalhará nos próximos meses, o relançamento de todo o catálogo da banda e também a disponibilização de material prévio inédito. O trio também começará em breve os ensaios com o intuito de gravar novas músicas, projeto iniciado no último mês de março e imediatamente interrompido por conta da pandemia do coronavírus. Também está nos planos para 2021 discos de outros artistas do rock curitibano.


Vamos dar uma Volts?

“JAMES BROWN”
(Fabio Elias)

Eu sei que o mundo ele abalou
Porque o soul ele criou, yeah, yeah!
Please please me, I don’t mind
Os mods agora vão dançar

James Brown, James Brown, James Brown, James BrownRight!

O rei que mundo consagrou
Porque um som ele criou, yeah, yeah!
Please please me, I don’t mind
Os mods (Shout!) agora vão dançar

James Brown, James Brown, James Brown, James BrownJames Brown!

Eu sei por quê, yeah!
Os mods agora vão dançar

James Brown, James Brown, James Brown, James BrownJames Brown!






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