Festival El Mapa de Todos, a integração em todos os sentidos



07 Abril 2013

por Fernando Rosa

Em entrevista para Joseba Martin, da Rádio Euskadi, do Pais Basco, Espanha, o jornalista Claudio Kleiman, da Rolling Stone argentina, destacou a diversidade do festival El Mapa de Todos e, mais do que isso, a resposta positiva do público a essa proposta. “É legal ver um público que, por exemplo, vai assistir a Bidê ou Balde, se depara com outras propostas musicais e se diverte da mesma forma”, disse comentando o que viu na última edição do festival.

O Festival El Mapa de Todos aconteceu em Porto Alegre, nos últimos dias 6,7 e 8 de novembro, na casa de shows Opinião, com participação de 15 artistas de oito paises – México, Venezuela, Peru, Chile, Argentina, Uruguai e Brasil.Na entrevista, Claudio Kleiman lembrou o segundo dia do evento, em particular, em que a curadoria do festival escalou grupos diferentes, de países diferentes, com propostas radicalmente distintas.

No entanto, destaca ele, o público presente reagiu da mesma forma, vibrando com todas as apresentações, dançando animadamente e cantando as músicas, seja em português ou em espanhol. Nesse dia, além do grupo instrumental local que abriu a noite, The Tape Disaster, apresentaram-se os grupos Norma da Argentina, Bidê ou Balde do Brasil, Bareto do Peru e El Cuarteto de Nos do Uruguai, que fechou a noite em clima de festa.

Além disso, o festival ainda uniu em um mesmo ambiente um público de diversas faixas etárias, diferente origem social e mesmo geográfica, com a presença de pessoas de outros estados do Brasil, do interior do Rio Grande do Sul e de países do Mercosul. Também é importante registrar a abertura ao novo e, mesmo, ao desconhecido do público que reagiu com o mesmo entusiasmo aos artistas locais e aos convidados latinos, do que foi maior exemplo a explosiva reação ao mexicano Juan Cirerol já na primeira música do show. Tal fato confere ao festival um valor extra, pois o público de Porto Alegre é um dos mais exigentes do país.

O “incidente” no início do show do grupo local Nenhum de Nós, quando alguém - expremido e deslocado - jogou um copo de cerveja no vocalista da banda, Thedy Correa, também foi expressivo do festival. Além de reconhecimento pelo papel desempenhado pelo Nenhum de Nós no processo de intercâmbio musical regional, a presença do grupo apontava para um rompimento com uma lógica de gueto que ainda persiste na cena independente e afirmação e valorização da cena local em toda sua amplitude. Homenageado com o nome de um de seus discos – Mundo Diablo – batizando o palco do terceiro dia, Nenhum de Nós fez um grande show, com apaixonada participação do público.

Ainda, por fim, esta edição do festival El Mapa de Todos, de certa forma deixou para trás o “trauma urbano” do frustrado festival MTV Tordesilhas, organizado no final dos anos noventa. Contando com artistas do peso de Paralamas do Sucesso, Skank, Café Tacuba, Aterciopelados e Los Tres, entre outros, o festival atraiu pouca gente, sepultando – temporariamente - a ótima idéia. “Os gaúchos, que imaginávamos ser o público mais receptivo no Brasil para esse tipo de experiência, não apareceram no Gigantinho, o ginásio onde o festival foi realizado ...”, lembrou recentemente Hermano Vianna, em artigo no jornal O Globo, curador do festival.






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