The Rolling Stones / No Stone Unturned



17 Julho 2018

por Fernando Rosa / Flávio Ohno

Com suas canções obscuras, o álbum 'No Stone Unturned', dos Rolling Stones, é talvez o primeiro álbum conceitualmente “lado B” da história da rock. As doze faixas que integram a coletânea foram sacadas de singles e de EPs e não haviam saído nos LPs da banda. Com uma capa também totalmente sintonizada com a ideia, o disco fez a festa dos fãs no início dos anos setenta – o disco foi lançando oficialmente pela Decca, em outubro de 1973. Lançado no Brasil, o álbum permanece inédito oficialmente até hoje em formato digital.

No álbum estão todos os “lados B' dos singles mais importantes dos Stones que, exatamente por isso, "sufocaram" aquelas também maravilhosas canções. Além disso, claro, a cultura do single trazia junto a ideia, que se mantém até hoje, de uma música mais "forte" no lado "A". A praticamente desconhecida Child of The Moon, por exemplo, foi “lado B” de Jumping Jack Flash, do single lançado em maio de 1968. Long Long While foi “lado” de Paint It Black, outro single clássico da banda, lançado dois anos antes, no mesmo mês.

Apesar da qualidade editorial, o disco foi editado pela Decca sem a autorização dos Rolling Stones, que renegaram a obra, assim como fizeram com outras coletâneas lançada pela sua ex-gravadora. Na raiz da controvérsia estava a política da Decca de faturar com materiais inéditos ou raros da banda, que havia criado seu próprio selo naquele início de década. Além de No Stone Unturned, a Decca ainda lançou mais quatro coletâneas naquela primeira metade de década – Stone Age, Gimme Shelter, Rock'n'Rolling Stones e Milestones.

O primeiro conflito surgiu com a coletânea Stone Age, lançada em abril de 1971, menos pelo repertório e mais pela capa, uma paródia barata da vetada arte original de Beggar's Banquet. Na época do lançamento, os Stones chegaram a bancar um anúncio em todas as publicações musicais inglesas, negando qualquer responsabilidade sobre aquele lançamento. "Desconheciamos o lançamento desse disco. Em nossa opinião, está abaixo do padrão que tentamos manter, tanto na seleção do repertório, quanto na arte da capa", dizia o comunicado.

Se a arte da capa de Stone Age irritou Jagger & turma, a de No Stone Unturned pode até ter agradado a banda, exceto pela aparição de Brian Jones em primeiro plano, apenas com o rosto virado. Com os outros quatro de costas, Brian aparece segurando um copo de vinho e um tridente, sugerindo algo misterioso, ou mesmo demoníaco, como era de seu estilo. Na contra-capa, Jagger segura um punhal entre os dentes, Watts, com uma meia-máscara, traz uma lâmpada na boca, Richards, com enormes óculos, exibe unhas vermelhas e Wyman esconde-se atrás de uma máscara oriental.

O lançamento desagradou os Stones, deu um sobre-lucro para a Decca, mas principalmente agradou os fãs que, com aquele LP, ainda nos anos setenta, tiveram a oportunidade de conhecer canções que só vieram à tona oficialmente com a edição da coletânea Singles Collection: The London Years, em 1989. Na virada do século, o "selo" russo CD-Maximum editou o disco em formato digital, com capa original, encarte, poster, razoável qualidade sonora e, o melhor, com mais sete faixas bônus.

 






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