Série Pebbles, o mais profundo rock sessentista



02 Junho 2018

por  Fernando Rosa

A nova geração de artistas e bandas americanas, como Waves, Smith Westerns e Ty Segall chamam novamente a atenção para a importância da série Pebbles para a história do rock contemporâneo. Trata-se de coleção de discos, inicialmente em vinil, depois em cd, que reuniram centenas de grupos obscuros do rock americano, especialmente, de meados dos anos sessenta. Ainda disponíveis nas lojas da rede, os discos exalam frescor, irreverência, distorsão, fuzz-guitars e outras maluquices musicais daquela geração.

No começo dos anos oitenta, a série Nuggets, editada pela Rhino Records, resgatou do limbo várias bandas do mesmo período, que viraram referência para o punk e o que veio depois. O tributo dos Ramones é a prova mais cabal da importância de bandas como The Seeds, The Standels e Love, entre outras mais ou menos conhecidas. O primeiro volume, duplo e em vinil, editado por Lenny Kaye, abriu o caminho para outros e, depois, para a edição digital, em duas caixas, com 8 cds e livretos.

No entanto, foi a série Pebbles que mergulhou mais fundo e trouxe para a superfície canções e bandas que talvez tenham sido conhecidas apenas em suas cidades, seus estados e pelos seus fãs. Mais do que alguma banda em especial, ou de algum hit em particular, o mais incrível de Pebbles é o conjunto da obra, que funciona como um grande retrato sonoro de uma época, além das paradas de sucesso. Os 28 álbuns originais, ou os 12 cds posteriores, além das coletâneas especiais, resistiram ao tempo e atestam o tamanho da explosão musical dos anos sessenta.

Segundo a Wikipédia, a primeira versão de Pebbles, com apenas 500 cópias, foi lançada por um selo Mastercharge Records, em 1978, distribuído entre um pequeno grupo de colecionadores australianos. Posteriormente, outro pretenso selo obscuro, a BFD Records, também da Austrália, lançou 10 LPs, até hoje considerados os melhores da série.

Na verdade, os dois selos não existiram, sendo apenas nomes fantasias para contornar as questões legais da época. Vários grupos presentes nesses discos, como Litter, Shadows Of Knigth e Del-Vettes tiveram discos individuais editados, mas outros como Ju Ju’s, Satans ou Lyrics, continuam limitados a esses registros.

A partir de 1983, o selo americano Bomp! Records, de Greg Shaw, sob a marca AIP Records, assume a série formalmente e edita mais 18 LPs, além dos 10 iniciais, mais 12 cds e três volumes de coletâneas a músicas extras retiradas dos vinis. Em meados dos anos noventa, a ESD (East Side Digital) Records lança quatro CDs, com apenas 1.000 cópias, diferentes da série original, contendo diversos temas ausentes na série digital da AIP.



 






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