A incrível história de El Condor Pasa



21 Fevereiro 2020

por Fernando Rosa

A exemplo de outras músicas latinas clássicas, como “Llorando se fue/Lambada”, “El condor pasa” também tem sua história de disputa de autoria e de direitos. No caso, menos por maldade, e mais por desinformação de quem induziu o músico americano Paul Simon ao erro, no início dos anos setenta. A música foi gravada por ele, e lançada no álbum “Bridge Over Troubled Water’, com Art Garfunkel, em 1970, sem os devidos créditos autorais. 

Nos anos sessenta, um grupo peruano chamado Los Incas apresentou-se em Paris em meados dos anos sessenta, incluindo “El condor pasa” no repertório do show. Na plateia, também turnê com sua dupla Simon & Garfunkel, Paul Simon apaixonou-se pela música na primeira audição e procurou os músicos para buscar informações. Os músicos peruanos, então, disseram a Paul Simon que a canção era um tema do século XVIII, portanto, de domínio público.

No entanto, a música fazia parte de uma espécie de opereta escrita entre 1912-1913 por Julio de la Paz (libreto) e Daniel Alomía Robles (música). A peça batizada de El Condor Pasa, tinha sido baseada em uma canção tradicional peruana do Século 18, chamada “Soy la paloma que el nidó perdió”. A peça foi apresentada pela primeira vez em 19 de dezembro de 1913, em Lima, no Teatro Mazzi, e posteriormente gravada por bandas de música e orquestras ao longo das décadas.

A versão que Simon ouviu foi produzida em 1963, por Jorge Milchberg que adaptou a canção para o grupo Los Incas, que o lançou em compacto, junto com a música O Cangaceiro, do brasileiro Zé do Norte, tema do filme de mesmo nome, sucesso do cinema brasileiro nos anos cinquenta. O grupo lançou a música na França, segundo o site Joop's Musical Flowers, especializado em versões originais gravadas por artistas famosos.

A partir daí, Paul Simon fez uma letra em inglês para o tema, que era originalmente instrumental, e batizou a canção de “El condor pasa (If I Could)”. Após lançada, um dos herdeiros do compositor original, o cineasta peruano Armando Robles Godoy, foi avisado que a música havia sido editada sem os devidos créditos aos seus autores originais.

Em 1974, após superado o impasse legal, Simon regravou a música no álbum solo “Paul Simon in Concert: Live Rhymin'”, já com a correção efetuada. Depois de superado o impasse legal, os direitos autorais passaram a ser divididos meio a meio entre Paul Simon, autor da letra, e os herdeiros de Daniel Alomía Robles, o autor da música.
 










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