Jéf, o Sul revela um novo e genial cantautor



25 Maio 2014

por Fernando Rosa

As melhores histórias musicais de Senhor F são aquelas que surgem “do nada”, por vezes quase ao acaso. Como dizemos por aqui, o que ainda vale, o que mais prezamos, é a surpresa. Nada “encomendado” funcionou com Senhor F em sua história editorial - do portal e do selo. Melhor ainda, quando isso ocorre nesses novos tempos fugazes.

Por isso, temos um imenso prazer em apresentar o disco de estréia de Jéf – Jéferson de Souza, com o qual “esbarramos” num post no Facebook. Um surpreendente conjunto de belas e emocionantes canções, maduras mas com um fundamental frescor autoral. Algo que nos fez lembrar de quando ouvimos Superguidis pela primeira vez.

Canções como Leve, Pra colar, Só e Oi, para destacar apenas quatro, são pérolas musicais e poéticas, buriladas com arranjos e instrumental preciosos. Uma sonoridade com “postura” universal que, talvez, signifique mais um passo adiante na superação do arraigado bairrismo cultural gaúcho. Um caminho já trilhado pelo já citado Superguidis e, atualmente, por Apanhador Só.

Cantor e compositor, 25 anos, Jéf é natural de Três Coroas, a cidade do templo budista, localizada na região coureiro-calçadista. Já teve banda, Vitrô, com quem, diz ele, “entramos em estúdio algumas vezes, mas nunca terminamos o que começamos”. Em 10 anos, a banda teve alguns poucos registros de estúdio.

A história de Leve começa em 2012 quando “através de um convite para escrever uma trilha para um curta-metragem que estava sendo rodado por um grupo de amigos na cidade, liguei para o Thiago Heinrich para gravar a música Quando Você Voltar. Em um sábado à tarde os dois gravaram a música, com Thiago na bateria, baixo, piano e ukulele e Jéferson nos violões e voz.

“Gostamos muito do resultado e da liberdade que surgiu entre nós. Resolvi gravar mais algumas músicas que não tocava com a Vitrô”. As músicas foram para a internet e o sucesso inesperado resultou na ideia de gravar o disco. “Levamos quase um ano, entre 2012 e 2013, de forma tranquila no home estúdio do Thiago”.

Com o trabalho quase pronto, Leo Lage, diretor de arte de Porto Alegre, autor da capa do Tess, entrou em campo. “O Leo chamou o Gabriel Not, grande fotógrafo, e juntos conceberam a capa. Dentre as ideias apresentadas, a do “pó colorido” foi a que me chamou mais atenção. Então, produziram e fizeram um trabalho brilhante”.

“Quando entrei em estúdio sem uma banda fixa, acredito que tenha sido um passo importante para independência”, diz Jéferson explicando a transição para a carreira solo. A maioria das composições da Vitrô já eram feitas por Jéferson e apresentadas para banda, onde cada um dava sua opinião nos arranjos, segundo ele. “Acredito que a transição foi acontecendo aos poucos”.

A formação musical de Jéf vai desde os clássicos como Beatles e Roberto Carlos, bandas indies internacionais e nacionais, como Superguidis, Volver, Apanhador Só, Pullovers, e a nova geração de Marcelo Jeneci, Silva e Tiago Iorc. “Tenho ouvido Of Monsters and Men, Kings of Leon, Jorge Drexler, Phill Veras, Silva, entre outros diversos”, completa.

Aos poucos, tanto o disco, quanto o próprio Jéf vão sendo descobertos no estado, dando visibilidade para a obra de um dos artistas mais promissores da nova geração local. Colabora para isso a sinceridade das canções, que se estende à forma como foram gravadas e também ao desprendimento com que o disco foi divulgado. A "fórmula" que engendra discos clássicos.
 



Site oficial - http://www.ojef.com.br/


 






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