Eddy Teddy & Cokeluxe, pioneiros do rockabilly no Brasil



28 Julho 2014

por Fernando Rosa

"O Eduardo – Eddy Teddy (na foto com Kid Vinil) - foi um dos melhores caras que já conheci, apaixonado principalmente por rockabilly", disse Wagner Benatti, o Bitão, que integrou a banda Cokeluxe ao lado de Eddy. "O Eddy Teddy se transformava no palco e tivemos performances inesquecíveis dele com a boneca inflável, a garrafa inflável gigante e muito mais", lembra Bitão, que também fez parte dos grupos Os Megatons, nos anos sessenta, e Pholhas, nos anos setenta. Eddy Teddy morreu em agosto de 1996, deixando uma legião de amigos e fãs de sua música, especialmente em São Paulo e junto à “nação rockabilly” do país.

"O cantor e guitarrista Eddy Teddy surgiu para o grande público em 1983", segundo conta Ayrton Muganini em artigo que escreveu para lembrar o saudoso amigo e parceiro musical. Antes de formar o lendário Cokeluxe, Eddy Teddy tocou em inúmeros grupos, com destaque para Satisfaction, Spectral Zoo e British Beat, todos voltadas para o rock and roll e para os sixties. Mas foi com o Coke Luxe que ele cumpriu sua pioneira "missão" de popularizar o rockabilly no Brasil, incluindo suas vertentes modernas, particularmente o psychobilly. O único disco lançado pelo grupo, antecedido de um compacto simples, ainda em vinil – pelo selo Baratos Afins – é um marco histórico do gênero no Brasil.

Integravam o Cokeluxe, além de Eddy (vocal e guitarra) e Bitão (baixo), os músicos Lelo Cadillac - Marco Aurélio de Macedo (guitarra) e Billy Breque - Victor Sidney Riccelli (bateria). Ainda fez parte da banda o baixista Little Piga (Luiz Fernando Jimenes de Barros), um dos fundadores e autor da maioria das músicas. Ao lado dos cariocas João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, a banda tornou-se um dos grupos mais importantes do gênero no país, que ainda contou com Eduardo Dusek e Léo Jaime entre os seus nomes mais ilustres. O grupo se desfez no final dos anos oitenta, mas sem deixar de realizar aparições ocasionais em eventos especializados em rockabilly, que sempre contavam com o apoio de Eddy e sua turma.

Além do grupo Cokeluxe, com quem lançou um clássico lp em meados dos 80, e um compacto, pelo selo Baratos & Afins, Eddy Teddy também formou após o Rockterapia, junto com o guitarrista Nuno Mindelis. Ainda fez parte do grupo Os Vilões, trabalhou com os Kriptonitas e, por fim, apoiou a banda The Krents, de seu filho Luizinho, além de colecionar LPS e CDs, especialmente de rockabilly, sua maior paixão musical. Também participou da gravação do lp Kid Vinil & Os Heróis do Brasil, formado por Kid Vinil e o guitarrista André Christóvam, na faixa Conta da Light. Eddy ainda deixou diversos registros inéditos de suas bandas, com destaque para sua participação com os Kriptonitas, um dos mais raros, obscuros e importantes representantes do rockabilly nacional.

"Antes do surgimento do personagem Eddy Teddy, o cidadão Eduardo Moreira já era pessoa das mais famosas e queridas no meio roqueiro paulistano, como músico e agitador, trocando fitas e discos com amigos e promovendo as já lendárias feiras de colecionadores de discos aos domingos, além do Clube do Rockabilly com associados em todo o país desde 1980 até, infelizmente, subir para o Grande Salão de Baile do Céu em 1996, aos 46 anos de idade”, escreveu Mugnaini, sintetizando a trajetória simples, cotidiana e de profundo espírito coletivo do músico.

* Fernando Rosa é editor de Senhor F e sempre amigo de Eduardo Moreira.






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