Roberto Carlos / 1966 (Eu te darei o céu)



03 Setembro 2017

por Fernando Rosa

O disco de Roberto Carlos de 1966 – com capa preta a la “Meet The Beatles” de um homem só - quase nunca é lembrado entre os mais importantes de sua carreira. Os números “1” estão sempre a partir de 1967 e até 1972, com destaque para O Inimitável – ainda o meu preferido. Alguns também preferem o disco Jovem Guarda, talvez o mais importante da primeira fase. Este disco, lançado em 1966, na verdade, é uma espécie de “Rubber Soul” do Rei, um divisor de águas em sua carreira.

Nele, RC deixa para trás a linguagem do rock mais quadrado, o “beat” – influência dos anos cinquenta, e aposta em arranjos mais ousados. Apoiado na melhor banda que teve – Lafayette nos teclados, Renato Barros na guitarra, Paulo Cesar Barros no baixo e Toni na bateria, Roberto produz seu disco mais rico musicalmente, antes dos setenta. Um disco praticamente acústico – até mesmo os temas roqueiros como Negro Gato, O Gênio e É Papo Firme soam mais The Seeds do que rock tradicional.

Temas como Eu Te Darei o Céu, Nossa Canção e Eu Estou Apaixonado por Você apresentaram um novo Roberto Carlos à juventude brasileira naquela metade de década. O disco também destacava definitivamente o órgão de Lafayette, que significou para a sonoridade de Roberto Carlos o que Al Kooper foi para Bob Dylan, em sua transição do folk para a música elétrica. Os timbres do disco, por outro lado, mais refinados, de certa forma refletindo aquele momento da música, do rock, internacional. 






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