Conexão amazônica na origem da cumbia



25 Março 2017

por Fernando Rosa

A conexão musical-cultural do Brasil com o Peru é um segredo ainda tão bem guardado quanto as profundezas da Floresta Amazônica. No Acre, as cidades de Cruzeiro do Sul, do lado do Brasil, e Pucalpa, do lado do Peru, fazem a ponte social, cultural e musical. Nos anos setenta, dali surgiu o grupo Juaneco y Su Combo que gravou Mujer Hilandera, ou seja, Mulher Rendeira, e ganhou o país – um dos grandes sucessos da cumbia peruana. Mas, as conexões são ainda mais profundas ou, melhor dizendo, caudalosas, levando a música de um lado a outro pelas águas do rio Amazonas.

A gravação da música “Carapira” do brasileiro Pinduca, o rei do carimbó, pelo grupo Los Wemblers de Iquitos é um exemplo dessas conexões musicais construídas ao longo de rios e portos pluviais da Amazônia. A música do brasileiro batiza um dos discos do grupo peruano, lançado em 1977, não deixando dúvidas sobre a profunda identidade existente entre as culturas da região amazônica, apesar das distâncias e das dificuldades de acesso. Los Wemblers é da cidade Iquitos, no Peru, conhecida com a Capital da Amazônia Peruana, isolada na selva, acessível apenas por barco e avião.

“A cumbia peruana foi desenvolvida em parte na bacia do rio Amazonas, onde há fortes conexões com o Brasil”, disse o músico Lucho Carrillo, do grupo Cumbia All Stars, ao jornalista Jamerson de Lima, em entrevista ao Diário de Pernambuco – o grupo estava em Recife, onde participou do Festival Abril Pro Rock. Iquitos está historicamente ligada a rota fluvial que, por meio do Rio Amazonas, conecta Leticia na Colômbia e Manaus e Belém do Pará no Brasil, até chegar ao Oceano Atlântico. Na primeira metade de século XX, esse caminho fluvial era usado por grandes navios mercantes de muitas companhias de navegação estrangeiras.

Los Wemblers surgiu em 1968 sob a liderança do guitarrista Salomón Sánchez Saavedra, que reuniu seus cinco filhos sob sua batuta, para criar o que se convenciou chamar de cumbia amazônica. Em 1971, gravam o disco “Cumbia Amazônica”, abrindo caminho para uma carreira nacional de grande sucesso, marcada por hits como “Danza del petrolero”, “Sonido amazónico” e “Amenaza verde”. Em 2012, depois de dezenas de compactos e LPs lançados, retornam aos palcos da cidade natal na condição de destaque dos festejos comemorativos pela definição do Rio Amazonas como uma das maravilhas do mundo.






 






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