Pó de Ser / A dança da canção incerta



07 Maio 2016

por Fernando Rosa

Acompanhamos a carreira de Diego de Moraes desde meados dos anos dois mil, mais exatamente a partir do EP "Reticências" lançado em abril de 2005. No disquinho com cinco canções, além de quatro vinhetas, ele definia o seu caminho na auto-explicativa "Desculpe-me, mas eu vou cantar em português". Desde lá, acompanhado pelo Sindicato, ele lançou o clássico "Parte de Nós", um dos grandes discos dessa geração. Também lançou o disco solo "Mascate", um EP com o Pó de Ser e, ainda, outro EP da dupla Waldi & Redson, de música indie-caipira-goiana. Em todos eles, a marca de um compositor ligado em seu tempo, com música e poesia criativas e ousadas. Uma "música popular brasileira", jovem, moderna, sem regurgitar Los Hermanos, nem clássicos mofados.

Agora, com o novo disco "A Dança da Canção Incerta", com a banda Pó de Ser, Diego de Moraes, reafirma sua trajetória em busca de uma brasilidade "indie", com sotaque regional-universal, e muitas e certeiras referências musicais e poéticas, como poucos artistas brasileiros conseguem atualmente. "Pode ser pop ou rock, vanguarda paulistana ou brega 70’s. Tropicalismo ou Clube da Esquina. Samba ou bolero. Tango ou seresta. Os “malditos” da MPB ou os “queridos” dos Beatles. Tom Zé ou Talking Heads. Concretismo ou parnasianismo. Psicodelismo ou tradicionalismo. Raul Seixas ou Luiz Tatit",como definiu o jornalista Cristiano Bastos, que assina o release da obra. Na música "Bicho Urbano", o goiano sintetiza não apenas essa ideia, mas boa parte da produção musical, poética e estética brasileira moderna.

“Pó de Ser é vintage futurista, vanguarda ‘dodecafona’, pop experimental, cultbrega, regional intergaláctico”, arrisca definição Kleuber Garcêz, que, ao lado de Diego de Moraes, forma a dupla de letristas da banda, que também conta com Danilo Rosolem (percussão), Hermes Soares (teclados) e Fernando Cipó (guitarra). O álbum foi gravado no estúdio Rocklab Produções Fonográficas, do produtor Gustavo Vazquez, que já produziu vários discos importantes da nova música do centro-oeste, a exemplo do primeiro (e muito elogiado) álbum da Macaco Bong. A arte da capa leva assinatura da artista plástica Natália Mastrela. Entre outras participações, Fernando Catatau (Cidadão Instigado) participa de A Dança da Canção Incerta tocando guitarra nas faixas que abrem e fecham o disco: “Pode Apostar” e na homônima “Pó de Ser”.

Sem exceção, todas as canções crescem a cada audição, mostrando um compositor, cantor e, além disso, arranjador maduro, que passeia por diversos gêneros com criatividade e identidade. "A Dança da Canção Incerta" é um dos lançamentos mais importantes da nova música brasileira atual. Além do prazer da audição, mergulhar em seu universo musical e poético traz um alento de esperança diante da pobreza intelectual vigente. Não é de graça que o nome da banda surgiu quando Diego e Kleuber assistiam a um show de Hermeto Paschoal, para eles, e para nós, "um dos mestres do experimentalismo musical brasileiro". Um disco para quem quiser ouvir música brasileira moderna, com muitos clássicos do futuro. Salve Diego de Moraes e seu Pó de Ser que "correm todos os riscos" e  "vêem além do "breu das regras".

Baixe o disco aqui: http://www.bandapodeser.com/


 






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